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Por que passo mal no treino das pernas ? - Entenda !

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Primeiramente saiba que isso é algo normal de acontecer com os adeptos do treino sério e não existe nada de errado com você. Quando eu digo que isso é normal de acontecer com aqueles que treinam sério quero dizer que, principalmente entre os homens, aqueles que levam o treino a sério são aqueles que também treinam pernas, e com a mesma intensidade e afinco que treinam peito e bíceps. Então aqui você já percebe que existe uma ligação, que já é bem conhecida pelos mais experientes,  entre o treino de pernas e passar mal.

Optar por treinar só pernas num dia especifico da semana e não misturar com a parte superior é uma estratégia amplamente utilizada e com sucesso nas academias do mundo inteiro. Dentro dos princípios do Treinamento descritos por Joe Weider, (Considerado o Pai da Musculação) treinar desse jeito compreende vários princípios, entre eles o Princípio do Treinamento por Fluxo, que significa direcionar todo o fluxo sanguíneo para a área a ser treinada, diferente de treinar misturando exercícios para superiores e inferiores, priorizar um grupo ou um segmento direciona mais sangue e nutrientes para a área, que permite que o treino seja mais efetivo em romper as fibras (que é o processo da hipertrofia muscular).

Porém no caso especifico do treino de pernas, direcionar todo o fluxo sanguíneo para a região de baixo faz ficar menos sangue no cérebro e sistema digestivo, gerando assim sensações de tontura e suor frio, misturado com um apagão que pode ser desde distúrbios visuais ou quase total. Então nesse dia é normal ficar meio ‘lesado‘ durante algum tempo, que depois normaliza e se transforma na falência e canseira das pernas durante o dia, e as dores nos dois dias seguintes. Quem treina sério sabe que é assim.

Mas tem algo que você pode fazer para atenuar um pouco essas sensações: Não faça apnéia, ou seja, não prenda a respiração durante os movimentos, principalmente agachamento e leg press. Tendemos naturalmente a fazer apnéia por causa do que é chamado de ‘manobra de Valsalva‘, que é quando prendemos a respiração e temos a contração do diafragma, que é um músculo que ajuda muito e da a sensação de uma ‘cinta‘ que ajuda a empurrar e se sentir seguro, porém se você não respirar entre os movimentos a contração do diafragma interrompe mais ainda o fluxo sanguíneo e somado ao efeito descrito anteriormente pioram muito as sensações  e podem facilmente ocasionar desmaios e vômitos. Portanto aprenda a contrair o diafragma  para ajudar a dar firmeza e estabilidade  aos movimentos mas tente respirar junto, tanto faz se inspira ou expira na subida ou descida, o importante é não prender a respiração.

Espero ter ajudado. Grande abraço

 

 

Fonte - https://www.tribunapr.com.br/blogs/andre-paje/por-que-passo-mal-no-treino-das-pernas/

  • 7 anos depois...
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Maiores Postadores Neste Tópico

@Lobeca, o tópico é útil e a orientação final sobre não prender a respiração é a mais importante de todas. Mas o mecanismo descrito não é bem esse, e como o texto se propõe a explicar, vale ajustar. E tem um ponto de segurança que precisa ser acrescentado.

Sobre o mecanismo. A ideia de que o sangue é direcionado para a perna e por isso falta no cérebro vem do vocabulário clássico de fluxo do treino, mas não é o que acontece. O que ocorre é diferente e mais simples: durante e logo após um esforço intenso de membros inferiores, os vasos da musculatura que trabalhou ficam muito dilatados e o sangue se acumula ali. Esse acúmulo reduz o retorno venoso ao coração. Menos sangue chegando ao coração significa menos sangue sendo bombeado, e a pressão cai. O cérebro, que está no ponto mais alto do corpo, é o primeiro a sentir. Daí a tontura, o escurecimento da visão, o suor frio e o zumbido.

Repare que o problema não é o sangue ter ido para a perna a mando de um princípio de treino. É ele não estar voltando.

E aqui entra a parte da Valsalva, que você levantou corretamente mas atribuiu ao músculo errado. A manobra consiste em prender o ar e contrair a musculatura abdominal contra a glote fechada, o que aumenta muito a pressão dentro do tórax. Enquanto essa pressão está alta, o retorno venoso cai ainda mais. E o momento crítico não é durante, é na hora de soltar o ar no fim da série: a pressão intratorácica despenca de uma vez e a pressão arterial acompanha, e é exatamente aí que a maioria das pessoas apaga. Por isso a sua recomendação está certa, embora a instrução de aprender a contrair o diafragma seja o oposto do que se quer. O que estabiliza o tronco é a musculatura abdominal, e a respiração deve continuar acontecendo.

Vale acrescentar dois fatores que ajudam a explicar por que é sempre no dia de perna. Membros inferiores concentram a maior massa muscular do corpo, então a demanda metabólica e a resposta ventilatória são as maiores de todas, o que por si só produz náusea. E existe o detalhe postural: levantar rápido do leg press ou sair do agachamento e ficar em pé imediatamente soma queda de pressão postural ao quadro que já estava instalado.

Uma correção pontual sobre outro trecho: hipertrofia não depende de romper fibras. O dano muscular acompanha o treino, mas não é o que comanda o crescimento. O estímulo principal é a tensão mecânica. Isso importa na prática porque muita gente persegue dor e destruição como sinal de treino bom, quando o que produz resultado é carga bem aplicada com progressão.

Agora o ponto que eu não posso deixar de acrescentar, e que é o motivo de eu ter escrito.

O texto diz que isso é normal e que quem treina sério sabe que é assim. Na maior parte das vezes é verdade mesmo, e o quadro que você descreveu é benigno. Mas existe uma distinção clínica que precisa estar aqui, porque quem lê isso vai usar o tópico para se tranquilizar.

Tontura ou desmaio que acontece logo depois do esforço, com a pessoa já parada, costuma ser esse mecanismo de queda de retorno venoso e não representa doença. Já perda de consciência durante o esforço, no meio da série, é outra coisa. Síncope durante o exercício é um dos sinais de alerta clássicos para causas cardíacas em pessoas jovens, e merece avaliação, não normalização. Da mesma forma, dor no peito, palpitação com batimento irregular, falta de ar desproporcional ao esforço e história de morte súbita na família antes dos cinquenta anos são motivos para procurar cardiologista antes de continuar.

Isso não contradiz o seu tópico, complementa. A diferença entre o mal estar comum de dia de perna e o sinal que não pode ser ignorado é justamente o momento em que acontece.

Por fim, o que reduz o incômodo na prática: soltar o ar na fase de esforço em vez de segurar por várias repetições, não levantar de supetão ao terminar a série, sentar ou deitar com as pernas elevadas assim que sentir a vista escurecer em vez de tentar andar, e chegar ao treino hidratado e alimentado, porque treino pesado de perna em jejum prolongado piora bastante essa sensação.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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