Pular para o conteúdo
Imagem sintética e meramente ilustrativa. Não é uma foto real.

Como saber se é lipedema ou só gordura localizada

Perna grossa e quadril largo não bastam. Veja os sinais que os médicos mais usam, o que muda ao emagrecer e o que a ciência diz do tratamento.

Para saber se é lipedema, olhar a perna no espelho ou numa foto não resolve. Os sinais que os médicos mais usam são três: gordura que dói ao apertar, os dois lados do corpo iguais e pés e mãos de fora, com a gordura parando no tornozelo e no punho. Perna grossa, quadril largo e celulite, sozinhos, não fecham o diagnóstico.

Hoje muita mulher se descobre "com lipedema" pelas redes sociais, porque o formato do corpo dela não parece ter outra explicação. "Lipedema e gordura localizada", aula transmitida ao vivo pelo canal Dr. Paulo Gentil, parte desse fenômeno. Professor de educação física e pesquisador, ele usa o caso de uma modelo de quadril muito largo para mostrar como separar lipedema de obesidade, de gordura localizada e de um formato de corpo herdado.

O que é lipedema

Lipedema é um acúmulo de gordura sob a pele, fora de proporção com o resto do corpo, nas pernas e às vezes nos braços. Aparece quase só em mulheres e é raro em homens. A gordura fica nos dois lados por igual e não chega às mãos nem aos pés. Ele costuma surgir ou piorar na puberdade, na gravidez ou na menopausa, e a causa ainda é desconhecida.

Lipedema ou gordura localizada: a diferença na prática

Três documentos orientam os médicos. A diretriz alemã de 2024 foi escrita pela sociedade de médicos de veias e vasos linfáticos da Alemanha. O consenso americano é de 2021, e o brasileiro, da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, de 2025. Os três concordam na maior parte dos sinais:

PistaLipedemaGordura localizada
Onde ficaPernas, quadril e nádegas, às vezes braços, dos dois lados por igualBarriga, flancos, quadril e coxas, junto com o resto da gordura
Tornozelo e pésA gordura costuma parar de repente no tornozelo, e os pés ficam finosEm geral, a perna afina aos poucos até o pé
Dor ao apertarExigida na diretriz alemã, comum mas dispensável no consenso americanoNão dói
Pernas para cimaO volume continua igualO volume continua igual
Ao emagrecerO volume cai se há obesidade, mas a desproporção tende a ficarDiminui junto com o resto do corpo

Não existe exame de sangue ou de imagem que confirme lipedema. O médico decide pela história, pelo exame do corpo e pela exclusão de outras causas. O ultrassom e outros exames servem para descartar problema nas veias e outras explicações para o inchaço.

Os sinais que pesam no diagnóstico

Os sinais funcionam em conjunto. Quanto mais itens a pessoa reúne, maior a suspeita:

  • Os dois lados iguais: pernas, quadril ou braços bem maiores que o tronco, de forma simétrica.
  • Pés e mãos de fora: a gordura para de repente acima do tornozelo ou do punho.
  • Dor ao apertar: sensibilidade ao toque, dor sem motivo ou sensação de perna pesada.
  • Sem cirurgia antes: a desproporção não foi criada por lipoaspiração, enxerto de gordura ou outro procedimento.
  • Quadro antigo e estável: sem vermelhidão, calor ou inchaço que apareceu de um dia para o outro.
  • Começo em fase hormonal: puberdade, gravidez ou menopausa.
  • Família: mãe, irmã ou tia com o mesmo formato de perna.

Os hematomas fáceis, que muitas pacientes relatam, aparecem em várias listas. A diretriz alemã não os usa como critério, porque um estudo comparativo não confirmou que eles sejam mais comuns no lipedema. O consenso brasileiro ainda os considera frequentes.

A dor é obrigatória?

Depende da diretriz. Para a alemã, sim: gordura desproporcional nas pernas sem dor recebe outro nome, lipo-hipertrofia, que na prática é a gordura localizada nas pernas. Para o consenso americano, a dor é comum, mas a falta dela não exclui o lipedema. No trabalho clássico de 1951, só 40% a 50% das mulheres tinham dor ou sensibilidade.

Nenhum estudo comparou os dois critérios, e as duas posições vêm de painéis de especialistas. Quem segue a linha alemã descarta o lipedema quando não há dor. Quem segue a americana olha com mais peso para a simetria, os pés finos e a resistência ao emagrecimento. Pela diretriz alemã, sem dor não é lipedema. Pela americana, a falta de dor sozinha não exclui o lipedema, e a decisão passa pelos outros sinais.

O degrau no tornozelo

Nos casos graves, a imagem é inconfundível. A gordura forma dobras enormes, cobre o joelho como uma capa e termina de repente acima do tornozelo, como se a perna tivesse um garrote. A pele também muda de textura. É esse degrau, e não o tamanho da coxa, que separa o lipedema grave de uma perna apenas grossa.

O degrau ajuda quando aparece, mas pode faltar. A diretriz alemã o descreve como típico, sem exigi-lo, e o consenso americano diz que ele pode existir em qualquer estágio. Uma coxa grossa que afina aos poucos até o joelho e o tornozelo puxa a suspeita para gordura comum.

Emagrecer e ver o que sobra

Para quem tem peso a perder, há um critério prático. A pessoa emagrece o corpo inteiro, com dieta e treino. Se a desproporção nas pernas some junto, era gordura. Se o tronco e os braços afinam e as pernas continuam desproporcionais, com o degrau no tornozelo, a suspeita de lipedema cresce. As diretrizes não exigem esse teste para dar o diagnóstico, e ele não serve para quem já tem peso normal.

O consenso americano descreve esse comportamento. O tecido do lipedema resiste a dieta, exercício e cirurgia bariátrica, e quando a pessoa emagrece, o tronco perde mais, o que deixa a desproporção mais visível. A gordura localizada comum cai junto com o resto, como mostra a matéria sobre como perder gordura localizada na barriga.

O critério só vale para quem emagreceu mudando a rotina. Se houve lipoaspiração, abdominoplastia ou enxerto de gordura, a foto de depois mostra o resultado da cirurgia, e não o corpo da pessoa.

Obesidade e lipedema podem existir juntos

Algumas listas de sinais trazem a ausência de obesidade como pista de lipedema. As diretrizes atuais apontam o contrário. Nos centros europeus de tratamento, até 80% das mulheres com lipedema têm obesidade, e cerca de metade tem obesidade grave. A obesidade não causa o lipedema, mas é o que mais aparece junto dele e piora o quadro.

Para a mulher obesa com pernas desproporcionais, o primeiro passo é o mesmo nos dois casos: perder peso. Se for só obesidade, a desproporção some. Se houver lipedema, o volume das pernas diminui e o que sobrar fica mais fácil de avaliar. O ganho de peso é o que mais faz o lipedema piorar: num estudo espanhol, dois terços das pacientes ficaram estáveis, e a piora no outro terço veio junto com o ganho de peso.

O caso da modelo de 138 cm de quadril

A modelo panamenha usada como exemplo tem 1,65 m, 101 cm de busto, 81 cm de cintura e um quadril de 138 cm, ou mais de 140 cm, segundo outras medições. A relação entre cintura e quadril fica em 0,59. Se o corpo inteiro seguisse as proporções do tronco e do braço, o peso dela ficaria entre o normal e o sobrepeso.

Tudo indica que ela pesava perto de 135 kg e hoje está na faixa de 100 a 105 kg. A balança que ela mostrou marcava cerca de 220 libras, ou 99,8 kg. A história de que teria perdido 60 kg provavelmente confundiu libras com quilos: 60 libras são 27,2 kg.

Nas fotos de antes, ela era obesa e proporcional, com a coxa afinando até o joelho. Depois do emagrecimento, a cintura mudou muito, o braço continuou grosso e o quadril ficou. Como não se sabe se houve procedimento estético, esse antes e depois não decide nada.

O que afasta o lipedema é o tornozelo sem degrau nenhum e a falta de sinal de dor: ela dança e usa salto alto. A mãe tem o mesmo formato da cintura para baixo, o que combina tanto com lipedema quanto com um formato herdado, e por isso não decide. O quadril traz problemas práticos, como caber numa poltrona de avião.

Quadril largo nem sempre é doença

A gordura no quadril e nas coxas é o padrão feminino comum. Os hormônios femininos favorecem o acúmulo nessa região e reduzem o acúmulo na barriga. Por isso, mulheres saudáveis tendem a ter o quadril mais largo que a cintura.

Essa gordura faz pouco mal à saúde. Uma revisão de 2010 mostrou que mais gordura no quadril e nas coxas se associa a colesterol e glicose melhores e a menos risco de doença do coração. A gordura que pesa no risco é a da barriga, e a calculadora de gordura visceral ajuda a estimar a sua.

No extremo desse padrão está a esteatopigia: nádegas e quadril muito volumosos, sem obesidade e sem degrau na perna, como traço herdado, descrito primeiro em povos do sul da África.

O risco também existe do outro lado. O consenso americano afirma que o lipedema é pouco reconhecido justamente porque muita gente o toma pela gordura feminina herdada, o que pode atrasar o diagnóstico por décadas. Ele descreve até um tipo que fica só no quadril e nas nádegas.

Lipedema grau 1 e o risco de diagnóstico em excesso

No consenso americano, o estágio 1 tem pele lisa e pequenos nódulos que só se sentem ao apalpar. No estágio 2, a pele fica com covinhas e os nódulos crescem. No estágio 3, o tecido endurece, os nódulos ficam grandes e se formam dobras pendentes. Numa foto, o estágio 1 se confunde com um corpo comum, e muita mulher recebe esse diagnóstico pelas redes.

Há quem defenda que o grau 1 nem deveria ser chamado de lipedema. Nessa visão, ele desaparece quando a mulher emagrece da cintura para cima, e com esse critério metade das mulheres na rua receberia o diagnóstico. A diretriz alemã vai em parte nessa direção: os estágios descrevem só a forma, não medem a gravidade, e desproporção sem dor deixa de ser lipedema.

As estimativas de quantas mulheres têm lipedema variam muito. A cifra de 11%, tirada de um livro alemão de 2003 e repetida em muitos sites, foi retirada pelo próprio autor. Uma clínica de Londres chegou a 1 caso em 72.000 pessoas. O consenso americano fala em 6% a 8% das mulheres na Alemanha, e um questionário online com 253 brasileiras encontrou 12,3% com sintomas compatíveis. O número depende do critério usado.

Doença se diagnostica com critério objetivo. Pressão de 16 por 10 é hipertensão, e glicemia de jejum de 126 ou mais, repetida, é diabetes. Uma forma de corpo que incomoda, sem dor e sem os outros sinais, fica no campo da estética. Quanto mais gente se acha doente, maior o mercado de tratamentos, e a pessoa que passa a se enxergar doente parte para procedimentos cada vez mais caros e arriscados.

A celulite já passou por esse ciclo. Durante anos, foi tratada como problema sério, com cremes, aparelhos e até calças que prometiam acabar com ela. Hoje ela é vista como algo banal, e boa parte das fotos de lipedema nas redes mostra o mesmo tipo de perna.

Inchaço no fim do dia é outra coisa

Muita gente desconfia de lipedema porque a panturrilha incha depois de um dia inteiro em pé, às vezes com marca da meia. Faça o teste: deite e deixe as pernas para cima. Se o inchaço some, o problema é retenção de líquido ou circulação nas veias. No lipedema, levantar a perna não muda o volume.

Para esse inchaço, ajudam as medidas de circulação: subir e descer na ponta dos pés várias vezes ao longo do dia, mudar de posição, deixar as pernas elevadas e usar meia de compressão em voos longos. Botas de compressão pneumática, que inflam e massageiam a perna, aliviam a dor e o peso.

Pé inchado aponta para o linfedema, a falha na drenagem linfática, que muitas vezes pega mais um lado. No lipedema puro, o pé fica de fora. Quando a pele da base do segundo dedo do pé não deixa ser pinçada, o chamado sinal de Stemmer, a suspeita vai para o linfedema. Nos estágios avançados, os dois podem se somar, no quadro chamado lipolinfedema.

Como é o tratamento do lipedema

A ordem é a mesma de qualquer acúmulo de gordura: primeiro perder gordura, quando há peso a perder, melhorar a circulação e reduzir a inflamação, com mudança de rotina e medidas conservadoras. Cirurgia vem depois, se o resultado não satisfizer.

Com obesidade junto, emagrecer faz parte do tratamento. A diretriz alemã recomenda dieta e atividade física combinadas e lembra que a perda de peso reduz o volume da perna. A meia de compressão serve para a dor, e não para tirar gordura.

Que treino fazer

Para a circulação, o treino metabólico, com séries longas e pouco descanso, tende a ser melhor. Só que uma mulher com lipedema grave ou obesidade importante muitas vezes não aguenta nem 30 segundos levantando a própria perna. Nesse caso, a musculação mais pesada, de poucas repetições, é melhor que ficar parada. Nenhum estudo comparou os dois tipos de treino no lipedema.

Uma revisão de 2026 reuniu 6 estudos com 115 mulheres com lipedema. O treino pareceu melhorar dor, qualidade de vida, medidas das pernas e desempenho físico, com efeito maior junto da meia de compressão, mas os estudos eram pequenos e os resultados variaram. Os consensos preferem atividades de baixo impacto, como exercícios na água, bicicleta ergométrica, caminhada e ioga.

Drenagem, bandagem e massagem

A drenagem linfática ajuda bastante na dor. A bandagem que envolve as duas pernas e é refeita todo dia age como uma drenagem constante e faz sentido quando há acúmulo de líquido. As duas costumam se somar: massagem primeiro, bandagem depois. Não há intervalo necessário entre a massagem e o treino.

A diretriz alemã usa a drenagem para aliviar a dor quando a meia não basta, sem objetivo de reduzir o volume da perna. A massagem modeladora promete empurrar a gordura para outro lugar à força. Ela dói e deixa roxo, e a diretriz alemã não usa nenhuma técnica manual para reduzir gordura.

Dieta anti-inflamatória funciona?

A dieta da moda no lipedema é a anti-inflamatória, quase sempre cetogênica ou mediterrânea. Uma revisão de 2025 achou 9 estudos com 269 mulheres. Quase todos usaram dieta com menos calorias, e as participantes perderam peso e gordura. A dor e a inflamação melhoraram só em parte deles, e apenas 2 eram ensaios com sorteio. A diretriz alemã aceita essas dietas como opção, sem recomendar uma acima da outra.

Remédio e gestrinona

Não existe remédio aprovado para lipedema. A diretriz alemã desaconselha diuréticos e diz que analgésicos, na experiência dos especialistas, costumam ajudar pouco. Mesmo assim, há médico receitando hormônio. Uma mulher de 31 anos e 55 kg, sem degrau na perna, mas com dor e com a mãe tendo problema vascular, saiu da ginecologista com indicação de gestrinona para tratar um suposto lipedema.

Com esse peso e sem degrau, a dor dela pode vir da circulação. Ainda assim, peso normal não descarta o lipedema: uma minoria das pacientes está nessa faixa. O problema do caso é a receita, e não o diagnóstico.

A gestrinona é um esteroide sintético com ação androgênica, a mesma dos anabolizantes. Ela era vendida em comprimido para endometriose, mas no Brasil os dois registros foram cancelados em 2012 e 2014, e hoje não há produto registrado. O uso para lipedema é fora da bula, quase sempre em implante sob a pele. Uma revisão sistemática de 2025 não encontrou nenhum estudo dela no lipedema, e as sociedades médicas desaconselham o uso. Os efeitos dos anabolizantes no corpo da mulher estão na matéria sobre anabolizantes em mulheres e sinais de virilização.

Lipoaspiração: alívio duradouro ou só em pesquisa?

Sobre a lipoaspiração, os especialistas discordam. Um centro alemão acompanhou 60 pacientes por 12 anos depois da cirurgia, e a melhora de dor, sensibilidade, hematomas e movimento se manteve, com menos uso de meia. Os dados vêm da própria clínica e de questionários. A diretriz alemã trata a lipoaspiração como o método cirúrgico de escolha, indicado só quando a dor resiste ao tratamento conservador e com a obesidade tratada antes.

O NICE, órgão que avalia tecnologias de saúde para a Inglaterra e o País de Gales, concluiu em 2022 que a evidência de eficácia e de segurança era inadequada. Os estudos eram retrospectivos, e havia relato de embolia gordurosa, trombose e desequilíbrio de líquidos. Por isso, recomendou a cirurgia só dentro de pesquisa, em centros especializados.

A gordura retirada também pode voltar em outro lugar. Num ensaio com 32 mulheres sem obesidade, a coxa operada continuou mais fina, mas um ano depois a gordura total era a mesma do grupo sem cirurgia e tinha voltado na barriga. Em outro, a lipoaspiração da barriga aumentou em 10% a gordura entre os órgãos em seis meses, e quem treinou não teve esse aumento. Os dois foram feitos em lipoaspiração estética, em mulheres sem lipedema.

Desde quando se fala em lipedema

O lipedema é antigo. Na França, em 1910, médicos já descreviam um padrão estranho de gordura nas pernas. Allen e Hines, da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, o descreveram em 1940, e o primeiro artigo com esse nome saiu em 1951. Ali ele foi separado de outra forma de gordura mal distribuída, a lipodistrofia, e da esteatopigia. Os autores escreveram que muito ou todo o estresse, emocional e físico, ligado ao lipedema não existiria se pernas gordas fossem vistas como bonitas. Por esse raciocínio, o lipedema seria um quadro que nenhuma cultura acharia bonito, ao contrário do quadril largo herdado, admirado em muitas.

Na década de 1970, havia pesquisadores dizendo que o lipedema nem existia. Hoje a Organização Mundial da Saúde o reconhece como doença própria na classificação internacional de doenças, a CID-11.

Quando procurar um médico

Vale procurar avaliação quando você reconhece vários sinais da lista, principalmente se a gordura dói, limita a caminhada ou o treino, ou continua desproporcional depois de emagrecer. O angiologista ou o cirurgião vascular costuma conduzir a investigação.

A consulta inclui a história, o exame do corpo e medidas de peso, altura, cintura e quadril. O médico também precisa excluir outras causas de inchaço, como problemas nas veias, nos vasos linfáticos, nos rins ou no coração.

Conclusão

A maior parte do que se chama de lipedema nas redes tende a ser gordura localizada, que diminui com o emagrecimento geral, ou um quadril largo herdado. Antes de aceitar o rótulo ou pensar em cirurgia, o caminho é emagrecer o corpo inteiro, quando há peso a perder, e cuidar da circulação.

O lipedema existe, aparece muitas vezes junto da obesidade e tem tratamento para a dor. As diretrizes divergem sobre o peso da dor, o valor dos estágios e a lipoaspiração. Remédio que derreta lipedema não existe, e a gestrinona não tem nenhum estudo. Tanto o diagnóstico por foto quanto ignorar uma dor real atrasam o cuidado certo.

Perguntas frequentes

Como saber se é lipedema ou só gordura?

Pela combinação de sinais, e não por um só. A gordura comum não dói ao apertar, afina aos poucos até o pé e diminui junto com o resto do corpo. O lipedema fica nos dois lados por igual, costuma parar de repente no tornozelo e tende a continuar desproporcional depois que o tronco afina. A dor ao apertar é exigida pela diretriz alemã e comum, mas dispensável, no consenso americano.

Como saber se é lipedema ou obesidade?

As duas podem existir juntas. A obesidade espalha gordura pelo corpo todo, inclusive pela barriga. O lipedema concentra gordura, em geral dolorosa, nas pernas ou nos braços, com o tronco mais fino. Emagrecer é o primeiro passo nos dois casos, e o que sobrar desproporcional depois ajuda a separar um do outro.

Como saber se é lipedema ou celulite?

A celulite é o aspecto de casca de laranja na pele, sem desproporção nas pernas. O lipedema é um volume de gordura que deixa pernas ou braços bem maiores que o tronco. Essa gordura costuma parar de repente no tornozelo. Uma pessoa pode ter celulite sem ter lipedema, e muitas fotos de lipedema nas redes mostram só celulite.

Qual a diferença entre lipedema e linfedema, e um pode virar o outro?

O linfedema é acúmulo de líquido por falha na drenagem linfática, e o lipedema é acúmulo de gordura. No linfedema o pé incha, o inchaço costuma ser maior num lado e o sinal de Stemmer é positivo. Nos estágios avançados do lipedema, o linfedema pode se somar a ele, no quadro chamado lipolinfedema.

Como saber se é lipedema ou retenção de líquido?

Deixe as pernas para cima. Se o inchaço do fim do dia some, é retenção de líquido ou problema venoso. No lipedema, elevar a perna não muda o volume.

Tem algum exame que detecta o lipedema?

Não. O diagnóstico é clínico, feito com a história e o exame do corpo. Ultrassom e outros exames servem para descartar problema venoso, linfedema e outras causas de inchaço.

Qual médico trata lipedema?

O angiologista ou o cirurgião vascular. O consenso brasileiro de lipedema saiu da sociedade dessas especialidades e recomenda tratamento com equipe de várias áreas, incluindo orientação nutricional.

O que é lipedema nas pernas e quais os sintomas?

É um acúmulo de gordura fora de proporção nas pernas, dos dois lados por igual, quase só em mulheres. Os sintomas mais citados são dor ao apertar, perna pesada e sensibilidade ao toque.

Lipedema pode aparecer nos braços?

Pode. As pernas são o local mais comum, e os braços aparecem com menos frequência, em geral junto com elas. Assim como os pés, as mãos ficam de fora.

O que causa o lipedema e quando ele aparece?

A causa ainda é desconhecida. O lipedema costuma surgir ou piorar em fases de mudança hormonal, como puberdade, gravidez e menopausa, e é comum haver outras mulheres na família com o mesmo formato de perna. O ganho de peso é o fator mais ligado à piora.

Por que o lipedema dói?

Ninguém sabe ao certo. As hipóteses são inflamação e falta de oxigênio no tecido de gordura. A dor não acompanha o tamanho da perna: há mulheres com pouca desproporção e muita dor.

Lipedema pode dar em uma perna só?

Não. O lipedema aparece sempre dos dois lados, de forma simétrica. Inchaço ou gordura em uma perna só aponta para outra causa, como linfedema ou problema venoso, e pede avaliação médica.

Por que o lipedema não tem cura?

Porque a causa ainda é desconhecida, e os tratamentos atuais aliviam os sintomas sem eliminar a doença. É um quadro crônico, mas nem sempre piora: num estudo espanhol, dois terços das pacientes ficaram estáveis, e a piora veio junto com o ganho de peso.

Como é o tratamento do lipedema?

Começa pelo conservador: emagrecer quando há excesso de peso, exercício, meia de compressão para a dor e drenagem quando a compressão não basta. A lipoaspiração fica para casos selecionados, com dor que resiste a esse tratamento.

Quem tem lipedema pode fazer musculação, correr ou pedalar?

Pode, dentro do que a dor permitir. Numa revisão de 2026, o treino pareceu melhorar dor, medidas das pernas e desempenho, mais ainda junto da meia de compressão, em estudos pequenos. Os consensos preferem atividades de baixo impacto, como exercícios na água, bicicleta ergométrica, caminhada e ioga, sem proibir a corrida.

Quem tem lipedema pode fazer drenagem linfática?

Pode, e ela costuma aliviar a dor. A drenagem alivia o sintoma sem remover gordura. Por isso, entra junto com a meia de compressão e o exercício, quando a meia sozinha não basta.

Existe dieta que desinflama o lipedema?

Não há prova de que alguma dieta desinflame o lipedema. Dietas cetogênicas e mediterrâneas com menos calorias fizeram as pacientes perder peso nos estudos, mas a melhora da dor e da inflamação foi irregular. O fator que mais piora o lipedema é o ganho de peso.

Cirurgia de lipedema vale a pena?

Depende do caso, e os especialistas divergem. Na Alemanha, a lipoaspiração é indicada quando a dor resiste ao tratamento conservador, e um estudo com 60 pacientes mostrou alívio mantido por 12 anos. Na Inglaterra e no País de Gales, o NICE considera a evidência fraca e recomenda a cirurgia só em pesquisa.

Quando o lipedema foi reconhecido como doença?

Na classificação internacional de doenças atual, a CID-11, da Organização Mundial da Saúde, que o trata como doença própria. A descrição é bem mais antiga: médicos da Clínica Mayo o descreveram em 1940, e o primeiro artigo com esse nome saiu em 1951.

Referências

  1. AMATO, A. C.; AMATO, J. S.; BENITTI, D. Lack of scientific evidence for the use of gestrinone in the treatment of lipedema: a systematic review. Cureus, [S. l.], v. 17, n. 11, p. e97213, nov. 2025. DOI: 10.7759/cureus.97213. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41426843/. Acesso em: 7 nov. 2026.
  2. AMATO, A. C. M. et al. Brazilian Consensus Statement on Lipedema using the Delphi methodology. Jornal Vascular Brasileiro, [S. l.], v. 24, p. e20230183, 2025. DOI: 10.1590/1677-5449.202301832. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39949954/. Acesso em: 7 nov. 2026.
  3. AMATO, A. C. M. et al. Lipedema prevalence and risk factors in Brazil. Jornal Vascular Brasileiro, [S. l.], v. 21, p. e20210198, 2022. DOI: 10.1590/1677-5449.202101981. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35677743/. Acesso em: 7 nov. 2026.
  4. BAUMGARTNER, A. et al. Improvements in patients with lipedema 4, 8 and 12 years after liposuction. Phlebology, [S. l.], v. 36, n. 2, p. 152-159, mar. 2021. DOI: 10.1177/0268355520949775. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32847472/. Acesso em: 7 nov. 2026.
  5. BENATTI, F. et al. Liposuction induces a compensatory increase of visceral fat which is effectively counteracted by physical activity: a randomized trial. The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, [S. l.], v. 97, n. 7, p. 2388-2395, jul. 2012. DOI: 10.1210/jc.2012-1012. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22539589/. Acesso em: 7 nov. 2026.
  6. CIFARELLI, V. Lipedema: progress, challenges, and the road ahead. Obesity Reviews, [S. l.], v. 26, n. 10, p. e13953, out. 2025. DOI: 10.1111/obr.13953. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40425048/. Acesso em: 7 nov. 2026.
  7. DE OLIVEIRA, J.; DE PAULA, A. C. P.; GUIMARÃES, V. H. D. Clinical or cultural? Dietary interventions for lipedema: a systematic review. Maturitas, [S. l.], v. 202, p. 108716, nov. 2025. DOI: 10.1016/j.maturitas.2025.108716. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40939491/. Acesso em: 7 nov. 2026.
  8. DR. PAULO GENTIL. Lipedema e gordura localizada. [S. l.], 13 ago. 2026. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=K90DN758lV8. Acesso em: 7 nov. 2026.
  9. FAERBER, G. et al. S2k guideline lipedema. Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft, [S. l.], v. 22, n. 9, p. 1303-1315, set. 2024. DOI: 10.1111/ddg.15513. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39188170/. Acesso em: 7 nov. 2026.
  10. HERBST, K. L. et al. Standard of care for lipedema in the United States. Phlebology, [S. l.], v. 36, n. 10, p. 779-796, dez. 2021. DOI: 10.1177/02683555211015887. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34049453/. Acesso em: 7 nov. 2026.
  11. HERNANDEZ, T. L. et al. Fat redistribution following suction lipectomy: defense of body fat and patterns of restoration. Obesity, [S. l.], v. 19, n. 7, p. 1388-1395, jul. 2011. DOI: 10.1038/oby.2011.64. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21475140/. Acesso em: 7 nov. 2026.
  12. LANZI, S. et al. Exercise training in women with lipedema: a systematic review. Vasa, [S. l.], v. 55, n. 5, p. 322-333, set. 2026. DOI: 10.1024/0301-1526/a001250. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41243294/. Acesso em: 7 nov. 2026.
  13. MANOLOPOULOS, K. N.; KARPE, F.; FRAYN, K. N. Gluteofemoral body fat as a determinant of metabolic health. International Journal of Obesity, [S. l.], v. 34, n. 6, p. 949-959, jun. 2010. DOI: 10.1038/ijo.2009.286. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20065965/. Acesso em: 7 nov. 2026.
  14. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Liposuction for chronic lipoedema: HealthTech guidance HTG618. London, 29 mar. 2022. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/htg618. Acesso em: 7 nov. 2026.
  15. WOLD, L. E.; HINES, E. A., Jr.; ALLEN, E. V. Lipedema of the legs: a syndrome characterized by fat legs and edema. Annals of Internal Medicine, [S. l.], v. 34, n. 5, p. 1243-1250, maio 1951. DOI: 10.7326/0003-4819-34-5-1243. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/14830102/. Acesso em: 7 nov. 2026.

Vídeo no YouTube sobre o tema

Feedback do Usuário

Comentários Recomendados

Não há comentários para exibir.

Crie uma conta ou entre para comentar

Conta

Navegação

Buscar

Buscar

Configure browser push notifications

Chrome (Android)
  1. Tap the lock icon next to the address bar.
  2. Tap Permissions → Notifications.
  3. Adjust your preference.
Chrome (Desktop)
  1. Click the padlock icon in the address bar.
  2. Select Site settings.
  3. Find Notifications and adjust your preference.