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Até quantos meses de gravidez posso fazer musculaçao?

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  • Apollo Galeno
    Apollo Galeno

    Recomendo fazer exercício físico com 4 meses de gestação (após completar 3 meses completos).

  • 7 anos depois...

A pergunta do título tem uma resposta que costuma surpreender: não existe um mês limite. Na ausência de contraindicação obstétrica, a recomendação atual é manter atividade física durante toda a gestação, inclusive treino de força, até o fim. O que muda ao longo dos trimestres é a forma de executar, não a permissão para treinar.

Sobre a orientação de só começar depois de três meses completos, ela era comum tempos atrás, mas não é o que dizem as diretrizes de hoje. Não há motivo para esperar o segundo trimestre em gestação sem intercorrência, e isso vale inclusive para quem era sedentária antes de engravidar, caso em que a recomendação é começar de forma gradual e não adiar. A referência mais citada é em torno de 150 minutos semanais de atividade moderada, distribuídos na semana, somando aeróbico e trabalho de força.

O que de fato define a conduta não é o mês, é a existência de contraindicação. Existem situações em que o exercício está formalmente contraindicado, e por isso o primeiro passo é a liberação do obstetra que acompanha o caso, não a experiência de quem já passou por isso. Entre as contraindicações costumam estar sangramento persistente, trabalho de parto prematuro, ruptura de membranas, incompetência istmocervical ou circlagem, placenta prévia a partir de determinada idade gestacional, pré eclâmpsia, doença cardíaca com repercussão hemodinâmica e anemia grave. Nada disso se avalia por fórum.

Liberada, o que muda na prática:

Posição deitada de barriga para cima. A partir de mais ou menos dezesseis semanas, evitar permanecer muito tempo em decúbito dorsal, porque o útero pode comprimir a veia cava e reduzir o retorno venoso, causando tontura e queda de pressão. A solução costuma ser simples, que é inclinar o banco em vez de abandonar o exercício. Supino inclinado resolve, desenvolvimento sentado resolve.

Apneia e Valsalva. Prender a respiração em esforço máximo eleva muito a pressão intra abdominal, e é justamente o que se quer evitar. Isso empurra o treino para cargas submáximas com respiração contínua, o que não impede progressão nenhuma.

Risco de queda e impacto. Vale abandonar exercícios com risco de perda de equilíbrio, esportes de contato, e atividades em que uma queda atinja o abdome. Também entra nessa lista mergulho e exercício em altitude elevada.

Calor. Evitar exercício em ambiente muito quente e úmido e evitar hipertermia, com atenção maior no primeiro trimestre. Hidratação e ambiente ventilado.

Controle de intensidade. Frequência cardíaca funciona mal como referência na gestação, porque a fisiologia cardiovascular muda bastante. O teste da fala é mais confiável: se você consegue conversar durante o exercício, a intensidade está adequada.

Amplitude. Há maior frouxidão ligamentar, então vale evitar amplitudes extremas e alongamentos forçados, sem que isso signifique treinar em amplitude curta.

Dois trabalhos que merecem prioridade e quase nunca aparecem em resposta de fórum. O treino de assoalho pélvico tem evidência consistente de reduzir incontinência urinária durante e depois da gestação, e é provavelmente o item de melhor retorno da lista inteira. E a atenção à parede abdominal, com foco em controle e respiração em vez de flexões de tronco repetidas, ajuda no manejo da diástase que aparece na maioria das gestantes no terceiro trimestre.

Sinais para interromper na hora e procurar o obstetra: sangramento vaginal, perda de líquido, contrações dolorosas e regulares, dor no peito, falta de ar antes de qualquer esforço, tontura, dor de cabeça persistente, ou dor e inchaço em uma panturrilha só.

Vale registrar também o outro lado, porque a pergunta costuma vir carregada de receio. Manter exercício na gestação está associado a menor chance de diabetes gestacional, menor ganho de peso excessivo, menos dor lombar e melhor recuperação no pós parto. O treino bem conduzido não é um risco que se tolera, é parte do cuidado.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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