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Implante de testo + Oxandrolona

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@Macedoma, você tomou várias decisões boas neste tópico, e a melhor delas foi trocar o implante pelo gel. Quero confirmar por que essa escolha foi certa, com uma informação que só existe depois deste tópico, e depois apontar uma coisa no seu caso que ninguém considerou e que, na minha leitura, é a explicação do seu problema.

Primeiro o implante.

Você escreveu que o médico não soube te dizer qual seria a liberação diária do implante. Essa frase é a resposta inteira, e você percebeu isso sozinha, mesmo sem conseguir formular. Não saber a liberação diária significa não saber a dose. E não saber a dose significa não conseguir prever efeito, nem ajustar, nem interromper, porque o implante fica no corpo por meses.

O @Locemar fez a pergunta mais precisa do tópico quando questionou por que implante e não gel, que é mais fácil de controlar se precisar suspender. Isso é o centro da questão, e a sua resposta na época, de que o gel pareceria menos eficaz, vale ser revista. O gel entrega nível estável ao longo do dia, exatamente o argumento que te venderam a favor do implante, com a diferença de que você para quando quiser e o efeito cessa em dias.

E vale registrar a atualização, porque a regra mudou. Em outubro de dois mil e vinte e quatro, a Anvisa suspendeu a manipulação, a comercialização, a propaganda e o uso de implantes hormonais manipulados, os chamados chips da beleza, que costumam conter testosterona, gestrinona ou outros hormônios. Farmácias que comercializam podem ser interditadas. A medida acompanhou a Resolução do Conselho Federal de Medicina número dois mil trezentos e trinta e três, de abril de dois mil e vinte e três, que veda a prescrição de hormônios androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de desempenho esportivo.

O motivo não foi burocrático, e é exatamente o que você viveu na consulta. Falta de eficácia comprovada para esse uso, ausência de previsibilidade de liberação, e complicações descritas que incluem aumento de risco de acidente vascular cerebral, dislipidemia, hipertensão e arritmias. Ou seja, a sua desconfiança estava certa antes de a norma existir.

Agora o ponto que ninguém levantou, e é o mais importante para você.

Você relatou testosterona baixa com sintomas, que são pouca energia, libido baixa e ausência de tônus apesar de treino e dieta controlados. E, algumas mensagens depois, você fechou a sua dieta em mil seiscentas e trinta e quatro calorias por dia.

Você treina há mais de dez anos, tem um metro e setenta, sessenta e quatro quilos, e faz musculação com personal. Mil seiscentas e trinta e quatro calorias, para esse perfil, é bastante restritivo. E o @FitCoupleHim já tinha te dito, no começo do tópico, que para o objetivo declarado você comia pouquíssimo.

O que isso tem a ver com a sua testosterona baixa é o seguinte, e é uma via de mão dupla que costuma passar despercebida. Disponibilidade energética cronicamente baixa suprime o eixo hormonal. É um mecanismo de economia, bem descrito em mulheres que treinam, e ele reduz os hormônios que comandam ovário e produção androgênica. Os sintomas dessa condição são exatamente os que você descreveu, ou seja, energia baixa, libido baixa, dificuldade de manter tônus e de progredir apesar de treino consistente. Muitas vezes vêm acompanhados de irregularidade menstrual, sono ruim e sensação de frio.

Se for esse o seu caso, e o seu conjunto de informações aponta bastante nessa direção, a testosterona baixa não é a doença. É o sintoma. E repor hormônio por fora enquanto se mantém o déficit é tratar o marcador e preservar a causa.

Isso não é acusação a ninguém, e não é para você abandonar o acompanhamento. É uma pergunta concreta para levar de volta ao consultório, e ela é esta. Foi considerada a hipótese de que a minha testosterona esteja baixa por baixa disponibilidade energética, e não por uma condição primária? Junto disso, vale pedir uma avaliação que inclua ciclo menstrual, TSH e T4 livre, ferritina, vitamina D, e uma estimativa honesta do seu gasto energético.

E vale saber que existe um custo silencioso em ficar anos nesse regime, que é a densidade óssea. Estrogênio baixo por período prolongado reduz massa óssea e não dá sintoma nenhum. Depois de dez anos de treino e dieta restrita, isso merece ser olhado.

Agora, sobre a estratégia alimentar que você fechou, preciso corrigir a premissa.

Você citou um artigo em que, com calorias e gordura iguais, quem comia menos carboidrato perdeu dezoito por cento mais gordura. Essa é a ideia de vantagem metabólica do baixo carboidrato, e ela não se sustenta nos estudos mais controlados.

O trabalho mais rigoroso nessa comparação foi feito em ambiente de internação, com todo o alimento fornecido e medido, comparando restringir carboidrato contra restringir gordura com as mesmas calorias. O resultado foi o oposto do esperado. A restrição de gordura produziu maior perda de gordura corporal, cerca de oitenta e nove gramas por dia contra cinquenta e três da restrição de carboidrato. E os próprios autores observaram que, em prazo mais longo, essa diferença tende a desaparecer.

Ou seja, não existe vantagem metabólica do baixo carboidrato. O que existe, e é uma vantagem real, é adesão. Muita gente sente menos fome e se organiza melhor comendo assim, e o @Foston descreveu exatamente isso ao dizer que carboidrato lhe dá sono e que se dá bem com essa estratégia. Isso é motivo legítimo para escolher, e é o único de que você precisa. Só não escolha por acreditar que o corpo gasta mais.

No seu caso específico, aliás, há um argumento a favor de manter carboidrato. Você treina musculação com progressão e quer preservar massa magra num déficit já apertado. Carboidrato é o que sustenta o desempenho no treino, e desempenho no treino é o que sinaliza ao corpo para manter músculo durante o corte.

Dois ajustes técnicos menores, sobre coisas ditas aqui.

Foi dito que a oxandrolona potencializa exponencialmente os efeitos da testosterona. Não há base para isso. As duas atuam no mesmo receptor androgênico, e o efeito de combiná las é somatório, não multiplicativo. Isso importa porque a ideia de potencialização exponencial é o que faz alguém achar que dose pequena de uma junto de outra vira algo muito maior do que é.

E foi mencionado efeito lipolítico dessas substâncias. Ele é pequeno e não é a via principal. Anabolizantes atuam aumentando a síntese de proteína muscular, e não mobilizando gordura do adipócito. Quem fica mais definido mudou a proporção, ganhando massa e perdendo água subcutânea. A gordura sai por déficit, e é por isso que a sua dieta é o item que decide o seu resultado, e não o gel.

Por fim, discordo com carinho de um conselho que você recebeu. Foi sugerido esquecer balança e medidas por trinta dias e usar só roupa e espelho. O espelho é ótimo instrumento e a intenção era te poupar de ansiedade, o que é justo. Mas o que você mesma propôs, que é pesar e tirar medidas toda semana, é o método melhor, desde que você leia a tendência de várias semanas e não o número de um dia. Peso oscila com sal, água, intestino e fase do ciclo menstrual. Fita métrica na cintura, sempre no mesmo ponto e horário, e foto mensal nas mesmas condições, é o conjunto que mostra o que está acontecendo. Espelho sozinho é o instrumento mais sujeito a humor do dia.

Sobre a dose de gel, uma pergunta que vale fazer a quem prescreve. Quanto isso representa em miligramas por dia. O motivo é que uma mulher produz cerca de zero vírgula três miligrama de testosterona por dia somando ovário e suprarrenal, e as doses de reposição feminina ficam nessa ordem de grandeza. Saber o número em miligramas é o que te permite comparar e entender onde você está.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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