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Madilson Medeiros
Madilson Medeiros

Aeróbios: antes ou depois da musculação?

Não é de hoje que temos abordado a questão das diferentes contribuições dos substratos energéticos, ou seja, os nutrientes, na prática da atividade física. Persistem ainda, para muitos, velhos conceitos e ideias equivocadas acerca da alimentação do atleta, das diversas modalidades esportivas.

Neste contexto, muitas dúvidas costumam figurar no cenário da prática esportiva. Aqueles que já estão mais habituados com nutrição esportiva, provavelmente não se surpreendem mais com certas “pérolas” que costumamos ouvir na academia, nas quadras e pistas.

O entendimento de como os nutrientes atuam durante a atividade física é simplesmente fundamental, quer seja para que se busquem estratégias de treinamento, de alimentação, como para otimizar a saúde e a qualidade de vida.

Tais conhecimentos se mostram essenciais em situações onde o fator primordial é o rendimento e a otimização da performance. Através dessa bagagem teórica, torna-se possível ao executante direcionar ser treinamento da melhor forma, proporcionando, assim, um maior aproveitamento de sua capacidade bioenergética.

O combustível oxidado durante o exercício depende da intensidade e duração do mesmo, da idade, gênero e condicionamento do atleta, e do seu estado nutricional prévio. Inicialmente, em termos percentuais, a maior contribuição energética da atividade advêm do carboidrato.

À medida que a duração do exercício continua, a fonte energética pode variar a partir do glicogênio muscular para a glicose sérica, mas em todas as circunstâncias, se a glicose no sangue não pode ser mantida, a intensidade do exercício realizado vai diminuir, ou fatalmente, ocorrerá hipoglicemia.

A gordura somente é utilizada em maiores proporções mediante a intensidade dos exercícios, sendo metabolizada cada vez menos ao passo em que aumenta a intensidade da atividade. Aminoácidos podem contribuir para o gasto energético da atividade durante o exercício, mas em indivíduos alimentados provavelmente possui menos de 5% do gasto calórico.

Porém, ao passo que a duração do exercício aumenta, os aminoácidos teciduais podem contribuir para a manutenção da glicemia através da gliconeogênese no fígado.

Trazendo a situação para a prática da musculação, é muito comum surgirem dúvidas quanto ao momento ideal da atividade aeróbia, quando esta é realizada juntamente com a sessão de musculação.

Muitas pessoas, erroneamente, acabam por realizar a atividade aeróbia antes da musculação, isto por que supõem que esta estratégia seja mais eficaz para a queima de gordura corporal.

Ocorre que, durante a aerobiose, nenhum indivíduo, por mais condicionado que seja, inicia a atividade já consumindo gorduras como fonte de energia. Esta utilização - em termos percentuais, é claro – só ocorrerá após alguns minutos de atividade aeróbia ininterrupta.

E ainda assim, jamais será regida única e exclusivamente pelos estoques corporais de gordura. O que é ocorre é que, gradualmente, conforme a continuidade do exercício, o organismo utilizará proporcionalmente MAIS gordura que glicogênio (carboidrato).

Observe que tal condição somente ocorrerá caso a atividade seja moderada (cerca de 50 a 65%, no máximo, da FC máx.). Caso a atividade aeróbia seja de alta intensidade (exceto nos protocolos de intermitência), o principal substrato será glicogênio muscular.

Ora, se a musculação é assistida, em sua maioria, pelo glicogênio muscular, e este foi gasto na sessão inicial de aerobiose, o que restará de combustível para suprir a demanda energética na musculação, trabalho eminentemente anaeróbio?

Se você respondeu ácidos graxos provenientes dos estoques de gordura corporal, está redondamente enganado.

Nesta situação, é metabolicamente mais viável utilizar proteína tecidual como fonte energética. Em outras palavras, você estará - embora não goste muito do termo - “queimando” sua massa muscular conseguida a duras penas, através de um mecanismo alternativo de energia por transaminação, conhecido como ciclo glicose-alanina.

Agora, analisemos a questão de forma inversa: após encerrada a atividade anaeróbia, ou seja, a musculação, iniciemos o trabalho aeróbio.

Uma vez que o glicogênio muscular encontra-se diminuído em função da sessão de musculação, há a grande atuação de hormônios contrarregulatórios e o organismo encontra-se em condições ideais, a ativação da oxidação de gorduras, neste momento, se dá muito mais eficientemente Nesta circunstância, obviamente, quando a pretensão é a oxidação de gorduras corporais, deve-se fazer a aerobiose imediatamente após o término da musculação, sem a presença de refeição pós-treino, o que poderia impedir a máxima utilização da gordura como substrato energético.

Mais uma vez, afirmamos a necessidade de um entendimento, mesmo superficial, para que possamos otimizar cada vez mais a prática de nossa atividade e assim promovermos melhores resultados, não somente em nossa composição corporal e aparência, bem como na melhora do rendimento.

Então, da próxima vez que alguém suscitar algum questionamento acerca da aerobiose antes ou após o treino de musculação, contemple todos os aspectos envolvidos quanto à bioenergética e fuja dos achismos.

Algumas considerações importantes quanto à utilização de substratos energéticos em nosso organismo, durante a atividade física:

Em repouso, 33% da energia do corpo vem de carboidratos ou de glicogênio, armazenado nos músculos e no fígado. 66% vem da gordura.

Durante o trabalho aeróbico, 50-60% da energia vem de gorduras.

Principalmente carboidratos são usados durante os primeiros minutos de exercício.

Geralmente, leva 20 a 30 minutos de atividade aeróbica contínua para queimar gordura numa razão média de 50% de carboidratos e 50% de gordura.

Exercício intenso ou prolongado pode esgotar rapidamente o glicogênio muscular.

Exercício intenso submáximo utiliza proporcionalmente menos carboidrato.

Proteína pode fornecer até 10% da utilização total de energia substrato durante o exercício intenso prolongado, se as reservas de glicogênio e ingestão de energia são insuficientes (Brooks, 1987).

Quanto mais condicionado um indivíduo, mais ele utilizará gorduras que carboidratos:

  1. Atinge o estado estacionário mais cedo, e permanece lá por mais tempo.
  2. Maior estimulação simpática mobiliza os AGs.

Em uma dieta baixa em carboidratos, utiliza-se uma proporção maior de gordura, mas a resistência é suprimida:

  1. Resistência pode ser reduzida em até 50% por má nutrição.
  2. Aumenta o risco de queimar o tecido magro (músculo) por gliconeogênese (conversão de proteína em glicose).
  3.  

Aeróbicos de alta intensidade, curta duração:

  1. Queimam mais calorias em menos tempo.
  2. Mais glicose, ou glicogênio utilizado.

Aeróbicos de baixa intensidade, longa duração:

  1. Maior proporção de gordura é queimada (não necessariamente mais gordura.

Musculação, pliometria, sprints, ou exercícios intervalados de alta intensidade:

  1. Inicialmente, ATP e CP (produção alática de energia).
  2. Carboidratos utilizados (produção lática de energia).
  3. A gordura somente é utilizada horas após o exercício anaeróbico.
     

REFERÊNCIAS

• ACSM – American College of Sports Medicine. Position stand on exercise and fluid replacement. Med Sci. Spots Exerc., 28-12, I-x, 2007.

• Borsheim E, Aarsland A, Wolfe RR. Effect of an amino acid, protein, and carbohydrate mixture on net muscle protein balance after resistance exercise. Int J Sport Nutr Exerc Metab.2004 Jun;14(3):255-71

• Guyton, A. C.; Hall, J. Tratado de Fisiologia Médica. 10ª ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2002.

• Kreider R.B. et al: ISSN exercise & sport nutrition review: research & recommendations. J Int Soc Sports Nutr 2010, 7:7

• Marquezi ML, Lancha Junior AH. Possível efeito da suplementação de aminoácidos de cadeia ramificada, aspartato e asparagina sobre o limiar anaeróbio. Rev Paul Educ Fis 1997;11:90-101.

• Mcardle, W. D.; Katch, F. I; Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano. 5 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 2003.

• Tirapegui, J.; Castro, I. A. Introdução a suplementação. In: Tirapegui, J. Nutrição, metabolismo e suplementação na atividade física. São Paulo: Atheneu, 2005. p. 131-136.

BONS TREINOS E ATÉ A PRÓXIMA!


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Comentários

Comentários Destacados

Muito bom!! Mesmo para quem já sabia, ter a confirmação embasada em artigos científicos é bem melhor, parabéns pela matéria!

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obrigado pelas informações.

 

fiquei em dúvida sobre a alimentaçâo antes e depois da musculação + corrida:

faço musculação a noite e as vezes corro na esteira durante 30min após o treino.

sempre que volto da musculação, mesmo correndo, tomo meu whey protein (10min. após terminar a corrida).

se meu objetivo for perder gordura nestes dias, que momento devo tomar meu whey protein ???

jah que eh um alimento rico em proteina e pouca gordura.

 

obrigado

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Ótima explanação

 

Seria  bom também um artigo sobre suplementação de carboidrato de Alto IG e proteína no pre e no pós treino, além da ingestão de outras substâncias nutritivas (BCAA,Glutamina e Etc)

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Ótima matéria, sem sombra de dúvidas. Se me permitir fazer uma crítica construtiva, as palavras usadas poderiam ser mais claras/diretas de modo a um leigo (como eu) entender e compreender melhor todo o texto. Muitas pessoas praticam atividades físicas mas poucas tem o habito de ler a respeito. Abs.

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