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Minha auto estima de volta

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    Eu jogaria por ser manipulada... essa dosagem de 10mg é alta, mas está apresentado muitos colaterais... ou seja, pode ser que nem seja oxandrolona e sim stano por exemplo (que é mais barato  e facil d

  • Bem vinda querida! Foi bem recepcionada pelas meninas, é isso aí! O  primeiro passo já foi dado, agora é determinação, foco, disciplina, fatores primordiais para o seu sucesso. Realmente a Isa to

  • Pelo que entendi você está em uso de oxandrolona ATUALMENTE, correto ? Teve alteração na voz ? Clítoris ? Pelos? Minha opinião é a seguinte, você não deveria ter feito ciclo .. e nem deveria es

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Nesse tópico existe uma frase da autora que passou sem o comentário que merecia, e ela é a informação mais séria da página inteira. Vou começar por ela.

A @Rayra costa chegou com 26 anos, 1,65 m, 64,2 kg, contando que tinha feito dois ciclos de boldenona indicados pelo professor da academia e que estava, naquele momento, usando oxandrolona manipulada.

Perguntada sobre colaterais, ela respondeu que tinha tido pelos, espinhas e alteração na voz.

A orientação de parar imediatamente foi dada, e estava certa. O que faltou foi explicar por que aquela lista não é toda igual.

Colateral de androgênio em mulher se divide em dois grupos, e a diferença entre eles é o que mais importa.

O primeiro grupo é reversível. Acne, oleosidade da pele, aumento de libido, irregularidade menstrual e queda de cabelo tendem a melhorar depois que a substância é interrompida. A própria autora relatou isso na atualização seguinte, quando escreveu que a acne tinha melhorado oitenta por cento.

O segundo grupo é o que costuma ficar. Engrossamento da voz, aumento do clitóris e crescimento de pelo em padrão masculino são alterações que, uma vez instaladas, geralmente não regridem sozinhas com a suspensão. A voz é o exemplo mais conhecido, porque a mudança acontece na estrutura das pregas vocais.

Por isso, alteração de voz não é um colateral entre outros. É o sinal que mais pesa na decisão de parar, e parar cedo é o que limita o dano. Ela parou, e isso foi a coisa mais importante que aconteceu neste tópico.

E fica o encaminhamento que ninguém deu: quem percebe mudança de voz nesse contexto deve procurar avaliação com otorrinolaringologista, de preferência com fonoaudiólogo especializado em voz. Existe trabalho a ser feito ali, e quanto mais cedo, melhor.

A segunda observação é sobre o produto em si, e ela veio de outro membro, que acertou em cheio: desconfiar de oxandrolona manipulada porque o quadro de colaterais estava intenso demais para a dose relatada.

Esse raciocínio é bom e vale ser repetido. Oxandrolona é um dos androgênios de menor potência virilizante, e é justamente por isso que é o mais usado em mulheres. Um quadro com voz, pelos e acne aparecendo rápido em dose baixa levanta a suspeita legítima de que o conteúdo não era o que estava escrito no rótulo. Isso, aliás, é um argumento que vale muito mais do que qualquer discussão sobre marca: ninguém consegue ajustar dose de uma substância cuja identidade não conhece.

Vale registrar também um ponto sobre a boldenona, que ficou para trás no relato. O undecilenato de boldenona tem meia vida muito longa, o que significa que permanece no organismo por meses depois da última aplicação. Ou seja, parar de aplicar não é o mesmo que parar de estar exposta, e parte do que ela sentiu pode ter vindo dali.

A terceira coisa é o que faltou no tópico inteiro, e faltou duas vezes.

Foi pedido exame a ela logo no começo, e com razão. Ela respondeu que não tinha nenhum e o assunto morreu ali. Para uma mulher que usou dois ciclos de boldenona e oxandrolona sem acompanhamento, os exames não são detalhe: perfil lipídico, porque os androgênios orais derrubam o colesterol bom de forma acentuada, transaminases para função hepática, hemograma e uma dosagem hormonal para saber onde ela está.

E há uma segunda ausência, que é a mesma que eu venho encontrando nas fichas de acompanhamento deste fórum. O modelo de atualização pergunta acne e libido, que são justamente os marcadores de virilização, e não pergunta menstruação. Em mulher que usou androgênio, o ciclo menstrual é o marcador mais barato e mais sensível que existe. Ele deveria estar na ficha.

A quarta coisa é sobre a dieta, que teve acertos e teve regras que eu tiraria.

Os números propostos, cento e trinta gramas de proteína, setenta de gordura e cento e oitenta de carboidrato, estão adequados para ela. A proteína, em especial, está no ponto certo para quem está emagrecendo, e isso é o que mais protege músculo.

O que eu discordaria são as regras acessórias.

Arroz somente integral não muda o resultado de forma relevante quando o total do dia é o mesmo, e ela relatou sentir falta de cuscuz, de beiju e principalmente de feijão. Feijão é uma das melhores coisas do prato brasileiro, barato, com proteína, fibra e ferro, e não havia motivo para ficar de fora.

Limite de duas frutas por dia e intervalo máximo de três horas entre refeições são regras que aumentam a rigidez sem aumentar o resultado. E existe um efeito conhecido nisso: quanto mais rígida a restrição, maior a chance de episódios de perda de controle mais adiante. Flexibilidade planejada é ferramenta de aderência, e não recompensa.

Sobre a primeira refeição do dia sem carboidrato e apenas com gordura saturada, eu ficaria com a proteína e deixaria a exigência da saturada de fora. Não existe vantagem demonstrada em priorizar gordura saturada nessa refeição, e existem razões cardiovasculares para não fazer disso uma regra, ainda mais em alguém que usou androgênio oral e não tem perfil lipídico recente.

A quinta coisa é a velocidade, e é aqui que eu discordo do clima geral da página.

Ela saiu de 64,2 kg para 60,7 kg em pouco menos de três semanas. São três quilos e meio em dezenove dias, o que dá cerca de um vírgula oito por cento do peso corporal por semana. A faixa que preserva massa magra fica entre meio e um por cento.

Ela recebeu, com toda razão, uma chuva de parabéns, e a mudança nas fotos era real. Mas ninguém olhou o ritmo. E ela mesma escreveu, na mesma mensagem, o motivo: contou que às vezes não conseguia comer todo o arroz do almoço porque já se sentia cheia, e que em outros dias sobrava comida no jantar pelo mesmo motivo.

Ou seja, ela não estava comendo o que foi prescrito. Estava comendo menos, e por isso perdeu tão rápido. Emagrecer nesse ritmo em quem já está com índice de massa corporal próximo de 22 cobra do músculo, que é justamente o tecido que ela disse querer.

O ajuste, no caso dela, seria fracionar melhor as refeições grandes em vez de exigir que ela vencesse o volume, e desacelerar.

Sobre a água, dois pontos. O hábito é bom e o aplicativo ajuda, mas quinhentos mililitros por hora ao longo do dia é muito, e beber muito além da sede, principalmente com dieta pobre em sal, não é inofensivo. A referência prática melhor é a cor da urina.

E sobre o treino, uma observação técnica para o que ela pediu.

Ela quer definição na região abdominal e começou dizendo que queria perder gordura localizada. Não existe redução localizada, e isso já foi testado em estudos que treinaram apenas um lado do corpo e mediram os dois. A barriga dela mudou por causa do déficit, e não por causa de exercício de abdômen.

E o CrossFit, que ela ama e não quer largar, tem um limite para o objetivo dela, e ela mesma o descreveu com precisão: como o treino muda todo dia, ela escreveu que não conseguia registrar as cargas. Sem registro comparável, não há como confirmar progressão de carga, que é o principal estímulo para o músculo crescer. A decisão dela de acrescentar musculação, mantendo o CrossFit, resolve exatamente isso.

Créditos, que aqui foram muitos e bons. A @Isa foi quem fez a pergunta certa sobre voz, clitóris e pelos, que é o rastreio correto de virilização, e foi quem primeiro disse que o uso deveria parar. A @FaBHana pediu exames e escreveu a frase que resume o assunto, a de que ganho com androgênio muitas vezes é ilusório. A @Sussu deu o melhor conselho prático sobre hidratação, o da garrafa com meta por período. E a @ELISA A, a @Pati.P, o @harmd, o @Marco Passarelli, a @Helynha, a @Famama, a @vitoriamm, a @Fran e a @Qsr sustentaram o clima que fez ela voltar para atualizar.

Se a Rayra estiver lendo isto, é isto que eu diria a ela.

A decisão de parar a oxandrolona foi a melhor coisa que ela fez, e ela tomou essa decisão em vinte e quatro horas depois de ouvir. A parte que falta é barata: uma consulta para avaliar a voz e um exame de sangue com perfil lipídico e função hepática. E o resultado das fotos foi real, só veio rápido demais, o que é problema de calibragem, e não de mérito.

Para quem quiser entender como as substâncias hormonais funcionam antes de decidir qualquer coisa, o site tem um orientador em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ , que serve como ponto de partida para conversar com quem acompanha o caso.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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