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Imagem sintética e meramente ilustrativa. Não é uma foto real.

Mailson Araújo: o que se sabe da morte e os riscos da preparação

O fisiculturista baiano morreu aos 35 anos, dias antes de competir, sem causa divulgada. Veja o que se sabe e os riscos de diuréticos e corte de água.

O fisiculturista Mailson Araújo Santos, de 35 anos, morreu na noite de 13 de julho de 2026 em Alagoinhas, na Bahia, depois de passar mal em casa, horas após postar o treino do dia. Ele estava a poucos dias de voltar ao palco. Até a data desta matéria, nenhum laudo com a causa da morte havia sido divulgado.

O treinador americano Coach Kolton usou o caso para um alerta em "Bodybuilders Are Dying For NOTHING" (algo como "fisiculturistas estão morrendo por nada"). Para ele, a preparação extrema, com muitos remédios ao mesmo tempo, diuréticos e corte de água, aumenta o risco de algo dar errado. Ele não tem informação sobre o caso, e esta matéria trata desses riscos em geral, sem atribuí-los ao atleta.

Quem era Mailson Araújo

Mailson competia na categoria Men's Physique e ganhou o cartão profissional da IFBB em abril de 2023, como campeão geral entre os amadores do Arnold Classic South America, em São Paulo. Em julho de 2026, estava inscrito no Musclecontest Brazil, em Curitiba.

Na noite de 13 de julho, ele passou mal em casa. A mãe, técnica de enfermagem, tentou reanimá-lo junto com as equipes de socorro, sem sucesso. Algumas reportagens citaram parada cardíaca, mas isso descreve o que aconteceu no fim, e não o que causou.

Não há informação pública de que ele usasse anabolizantes, e a família relatou hábitos saudáveis. Sem laudo, não dá para reconstruir um protocolo nem apontar culpados. Foto, tamanho muscular e proximidade do campeonato não dão diagnóstico de ninguém.

O que diz o alerta sobre a preparação extrema

Há relatos de preparações com 12 remédios diferentes e de atletas que usam 15 ou mais compostos ao mesmo tempo, às vezes orientados por treinadores sem formação. São exemplos de quem acompanha o meio, e não uma contagem. O nome disso é polifarmácia: o risco não está só em cada produto, mas no que eles fazem juntos.

Um estudo brasileiro registrou um exemplo de preparação assim. Dez fisiculturistas amadores seguiram o mesmo protocolo de um treinador na semana do campeonato: água reduzida aos poucos, de 10 litros por dia até cerca de 0,2 litro, dois diuréticos, um remédio de pressão, hormônio da tireoide e clenbuterol. Os autores alertam que a combinação pode subir o potássio e baixar o sódio a níveis perigosos. Ninguém passou mal no estudo, mas foram só dez pessoas.

Para o atleta, a conta raramente fecha: ele paga bronzeamento, maquiagem, academia e remédios do próprio bolso, e o prêmio de muitos campeonatos é uma medalha ou um troféu.

Clenbuterol e hormônio da tireoide

Também circulam relatos de mais de 200 mcg de clenbuterol e bem mais de 100 mcg de hormônio da tireoide para secar, sem dizer com que frequência nem qual hormônio. Para dar escala: a bula do T3 (liotironina) indica de 25 a 75 mcg por dia no tratamento, enquanto 100 mcg de T4 (levotiroxina) é uma dose comum de reposição. No estudo brasileiro, o clenbuterol foi de 60 mcg por dia.

Os dois agem de formas diferentes. O clenbuterol age como a adrenalina nos receptores beta-2. Numa série de 13 usuários atendidos em centros de toxicologia, 11 deles para emagrecer ou para o fisiculturismo, apareceram coração acelerado, palpitação, tremor, dor no peito, potássio baixo e, em dois, lesão no músculo do coração. O hormônio da tireoide age por outro caminho, e a bula da liotironina alerta contra o uso para emagrecer e para toxicidade grave em doses altas, sobretudo com estimulantes.

Somar cafeína e outros estimulantes ao clenbuterol acelera ainda mais o coração, e o músculo cardíaco é quem paga a conta.

Diuréticos: o potássio pode subir ou cair

Na reta final, alguns atletas tomam diuréticos poupadores de potássio por uma semana inteira antes do campeonato, às vezes mais. A espironolactona é um exemplo. Ela pode levar ao potássio alto no sangue, a hipercalemia, e o risco aumenta com problema nos rins, suplemento de potássio, sal com potássio e alguns remédios de pressão.

Os diuréticos de alça, como a furosemida, fazem o contrário: tiram potássio, desidratam e podem derrubar o volume de sangue. Há relatos de fisiculturistas com potássio baixo e paralisia, e também de potássio alto. Os dois extremos podem bagunçar o ritmo do coração, e misturar diuréticos de tipos diferentes não faz um anular o outro.

Contar quanto potássio e sódio você come não mostra quanto há no sangue. Esse valor depende dos rins, dos remédios e das perdas, e só o exame de sangue diz. A bula da espironolactona pede dosar o potássio depois de começar ou mudar a dose.

Cortar água na semana do campeonato

Outra prática criticada é cortar a água na semana do campeonato. Uma revisão sobre a semana final de preparação descreve restrição de água em geral nas últimas 10 a 24 horas, às vezes depois de dias bebendo muita água, e conclui que há pouca evidência para essas práticas. Quando falta água, o corpo segura sódio e líquido por meio de hormônios, e a água que sai vem também de dentro das células, inclusive do músculo.

O resultado pode ser o contrário do que o atleta quer: músculo mais murcho, e não mais seco. Somado aos diuréticos, o corte de água mexe com a pressão, com o volume de sangue e com os sais que o coração precisa para bater no ritmo.

O risco que se acumula no coração

Num estudo com 140 levantadores de 34 a 54 anos, quem usava anabolizantes havia dois anos ou mais tinha o coração bombeando menos sangue e mais placa nas artérias do coração, e a quantidade de placa foi maior em quem tinha usado mais anabolizante ao longo da vida. Um físico grande e definido não mostra como está o coração por dentro. A relação entre anabolizantes e morte súbita está em anabolizantes e mortes no fisiculturismo.

Um levantamento publicado em 2025 acompanhou 20.286 homens que competiram em eventos da IFBB entre 2005 e 2020. Houve 121 mortes. Delas, 73 foram súbitas, e 46 dessas tiveram origem no coração. Os profissionais morreram cerca de 5 vezes mais que os amadores. Os dados vieram de fontes públicas, com poucas autópsias, e os próprios autores acham que há subestimação. Só 5% das mortes eram de atletas da América do Sul. Nas mulheres, um estudo parecido encontrou taxas menores. As causas mais comuns estão em o que mais mata no fisiculturismo, e a exposição ao longo dos anos, em por que fisiculturistas morrem jovens.

O modelo do queijo suíço

O modelo do queijo suíço, comum na aviação e na segurança do paciente, ajuda a entender o risco. Cada fatia é uma barreira de proteção, e cada uma tem buracos em lugares diferentes. Na maioria das vezes, um buraco é coberto pela fatia seguinte. Quando os buracos se alinham, o problema atravessa todas.

Em qualquer preparação com remédios, as fatias podem ser um coração com alteração ainda não descoberta, uma interação entre produtos, um sal do sangue fora do lugar e um sintoma ignorado. Ter passado por campeonatos anteriores sem problema não garante a próxima vez.

Sintomas que não fazem parte da preparação

Palpitação, sensação de vazio, corpo pesado e difícil de mover, fraqueza forte e falta de ar não são sinal de disciplina. Dor no peito, desmaio ou falta de ar importante são urgência: no Brasil, ligue para o SAMU no 192, conte tudo o que usou e não espere o campeonato passar.

A decisão mais segura é não usar anabolizantes, diuréticos e hormônios por conta própria para chegar ao palco. Quem já usa deve contar tudo ao médico, fazer exames de sangue e eletrocardiograma, entender o que cada produto faz antes de usar e desconfiar de qualquer orientação que mande continuar porque o campeonato está perto. Outros casos de atletas jovens estão em shape não é atestado de saúde.

Conclusão

Ainda não se sabe do que Mailson Araújo morreu. Os riscos que o caso trouxe de volta à conversa, esses sim, têm base: empilhar remédios, mexer com potássio e água na última semana e tratar sintomas graves como parte do processo abrem falhas em várias barreiras ao mesmo tempo. Nenhum troféu compensa esse risco.

Perguntas frequentes

Do que morreu o fisiculturista Mailson Araújo?

Não se sabe. Ele passou mal em casa na noite de 13 de julho de 2026 e não resistiu, e até agora nenhum laudo foi divulgado. Parada cardíaca, citada em reportagens, é como a morte aconteceu, e não a causa.

Qual fisiculturista brasileiro morreu em julho de 2026?

Mailson Araújo Santos, de 35 anos, profissional da IFBB na categoria Men's Physique, morreu em Alagoinhas, na Bahia, na noite de 13 de julho de 2026. Ele estava inscrito num campeonato em Curitiba poucos dias depois.

Por que fisiculturistas morrem cedo?

Os estudos apontam sobretudo para o coração: entre competidores da IFBB, muitas mortes foram súbitas e cardíacas, e os profissionais morreram mais que os amadores. O uso prolongado de anabolizantes está ligado a coração mais fraco e mais placa nas artérias.

Está confirmado que Mailson Araújo morreu por anabolizantes?

Não. Não há laudo divulgado nem informação pública de que ele usasse anabolizantes, e a família relatou hábitos saudáveis. Qualquer causa atribuída a ele é especulação.

Referências

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  11. SANTANA, Pedro. Quem era Mailson Araújo, fisiculturista baiano que faleceu aos 35 anos. Metrópoles. [S. l.], 14 jul. 2026. Disponível em: https://www.metropoles.com/esportes/quem-era-mailson-araujo-fisiculturista-baiano-que-faleceu-aos-35-anos. Acesso em: 3 nov. 2026.
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  16. VEJA SAÚDE. Fisiculturismo: o que explica a morte súbita de jovem baiano e outros atletas do esporte. [S. l.], 17 jul. 2026. Disponível em: https://saude.abril.com.br/medicina/fisiculturismo-o-que-explica-a-morte-subita-de-jovem-baiano-e-outros-atletas-do-esporte/. Acesso em: 3 nov. 2026.

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