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Osteoartrite no ombro não melhora com fisioterapia

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    Vamos mover para a seção correta e pedir a ajuda da fisioterapeuta @Ianara Roberta Stein!

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Em 20/11/2013 em 02:18, davidpanka disse:

Alguém já teve osteoartrite no ombro ?? To com essa merda, já to 3 meses sentindo dor e sem treinar tbm, já tomei remédios, e to fazendo fisioterapia.. e não to vendo nada de melhora, alguém já sofreu ou sofre com isso ? Vlw

Vamos mover para a seção correta e pedir a ajuda da fisioterapeuta @Ianara Roberta Stein!

  • 7 anos depois...

@davidpanka, três meses de dor, sem treinar, tomando remédio e fazendo fisioterapia, sem nenhuma melhora, é o quadro em que a pergunta certa deixa de ser "o que mais eu faço" e passa a ser "será que o diagnóstico está certo".

Começo por aí, porque em quem treina o rótulo de osteoartrite no ombro costuma esconder coisas diferentes.

Artrose glenoumeral de verdade, que é o desgaste da articulação principal do ombro, é relativamente incomum, bem menos frequente que no joelho e no quadril, e aparece mais em idade avançada ou depois de fratura, luxação de repetição e lesão grande de manguito. Ela dá dor profunda, difusa, com crepitação e, o sinal mais característico, perda de rotação externa passiva, ou seja, mesmo alguém girando o seu braço para fora, sem você fazer força, ele trava.

O que é muito comum em quem levanta peso há anos é outra coisa: a artrose acromioclavicular, na juntinha entre a clavícula e o acrômio, em cima do ombro. Em praticante de musculação ela aparece cedo e tem até nome próprio, osteólise distal da clavícula. Essa dor é bem localizada, você consegue apontar com um dedo, e piora em movimentos que cruzam o braço à frente do corpo, como crucifixo, supino com amplitude grande, paralelas e flexões.

Diferenciar uma da outra muda tudo, porque a acromioclavicular tem soluções muito mais simples, incluindo infiltração guiada por imagem e, em caso que não responde, a ressecção da extremidade distal da clavícula, um procedimento pequeno com bom resultado e retorno ao treino pesado.

Existe uma terceira possibilidade que precisa ser descartada no seu caso, e ela combina demais com "três meses, dói e não melhora": capsulite adesiva, o ombro congelado. Ela evolui em fases que duram meses, dói muito na fase inicial e trava progressivamente a amplitude. O sinal que a denuncia é exatamente o mesmo da artrose glenoumeral, perda de rotação externa passiva, e o tratamento é bem diferente do de artrose.

Sobre a radiografia, aqui ela é útil, ao contrário do que acontece em suspeita de lesão de tendão ou lábrum. Artrose é diagnóstico de osso, e o raio-X mostra redução do espaço articular, osteófito e esclerose. Peça especificamente incidência para a articulação acromioclavicular, porque na radiografia padrão de ombro essa região costuma ficar mal visualizada.

Agora a parte da fisioterapia, e essa é a que eu mais questionaria. Vale você olhar o que exatamente está sendo feito nas sessões. Se o programa é basicamente calor, corrente, ultrassom, alongamento passivo e mobilização, isso não vai resolver. O tratamento com melhor evidência para osteoartrite é exercício terapêutico com carga progressiva, e em vários estudos o efeito analgésico dele é comparável ao de anti-inflamatório, com a diferença de que ele melhora a função em vez de só mascarar a dor. Eletroterapia é coadjuvante, não é o tratamento.

E ficar três meses sem treinar trabalha contra você. O manguito rotador e a musculatura escapular são os estabilizadores da articulação. Parados, eles atrofiam, e a articulação fica ainda menos protegida. Quando você voltar, vai voltar mais fraco do que quando parou, com a mesma dor esperando.

O caminho é adaptar em vez de parar. Na prática:

Mantenha o treino de tudo que não dói, incluindo pernas, abdômen e o que for possível de superior.

Trabalhe rotação externa com elástico ou halter leve, com o cotovelo colado ao corpo, e o conjunto escapular, com trapézio inferior, serrátil e face pull. Carga baixa, muita repetição, quase todo dia.

Use isometria para dor. Segurar uma contração de trinta a quarenta e cinco segundos, com carga moderada, repetida algumas vezes, tem efeito analgésico consistente e permite carregar a articulação sem provocar.

Nos exercícios de peito, se a suspeita for acromioclavicular, reduza a amplitude na descida, prefira halteres com as palmas voltadas uma para a outra e evite crucifixo com abertura máxima, paralelas profundas e supino atrás da nuca.

A regra de dor: até dois ou três em dez durante o exercício, que some depois e não piora no dia seguinte, é aceitável e não está danificando nada. Acima disso, ou dor que aumenta no dia seguinte, recue a carga.

Por fim, uma ressalva honesta sobre suplemento, já que é a pergunta que sempre vem depois: colágeno, glucosamina e condroitina têm evidência fraca e inconsistente, e o pouco que existe é para joelho, não para ombro. Não custa caro nem faz mal, mas não conte com isso para resolver o seu caso.

Resumindo o próximo passo: leve para reavaliação com ortopedista de ombro pedindo radiografia com incidência acromioclavicular, peça que testem a rotação externa passiva para descartar capsulite, e converse com o fisioterapeuta sobre migrar o programa para exercício com carga progressiva.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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