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Emagrecer pela saúde

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  • Moderador
1 hora atrás, Thay30 disse:

Obrigada, vou desanimar não estou mais confiante. Até dia 08/05 com bons resultados

Tem nada que desanimar não... quem quer faz... fumei muito na vida, quase 3 maços por dia e resolvi parar e parei... está td na sua cabeça e não no seu corpo... bora mudar pra melhor ok...

  • 4 anos depois...
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  • Bem vinda! Com certeza vc terá ajuda por aqui!  @Sussu

  • Você não utiliza nenhuma medicação para cuidar dessa desordem no sistema cardiovascular ?!  Vou escrever exatamente o que escrevi para a outra menina que me pediu ajuda e vocês tem algum "parente

  • Olá @Agan81 sim temos ela é minha prima que me chamou e indicou o fórum, não nunca tomei medicação as vezes que fui ao médico era sempre quando estou com dor aí a pressão aumenta mais fora isso ao lon

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Esse tópico começa com uma pergunta certíssima, recebe uma resposta que deveria ter acendido todos os alertas e segue adiante sem que ninguém volte ao assunto. Vou começar por ali.

A @Thay30 abriu o tópico com 88 kg dizendo que tem pressão alta e que isso atrapalha as dietas que já tentou.

O @Agan81 perguntou, e a pergunta era exatamente a certa: você não usa nenhuma medicação para cuidar dessa desordem no sistema cardiovascular?

A resposta dela foi esta: nunca tomou medicação, e as vezes em que foi ao médico era sempre quando estava com dor, porque aí a pressão aumentava, mas que fora isso, ao longo do dia, está sempre bem.

Ou seja: uma pessoa com pressão alta, sem tratamento, sem acompanhamento, que só mede a pressão quando está sentindo dor, e que estava começando a treinar todos os dias.

E o assunto morreu ali. Vale muito a pena retomar.

Existe uma ideia muito difundida, e ela é justamente o motivo pelo qual a hipertensão é perigosa: a de que pressão alta se sente. Ela não se sente. A imensa maioria das pessoas com pressão alta não tem sintoma nenhum, e é exatamente por isso que a doença é chamada de silenciosa. Sentir-se bem o dia todo não é evidência de que a pressão está boa.

E medir só quando está com dor tem um problema adicional: dor eleva a pressão de forma momentânea em qualquer pessoa. Ou seja, ela vinha medindo sempre no pior momento possível e nunca no momento que interessa, que é o dia comum.

O que responde isso é simples e barato: medir a pressão em dias diferentes, em repouso, na unidade básica de saúde do bairro ou na farmácia, e levar os números anotados a uma consulta. Se houver dúvida, existe o exame de vinte e quatro horas, que registra a pressão ao longo do dia inteiro.

E aqui vem a parte boa, que ninguém contou a ela.

Tratamento de pressão alta não é sinônimo de remédio. Perder peso é uma das intervenções que mais reduzem pressão arterial, na ordem de aproximadamente um ponto para cada quilo perdido em muitas pessoas. Ou seja, o projeto que ela começou é, em si, tratamento.

Só que isso tem uma consequência prática que precisa ser dita: quem tem pressão alta e começa a emagrecer precisa acompanhar a pressão justamente porque ela tende a cair. Isso é ótimo, e é mais um motivo para ter um médico acompanhando, e não menos.

E, para quem está começando a se exercitar sem nunca ter tratado a pressão, vale a regra de segurança: dor de cabeça forte e persistente, dor no peito, falta de ar desproporcional, alteração visual ou tontura intensa durante o esforço são motivo para parar e procurar atendimento, não para insistir.

A segunda coisa que faltou é a mais surpreendente, considerando que o assunto do tópico é pressão alta: em nenhum momento se falou de sal.

Redução de sódio é a mudança alimentar com maior efeito comprovado sobre pressão arterial. Não é detalhe: é o item principal. E ela trabalha em pizzaria, come no horário que dá e relata que come alguma coisa à meia noite quando chega em casa. Isso descreve um padrão com muito sódio, provavelmente bem acima do que ela imagina.

O que costuma render mais, na prática, não é tirar o saleiro da mesa, e sim reduzir o que já vem salgado: embutidos, queijos processados, temperos prontos, macarrão instantâneo, caldos em tablete, salgadinhos e a própria pizza. E aumentar frutas, verduras e feijão, que são ricos em potássio, ajuda no mesmo sentido.

Uma dieta montada para uma pessoa hipertensa deveria começar por aí.

A terceira coisa é sobre o refrigerante, e tem um detalhe que passou despercebido.

Ela contou que tentou parar e que deu dor de cabeça, e por isso voltou a comprar. Essa dor de cabeça tem explicação simples: os refrigerantes à base de cola contêm cafeína, e parar cafeína de repente causa dor de cabeça, cansaço e irritabilidade por alguns dias. Passa sozinha, e reduzir aos poucos em vez de cortar de uma vez evita quase todo o desconforto.

Ou seja, não era falta de força de vontade. Era abstinência de cafeína, e ela poderia ter sido avisada disso.

A sugestão de usar a versão zero como transição está correta, e é o tipo de solução prática que funciona melhor do que proibir. Para o caso dela, aliás, há um detalhe extra: algumas versões zero contêm sódio, então vale olhar o rótulo.

A quarta coisa é a proteína, onde eu ajustaria o plano.

Somando o cardápio montado, o total de proteína fica em torno de setenta a oitenta gramas por dia. Para 88 kg em emagrecimento, eu subiria para algo entre cento e dez e cento e trinta gramas. Proteína é o que mais protege músculo enquanto se perde gordura, e é também o que dá mais saciedade, o que importa muito para quem trabalha à noite e come fora de hora.

E o cardápio já foi montado respeitando alergia a couve e a pimentão e a implicância com peito de frango, o que é atenção que raramente se vê. Vale só usar as opções mais baratas de proteína para chegar ao total: ovo, sardinha em lata, moela, fígado, carne moída e coxa com osso.

Sobre o horário, dois pontos práticos. Comer alguma coisa à meia noite não é problema em si: o que importa é o total do dia, e comer à noite não engorda mais do que comer de manhã. E, para quem trabalha em pizzaria, a estratégia que mais funciona é levar comida pronta de casa, porque a decisão difícil deixa de existir.

A quinta coisa é o treino.

Ela perguntou se podia aumentar os dias de treino para tirar as gordurinhas da coxa. A resposta que veio foi para aumentar o aeróbico e manter a musculação como estava, o que faz sentido para gasto calórico.

Só faltou dizer uma coisa importante: não existe redução localizada. Não dá para escolher de onde a gordura sai, nem treinando aquela região. As coxas vão afinar por causa do déficit calórico, e não por causa de exercício específico para coxa.

E eu, no caso dela, aumentaria a musculação em vez de reduzi-la. Treino com carga é o que preserva músculo durante o emagrecimento, e músculo é o que sustenta o gasto lá na frente, além de ajudar no controle da pressão.

Um comentário sobre o ritmo: ela saiu de 88 kg para 83,8 kg em cerca de um mês. É um bom começo, e parte dessa queda inicial é água. Daqui para a frente, algo entre meio e um quilo por semana é o ritmo que mais preserva massa magra e que menos costuma terminar em efeito sanfona, que foi justamente a queixa dela na primeira mensagem.

Créditos. Ao Agan81, que fez a pergunta clínica certa logo de início, montou uma dieta completa de graça, respeitando as alergias e as preferências dela, e ajustou quando ela relatou dificuldade. Ao @Batata..., pela orientação de subir carga aos poucos e pela frase sobre respeitar o tempo do corpo, e pelo relato pessoal sobre ter parado de fumar, que vale mais como exemplo do que qualquer sermão. E à @RenatinhaSA, à @Julinha e à @Bárbara pelo acompanhamento.

Se a Thaís estiver lendo isto, é isto que eu diria a ela.

O projeto está indo bem e ela já sente diferença na disposição, o que é real. A coisa mais importante que ela pode fazer agora não custa dinheiro: medir a pressão em três ou quatro dias comuns, anotar, e levar esses números a uma consulta na unidade de saúde do bairro. E, na dieta, olhar para o sal com a mesma atenção que está olhando para o refrigerante.

Para quem quiser montar a dieta com os números na mão, o site tem um gerador de dieta em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ , que serve como ponto de partida para ajustar com acompanhamento.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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