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Imagem sintética e meramente ilustrativa. Não é uma foto real.

Gorgonoid: humor, opinião e bastidores da maromba

Gorgonoid virou uma voz da maromba ao misturar humor, opinião, bastidor, tecnologia e fidelidade ao próprio público.

Gorgonoid ocupa um lugar curioso na maromba brasileira: não é atleta profissional, não se vende como dono da verdade e mesmo assim virou uma das vozes que muita gente do meio assiste antes de formar opinião. Em "GORGONOID - PODCAST DOS ESPECIALISTAS", do Monster Cast, o personagem que aparece por trás das piadas é um comunicador que cresceu aprendendo em público, mexendo com tecnologia, testando formatos e criando uma comunidade que acompanha fisiculturismo como quem acompanha noticiário esportivo.

A força dele está justamente nessa mistura. Tem zoeira, irritação, comentário de palco, bastidor de marcas, análise de internet, empreendedorismo, vida no interior, paternidade e uma lealdade rara ao público que ajudou a transformar um canal de musculação em referência cultural da maromba.

O aprendiz que virou comunicador

A origem do canal não começou com pose de especialista. Gorgonoid conta que, em 2016, ainda era um praticante tentando aprender e compartilhar o que descobria. Um dos primeiros conteúdos ensinava a estimar percentual de gordura em casa com fita métrica e planilha, usando a habilidade que ele já tinha com Excel e automação. Os números desse começo são modestos e ele faz questão de repetir: tinha cerca de 300 inscritos, não tinha shape e tirou o método de um estudo feito com militares, que mediam pescoço e cintura e chegavam a um valor próximo do real. A planilha foi liberada para download junto com o material, que hoje passa de meio milhão de visualizações.

Esse detalhe explica boa parte da conexão com o público. O ponto de partida não era o físico perfeito, o palco ou o consultório cheio. Era a dor de quem estava começando e encontrava uma ferramenta útil. Quando alguém aprende junto com a audiência, a comunicação muda de tom. Fica menos professoral e mais próxima.

A base técnica também não veio do fitness. Ele é formado em engenharia, trabalhava com automação industrial e chegou a criar o canal da empresa onde trabalhava para gravar aulas de automação. Comprou o primeiro computador com o dinheiro do primeiro emprego, aos 14 anos, e fez curso de informática antes de qualquer coisa ligada a academia. Recém-formado, ganhava 3.600 reais por mês, dos quais 1.300 iam para a faculdade e 600 para o boleto do carro.

Com o tempo, a mesma lógica migrou para outros formatos: vídeos informativos, comentários, vlogs, cortes, análises de campeonato e bastidores da indústria fitness. A persona ficou mais forte, mas a base continuou parecida. O conteúdo nasce de curiosidade, opinião própria e vontade de explicar o que está acontecendo.

Opinião não é fato

Um dos blocos mais importantes é a diferença entre opinião e fato no fisiculturismo. Resultado de campeonato, especialmente em categorias mais subjetivas, envolve critério, preferência de arbitragem, comparação de linha, volume, condicionamento e proporção. Dá para discordar de uma colocação sem transformar discordância em verdade absoluta. Ele separa as categorias com critério: biquíni, wellness e physique são as mais subjetivas, porque pesam muito a preferência do árbitro e o contexto do campeonato, enquanto open e classic se apoiam em quatro critérios mais duros, quantidade de massa muscular, simetria, proporção e condicionamento, com o limite de peso funcionando como trava adicional na classic.

Gorgonoid reconhece que comunicadores também precisam lembrar que gente nova chega todos os dias. O público antigo entende o tom, a piada e o contexto. O seguidor novo pode cair em um corte isolado e interpretar brincadeira como ataque, ou opinião como sentença técnica.

O contexto dessa fala é uma cobrança pública feita por Eduardo Correia a quem comenta fisiculturismo sem ter competido. Gorgonoid concorda com o fundo do argumento, mas discorda da premissa: para ele, o que houve foi subestimar a capacidade técnica dos comentaristas. Ele admite que 4 anos antes não sabia nada e diz que hoje sabe o suficiente para olhar um palco e entender o que está sendo julgado, sem disputar com Correia, Balestrin ou Pacholok quem sabe mais.

Essa distinção é central para a mídia maromba atual. Quem comenta palco precisa ter liberdade para discordar, mas também precisa saber quando está falando de critério objetivo e quando está apenas expondo leitura pessoal. O público, por outro lado, precisa aprender a consumir análise sem procurar briga em cada frase. A mesma régua ele aplica fora da maromba, e aí a conta fica mais cara. Cristão declarado, consome canais de filosofia e de acadêmicos que contestam consensos científicos, diz ter estudado terraplanismo e chegado à conclusão de que não sabe de nada, questiona a ida do homem à Lua e a idade estimada do universo. É a parte mais polêmica do repertório dele, rende acusações de ignorância nos comentários e ele mesmo reconhece que evita voltar ao assunto.

A zoeira como linguagem do bodybuilding

A zoeira aparece como parte do DNA do personagem. Memes, apelidos e tiradas improvisadas não entram como detalhe lateral. Eles funcionam como linguagem de comunidade. Em um esporte que sempre teve algo de underground, a piada ajuda a transformar nomes, episódios e rivalidades em cultura compartilhada.

O limite defendido é simples: respeito e brincadeira precisam coexistir. Quando qualquer piada vira ofensa imperdoável, a internet perde uma parte importante da sua energia. Ao mesmo tempo, contexto importa, porque o humor que funciona entre quem conhece o ambiente pode soar agressivo para quem chega de fora.

É por isso que Gorgonoid vive entre duas forças. De um lado, a espontaneidade que tornou o canal reconhecível. Do outro, a responsabilidade de saber que atletas, donos de marcas, treinadores e fãs acompanham o que ele diz.

Quando a maromba virou noticiário

A fase mais recente do canal ganhou força quando a cobertura de campeonatos e bastidores começou a parecer lenta ou amadora demais para o tamanho do mercado. Gorgonoid descreve uma virada durante o Olympia, quando passou muitas horas acordado publicando resultados, comentários e atualizações quase em tempo real. Os números da virada: 48 horas acordado e 16 publicações em 2 dias, tudo o que acontecia virava conteúdo. Ele conta que a motivação foi achar a cobertura existente amadora demais e concluir que conseguia fazer melhor.

Ali ficou claro que havia espaço para tratar fisiculturismo como notícia. O público queria saber quem venceu, quem foi injustiçado, quem melhorou, qual atleta estava em alta, qual marca estava se movimentando e qual treta tinha potencial de virar assunto.

Essa cobertura ajudou a puxar o nível de todo o ecossistema. Canais passaram a melhorar áudio, edição, roteiro, velocidade e opinião. O esporte continuou sendo esporte, mas ganhou linguagem de mídia diária. Ele faz questão de dividir o crédito e cita nominalmente Igor Kennedy, Brasil Bodybuilding News, Notícia Maromba e o próprio Jason como canais que subiram de nível depois disso, e reconhece que o Notícia Maromba já fazia um trabalho bom porque se propôs desde o início a publicar notícia sem opinião. Para um nicho acostumado a esperar revista, fórum ou bastidor de academia, isso mudou a relação do público com o palco.

Tecnologia como vantagem competitiva

O diferencial técnico também pesa. Gorgonoid fala de OBS, atalhos, edição, planilhas, aplicativos e rotina de produção como alguém que realmente entende a ferramenta. O comunicador não depende apenas de carisma. Ele construiu uma operação de conteúdo. A rotina é industrial: edita por volta das 8 horas da manhã para o conteúdo estar no ar às 9, comprime tudo para menos de 1 minuto e publica o mesmo material no Shorts, no Instagram e no TikTok. Faz isso sozinho, todos os dias.

Essa vantagem aparece em detalhes: usar óculos para disfarçar a troca constante de telas, montar atalhos como se estivesse jogando, pagar softwares quando o canal passou a dar dinheiro e transformar conhecimento de computador em agilidade editorial. O OBS dele tem tanta configuração que ele brinca que assusta quem vê a tela, e o teclado durante a gravação parece o de quem está jogando, de tanto atalho. A parte do software pago tem uma justificativa moral explícita: enquanto não ganhava nada, usava versão gratuita, mas a partir do momento em que o canal passou a gerar receita passou a assinar as ferramentas, porque considera sacanagem usar o trabalho dos outros de graça.

No cenário atual, isso importa muito. A maromba não compete apenas em bíceps, carga e palco. Compete também em distribuição, formato, narrativa, corte, título, tempo de resposta e capacidade de transformar uma notícia em conversa antes que o assunto morra. A leitura de plataforma é fria. Ele diz que short paga centavos e não serve para faturar, apenas para alcançar gente nova, e que o mesmo vale para o reels no Instagram, enquanto o stories só fideliza quem já segue. O conselho prático que dá a quem quer crescer na área é volume: se a chance de um reels viralizar é de 1 em 100, publicar 1 por semana significa esperar 2 anos, e publicar 100 em 3 meses muda a conta. Ele mantém um ranking mensal de canais maromba por visualizações e planeja montar no próprio site um ranking de atletas brasileiros por títulos, com critérios e pesos declarados.

Lealdade, patrocínio e independência

Outro eixo forte é a relação com marcas. Gorgonoid defende uma lógica de parceria longa, construída com confiança, liberdade e resultado real. Ele diz preferir ganhar menos e manter coerência do que trocar tudo por uma proposta maior que tire sua voz. Não é figura de linguagem. Ele afirma que concorrentes já ofereceram mais que o dobro do que ganha e que não sairia por 200 mil reais por mês nem por 1 milhão, e que as parcerias dele são longas justamente por isso: quase 7 anos com a farmacêutica de manipulados, 6 ou 7 anos com uma loja de suplementos, e nunca foi mandado embora nem pediu para sair de nenhuma. Quando uma marca chega oferecendo muito, ele inverte a proposta e pede menos: em vez de 10 mil, começar com 1 mil por um ou dois meses, para testar se a venda justifica o valor. A lógica é de sobrevivência, porque quem entra caro e não vende é mandado embora.

Essa postura aparece quando ele fala de marcas antigas, de produtos que não gostou, de suplementos que não compraria e de situações em que a sinceridade pode vender mais do que propaganda forçada. Os dois exemplos são concretos: ele gravou um story dizendo que não gostou de um sabor lançado pela própria patrocinadora, quando ainda tinha muito menos audiência, e autorizou a participação numa lista de outro comunicador que enumerava os suplementos mais inúteis, vários deles vendidos pela marca que o patrocina. O raciocínio comercial dele é que a informação honesta redireciona a compra em vez de cancelá-la, e que a fabricante ganha ao produzir mais do que realmente vende. Para ele, credibilidade é patrimônio. Se o público percebe que todo produto é maravilhoso, a confiança desaparece.

A leitura é madura para o mercado fitness. Influenciador que aceita qualquer coisa vira vitrine. Influenciador que preserva critério vira filtro. A diferença entre os dois define se a audiência enxerga publicidade ou recomendação confiável.

Comunidade não é número

O relacionamento com os seguidores ocupa boa parte da identidade de Gorgonoid. Ele fala de responder direct, participar de Telegram, lembrar nomes, bloquear quem desrespeita e tratar suas redes como extensão da própria casa. O grupo de Telegram, que ele mantém desde 2018 e considera mais engajado que o Instagram, tem cerca de 25 mil pessoas. A caixa de solicitação do Direct recebe algo como 100 mensagens por dia e ele diz responder todas, salvo quando a mensagem é só um pedido de produto sem nem um cumprimento. Ele já bloqueou perto de 6 mil contas e usa um método próprio: quando um comentário desrespeitoso junta curtidas, bloqueia também quem curtiu, eliminando de uma vez os que viriam depois.

Essa relação é intensa porque o público não aparece apenas como audiência. Aparece como gente que cresceu junto, comprou produtos, assistiu de manhã, mandou mensagem, encontrou em feira, acompanhou família e viu a vida dele mudar. A comunidade ajuda a sustentar o canal, mas também cobra presença. O preço disso aparece na estatística. Ele conta que, para o número de seguidores subir mil no Instagram, costuma ganhar 7 mil e perder 6 mil, efeito direto de ser um perfil que se ama ou se odeia. Admite sem constrangimento que o ego dói ao ver colegas com milhões de seguidores, mas defende que o engajamento dele é melhor que o de muito canal maior.

O ponto mais honesto é reconhecer que existe carinho real e limite real. Um seguidor pode sentir proximidade, mas nem todo mundo é amigo íntimo. Separar admiração, colega, amizade e família evita confusão emocional em um ambiente onde a internet faz parecer que todo mundo se conhece. Ele leva essa separação ao limite, e ao vivo: diz aos apresentadores que não são amigos dele, e sim colegas de profissão, como gente que trabalha em salas diferentes do mesmo escritório. Amigo, para ele, é o primo que cresceu junto. Aplica a mesma régua a Renato Cariani, de quem diz gostar e a quem admira, mas de quem afirma nunca esperar nada, justamente para não se decepcionar.

Paternidade, rotina e vida fora do centro

A chegada da filha aparece como virada pessoal. O relato sobre ter ficado natural, tentado recuperar a testosterona e visto a gravidez acontecer mostra uma fase em que saúde, família e rotina ganharam outro peso. O relato tem detalhe. Ele passou 1 mês fazendo a própria terapia de recuperação, com HCG e manipulados, e diz ter saído de uma testosterona batendo em 90 para algo em torno de 470. A gravidez não era o objetivo, foi consequência, e a filha nasceu em março de 2023. A promessa de abandonar refrigerante pela saúde da filha resume bem essa mudança: algo simples, mas emocionalmente forte. A promessa tem uma história anterior que ele conta rindo de si mesmo: já havia prometido, em silêncio, largar refrigerante se a esposa vencesse o Arnold Classic Brasil na classic, e ela ficou em segundo. Quando a gravidez veio, concluiu que não podia prometer menos por algo mais importante e cumpriu. O último refrigerante foi em agosto de 2022, e ele admite ser viciado na bebida.

Mesmo com relevância nacional, Gorgonoid rejeita a ideia de sair do Vale do Aço para morar em São Paulo. A escolha pelo interior tem a ver com casa, família, amigos antigos, academias e uma noção muito prática de liberdade. A casa em que mora é da mãe e foi reformada por ele, num conjunto de 6 lotes sem muro separando, onde a família toda mora junta. Quando perguntado sobre a chance de se mudar para São Paulo, a resposta é zero.

Esse ponto diferencia a trajetória. Enquanto muita gente do fitness acredita que precisa estar no centro da mídia para existir, ele constrói influência a partir de Timóteo, com internet, trabalho constante e uma comunidade que acompanha de qualquer lugar.

Academias, dinheiro e longo prazo

O empreendedorismo surge de forma concreta. A compra de participação em academia, a reforma durante a pandemia, a aquisição de outra unidade, o box de CrossFit e o plano de expandir a marca mostram que a internet não virou apenas consumo. Virou capital para construir negócios físicos. Os valores são conhecidos porque ele os narra. A academia onde treinava tinha dois sócios e cada parte valia 100 mil reais. O sócio que queria sair pediu 130 mil, se assustou com a pandemia e acabou aceitando os 100 mil. Com os 30 mil que sobraram, Gorgonoid reformou o lugar: pintura, iluminação de LED, divisórias de vidro e bancos novos no lugar dos antigos, além de televisões que ganhou de presente do dono de uma das marcas que o patrocina.

A filosofia financeira é pouco sofisticada no discurso e muito clara na prática: não criar dívida impagável, reinvestir, colocar dinheiro para rodar e crescer aos poucos. A segunda unidade veio de um divórcio: os donos se separaram e venderam por 150 mil reais, com 75 mil de entrada pagos pelo sócio e os outros 75 mil parcelados sem juros direto com o antigo proprietário, em 24 boletos de 3.125 reais que Gorgonoid assumiu. O box de CrossFit foi aberto do zero e, segundo ele, não vingou como esperado, porque a cidade é horizontal demais e falta público, então a ideia é reconverter o espaço para academia mantendo os alunos atuais. A nova fase inclui trocar o nome de todas as unidades para uma marca única e substituir as máquinas, com o equipamento entrando por uma parceria paga em divulgação em vez de sair do caixa. A ambição declarada é dominar o Vale do Aço antes de pensar em qualquer expansão maior.

Essa visão conversa com a própria trajetória digital. Crescer rápido demais pode quebrar. Aceitar dinheiro fácil demais pode comprometer a voz. O balanço pessoal dele é declarado sem rodeio: não tem um centavo no banco, porque converte tudo em patrimônio físico. Tem 3 lotes, casa própria, carro quitado e nenhuma dívida além da fatura do cartão, que fica bem abaixo do que ganha. Somando tudo, estima passar de 1 milhão de reais, e diz que se o YouTube acabasse amanhã as academias sustentariam o padrão de vida. O carro, aliás, é uma BMW usada comprada por pouco mais de 60 mil reais na troca por um Polo de 20 e poucos mil, e ele conta que andava de vidro aberto para ser reconhecido, coisa da qual ri hoje. A estratégia mais sustentável parece ser construir base, reinvestir e manter controle sobre o próprio nome.

Há também um traço que ele repete em vários momentos: não segurar dinheiro. Durante a obra da casa, com a mão de obra atrasada, aumentou por conta própria a diária dos pedreiros de 140 para 200 reais e a do ajudante de 70 para 100, e manteve o valor até o fim da obra, apesar de ter combinado só o mês de janeiro e de estar no vermelho na época. O objetivo declarado é dominar o Vale do Aço, região de quase 500 mil habitantes somando as três cidades, em um horizonte de 5 a 6 anos, e só então pensar em franquia.

O mercado fitness ainda está aberto

A visão sobre o futuro da maromba é otimista. Para Gorgonoid, musculação e fisiculturismo vivem uma expansão comparável à democratização que o YouTube trouxe para a fama. Antes, era preciso depender de grandes emissoras, revistas ou marcas. Hoje, um treinador, atleta ou comunicador pode construir público com conteúdo, shape, consistência e identidade. Ele dimensiona a oportunidade em número: estima algo perto de 10 milhões de brasileiros treinando, cerca de 5% da população, num mercado que considera longe da saturação. E cita casos concretos de gente com 10 mil seguidores tirando renda de consultoria, incluindo um rapaz da cidade dele que atende dezenas de alunos sozinho, morando no interior de Minas.

Isso não significa que o caminho ficou fácil. A régua subiu. Ter shape virou quase pré-requisito para quem quer vender fitness. Produzir conteúdo virou obrigação. Saber se posicionar virou diferença competitiva. O mercado ainda aceita novos nomes, mas não premia mais qualquer câmera ligada sem ideia. Ele descreve o momento como uma retração leve, em que os salários estão voltando ao valor real depois do inchaço que veio com a explosão do mercado, e lembra que a era em que bastava ligar a câmera acabou junto com o auge dos vlogs, quando as marcas passaram a montar estruturas de gravação com equipe própria que criador nenhum conseguia acompanhar sozinho.

A crítica aos atletas profissionais também entra nesse ponto. Virar pro card não garante dinheiro, fama ou relevância. Com mais atletas profissionais no Brasil, a diferença passa a estar em resultado internacional, presença no Olympia, comunicação, marca pessoal e capacidade de gerar negócio. A comparação que ele faz é histórica: houve um tempo em que os profissionais brasileiros cabiam nas duas mãos, com nomes como Felipe Franco, Rafael Brandão e Eduardo Correia, e hoje há mais procard no país do que youtuber de maromba. A conclusão é dura: quem não tem vaga no Olympia, na prática, não se diferencia de um amador bem colocado.

Conclusão

Gorgonoid virou referência porque entendeu a maromba como cultura, não apenas como treino. Ele comenta palco, mas também lê internet. Faz piada, mas sabe o peso que uma opinião pode ganhar. Vende, mas tenta preservar confiança. Mora no interior, mas influencia o debate principal.

A grande lição da trajetória é que comunicação fitness não precisa nascer perfeita. Pode começar com planilha, vergonha, curiosidade e poucos inscritos. O que sustenta o crescimento é repetir, melhorar, aprender a ferramenta, respeitar a audiência e ter coragem de assumir uma voz própria.

Em um mercado cheio de personagem polido, Gorgonoid cresceu justamente porque parece menos fabricado. A maromba reconheceu ali um comentarista de sofá, um técnico de internet, um fã do esporte e um sujeito que transformou zoeira em trabalho sério.

FAQ

Quem é Gorgonoid?

Gorgonoid é um comunicador brasileiro da maromba, conhecido por comentar fisiculturismo, bastidores do mercado fitness, notícias, memes e temas de musculação com linguagem direta.

Por que ele ficou relevante na maromba?

Ele ficou relevante por unir opinião, velocidade de cobertura, humor, conhecimento de internet e proximidade com o público em um momento de crescimento do fisiculturismo brasileiro.

Gorgonoid é atleta profissional?

Não. A autoridade dele vem principalmente da comunicação, da experiência como praticante, da convivência com o meio e da capacidade de traduzir bastidores para a audiência.

Qual é a principal marca do conteúdo dele?

A principal marca é a mistura de análise e zoeira. Ele comenta assuntos sérios do fisiculturismo, mas usa humor, memes e opinião pessoal como linguagem de comunidade.

O que a trajetória dele ensina para quem quer crescer no fitness?

Ensina que consistência, identidade, domínio das ferramentas, honestidade com o público e leitura de mercado podem valer tanto quanto estar no centro físico da indústria.

Como Gorgonoid começou no YouTube?

Em 2016, com cerca de 300 inscritos e sem shape, ensinando a estimar percentual de gordura em casa com fita métrica e uma planilha que ele mesmo montou. O material passa de meio milhão de visualizações.

Quais negócios Gorgonoid tem fora da internet?

Ele é sócio de academias em Timóteo, no Vale do Aço. Comprou a participação na primeira por 100 mil reais, adquiriu uma segunda unidade por 150 mil e abriu um box de CrossFit, com o plano de padronizar tudo sob uma marca só.

Ele recusa propostas de patrocínio?

Sim. Afirma já ter recebido ofertas de mais que o dobro do que ganha e diz que não trocaria de marca nem por 200 mil reais por mês, porque a liberdade editorial que tem hoje não teria preço equivalente.

Referências

  1. MONSTER CAST. GORGONOID - PODCAST DOS ESPECIALISTAS. [S. l.], 19 jun. 2023. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=TbtmoGDR-9w. Acesso em: 26 jul. 2026.

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