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Imagem sintética e meramente ilustrativa. Não é uma foto real.

Enantato de testosterona: o que é, doses, riscos e aplicação

O enantato é uma das testosteronas mais usadas no mundo, mas não tem registro no Brasil. Veja a dose de reposição, os riscos e a aplicação subcutânea.

O enantato de testosterona é a testosterona presa a uma molécula chamada éster, o enantato, que faz o hormônio ser liberado aos poucos durante vários dias depois da injeção. É uma das formas de testosterona mais usadas no mundo, tanto na reposição de quem tem deficiência quanto no uso para ganhar massa. No Brasil, porém, nenhum enantato de testosterona tem registro ativo na Anvisa.

O urologista e andrologista Claudio Guimarães explica a fama do enantato em "POR QUE O ENANTATO DE TESTOSTERONA É TÃO POPULAR? | Dr. Claudio Guimarães": custo baixo e dose flexível. Ele separa a reposição, que busca níveis normais, do uso acima do normal para performance, cujo risco mais grave está no coração.

O que é o enantato de testosterona

Sem éster, a testosterona injetada sumiria do corpo em pouco tempo. O éster funciona como um freio, e quanto mais longa a cadeia dele, mais devagar a testosterona é liberada. O propionato, um éster curto, exige aplicações a cada dois ou três dias. O enantato, mais longo, segura a liberação por mais tempo. Ele foi aprovado nos Estados Unidos em 1953, com o nome Delatestryl®, e virou uma das testosteronas mais prescritas.

Depois da injeção, o óleo forma um depósito no músculo. O enantato sai desse óleo aos poucos, o éster é cortado e a testosterona entra no sangue. A meia-vida, o tempo para a quantidade no sangue cair pela metade, fica em cerca de 4 dias, contra cerca de 1 dia do propionato. Por isso ele costuma ser aplicado uma vez por semana, às vezes em duas doses por semana ou a cada 15 dias.

Enantato, Durateston®, Deposteron® e undecilato

Todas essas opções entregam testosterona, e o que muda é o éster e o intervalo entre as aplicações. O cipionato, do Deposteron®, tem perfil parecido com o do enantato. O Durateston® mistura ésteres curtos e longos. O undecilato, do Nebido® e do Hormus®, dura bem mais, com intervalos de semanas a meses. Nos Estados Unidos existe ainda o Xyosted®, uma caneta de enantato para aplicar sob a pele, comparada ao Durateston® na matéria sobre o Xyosted®.

ProdutoTestosteronaSituação no Brasil
EnantatoEnantato de testosteronaSem registro ativo
Durateston®Mistura de ésteresRegistro ativo
Deposteron®Cipionato de testosteronaRegistro ativo
Nebido® e Hormus®Undecilato de testosteronaRegistro ativo
Androgel® e Testogel®Testosterona em gelRegistro ativo
Androxon®Undecilato em cápsulaRegistro inativo desde 2018

Enantato na reposição hormonal

A reposição de testosterona (TRT) serve para repor o que falta em quem tem deficiência comprovada e trazer o hormônio de volta à faixa normal, que vai de cerca de 264 a 916 ng/dL. O objetivo é tratar a deficiência, e não criar um fisiculturista. Na prática, as doses de enantato mais usadas são 75, 100 e 120 mg por semana, e a diretriz da Sociedade de Endocrinologia americana indica de 75 a 100 mg por semana, ou 150 a 200 mg a cada duas semanas.

Dá para dividir a dose da semana em duas aplicações ou usar microdoses, o que diminui os picos e vales que aparecem quando a injeção é espaçada. Essa flexibilidade não torna qualquer esquema correto: a dose total ainda precisa ficar na faixa da reposição. Como achar a dose está em qual a dose de TRT.

Muita gente acha que 250 mg por semana, o equivalente a 1 mL de um frasco de 250 mg/mL, é reposição. Não é. Num estudo com homens jovens que tiveram a produção própria bloqueada por remédio, 125 mg por semana deixaram a testosterona mais baixa, logo antes da dose seguinte, em torno de 540 ng/dL, e 300 mg, em torno de 1.350 ng/dL, acima do normal. No Brasil, desde 2023, o Conselho Federal de Medicina proíbe médicos de prescrever anabolizantes para estética ou desempenho.

O maior estudo sobre o coração na reposição, o TRAVERSE, mostrou que a testosterona em gel, em homens de 45 a 80 anos com deficiência, não aumentou infarto e derrame, com eventos em 7,0% contra 7,3% do placebo. Houve mais fibrilação atrial, lesão nos rins e embolia pulmonar, e também mais fraturas, 3,50% contra 2,46%. O resultado vale para a reposição com gel, e não para injeções em dose alta.

Efeitos da testosterona no corpo

Parte da testosterona vira estradiol, e o excesso de estradiol causa retenção de líquido, sensibilidade nas mamas e ginecomastia. Outra parte vira di-hidrotestosterona (DHT), ligada à pele oleosa, à acne e à queda de cabelo em quem tem predisposição. Os efeitos desejados são mais massa muscular, mais força, mais disposição, libido e ereção, além de mais densidade nos ossos em quem tem deficiência.

Enantato em dose alta para ganhar massa

No uso para performance, as doses comuns vão de 250 a 500 mg por semana, e há quem use 750 mg. O ganho de massa é real: num estudo clássico, 600 mg por semana de enantato, com treino, acrescentaram 6,1 kg de massa magra em dez semanas. Os riscos sobem junto, e olhar só hematócrito e estradiol no exame de sangue deixa de fora a pressão e o coração.

O efeito colateral mais comum é o aumento do hematócrito, a proporção de glóbulos vermelhos, que deixa o sangue mais grosso. Em homens em reposição, o hematócrito de 52% ou mais esteve associado a 35% mais infarto, derrame e trombose no primeiro ano, num estudo observacional. A injeção sobe mais o hematócrito do que o gel. A diretriz manda suspender a testosterona quando ele passa de 54% e só retomar em dose menor.

Os riscos mais graves estão no coração e podem matar. Durante um ciclo, a pressão sistólica subiu em média 6,9 mmHg e o HDL, o colesterol bom, caiu. Usuários de anabolizantes têm coração maior, que bombeia pior, e mais placa nas artérias. Num registro dinamarquês, tiveram três vezes mais infarto e cerca de duas vezes mais trombose e arritmia que não usuários, e em outro, com homens punidos por doping, morreram 2,8 vezes mais em cerca de 11 anos. A rigidez das artérias é outro efeito apontado, com menos estudos.

A testosterona de fora também freia o eixo, o comando do cérebro que faz os testículos produzirem testosterona e espermatozoides. Com 200 mg de enantato por semana, a maioria dos homens ficou sem espermatozoides, e depois de parar a contagem levou em média quase quatro meses para chegar a um nível mínimo de fertilidade e quase sete para voltar ao normal. Quem pensa em ter filhos precisa discutir isso antes. A recuperação depois de um ciclo, a terapia pós-ciclo (TPC), está em quando começar a TPC. Acne, queda de cabelo e ginecomastia completam a lista.

Enantato subcutâneo ou intramuscular

Durante décadas, a testosterona oleosa foi aplicada só no músculo. Estudos mais recentes mostram que a aplicação subcutânea, na gordura da barriga, dá níveis parecidos com os da intramuscular, com agulha menor, menos dor e mais facilidade para aplicar sozinho. Podem aparecer pequenos nódulos e reações locais leves. Esses estudos usaram produtos dos Estados Unidos, como o enantato em óleo de gergelim.

Para os produtos vendidos no Brasil, não há estudo da via subcutânea, nem a favor nem contra. A ideia de que o óleo daqui não serve para essa via não foi testada, e a de que serve, também não. Por isso, a via deve ser decidida com o médico, com o produto que ele prescrever. Os detalhes estão em testosterona subcutânea ou intramuscular, e o passo a passo, em como aplicar testosterona sozinho.

O risco do enantato do mercado paralelo

Como não há enantato registrado, muita gente compra no mercado paralelo. Numa revisão de análises de anabolizantes desse mercado, 36% eram falsificados e 37% estavam fora do padrão de qualidade, com dose diferente da anunciada. No Brasil, 31,7% de 2.818 anabolizantes apreendidos eram falsificados. Com um produto assim, não dá para saber a dose real.

Conclusão

O enantato é popular porque é barato e flexível. Na reposição, a dose fica em torno de 75 a 120 mg por semana, com acompanhamento de hematócrito, pressão e colesterol. Em 250 mg por semana ou mais, o uso já é para performance, e os ganhos vêm com hematócrito alto, pressão, colesterol pior, infertilidade e risco ao coração que pode ser fatal. Sem registro no Brasil, o enantato do mercado paralelo é uma aposta na dose e na pureza.

Perguntas frequentes

Para que serve o enantato de testosterona?

Na medicina, para repor a testosterona de quem tem deficiência comprovada. Fora dela, é usado em doses altas para ganhar massa e força. No corpo, parte dele vira estradiol e parte vira DHT, o que explica efeitos como retenção, acne e queda de cabelo.

Qual a meia-vida do enantato de testosterona?

Cerca de 4 dias. É o tempo para a quantidade de testosterona no sangue cair pela metade, depois que ela sai do depósito de óleo.

Enantato ou cipionato: qual é melhor?

Nenhum é mais forte. Os dois têm perfil parecido, e a diretriz americana usa as mesmas doses para ambos. No Brasil, o cipionato tem registro (Deposteron®), e o enantato, não.

Qual a diferença entre enantato e Durateston®?

O enantato tem um éster só. O Durateston® mistura ésteres curtos e longos e tem registro na Anvisa. O enantato não é vendido em farmácia no Brasil.

Quanto tomar de enantato de testosterona por semana?

Na reposição, de 75 a 100 mg por semana pela diretriz, e até 120 mg na prática, com acompanhamento médico. Doses de 250 mg por semana ou mais já ficam acima do normal. A dose se conta em miligramas, porque a concentração muda de um frasco para outro.

Enantato pode ser aplicado no subcutâneo?

Com produtos dos Estados Unidos, estudos mostram níveis parecidos com os da aplicação no músculo, com menos dor. Os produtos vendidos no Brasil não foram testados nessa via, e a decisão deve ser tomada com o médico.

Enantato de testosterona é vendido em farmácia?

Não como medicamento industrializado. Nenhum enantato de testosterona tem registro ativo na Anvisa, por isso não há preço oficial. No mercado paralelo, cerca de um terço dos anabolizantes analisados era falsificado.

Quais os efeitos colaterais do enantato?

Hematócrito alto, acne, queda de cabelo, ginecomastia, infertilidade, pressão alta e queda do HDL. Em dose alta, o risco ao coração é o mais grave e pode ser fatal.

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