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Imagem sintética e meramente ilustrativa. Não é uma foto real.

Carne sem boi da JBS: o que existe e o que ainda não foi aprovado

A JBS inaugurou um centro de biotecnologia, mas carne cultivada ainda não está liberada no Brasil. Entenda tecnologia, riscos e exageros.

A JBS já consegue colocar carne produzida sem abate nas prateleiras brasileiras? Não. O que a companhia inaugurou em Florianópolis foi um centro de pesquisa em biotecnologia com mais de 4 mil metros quadrados e mais de 20 laboratórios. A instalação existe, a empresa investe em carne cultivada e já controla uma companhia espanhola da área. Isso ainda não equivale a uma fábrica brasileira vendendo bifes cultivados.

Em "A JBS Está Fazendo CARNE SEM BOI !! E Eu Sei Como Isso Termina", Lua Ferrari usa a inauguração para discutir segurança, composição nutricional, concentração empresarial e a possibilidade de uma tecnologia ser normalizada antes de haver experiência de consumo em larga escala. Parte do alerta é pertinente. Parte precisa de correção para não transformar dúvida legítima em conclusão antecipada.

O que a JBS realmente inaugurou em Florianópolis

O JBS Biotech Innovation Center foi inaugurado em 1º de abril de 2026. Segundo a própria companhia, a estrutura tem mais de 4 mil metros quadrados e mais de 20 laboratórios. O escopo oficial não se limita à carne cultivada. Inclui saúde animal, nutrição de precisão, proteínas funcionais, proteínas alternativas e processos de biotecnologia.

Quando anunciou o início das obras em 2023, a JBS descreveu três fases. As duas primeiras, estimadas em US$ 22 milhões, cobriam a construção do centro e uma planta-piloto. O plano completo poderia chegar a US$ 62 milhões com uma futura unidade demonstrativa em escala industrial. Essa terceira etapa é importante: centro de pesquisa, planta-piloto e produção comercial são níveis diferentes de maturidade.

A estratégia internacional já vinha de antes. Em 2021, a JBS adquiriu 51% da espanhola BioTech Foods. Em 2023, anunciou a construção na Espanha de uma unidade industrial de proteína bovina cultivada. No Brasil, a BRF também mantém parceria com a israelense Aleph Farms, enquanto a Embrapa conduz um projeto de microcarreadores vegetais para produzir análogos de linguiça com células bovinas, suínas e de frango, com execução prevista até julho de 2027.

Como se faz carne cultivada sem criar um boi inteiro

Carne cultivada não é hambúrguer vegetal. Ela começa com células animais obtidas por biópsia ou de um banco celular. Essas células são selecionadas e multiplicadas em meio de cultura dentro de equipamentos controlados. Depois, precisam se diferenciar em tecidos como músculo e gordura e ganhar estrutura sobre suportes comestíveis. O material é então colhido e processado para formar o alimento final.

O processo pode ser organizado em cinco etapas:

  1. obtenção e caracterização das células

  2. criação de um banco celular estável

  3. multiplicação em meio de cultura e biorreatores

  4. diferenciação em músculo, gordura e outros componentes

  5. colheita, formulação e processamento do alimento

Produzir uma massa celular para hambúrguer ou almôndega é tecnicamente diferente de reproduzir a arquitetura de um bife grosso, com fibras, gordura, vasos e textura distribuídos como no tecido animal. Por isso, uma instalação de pesquisa capaz de cultivar células não prova que o custo, a escala e a qualidade sensorial já estejam resolvidos.

A Anvisa criou uma rota, não aprovou a carne

A RDC 839/2023, vigente desde março de 2024, atualizou as regras para novos alimentos e ingredientes. Produtos obtidos por cultivo celular entraram expressamente no grupo que exige avaliação prévia de segurança. A norma estabelece o caminho regulatório, mas não dá uma autorização coletiva para qualquer carne cultivada.

Cada produto precisa apresentar identidade, composição, processo de fabricação, especificações, estabilidade e evidências de segurança. A avaliação pode incluir toxicologia, alergenicidade, exposição alimentar e caracterização dos materiais usados no cultivo. Até 21 de agosto de 2026, a Anvisa não havia anunciado autorização de carne cultivada para venda ao consumidor brasileiro.

Portanto, estas três frases não significam a mesma coisa:

  • o Brasil possui regra para avaliar carne cultivada

  • uma empresa pesquisa carne cultivada no Brasil

  • um produto específico foi aprovado para venda

As duas primeiras são verdadeiras. A terceira depende de uma decisão sanitária individual que ainda não ocorreu.

Margarina não foi proibida em 2023

A comparação com a margarina chama atenção para um risco real: produtos podem ser promovidos com argumentos de saúde que envelhecem mal. O exemplo histórico, porém, precisa ser formulado corretamente. O Brasil não proibiu margarina em 2023. A Anvisa proibiu o uso de gorduras parcialmente hidrogenadas como ingrediente a partir de 1º de janeiro de 2023, etapa final de uma redução progressiva de gordura trans industrial.

Margarinas atuais podem ser fabricadas por outros processos e continuar no mercado. Assim, a história da gordura trans justifica exigir composição transparente, vigilância e acompanhamento de longo prazo. Ela não demonstra que carne cultivada repetirá o mesmo desfecho.

Também não existe equivalência química entre os dois produtos. A analogia é institucional: primeiro aparece uma promessa tecnológica, depois vêm aceitação e escala, e efeitos inesperados podem surgir. Isso é motivo para monitorar. Não é prova de dano.

A composição nutricional depende do produto final

Carne bovina convencional é uma matriz alimentar conhecida. Ela fornece proteína completa, vitamina B12, ferro heme, zinco, creatina, carnosina e uma mistura específica de gorduras. Carne cultivada não nasce automaticamente com a mesma composição.

O resultado depende da linhagem celular, do meio de cultura, do suporte comestível, da proporção de músculo e gordura, da formulação e de eventual fortificação. Um hambúrguer cultivado pode ser ajustado para ter mais ou menos gordura saturada, ferro, B12 ou sódio. Essa flexibilidade pode ser uma vantagem tecnológica, mas impede chamar todos os produtos de nutricionalmente idênticos antes de medir o alimento pronto.

O raciocínio correto vale nos dois sentidos. Não se deve afirmar que a carne cultivada é equivalente ao bife apenas porque contém células bovinas. Também não se pode concluir que é nutricionalmente inferior sem analisar sua composição, biodisponibilidade, digestibilidade e padrão de consumo.

Quais riscos realmente precisam ser avaliados

O relatório técnico da FAO e da Organização Mundial da Saúde divide a cadeia em obtenção celular, crescimento e produção, colheita e processamento. Muitos perigos já existem em outros segmentos da indústria de alimentos. Outros ganham características próprias por causa dos meios de cultura, biorreatores, suportes, fatores de crescimento e bancos celulares.

Os pontos centrais de controle são:

  • contaminação microbiológica durante o cultivo

  • identidade, pureza e estabilidade da linhagem celular

  • resíduos ou impurezas dos meios de cultura

  • alergênicos introduzidos por suportes e ingredientes

  • alterações provocadas pelo processamento final

  • rastreabilidade de lotes e controle de esterilidade

  • composição nutricional e estabilidade durante a validade

Células usadas em produção precisam multiplicar-se de maneira previsível durante muitas gerações. Isso exige caracterização genética e fenotípica. Descrever essa capacidade apenas como "células que não param de crescer" e compará-la diretamente a câncer é impreciso. O risco alimentar não é avaliado pela aparência da frase, mas pela identidade da linhagem, pelos controles do processo, pela ausência de células viáveis indesejadas no produto e pelos testes exigidos para aquela formulação.

Patentes e concentração são questões econômicas reais

Carne cultivada exige capital, propriedade intelectual, equipamentos e capacidade regulatória. Isso favorece empresas grandes e pode concentrar etapas da cadeia em poucos fornecedores de linhagens, meios de cultura e biorreatores. A compra de 51% da BioTech Foods pela JBS mostra que as grandes processadoras já tentam ocupar esse mercado.

Esse debate envolve dependência tecnológica, poder de mercado, acesso a patentes e controle da produção de alimentos. Ele merece acompanhamento próprio. Não substitui a avaliação sanitária: uma tecnologia pode ser segura e concentrada, insegura e pulverizada, ou apresentar qualquer combinação entre esses dois eixos.

Fato, exagero e situação atual

Afirmação

Veredito

O que os dados permitem dizer

A JBS abriu um centro de biotecnologia em Florianópolis

Fato

A instalação foi inaugurada em abril de 2026, tem mais de 4 mil m² e mais de 20 laboratórios

A unidade brasileira já é uma fábrica comercial de carne sem boi

Exagero

O centro reúne pesquisa e planta-piloto. A unidade demonstrativa industrial aparece como etapa futura do plano

A RDC 839/2023 aprovou carne cultivada no Brasil

Falso

A resolução criou requisitos para avaliar novos alimentos. Cada produto precisa de autorização própria

Margarina foi proibida em 2023

Falso

A proibição atingiu gorduras parcialmente hidrogenadas, fonte industrial de gordura trans

Carne cultivada é igual à carne convencional

Não demonstrado

A equivalência depende da formulação e de análises do produto pronto

Carne cultivada já foi provada perigosa

Não demonstrado

Existem perigos que precisam ser controlados, mas risco depende do produto e do processo avaliados

Conclusão

A JBS entrou de forma concreta na corrida da carne cultivada. Há um centro de pesquisa em Florianópolis, investimento internacional e participação majoritária na BioTech Foods. Ainda falta o salto decisivo entre cultivar células em laboratório e vender um alimento aprovado, competitivo e produzido em escala.

O alerta mais sólido não é tratar a tecnologia como salvação nem como desastre antecipado. É exigir dados do produto final: composição, processo, estudos de segurança, autorização da Anvisa, rastreabilidade, preço e desempenho em escala. Sem isso, "carne sem boi" continua sendo uma plataforma tecnológica em desenvolvimento, não um alimento comum já consolidado no prato brasileiro.

FAQ

A JBS já vende carne cultivada no Brasil?

Não. A empresa inaugurou um centro de pesquisa e planta-piloto em Florianópolis, mas isso não equivale à autorização de um produto para venda ao consumidor.

Carne cultivada é a mesma coisa que carne vegetal?

Não. A carne cultivada usa células animais multiplicadas em ambiente controlado. Produtos vegetais imitam carne com proteínas e outros ingredientes de origem vegetal.

A Anvisa já aprovou carne cultivada?

A RDC 839/2023 criou o procedimento de avaliação para novos alimentos produzidos por cultivo celular. Ela não aprovou automaticamente nenhum produto. Cada formulação precisa passar por análise própria.

A margarina foi proibida no Brasil?

Não. Desde 2023, a Anvisa proíbe gorduras parcialmente hidrogenadas como ingrediente. Margarinas fabricadas sem esse tipo de gordura continuam permitidas.

Carne cultivada tem os mesmos nutrientes de um bife?

Não é possível generalizar. Proteína, gordura, ferro, vitamina B12, sódio e outros componentes dependem das células, do meio de cultura, do suporte, da formulação e da fortificação do produto.

Carne cultivada é segura?

Segurança não pode ser atribuída à categoria inteira. Ela precisa ser demonstrada para cada produto e processo, com controle de contaminação, caracterização celular, avaliação dos insumos, composição e estabilidade.

Referências

  1. FERRARI, Lua. A JBS Está Fazendo CARNE SEM BOI !! E Eu Sei Como Isso Termina. YouTube, 21 ago. 2026. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=z-fG7S_W4SE. Acesso em: 21 ago. 2026.

  2. JBS. JBS inaugura centro de biotecnologia avançada para desenvolver superproteínas. JBS, 1 abr. 2026. Disponível em: https://www.jbs.com.br/imprensa/jbs-inaugura-centro-de-biotecnologia-avancada-para-desenvolver-superproteinas/. Acesso em: 21 ago. 2026.

  3. JBS. JBS inicia obras do primeiro centro de pesquisas em proteína cultivada do Brasil. JBS, 13 set. 2023. Disponível em: https://www.jbs.com.br/imprensa/jbs-inicia-obras-do-primeiro-centro-de-pesquisas-em-proteina-cultivada-do-brasil/. Acesso em: 21 ago. 2026.

  4. JBS. Empresa da JBS inicia construção da maior fábrica de proteína bovina cultivada do mundo. JBS, 7 jun. 2023. Disponível em: https://www.jbs.com.br/imprensa/empresa-da-jbs-inicia-construcao-da-maior-fabrica-de-proteina-bovina-cultivada-do-mundo/. Acesso em: 21 ago. 2026.

  5. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Anvisa atualiza regras para comprovar segurança de novos alimentos e ingredientes. Brasília, DF: Anvisa, 6 dez. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2023/anvisa-atualiza-regras-para-comprovar-seguranca-de-novos-alimentos-e-ingredientes/. Acesso em: 21 ago. 2026.

  6. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Novos alimentos e novos ingredientes. Brasília, DF: Anvisa. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/setorregulado/regularizacao/alimentos/novos-ingredientes-e-alimentos/. Acesso em: 21 ago. 2026.

  7. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Publicada norma sobre gordura trans em alimentos. Brasília, DF: Anvisa, 2 jan. 2020. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2020/publicada-norma-sobre-gordura-trans-em-alimentos. Acesso em: 21 ago. 2026.

  8. WORLD HEALTH ORGANIZATION; FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS. Food safety aspects of cell-based food. Geneva: WHO, 2023. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240070943. Acesso em: 21 ago. 2026.

  9. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Microcarreadores comestíveis de origem vegetal para engenharia e produção de um análogo de linguiça com células bovina, suína e frango. Brasília, DF: Embrapa. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/busca-de-projetos/-/projeto/222059/microcarreadores-comestiveis-de-origem-vegetal-para-engenharia-e-producao-de-um-analogo-de-linguica-com-celulas-bovina-suina-e-frango. Acesso em: 21 ago. 2026.

Vídeo no YouTube sobre o tema

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Comentários Recomendados

Pokoyô

Membro
(editado)

Breve poderrmos estar consumindo carne artificial misturada com carne de verdade sem a gente saber, assim como tem leite e composto lácteo..o composto é leite com celulose...e cuidado com os influencers que estão sendo pagos pela indústria da carne.

Editado em por Pokoyô

Oi, @Pokoyô! Tudo bem? ☺️

Lendo o seu comentário, percebi que muita gente ainda acaba caindo nesse terrorismo nutricional e nas teorias da conspiração que circulam soltas pela internet. Mas vamos conversar com calma e colocar os pingos nos is. Aqui no fórum a gente gosta de trabalhar com ciência e fatos reais, sem espaço para achismos ou pânico sem motivo.

Você levantou a preocupação de que vão misturar carne artificial na nossa comida sem a gente saber. Se a gente der uma olhada atenta no que diz exatamente a matéria "Carne sem boi da JBS: o que existe e o que ainda não foi aprovado", vamos ver que a realidade da ciência e do mercado é bem diferente desse desespero todo.

A JBS não está vendendo carne cultivada aqui no Brasil. Eles apenas inauguraram um centro de pesquisa e uma planta-piloto, o que passa longe de ser uma fábrica comercial vendendo bifes no supermercado. Além disso, existe uma barreira tecnológica e financeira gigante. Fazer carne cultivada não é brincadeira. É um processo muito complexo reproduzir a estrutura de um bife de verdade, com todas as fibras, gordura e vasos. Ninguém gastaria milhões em uma tecnologia que ainda está em desenvolvimento só para esconder isso no meio da carne convencional de forma barata.

A Anvisa definiu a resolução RDC 839/2023, que exige uma avaliação prévia de segurança super rígida para cada alimento novo. Até o momento, não existe absolutamente nenhum produto de carne cultivada aprovado para o consumidor brasileiro. São tantas exigências de rastreabilidade de lotes, identidade celular e composição que inviabiliza totalmente essa mistura clandestina desenfreada.

Você também tocou no assunto do leite. As pessoas adoram inventar que leite de caixinha não é leite ou criar uma paranoia enorme com celulose. Fazem isso só para gerar pânico e tentar te vender dietas super restritivas ou suplementos caros. É claro que a concentração de patentes e o monopólio da indústria alimentar são questões econômicas muito reais e que merecem a nossa vigilância. Mas a gente não pode viver na paranoia e acreditar em influenciador picareta que ganha dinheiro botando medo em você com falácias.

O grande segredo do nosso esporte e da nutrição é parar de seguir modinhas, parar de procurar pelo em ovo e focar no básico bem feito que sempre funciona. Concorda? ❤️

meat bbq GIF

Pokoyô

Membro
(editado)

Oi Alice.

Que bom que você voltou.

Suas opiniões sempre me colocam pra refletir.

Sobre a carne artificial ela tá na mesma situação das canetas...será a solução pra um grande problema da humanidade ou será um problema de saúde no futuro? O fututo dirá.

Eu sei que ela não está ainda nas prateleiras do Brasil. Parece que no exterior já está a venda inclusive como hamburguer.

Que bom se a gente acabasse com a fome no mundo e ainda parasse de assassinar animais.

Sobre o leite é sim um alimento perigoso para quem tem algum tipo de intolerância principalmente quando consumido a noite.

Falo de minha própria experiência..quando eu comecei a treinar em 84 vi nas revistas americanas de musculação, já que não havia internet, que havia necessidade de alimentos proteicos...e também não existia whey na época.

Resolvi então tomar leite desnatado com gelatina em pó antes de dormir, porque o desnatado tem mais proteína que o integral e a gelatina tem muita proteína.

Comecei a sentir fortes dores, depois veio muco e sangue nas fezes..desenvolvi fissuras e me curei delas suspendendo o leite e comendo mamão.

Possivelmente o leite desnatado resseca muito as fezes e provoca problemas nos tecidos do intestino, principalmente na parte final...irritar tecidos intestinais ou mexer com a biota intestinal é muito perigoso.

Hoje como lácteos com moderação, nunca leite desnatado e evito ingerir à noite.

Agora mesmo, Pokoyô disse:

Oi Alice.

Que bom que você voltou.

Suas opiniões sempre me colocam pra refletir.

Sobre a carne artificial ela tá na mesma situação das canetas...será a solução pra um grande problema da humanidade ou será um problema de saúde no futuro? O fututo dirá.

Eu sei que ela não está ainda nas pratrleiras do Brasil. Parece que no exterior já está a venda inclusive em hamburguer.

Que bom se a gente acabasse com a fome no mundo e ainda parasse de assassinar animais.

Sobre o leite é sim um alimento perigoso para quem tem algum tipo de intolerância principalmente quando consumido a noite.

Falo de minha própria experiência..quando em comecei a treinar em 84 vi nas revistas americanas de musculação, já que não havia internet que havia necessidade de alimentos proteicos.

Resolvi então tomar leite desnatado com gelatina em pó antes de dormir, poque o desnatsdo tem mais proteína que o integral e a gelatina tem miita proteína.

Comecei a sentir fortes dores, depois veio muco e sangue nas fezes..desenvolvi fissuras e me curei delas suspendendo o leite e comendo mamão.

Possivelmente o leite desnatado resseca muito as fezes e provoca problemas nos tecidos do intestino, principalmente na parte final.

Hoje como lácteos com moderação, nunca leite desnatado e evito ingerir à noite.

Editado em por Pokoyô

  • Moderador
Em 22/08/2026 às 15:29, Pokoyô disse:

Breve poderrmos estar consumindo carne artificial misturada com carne de verdade sem a gente saber, assim como tem leite e composto lácteo..o composto é leite com celulose...e cuidado com os influencers que estão sendo pagos pela indústria da carne.

Eu sempre busco a alimentação mais natural possível... apesar de nem sempre conseguir à risca... como você, fugindo de conservantes, corantes, aromatizantes, acidulantes, edulcorantes e outras químicas... boa @Pokoyô!

Cláudio Chamini

Colaborador

@Pokoyô, a preocupação com transparência de rótulo eu acho totalmente válida. O ponto em que eu seria mais cauteloso é concluir que daqui a pouco estaremos comendo carne cultivada misturada à convencional sem saber. Hoje não existe evidência de que isso esteja acontecendo no Brasil e, até a data em que a matéria foi publicada, não havia produto de carne cultivada autorizado pela Anvisa para venda ao consumidor. A própria matéria procurou justamente separar o centro de pesquisa da JBS de uma autorização comercial que ainda não existe.

Agora, se essa tecnologia chegar efetivamente ao mercado brasileiro, aí eu concordo que rotulagem clara deveria ser uma exigência fundamental. E já temos exemplos interessantes fora daqui. Na Austrália e na Nova Zelândia, por exemplo, a carne de codorna cultivada foi autorizada em 2025 e a norma determina que esses alimentos sejam identificados no rótulo como “cell-cultured” ou “cell-cultivated”. Ou seja, a tendência regulatória não é esconder a origem do alimento, mas justamente identificá-la.

E só faria uma correção naquela comparação com composto lácteo. Composto lácteo não significa simplesmente “leite com celulose”. A regra atual do MAPA define o produto como um alimento em pó feito com leite ou derivados; quando existem ingredientes não lácteos, mais de 50% da formulação ainda precisa ser constituída por ingredientes lácteos. Podem existir açúcares, amidos, gelatina, maltodextrina, óleos, frutas, fibras etc., dependendo da formulação. Inclusive a regra determina que apareça no painel principal a informação de que “composto lácteo não é leite em pó”. Então dá para discutir se o consumidor presta atenção ou se a apresentação comercial pode induzir confusão, mas tecnicamente são produtos diferentes e isso deve estar declarado.

Sobre a carne cultivada, você está certo: ela já saiu do laboratório em alguns países. Singapura autorizou frango cultivado como ingrediente de nuggets; nos Estados Unidos, produtos de frango cultivado passaram pelo processo regulatório da FDA e do USDA; e Austrália/Nova Zelândia autorizaram codorna cultivada em 2025. Portanto, não estamos mais falando de uma tecnologia puramente hipotética. Ao mesmo tempo, isso ainda ocorre numa escala minúscula perto da pecuária convencional e está muito longe de demonstrar que será solução para a fome mundial.

Quanto à segurança de longo prazo, concordo com a maneira como você colocou: o futuro fornecerá muito mais informação do que temos hoje. Aprovação sanitária significa que determinado produto e processo apresentaram dados considerados suficientes dentro do conhecimento disponível naquele momento. Não significa receber um certificado de que absolutamente nada poderá ser descoberto após décadas de consumo. Isso vale para carne cultivada, medicamentos, aditivos, alimentos e praticamente qualquer tecnologia nova. Por isso são importantes farmacovigilância no caso de medicamentos e vigilância sanitária e epidemiológica no caso dos alimentos.

Sobre sua experiência com o leite, aí eu separaria bem a experiência pessoal da explicação fisiológica. Se você retirou o leite e melhorou, não há motivo nenhum para insistir em consumi-lo. Mas não dá para concluir daí que o leite desnatado resseca as fezes ou lesa o tecido intestinal, porque não conheço boa evidência que demonstre esse efeito. Intolerância à lactose costuma provocar distensão abdominal, gases, cólicas, náusea e principalmente diarreia. Sangue nas fezes não é manifestação típica de intolerância à lactose. Fissura anal, por outro lado, pode realmente aparecer associada à passagem de fezes muito duras e constipação.

Também não existe uma regra fisiológica de que a intolerância à lactose seja especialmente perigosa porque o leite foi consumido à noite. O indivíduo pode perceber pior tolerância naquele horário por volume da refeição, hábitos intestinais, refluxo ou simplesmente pela própria sensibilidade, mas isso é diferente de dizer que o horário transforma o leite em um alimento mais agressivo.

Tem ainda uma curiosidade naquela sua dieta de 1984. O leite desnatado não tem uma quantidade dramaticamente maior de proteína que o integral; a diferença por volume costuma ser pequena. E a gelatina realmente possui bastante proteína em termos quantitativos, mas é uma proteína nutricionalmente bastante diferente de leite, ovos, carne ou whey. Ela é deficiente em triptofano e pobre em vários aminoácidos essenciais, portanto não é uma boa proteína para ser usada como principal fonte visando hipertrofia. Hoje sabemos isso muito melhor.

Então eu preservaria uma coisa importante do seu relato: você observou que determinada combinação alimentar lhe fazia mal e mudou a dieta. Isso é perfeitamente razoável. Só não dá para transformar retrospectivamente essa associação em mecanismo comprovado, principalmente diante de sintomas como muco e sangue nas fezes, que podem ter diversas causas.

@Alice Oliveira S., concordo com praticamente toda a essência do seu comentário. Eu só colocaria um freio em uma afirmação: regulação sanitária e rastreabilidade não tornam fraude impossível. Nenhum sistema regulatório consegue garantir isso. O que podemos afirmar é que a comercialização legal de um alimento produzido por cultivo celular depende de avaliação prévia e que não há evidência hoje de carne cultivada sendo clandestinamente misturada à carne convencional vendida no Brasil.

Acho importante fazer essa distinção porque existe um meio-termo saudável entre acreditar em toda teoria conspiratória e acreditar que empresa, fiscalização ou tecnologia são infalíveis. Eu quero saber exatamente o que estou comprando, quero composição, processo produtivo, segurança, rastreabilidade e rotulagem clara. Se isso estiver disponível, cada consumidor decide se quer colocar o produto no prato ou não. Esse, para mim, é um debate muito mais produtivo.

@fisiculturismo, eu pessoalmente prefiro uma alimentação baseada principalmente em alimentos in natura ou minimamente processados e tento não exagerar em produtos com muitos aditivos. Mas faço uma ressalva: conservantes, corantes, aromatizantes, acidulantes e edulcorantes não são automaticamente prejudiciais só porque são “químicos”. Inclusive, tecnicamente, tudo o que comemos é formado por substâncias químicas. A segurança depende da substância, da quantidade consumida e da exposição ao longo do tempo. Aditivos autorizados pela Anvisa possuem limites e condições de uso específicos. Minha preferência pelo mais natural possível é muito mais uma escolha alimentar e uma forma simples de priorizar alimentos menos processados do que uma afirmação de que todo aditivo faz mal.

Da mesma forma, “natural” não é sinônimo automático de saudável, assim como “industrializado” ou “sintético” não significa automaticamente perigoso. O mais racional é analisar composição, quantidade, evidências de segurança e contexto da dieta.

Pokoyô

Membro
(editado)

Chamini se eu passar três dias seguidos tomando 1 copo de leite antes de dormir vou começar a sentir dores ao evacuar e se insistir haverá sangue ....se leite irrita a mucosa do final do intestino pode também irritar o intestino em outros segmentos e talvez provocar pólipos, mas a ciência prefere acreditar que queimadinho de churrasco é que provoca câncer kkkkkkk...

Deve existir vários tipos de intolerância a componentes do leite, não só quanto à lactose mas também à caseína e outros.

Mas tem coisas que eu sei que nem a medicina sabe...eles não sabem que produto baixa o colesterol e eu sei...tou vendendo o segredo por 20 milhão.. sic.. kkkkkk...porque a estatina tá fazendo muito mal.

Você sabe que cachorro mordido de cobra não come linguiça e já retirei perto de 10 pólipos do intestino...sempre coloquei a culpa nos lácteos tipo sustagen principalmente na época em que usava em maior quantidade..a fase do desnatado durou pouco..na embalagem ele tinha 30% de proteína e o integral tinha 24%...isso antes do whey e eu achava importante isso...outro alimento suspeito é a bebidinha social do sábado a noite

Na minha santa ignorância jogo na fogueira das bruxas da inquisição um monte de tipos de produtos...com corantes, acidulantes, aromantizantes etc...enlatados..até os transgênicos...o câncer aumentou até entre jovens e ninguém sabe a causa.

Você já viu quantos quimicos tem no biscoito cream craker?

De outro lado já há muitos produtos com poucos químicos como certas marcas de goma úmida pra tapioca, extrato de tomate, ketchup, a pipoca que chamam de canjiquinha doce, shoyu...alguns ainda tem poucos conservantes...é uma tendência da indústria..tem muita gente checando ingredientes antes de comprar qualquer produto...acho que 1% da população foge dos químicos dos alimentos...é só ver as pessoas entulhando o caixa dos supermercados com biscoitos, bombons, yogurtes e lácteos coloridos, presunto, salsicha..só de ver sinto náuseas.

Tal como o Fisiculturismo nem sempre consigo e tomo um pouco de coca cola zero...e muitos outros produtos que possuem químicos...inclusive essas carnes nobres que uso que devem ser tratadas com químicos antes de serem ensacadas.

E infelizmente vegetais são tratados com muitos químicos no solo e os orgânicos não raramente são fraudes.

Mas..vida que segue..a degeneração começa cedo..ficamos míopes na infância, a vesicula vai falir antes dos 60...e se tivermis cuidados e sorte passaremos dos 80 , pra depois perdemos a luta final.

Editado em por Pokoyô

Cláudio Chamini

Colaborador

@Pokoyô, no seu caso eu não desprezaria o relato de jeito nenhum. Se você repete o teste e três dias de leite antes de dormir são suficientes para surgir dor ao evacuar, existe uma associação individual muito consistente e, pragmaticamente, não vejo motivo para você continuar tomando leite. O ponto em que eu continuo colocando o pé no freio é na explicação do mecanismo. Dor, fissura e principalmente sangue não fazem parte do quadro típico de intolerância à lactose, cujos sintomas clássicos são distensão, gases, cólicas, náusea e diarreia. Então uma coisa é dizer “leite me faz mal”; outra, bem diferente, é concluir “o leite desnatado agride a mucosa, provoca fissura e pode produzir pólipos”. A primeira afirmação o seu próprio organismo está demonstrando; a segunda precisaria de evidência.

E você tem razão em outra coisa: lactose não é a única possibilidade de reação ao leite. Existem reações às proteínas do leite, inclusive caseína e proteínas do soro. Só que aí entramos em mecanismos imunológicos e alergias alimentares, que são outra coisa, fisiologicamente, que deficiência de lactase. Além disso, há pessoas com intestino irritável e outras condições gastrointestinais nas quais determinados alimentos funcionam como gatilho sem que exista propriamente uma “intolerância à caseína”.

Agora, sobre os pólipos eu tomaria bastante cuidado antes de colocar a culpa nos lácteos ou no Sustagen. Curiosamente, quando olhamos estudos populacionais, a direção encontrada para câncer colorretal não é essa: o conjunto das evidências avaliadas pelo World Cancer Research Fund considera provável um efeito protetor dos laticínios e do cálcio contra câncer colorretal. Isso obviamente não quer dizer que você precise consumir leite nem que lácteos façam bem para todo mundo; significa apenas que não temos base para transformar o seu histórico de pólipos numa relação causal com leite.

Quanto ao “queimadinho do churrasco”, aí vou defender um pouco a ciência porque ela não escolheu o queimadinho por simpatia. Quando a carne é submetida a temperaturas muito altas, especialmente chama direta, podem se formar aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. Eles são mutagênicos em estudos experimentais. Em seres humanos, a associação específica desses compostos com câncer ainda não é tão simples nem definitiva quanto às vezes parece nas manchetes. Já para carne processada, a evidência de associação causal com câncer colorretal é bem mais forte; a IARC a classificou como carcinogênica para humanos. Portanto, presunto, salsicha, bacon e semelhantes me preocupam cientificamente bem mais do que simplesmente contar quantos nomes difíceis aparecem no rótulo de um cream cracker.

E álcool entrou na sua lista de suspeitos com razão. Para câncer colorretal, por exemplo, a OMS relaciona entre os fatores modificáveis consumo de carnes processadas e vermelhas em excesso, baixa ingestão de frutas e vegetais, sedentarismo, obesidade, tabagismo e consumo de álcool. Ou seja, a realidade é bem mais “multicausal” do que encontrar um único vilão dentro da embalagem.

A parte dos “químicos” é justamente onde eu acho que nós três estamos chegando a um meio-termo interessante. Eu também olho rótulo e prefiro comida simples. Se tenho duas opções semelhantes e uma tem uma lista enorme de ingredientes enquanto a outra tem três ou quatro, normalmente escolho a segunda. Só que faço isso como estratégia alimentar, e não porque o número de substâncias determina toxicidade. Um conservante com nome complicado pode estar numa concentração centenas de vezes abaixo daquela capaz de produzir efeito adverso, enquanto substâncias completamente naturais também podem ser tóxicas. Para aditivos existem avaliações toxicológicas e, quando aplicável, uma ingestão diária aceitável calculada justamente considerando exposição durante toda a vida e margens de segurança.

Por isso eu também não colocaria transgênico, corante, acidulante, conservante, adoçante, salsicha e agrotóxico todos dentro do mesmo saco chamado “química”. São problemas completamente diferentes e precisam ser analisados separadamente. Dá para defender uma dieta predominantemente in natura ou minimamente processada sem precisar afirmar que cada aditivo aprovado é prejudicial. Aliás, eu continuo achando essa a maneira mais simples de comer bem: carne, ovos, arroz, feijão, tubérculos, frutas, verduras, legumes e deixar os produtos altamente processados como parcela menor da dieta.

Sobre o aumento do câncer em jovens, aí você tocou numa questão realmente importante. Pelo menos no câncer colorretal, o fenômeno é real: dados recentes mostram aumento relevante entre adultos mais jovens. E a parte interessante é justamente que a causa ainda não está esclarecida. A própria IARC iniciou um grande projeto internacional em 2026 para investigar exposições precoces, microbiota e outros fatores que possam explicar esse crescimento. Portanto, eu acho legítimo desconfiar das mudanças ambientais e alimentares ocorridas nas últimas décadas; o que não podemos fazer ainda é escolher previamente “foram os conservantes”, “foram os transgênicos”, “foram os lácteos” ou qualquer outro culpado e depois procurar evidência que confirme a hipótese.

E sobre a estatina, aí eu quero conhecer esse seu segredo de 20 milhões. Se ele baixar LDL de forma consistente, não causar efeitos adversos e principalmente demonstrar redução de infarto, AVC e mortalidade em ensaios clínicos, talvez os 20 milhões estejam baratos. Mas não concordo com a generalização de que “estatina está fazendo muito mal”. Existem pacientes que apresentam efeitos adversos e precisam trocar dose, molécula ou estratégia; isso é diferente de dizer que a classe inteira faz mal. A diretriz cardiovascular de 2026 continua colocando estatinas entre os pilares da redução farmacológica do risco aterosclerótico quando existe indicação clínica.

No fim, acho que sua postura de olhar o rótulo e desconfiar um pouco da alimentação industrial é até saudável. Eu só não transformaria desconfiança em condenação antecipada. Foi exatamente esse o raciocínio que tentei colocar na matéria sobre carne cultivada: nem “a indústria disse que é seguro, portanto acabou a discussão”, nem “é artificial, portanto vai causar doença”. Quero composição, dose, estudos, acompanhamento e tempo de uso. Depois disso a gente vai formando opinião.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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