O ciclo do Ramon Dino que veio a público foi lido no celular dele, numa mesa de podcast. A lista tinha 3 mL de propionato de testosterona e 3 mL de trembolona por semana, 50 mg de oxandrolona e 75 mg de estanozolol por dia, 60 microgramas de clembuterol, 6 UI de hormônio do crescimento (GH) por dia e um comprimido de anastrozol por dia. Era a mensagem com o protocolo de preparação passado pelo coach americano Chris Aceto.
A leitura aconteceu no Monster Cast, no corte "CAIXA DE PANDORA JURÁSSICA ! O PROTOCOLO DO DINOSSAURO !!! | RAMON DINO". Em dois dias a lista virou briga. Marcão dos Venenos, em "REAGINDO AO PROTOCOLO DO RAMON DINO", disse que aquilo seria perto da metade do que Ramon usa. O canal Gorgonoid respondeu em "RAMON chamado de MENTIROSO por ESPECIALISTA EM VENENOS!" que acredita na lista, com exceção do GH e do clembuterol, e que ela faz sentido para quem precisava perder 15 kg antes de subir ao palco.
Qual o ciclo do Ramon Dino
Quem leu a mensagem foi traduzindo as abreviações do coach. "Arimidex®" é o anastrozol, "prop" é o propionato de testosterona, "trem" é a trembolona e "ox" é a oxandrolona. A lista começou com propionato, oxandrolona e estanozolol. Em seguida veio a ordem de subir e colocar a trembolona.
| Substância | Quantidade lida | Como era usada |
|---|---|---|
| Propionato de testosterona | 3 mL por semana | dividido entre segunda, quarta e sexta |
| Trembolona | 3 mL por semana | dividido entre segunda, quarta e sexta |
| Oxandrolona (oral) | 50 mg por dia | todos os dias |
| Estanozolol (oral) | 75 mg por dia | todos os dias |
| Clembuterol | 60 mcg | frequência não informada |
| GH (somatropina) | 6 UI por dia | duas aplicações de 3 UI |
| Anastrozol (Arimidex®) | 1 comprimido por dia | todos os dias |
Ramon comentou que nem usa direito, porque não gosta de ficar aplicando. Os apresentadores lembraram que Deus também ajudou bastante na genética dele e fecharam com um aviso: não façam isso. Aquele é o protocolo de um atleta profissional, com uma das melhores genéticas da história do esporte.
Quanto dá em miligramas?
Os injetáveis estão em mililitros, e mililitro é volume, não dose. No podcast, o total citado foi de 600 mg de injetáveis por semana. Os canais que reagiram fizeram a conta como 300 mg de propionato e 300 mg de trembolona. Essa conta só fecha se os dois frascos tiverem 100 mg por mL, e a concentração dos produtos não foi dita.
Somando os orais, entram mais 125 mg por dia, ou 875 mg por semana. Com frascos de 100 mg/mL, o ciclo chegaria perto de 1,5 g de esteroides por semana. É uma estimativa, e não um número declarado.
O clembuterol é dosado em microgramas. São 60 mcg, ou 0,06 mg. Numa das reações o número saiu como 60 mg, o que seria mil vezes a quantidade lida.
Pouco ou muito? A conta do peso
Depende da régua. Entre profissionais de elite, o protocolo foi tratado como leve. Fora desse mundo, é muito, como mostram os números de uso e de ensaio mais abaixo. A briga entre os dois lados é sobre outra coisa: se a lista está completa.
A linha que defende a lista parte do peso: Ramon estava com 118 kg e precisava chegar a 103 kg em 6 semanas. A lista veio a público em março de 2024, três semanas depois da Arnold Classic, em que ele ficou em segundo na Classic Physique, atrás de Wesley Vissers. Nenhuma das fontes diz para qual campeonato era a preparação.
A Classic Physique tem teto de peso por altura. Na tabela da IFBB Pro League, quem mede até 1,829 m pode subir ao palco com no máximo 103,0 kg. Segundo a equipe de Ramon, esse é o limite da categoria para a altura de Ramon.
Quem precisa perder muito peso em pouco tempo não pode segurar músculo e líquido demais. Com dose alta de esteroides, o corpo retém mais, e a balança não desce mesmo com a comida cortada. Por isso, nessa leitura, a lista evita doses maiores e prefere substâncias de pouca retenção. A conta somada, perto de 1,5 g, é tratada como dose razoável para quem quer baixar o peso. Pouca ela não é.
A dose-resposta da testosterona é coerente com essa ideia. No ensaio de 2001 com 61 homens, quem recebeu 125, 300 e 600 mg de testosterona por semana durante 20 semanas ganhou, em média, 3,4 kg, 5,2 kg e 7,9 kg de massa livre de gordura. Quanto maior a dose, mais peso magro o corpo segura. Mas o ensaio foi feito sem dieta de corte, e nenhum estudo testou atletas em preparação para provar que a dose menor foi o que permitiu bater o peso.
O ritmo da descida mostra o tamanho do desafio. Perder 15 kg em 6 semanas, partindo de 118 kg, dá mais de 2% do peso por semana. A revisão de 2014 sobre preparação de fisiculturistas naturais recomenda perder de 0,5% a 1% por semana para preservar músculo.
A mesma linha aponta uma pista de que a droga foi contida: Ramon teria chegado um pouco "flat", com o músculo menos cheio. É uma impressão visual, sem medida que a confirme.
Ela também faz duas ressalvas. Um atleta do Open, sem teto de peso, não teria esse freio e usaria mais na preparação. Quem leu a lista, porém, disse que Chris não passa muito da sua faixa nem com atletas do Open. E manter um físico batendo o peso é diferente de construir aquele físico. A lista explica as 6 semanas de corte. Os anos que levaram Ramon até ali ficam de fora dela.
Chris Aceto, o coach de mão leve
Chris Aceto tem fama de usar pouco. O padrão dele foi descrito como algo entre 1 e 1,5 g por semana, perto de 1,3 g. Com atletas do Open, talvez ele suba um pouco o GH. Para Ramon, ele não passa nem T3, o hormônio da tireoide.
O diferencial do coach é a manipulação do carboidrato. Quando Ramon começa a carregar carboidrato, Chris pede foto uma hora depois da refeição, manda mostrar uma pose e decide pela imagem se aumenta ou diminui o carbo. O ajuste fino vem da comida.
Para a linha que defende Ramon, a lista é autêntica: o celular passado para a leitura teria a conversa real com o coach. Na própria leitura, alguém brincou que "o Chris é figurativo", porque ninguém sabe até que ponto o que o coach manda é o que o atleta faz.
A crítica: "isso é metade do que ele usa"
A linha oposta separa três protocolos: o que o coach passa, o que o atleta faz e o que o atleta diz que faz. O real é mais e o dito é menos. Para essa crítica, a lista lida não seria nem o que o coach passou.
Ela também estranha o propionato só três vezes por semana. A acusação é que Ramon usaria as mesmas quantidades todos os dias: 1 mL de propionato por dia e no mínimo meio mL de trembolona por dia. Com frascos de 100 mg/mL, seriam 700 mg e 350 mg por semana. Os injetáveis passariam de 1 g, perto do dobro dos 600 mg citados. A frase mais dura foi de um coach dizendo que não passaria aquela lista nem para atleta iniciante. Genética, para essa leitura, não explica a diferença.
Os números de uso real não ajudam a chamar a lista de iniciante. Num levantamento de 2006 com 500 usuários de esteroides, 78% não competiam, e 59,6% disseram usar 1.000 mg ou mais por semana. A estimativa de 1,5 g para o ciclo de Ramon fica acima desse corte. E, no ensaio de 2001, 300 mg de testosterona por semana levaram a testosterona do sangue a 1.345 ng/dL no ponto mais baixo da semana, duas vezes e meia o valor do grupo de 125 mg.
O que nenhum estudo consegue dizer é se a lista está completa. Não há exame, frasco ou registro público para conferir. A suspeita de que atletas declaram menos do que usam pode ser verdadeira para muita gente, e continua sem prova para este caso.
GH: 6 UI ou mais?
No hormônio do crescimento os dois lados quase se encontram. A crítica considera 6 UI por dia impossível para quem mantém aquele condicionamento o ano inteiro. A linha que defende a lista concorda que Ramon pode ter usado mais, 12 UI no lugar de 6, por exemplo. E acha que isso não atrapalharia a perda de peso, porque o GH ajuda a queimar gordura.
A parte da gordura procede: o efeito metabólico mais forte do GH é aumentar a quebra de gordura para gerar energia. A parte da balança é discutível. Na revisão de 2008 que juntou os ensaios com GH em pessoas jovens e saudáveis, quem recebeu o hormônio ganhou 2,1 kg de massa magra e teve inchaço por retenção de líquido com mais frequência, sem ganho de força. Os tratamentos duravam, em média, 20 dias, com doses que podem não refletir as do mundo real. O GH também deixa o corpo mais resistente à insulina. Para quem briga com a balança, mais GH pode significar mais peso.
O clembuterol seguiu a mesma lógica: com o relógio correndo contra a balança, ele pode ter sido usado acima dos 60 mcg. É a substância da lista com o alerta mais imediato. Num centro de informação toxicológica da Austrália, 63 casos de exposição ao clembuterol foram registrados entre 2004 e 2012, e fisiculturismo e emagrecimento eram os motivos mais comuns de uso. Pelo menos 53 pessoas, 84% dos casos, precisaram de internação, com coração acelerado, enjoo e tremor. Um homem de 21 anos teve parada cardíaca.
O que cada substância cobra
Sobre a trembolona, Ramon foi direto: odeia a droga e aprendeu a conviver com ela. Os apresentadores disseram que todo usuário se queixa, e Ramon contou que a dieta já deixa o atleta estressado e a trembolona soma irritação a isso. Com psicólogo, fica mais fácil perceber que a raiva aparece sem motivo. A revisão de 2024 sobre a trembolona descreve efeitos no sistema nervoso, acne grave e ginecomastia em cerca de um terço dos usuários, pressão alta e arritmia, e lembra que muitos efeitos ainda não foram estudados. O site tem uma matéria só sobre o custo da trembolona para o corpo, a mente e o coração.
Oxandrolona e estanozolol orais pertencem ao grupo dos esteroides alterados para resistir à passagem pelo fígado, o que os torna mais agressivos para o órgão. A revisão de 2019 sobre diagnóstico do uso de anabolizantes lista a lesão hepática entre os riscos desse grupo. Ela também aponta o HDL muito baixo, o colesterol bom, como uma das pistas de uso. Vale ler sobre oxandrolona e HDL e sobre os casos de fígado com estanozolol.
O anastrozol todos os dias também tem preço. Num ensaio de um ano com 69 homens de 60 anos ou mais e testosterona baixa, 1 mg por dia baixou o estradiol e reduziu a densidade óssea da coluna em comparação com o placebo. O estudo não testou atletas jovens em ciclo, mas o mecanismo, estradiol baixo demais, é o mesmo. É o problema de usar anastrozol desde o primeiro dia do ciclo.
No longo prazo, o coração paga a maior parte. Num estudo com 140 levantadores de peso experientes, quem tinha usado esteroides por dois anos ou mais bombeava menos sangue a cada batida (fração de ejeção de 52%, contra 63% de quem não usava) e tinha mais placa nas artérias do coração. Numa coorte dinamarquesa de 2025, homens flagrados em testes antidoping de academias tiveram três vezes mais infarto ao longo de 11 anos do que homens da mesma idade. Os efeitos dos anabolizantes no coração e na fertilidade têm matéria própria.
Se você usa ou pensa em usar, o acompanhamento médico com exames antes, durante e depois é o que permite enxergar esses problemas a tempo. O gerador de protocolo hormonal do site pede os exames, sugere o controle e bloqueia cenários de risco inaceitável. A página de fármacos resume mecanismo, doses e colaterais.
Ramon Dino usa anabolizante?
Sim, e diz isso em público. Em 2023, depois de mais um vice-campeonato da Classic Physique no Olympia, Ramon afirmou que, infelizmente, todo atleta tem de usar anabolizantes para chegar àquela performance. Em 2024, falando sobre o público jovem, aconselhou quem começa a buscar primeiro o máximo natural e, se a opção vier depois, procurar um médico para indicar a dose certa e o que usar.
O ciclo lido em 2024 vale para uma fase de preparação. Desde então, Ramon venceu a Classic Physique do Olympia de 2025 e ficou em terceiro no Olympia de 2026.
Conclusão
A lista tem lógica para o que se propõe: tirar 15 kg de um atleta em 6 semanas e colocá-lo dentro do teto de 103 kg. Substâncias de pouca retenção, doses contidas para um profissional e ajuste pela dieta combinam com o estilo conhecido do coach. A acusação de que seria metade do real não tem como ser conferida, e a ideia de que é dose de iniciante não se sustenta diante dos números de uso.
O que fica aberto é o que construiu aquele físico. Até quem defende a lista diz que não põe a mão no fogo pelo que Ramon usou para chegar ao nível dele. Ela vale para uma fase de corte de um atleta de genética rara.
FAQ
Qual o ciclo do Ramon Dino?
Pela mensagem lida em 2024, 3 mL de propionato de testosterona e 3 mL de trembolona por semana, 50 mg de oxandrolona e 75 mg de estanozolol por dia, 6 UI de GH por dia, 60 mcg de clembuterol e um comprimido de anastrozol por dia. A mensagem era do coach Chris Aceto.
Qual a testosterona do Ramon Dino?
Propionato de testosterona. A lista traz 3 mL por semana, divididos entre segunda, quarta e sexta.
Quanto Ramon Dino tem de testosterona no sangue?
Não há exame dele publicado. Estimar pela dose também não funciona, porque a concentração do frasco não foi dita e a lista inclui outros esteroides.
Ramon Dino usa quais anabolizantes?
Quatro esteroides no protocolo divulgado: propionato de testosterona, trembolona, oxandrolona e estanozolol. GH, clembuterol e anastrozol também estão na lista, mas não são anabolizantes.
Ramon Dino é natural ou usa hormônio?
Usa, e admite. Em 2023 ele disse que todo atleta precisa de anabolizante para chegar ao nível de competição dele. O que se discute é quanto ele usa.
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