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Imagem sintética e meramente ilustrativa. Não é uma foto real.

Winstrol® injetável ou comprimido: qual faz mais mal ao fígado?

A injeção pula a primeira passagem pelo fígado, mas o estanozolol continua com a estrutura ligada à colestase. Veja os casos, os exames e os alertas.

Na dúvida entre Winstrol® injetável ou comprimido, muita gente escolhe a injeção achando que assim "poupa o fígado". A ideia vem de um fato real: o comprimido passa pelo fígado logo depois de absorvido, e a injeção pula essa etapa. Só que, na ampola ou no comprimido, a molécula de estanozolol é a mesma, e a parte dela ligada à lesão do fígado continua lá.

Nenhum estudo comparou quantos casos cada via causa, então não dá para dizer qual é pior. O que existe são alterações do fígado com o comprimido em uso médico e casos de colestase, a lesão em que a bile para de sair do fígado, com a injeção. Numa série de 18 pessoas que já tinham lesão do fígado por estanozolol, todas tinham usado a forma injetável. Isso mostra que a injeção não impede a lesão, e não que ela seja pior que o comprimido.

O que a injeção muda e o que ela não muda

O estanozolol é um anabolizante 17-alfa-alquilado. Em palavras simples, ele tem um pedaço a mais no carbono 17 da molécula, que dificulta o fígado de desmontá-la logo na primeira passagem. É isso que permite que ele funcione em comprimido. É também essa mudança que está ligada à colestase. A testosterona sem essa modificação, injetada, não tem colestase descrita.

PerguntaEstanozolol oralEstanozolol injetável
Passa pelo intestino?SimNão
Passa pelo fígado logo depois de absorvido?SimNão, chega ao fígado depois, pela circulação
Continua 17-alfa-alquilado?SimSim
Há alteração ou lesão do fígado documentada em pessoas?SimSim
Algum estudo comparou qual via causa mais casos?NãoNão

Na injeção, o remédio chega ao sangue sem passar antes pelo fígado, mas a circulação o leva até lá, e o fígado o processa com o grupo 17-alfa intacto. O efeito no colesterol também aparece com a forma injetável: uma única injeção de 50 mg baixou o HDL, o colesterol bom, num estudo de 1982.

Os 18 casos com o estanozolol injetável

A série mais recente reuniu 18 homens de 19 a 48 anos com lesão do fígado por estanozolol, 12 deles no Brasil, e todos usaram a forma intramuscular. Para ler a tabela: a bilirrubina é o pigmento amarelo que se acumula quando a bile não sai, e o valor normal no sangue fica perto de 1 mg/dL. AST e ALT, as antigas TGO e TGP, medem dano nas células do fígado (e também do músculo). Fosfatase alcalina e GGT sobem quando a bile fica parada. Os limites de cada exame variam por laboratório e vêm impressos no laudo.

Dado da sérieResultado
Pacientes18 homens, de 19 a 48 anos
ViaIntramuscular em todos
Doses conhecidas (7 casos)50 a 200 mg, todo dia ou 3 vezes por semana, por até 8 semanas
Tempo médio até os sintomas55 dias
Pele amarela e coceira18 de 18
Bilirrubina total média23,3 mg/dL, acima de 30 em 38,8% dos casos
GGT média53,7 U/L, dentro do normal
Fosfatase alcalina média264,8 U/L, cerca de 2 vezes o limite
AST e ALT médias80 e 165,4 U/L
Padrão da lesão55,5% colestático, 22,2% misto, 16,6% nas células do fígado
Outras substâncias juntas10 pacientes
Tempo até a recuperação60 a 365 dias, mediana de 153, e um ainda sem recuperação ao fim do estudo
Morte ou transplanteNenhum

A recuperação é lenta: metade levou 5 meses ou mais para normalizar. Como 10 dos 18 usavam outras substâncias junto, parte do efeito pode vir delas, e o estudo não separou os dois grupos.

O caso de 50 mg em dias alternados

Em 2015, médicos poloneses descreveram um rapaz de 19 anos que injetava 50 mg de estanozolol em dias alternados havia 2 meses. A bilirrubina chegou a 56,64 mg/dL, cerca de 50 vezes o normal. Ele teve coceira intensa, e o INR, exame que mede a coagulação, subiu para 1,7. Mesmo assim, a fosfatase alcalina e a AST estavam normais, e a ALT subiu pouco. Ele levou 5 meses para normalizar.

Esse caso mostra o perfil da colestase por anabolizante: bilirrubina muito alta com enzimas quase normais. Quem olha só AST e ALT no exame pode achar que o fígado está bem.

O comprimido em dose baixa também mexe no fígado e no colesterol

O estanozolol já foi remédio, e os estudos com doses médicas mostram efeito mesmo em dose baixa. Com 2 mg duas vezes ao dia por até 6 meses, para úlcera de perna, o HDL caiu em 91% dos pacientes. Em mulheres na pós-menopausa, o HDL caiu 53%. Em 37 pessoas tratadas por angioedema hereditário, uma doença que causa inchaços, 18 tiveram algum efeito adverso, e o mais comum foi alteração dos exames do fígado, que melhorou quando os médicos baixaram a dose.

Por que o exame engana na colestase

Na colestase por anabolizante, a ALT e a fosfatase alcalina costumam subir menos de 2 a 3 vezes, e às vezes ficam normais, mesmo com a pele bem amarela. A bilirrubina é o número que denuncia. Numa série americana de 44 homens que tomaram anabolizantes vendidos como suplemento de musculação, a maioria metildrostanolona oral, a fosfatase alcalina estava normal em 70% deles, e a bilirrubina levou uma mediana de 94 dias para cair abaixo de 2,5 mg/dL. Uma "queimação" na barriga é sinal pouco confiável: os sinais que importam são pele e olhos amarelos, coceira e urina escura.

O treino também confunde o exame, mas no sentido contrário. Em 14 homens saudáveis que não faziam musculação, uma sessão pesada deixou a AST e a ALT altas por 7 dias, com AST chegando perto de 960 U/L, enquanto bilirrubina, GGT e fosfatase alcalina ficaram normais. Por isso, AST e ALT altas logo depois do treino, com bilirrubina normal, não bastam para falar em lesão do fígado.

Quando o exame indica lesão do fígado

A sociedade americana de doenças do fígado considera lesão significativa por remédio ou suplemento quando, em duas coletas, a ALT passa de 5 vezes o limite ou a fosfatase alcalina passa de 2 vezes, ou quando a bilirrubina passa de 2,5 mg/dL com enzimas altas, ou o INR passa de 1,5 com enzimas altas. A chamada Lei de Hy, que prevê risco de falência do fígado quando ALT e bilirrubina sobem juntas, não vale para casos de colestase.

Esses critérios definem quando o caso é sério, e não uma margem para continuar o uso. Nos ensaios de remédios novos, a agência americana recomenda parar quando a ALT passa de 3 vezes o limite junto com bilirrubina acima de 2 vezes, entre outras regras.

A bilirrubina alta também ameaça o rim

Bilirrubina muito alta pode lesar o rim, num quadro chamado nefropatia por cilindros biliares. Na série americana dos 44 homens, 3 tiveram creatinina acima de 2,5 mg/dL, sinal de lesão do rim, com bilirrubina de pico perto de 50 mg/dL, e todos se recuperaram. Dois fisiculturistas amadores que usaram estanozolol precisaram de hemodiálise, e outro caso, com estanozolol injetável e outros anabolizantes, teve o mesmo quadro sob suspeita, sem biópsia. Num registro espanhol e latino-americano, bilirrubina acima de cerca de 21 vezes o limite indicou quem tinha mais chance de lesão do rim.

O que fazer diante da suspeita

Pele ou olhos amarelos, coceira forte, urina escura ou fezes claras pedem parar o anabolizante e procurar um médico. No exame, o primeiro número a olhar é a bilirrubina, junto com fosfatase alcalina, GGT, AST, ALT e INR. Não há tratamento com eficácia comprovada: o ursodiol não mostrou benefício em estudo controlado nessa lesão, e o corticoide costuma ser ineficaz e deve ser evitado, segundo a base do instituto americano de saúde. Trocar o comprimido pela injeção não é solução.

No Brasil, o estanozolol está na lista C5 da Anvisa, de anabolizantes sob controle especial, e a venda exige receita retida com o código da doença, guardada por 5 anos. O risco da própria aplicação aparece no caso de Ivair Carlomagno. A comparação com a oxandrolona está em oxandrolona ou estanozolol, e os riscos de cada composto, no ranking de anabolizantes.

Conclusão

Trocar o comprimido pela injeção não protege o fígado. O estanozolol continua 17-alfa-alquilado nas duas formas, e a injetável aparece em todos os 18 casos da série mais recente de lesão do fígado. A colestase engana porque as enzimas podem estar quase normais com a bilirrubina nas alturas, e a recuperação leva meses. Quem usa precisa saber que a bilirrubina, e não só a AST e a ALT, é o exame que denuncia a lesão.

Perguntas frequentes

Winstrol® injetável ou comprimido: qual é menos tóxico?

Nenhum estudo comparou as duas vias, então não há prova de que uma seja mais segura. As duas formas são a mesma molécula 17-alfa-alquilada, e a série mais recente de lesão do fígado, com 18 casos, foi toda com a injetável. Isso mostra que a injeção não impede a lesão.

O estanozolol está proibido no Brasil?

Não está proibido. Ele está na lista C5 da Anvisa, de anabolizantes sob controle especial, e a venda exige receita retida com o código da doença.

Quais são os efeitos colaterais do Winstrol® no fígado e no colesterol?

O principal no fígado é a colestase, com pele amarela, coceira e urina escura, que pode levar meses para passar. No sangue, o HDL, o colesterol bom, caiu mesmo em dose médica baixa e até com uma única injeção.

Referências

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