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  • Bem eu nem preciso falar que sem dieta isso dai nem vai dar grandes resultados né? Pois bem, vc ja usou essas coisas? Tem algum problema cardiaco? Acredito que não, até pq muay thai é bem tenso né. E

  • entaum problemas cardiacos eu nao tenho nao , ate msm pq chegei a treinar por 6 horas seguidas , e ja usei o franol antes , tomando 45ms antes do treino e sentindo pouquissimos colaterais , e tambem v

  • e a dieta esta quase pronta , só esperando chegar o email da nutricionista , mas é o de sempre , carbo complexos , muita proteina , zero gorduras saturadas  , sem carbo nas ultimas duas refeiçoes e co

Clembuterol vende na net maninho, aproveita que só até março que vão vender sem receita veterinária especial ( tão querendo foder c/ os marombas MESMO).

só dar uma pesquisada em loja agropecuária que tu acha, procura por lavizoo e pulmonil

  • 5 anos depois...
  • 8 anos depois...

@lucask, este tópico termina com duas pessoas perguntando, em anos diferentes, se você morreu. Era brincadeira, e espero muito que continue sendo. Mas o protocolo que está escrito aqui é o mais perigoso que eu já li neste fórum, e ele segue publicado, então preciso responder de forma direta, tanto por você quanto por quem chega hoje procurando isso.

Começo pelo item que ninguém percebeu, e ele está na sua lista de suplementos, não na de drogas.

Jack3d.

A formulação original desse produto continha DMAA, ou seja, dimetilamilamina, também chamada de geranamina. Ela é um estimulante que age liberando noradrenalina e bloqueando a recaptação dela, e o quadro descrito com ela inclui elevação de pressão arterial, hemorragia cerebral, infarto e óbito. A agência americana a retirou do mercado depois de mais de oitenta notificações de eventos adversos e mortes, e a ANVISA suspendeu a comercialização e a importação em dois mil e doze, nomeando justamente o Jack3d entre os produtos alcançados.

O seu tópico é de fevereiro de dois mil e treze, ou seja, poucos meses depois disso.

E aqui está o problema. Você não listou o Jack3d como parte do protocolo, listou como suplemento, à parte. Isso significa que ele entraria em cima de tudo o resto.

Vamos somar o que estava planejado para o mesmo dia.

Efedrina, chegando a sessenta miligramas. Cafeína, chegando a seiscentos miligramas, e isso sem contar a cafeína do próprio Jack3d. Ioimbina, todos os dias, em todos os aeróbios em jejum. Clembuterol nos blocos de quinze dias. E o Jack3d, com DMAA.

São cinco estimulantes adrenérgicos, ao mesmo tempo, por doze semanas seguidas, em alguém de dezoito anos.

O @Taerone foi a voz responsável do tópico e merece o crédito. Ele estranhou os sessenta miligramas de efedrina, disse que tinha receio até de usar quarenta e cinco, e apontou que três meses direto levaria à saturação. Ele estava certo nas duas coisas.

Vou completar com o que faltou, porque os riscos aqui não são de saturação.

O clembuterol é agonista beta dois, e os relatos de intoxicação descrevem taquicardia prolongada, taquicardia supraventricular, fibrilação atrial, hipertensão, hipocalemia e prolongamento do intervalo QT, com mecanismo descrito envolvendo o canal hERG. A hipocalemia agrava isso por conta própria, porque o estímulo beta dois empurra potássio para dentro da célula e potássio baixo prolonga o QT sozinho. Ou seja, o clembuterol prolonga o QT por dois caminhos ao mesmo tempo.

A ioimbina bloqueia receptores alfa dois adrenérgicos, e existe neste fórum um relato de alguém que a usou por quatro dias e teve hepatite medicamentosa, fezes brancas indicando colestase, e foi parar no hospital com frequência cardíaca de duzentos e quarenta batimentos por minuto, revertida com adenosina. As orientações de uso da substância são explícitas em evitar associação com outros estimulantes.

A efedrina é substância sob controle especial no Brasil, sujeita à Portaria trezentos e quarenta e quatro.

E as aspirinas. O esquema previa chegar a quatro por dia. O ácido acetilsalicílico entrou nas fórmulas antigas de ECA por uma justificativa que não se sustentou, e quatro comprimidos por dia trazem risco gastrointestinal real, com sangramento, especialmente somados a estimulantes que aumentam a pressão.

Sobre a sua resposta ao Taerone quando ele perguntou se você tinha problema cardíaco.

Você respondeu que não, e usou como argumento que já tinha treinado seis horas seguidas.

Isso é o ponto que eu mais gostaria que ficasse registrado neste tópico, porque é o raciocínio mais comum e o mais falho. Tolerar esforço não é rastreamento cardíaco. As condições que produzem morte súbita em jovem, como cardiomiopatia hipertrófica, síndrome do QT longo e anomalias de coronária, são justamente silenciosas até o evento, e várias delas se manifestam sob estímulo adrenérgico. Ou seja, aguentar seis horas de treino não exclui nada. O que responde essa pergunta é consulta com eletrocardiograma, e às vezes ecocardiograma.

E existe um erro de dose no seu esquema, do tipo que aparece o tempo todo aqui.

Você escreveu o clembuterol em mililitros, de dois até sete, e não disse a concentração. Mililitro não é dose. Dois mililitros de um produto podem ser o dobro ou a metade de dois mililitros de outro. E, como o clembuterol que circula por aqui é de linha veterinária, como aliás foi sugerido no próprio tópico com nomes de produtos de agropecuária, a concentração varia entre marcas e não há garantia de teor.

Sempre que alguém disser um volume, a pergunta seguinte tem que ser quantos microgramas por mililitro.

Agora a parte que muda o resultado, e que ficou de lado.

Você tem dezoito anos, um metro e sessenta e oito e noventa e seis quilos, e o seu objetivo era chegar a oitenta. São dezesseis quilos.

Isso é perfeitamente alcançável com dieta e treino, e você já tinha as duas coisas encaminhadas. Estava esperando a dieta de uma nutricionista e vinha de anos de muay thai e jiu jitsu, o que significa condicionamento e disciplina bem acima da média de quem abre tópico aqui.

E vale a proporção. Todo esse arsenal de estimulantes, mesmo funcionando perfeitamente e sem nenhum evento adverso, acrescentaria uma diferença modesta no total calórico do dia. A literatura sobre termogênicos aponta efeitos da ordem de algumas dezenas a poucas centenas de calorias diárias. Isso é menos do que uma refeição. O déficit que produz dezesseis quilos vem do prato, e vem inteiro dele.

Nessa faixa de peso e nessa idade, o que eu faria antes de qualquer coisa é o exame que ninguém sugeriu. Glicemia de jejum e hemoglobina glicada, perfil lipídico, TGO, TGP e gama GT com ultrassonografia de abdome pela possibilidade de gordura no fígado, TSH e T4 livre, e pressão arterial aferida. Nessa idade, praticamente tudo o que aparecer aí é reversível.

Dois reparos na dieta que você descreveu, porque as regras que você citou envelheceram. Zero gordura saturada e ausência de carboidrato nas duas últimas refeições não têm efeito demonstrado sobre perda de gordura quando o total calórico é o mesmo. Comer de três em três horas também não. Isso importa porque essas regras aumentam a dificuldade de cumprir a dieta sem aumentar o resultado, e o que faz alguém perder dezesseis quilos é justamente conseguir manter por meses.

Por fim, sobre a pergunta que fecha o tópico. Você voltou dizendo que estava sem tempo por causa da faculdade e ainda procurando os produtos. Se essa demora te levou a nunca ter juntado tudo, ela foi a melhor coisa que aconteceu neste relato.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

@lucask, este tópico termina com duas pessoas perguntando, em anos diferentes, se você morreu. Era brincadeira, e espero muito que continue sendo. Mas o protocolo que está escrito aqui é o mais perigoso que eu já li neste fórum, e ele segue publicado, então preciso responder de forma direta, tanto por você quanto por quem chega hoje procurando isso.

Começo pelo item que ninguém percebeu, e ele está na sua lista de suplementos, não na de drogas.

Jack3d.

A formulação original desse produto continha DMAA, ou seja, dimetilamilamina, também chamada de geranamina. Ela é um estimulante que age liberando noradrenalina e bloqueando a recaptação dela, e o quadro descrito com ela inclui elevação de pressão arterial, hemorragia cerebral, infarto e óbito. A agência americana a retirou do mercado depois de mais de oitenta notificações de eventos adversos e mortes, e a ANVISA suspendeu a comercialização e a importação em dois mil e doze, nomeando justamente o Jack3d entre os produtos alcançados.

O seu tópico é de fevereiro de dois mil e treze, ou seja, poucos meses depois disso.

E aqui está o problema. Você não listou o Jack3d como parte do protocolo, listou como suplemento, à parte. Isso significa que ele entraria em cima de tudo o resto.

Vamos somar o que estava planejado para o mesmo dia.

Efedrina, chegando a sessenta miligramas. Cafeína, chegando a seiscentos miligramas, e isso sem contar a cafeína do próprio Jack3d. Ioimbina, todos os dias, em todos os aeróbios em jejum. Clembuterol nos blocos de quinze dias. E o Jack3d, com DMAA.

São cinco estimulantes adrenérgicos, ao mesmo tempo, por doze semanas seguidas, em alguém de dezoito anos.

O @Taerone foi a voz responsável do tópico e merece o crédito. Ele estranhou os sessenta miligramas de efedrina, disse que tinha receio até de usar quarenta e cinco, e apontou que três meses direto levaria à saturação. Ele estava certo nas duas coisas.

Vou completar com o que faltou, porque os riscos aqui não são de saturação.

O clembuterol é agonista beta dois, e os relatos de intoxicação descrevem taquicardia prolongada, taquicardia supraventricular, fibrilação atrial, hipertensão, hipocalemia e prolongamento do intervalo QT, com mecanismo descrito envolvendo o canal hERG. A hipocalemia agrava isso por conta própria, porque o estímulo beta dois empurra potássio para dentro da célula e potássio baixo prolonga o QT sozinho. Ou seja, o clembuterol prolonga o QT por dois caminhos ao mesmo tempo.

A ioimbina bloqueia receptores alfa dois adrenérgicos, e existe neste fórum um relato de alguém que a usou por quatro dias e teve hepatite medicamentosa, fezes brancas indicando colestase, e foi parar no hospital com frequência cardíaca de duzentos e quarenta batimentos por minuto, revertida com adenosina. As orientações de uso da substância são explícitas em evitar associação com outros estimulantes.

A efedrina é substância sob controle especial no Brasil, sujeita à Portaria trezentos e quarenta e quatro.

E as aspirinas. O esquema previa chegar a quatro por dia. O ácido acetilsalicílico entrou nas fórmulas antigas de ECA por uma justificativa que não se sustentou, e quatro comprimidos por dia trazem risco gastrointestinal real, com sangramento, especialmente somados a estimulantes que aumentam a pressão.

Sobre a sua resposta ao Taerone quando ele perguntou se você tinha problema cardíaco.

Você respondeu que não, e usou como argumento que já tinha treinado seis horas seguidas.

Isso é o ponto que eu mais gostaria que ficasse registrado neste tópico, porque é o raciocínio mais comum e o mais falho. Tolerar esforço não é rastreamento cardíaco. As condições que produzem morte súbita em jovem, como cardiomiopatia hipertrófica, síndrome do QT longo e anomalias de coronária, são justamente silenciosas até o evento, e várias delas se manifestam sob estímulo adrenérgico. Ou seja, aguentar seis horas de treino não exclui nada. O que responde essa pergunta é consulta com eletrocardiograma, e às vezes ecocardiograma.

E existe um erro de dose no seu esquema, do tipo que aparece o tempo todo aqui.

Você escreveu o clembuterol em mililitros, de dois até sete, e não disse a concentração. Mililitro não é dose. Dois mililitros de um produto podem ser o dobro ou a metade de dois mililitros de outro. E, como o clembuterol que circula por aqui é de linha veterinária, como aliás foi sugerido no próprio tópico com nomes de produtos de agropecuária, a concentração varia entre marcas e não há garantia de teor.

Sempre que alguém disser um volume, a pergunta seguinte tem que ser quantos microgramas por mililitro.

Agora a parte que muda o resultado, e que ficou de lado.

Você tem dezoito anos, um metro e sessenta e oito e noventa e seis quilos, e o seu objetivo era chegar a oitenta. São dezesseis quilos.

Isso é perfeitamente alcançável com dieta e treino, e você já tinha as duas coisas encaminhadas. Estava esperando a dieta de uma nutricionista e vinha de anos de muay thai e jiu jitsu, o que significa condicionamento e disciplina bem acima da média de quem abre tópico aqui.

E vale a proporção. Todo esse arsenal de estimulantes, mesmo funcionando perfeitamente e sem nenhum evento adverso, acrescentaria uma diferença modesta no total calórico do dia. A literatura sobre termogênicos aponta efeitos da ordem de algumas dezenas a poucas centenas de calorias diárias. Isso é menos do que uma refeição. O déficit que produz dezesseis quilos vem do prato, e vem inteiro dele.

Nessa faixa de peso e nessa idade, o que eu faria antes de qualquer coisa é o exame que ninguém sugeriu. Glicemia de jejum e hemoglobina glicada, perfil lipídico, TGO, TGP e gama GT com ultrassonografia de abdome pela possibilidade de gordura no fígado, TSH e T4 livre, e pressão arterial aferida. Nessa idade, praticamente tudo o que aparecer aí é reversível.

Dois reparos na dieta que você descreveu, porque as regras que você citou envelheceram. Zero gordura saturada e ausência de carboidrato nas duas últimas refeições não têm efeito demonstrado sobre perda de gordura quando o total calórico é o mesmo. Comer de três em três horas também não. Isso importa porque essas regras aumentam a dificuldade de cumprir a dieta sem aumentar o resultado, e o que faz alguém perder dezesseis quilos é justamente conseguir manter por meses.

Por fim, sobre a pergunta que fecha o tópico. Você voltou dizendo que estava sem tempo por causa da faculdade e ainda procurando os produtos. Se essa demora te levou a nunca ter juntado tudo, ela foi a melhor coisa que aconteceu neste relato.

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