@Rafael38, li o seu tópico inteiro, do começo em 2016 até as últimas medidas, e preciso te dizer uma coisa: você escreveu evolução pequena várias vezes, e ela não é pequena. É excelente. Vou mostrar isso com os seus próprios números, porque eles contam uma história que passou despercebida no tópico.
As suas medidas, do início até um ano e meio depois:
Peso: de 93 para 91 quilos. Dois quilos.
Cintura: de 98 para 86 centímetros. Doze centímetros.
Tórax: de 105 para 118. Treze centímetros.
Perna: de 57 para 60. Bíceps: de 36 para 40. Panturrilha: de 36 para 40.
Olha o que está acontecendo aí. A balança praticamente não se mexeu, e o corpo mudou inteiro. Você perdeu doze centímetros de cintura e ganhou treze de tórax ao mesmo tempo.
Isso tem nome: recomposição corporal. É perder gordura e ganhar massa magra simultaneamente, e é exatamente o que você perguntou que era possível lá no começo do tópico, quando escreveu se conseguia ganhar massa sem ganhar gordura junto.
A resposta chegou. Foi sim, e você fez.
E repare no que isso significa sobre a pergunta que abriu o tópico, se devia emagrecer primeiro ou manter o peso. Você acabou não fazendo nenhuma das duas. Manteve o peso e trocou a composição, que é o melhor desfecho possível dos três.
Tem uma lição aqui que vale para o fórum inteiro. Se você estivesse acompanhando só pela balança, teria concluído em um ano e meio que não aconteceu quase nada, e talvez tivesse desistido no meio. Dois quilos em dezoito meses parece fracasso. Doze centímetros de cintura com quatro de braço não parece. É o mesmo período, a mesma pessoa, e são os mesmos dados.
Fita métrica e foto valem muito mais que balança para quem treina, e o @Miguel V estava certíssimo ao insistir no registro fotográfico.
Agora, dois pontos que ficaram em aberto no tópico e que merecem resposta.
O primeiro é a ideia, repetida várias vezes aqui, de que na nossa idade tudo é mais lento. Ela precisa de um ajuste, porque desanima muita gente sem necessidade.
A resposta ao treino de força em pessoas de meia idade é, em termos relativos, bastante parecida com a de gente jovem, principalmente nos primeiros anos de treino. O que a idade realmente reduz é o teto final e a velocidade de recuperação entre sessões, e isso começa a pesar de verdade bem depois dos 35. A capacidade de construir músculo continua presente e mensurável até os 70 e 80 anos em estudos com treino resistido.
Você mesmo é a prova. Ganhar quatro centímetros de braço e perder doze de cintura em dezoito meses é exatamente o que um iniciante de 20 anos apresentaria. Os seus números não são de alguém prejudicado pela idade. São números de iniciante, e você era iniciante.
O que muda aos 35 é a recuperação, e é justamente por isso que a sua decisão de sair de cinco treinos para um ABC três vezes por semana foi acertada, e não um recuo. Você percebeu sozinho que cinco estava puxado demais, ajustou, e a progressão continuou. Volume que não é recuperado não vira resultado.
O segundo ponto é sobre a cintura, e ele é o mais importante da sua evolução, mais até que o braço.
Sobre a dúvida que o colega levantou, de que cada centímetro de cintura perdido equivaleria a um quilo de gordura, não existe essa conversão fixa. A relação varia bastante entre pessoas e vai mudando ao longo do processo.
Mas a circunferência de cintura em si é um marcador de saúde por conta própria, independente do peso, porque ela reflete gordura visceral, que é a que se acumula em volta dos órgãos e está associada a risco cardiovascular e metabólico.
Para homens, o ponto de corte mais usado para risco aumentado fica em torno de 94 centímetros.
Você começou com 98 e está com 86.
Ou seja, você atravessou a faixa inteira, de acima do limiar de risco para confortavelmente abaixo dele, e a balança mal registrou. Isso não é estética. Isso é desfecho de saúde, e é a parte da sua evolução que vai importar daqui a vinte anos.
Sobre a pergunta do @Joulker, se você estaria usando testosterona: não há nada nos seus números que sugira isso. Quatro centímetros de braço e doze de cintura em dezoito meses de treino iniciante é progresso natural completamente comum. Vale dizer isso em voz alta, porque quando resultado bom é automaticamente atribuído a hormônio, quem está começando conclui que sem hormônio não vale a pena tentar. Conclui errado.
E sobre o que você mencionou, de pensar mais para frente em usar algum recurso ergogênico, deixo o que considero honesto.
Você está com uma progressão que ainda não parou, em treino natural, aos 35 anos. Nesse ponto, o retorno de ajustar treino, proteína diária e sono ainda é maior do que o de qualquer recurso farmacológico, e é por isso que faz sentido esgotar esse caminho primeiro.
O outro lado é que anabolizante ou testosterona aplicada suprimem a produção própria pelo eixo hormonal, e a recuperação depois da suspensão não é garantida, especialmente com uso prolongado ou repetido. Aos 35, com eixo funcionando, essa é uma troca de peso real, e não uma formalidade.
Se em algum momento surgir suspeita concreta de testosterona baixa, com sintomas, o caminho é exame laboratorial em duas coletas matinais e avaliação médica, e não decisão tomada no fórum.
Por ora, continue exatamente como está. Você acertou o processo, e o processo está entregando.
As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
Por
Cláudio Chamini ·
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