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QUERO MUDAR MEU CORPO!

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  • Bem vinda!!! já me senti como você esta se sentindo agora! ainda estou no inicio do processo, mas já vejo muitos resultados! vai com força que tu consegue! Boa sorte!

  • @Apollo Galeno

  • Peso inicial =72   Peso 24/06= 71 Peso 15/07= 69 Peso 30/07= 68,900 kg   Peso 28/08=68,500kg Força/resistência/cargas: com bastante força na academia , com muita resistência e a

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Nesse tópico tem uma coisa muito bem feita e três que eu preciso corrigir, e uma delas explica exatamente o que a autora relatou sentindo no corpo.

A @nanda123 chegou com 24 anos, 1,53 m, 72 kg, dizendo que queria emagrecer e ganhar músculo, que a autoestima estava baixa e que desde os 16 anos nunca tinha conseguido ficar três meses seguidos treinando. Em cerca de dois meses saiu de 72 kg para 68,9 kg, e as fotos mostraram diferença que praticamente todo mundo enxergou.

Começo pela parte bem feita, porque ela é a mais importante do tópico e o crédito é do @Apollo Galeno.

Ele viu, na primeira mensagem, que ela usava um anticoncepcional com acetato de ciproterona, insistiu várias vezes que ela procurasse a ginecologista, perguntou pelos exames e não deixou o assunto morrer até ela voltar dizendo que tinha trocado. Isso está certo, e vale explicar o porquê, porque ela nunca recebeu o motivo.

Todo anticoncepcional combinado aumenta o risco de trombose venosa. O que muda entre eles é o quanto. As pílulas que contêm acetato de ciproterona, drospirenona ou desogestrel estão associadas a um risco maior de trombose do que as que contêm levonorgestrel, que é o progestagênio de menor risco entre os combinados. E a pílula para a qual ela foi trocada, a Tâmisa, é justamente uma combinação com levonorgestrel.

Ou seja, a insistência dele e a conduta da ginecologista dela foram, as duas, na direção certa, e por um motivo bem estabelecido. Isso vale para muita mulher que lê este fórum e nunca ouviu que existe diferença de risco entre pílulas.

Uma ressalva importante junto com o elogio: ciproterona é bloqueador de andrógeno e costuma ser prescrita para acne e para excesso de pelos. Se esse era o motivo da prescrição dela, a troca pode fazer esses sintomas voltarem, e isso precisa ser acompanhado com a ginecologista, e não interpretado como erro. Foi por isso que a médica disse que era um teste para ver como ela reagiria, e essa foi a conduta correta.

Agora a primeira correção, e ela é sobre uma ideia que circulou por todo o tópico.

Ficou implícito, várias vezes, que o anticoncepcional era o motivo de ela não emagrecer. Isso não se sustenta. As revisões que avaliaram anticoncepcionais combinados não encontram ganho de peso relevante atribuível à pílula. E a prova disso está no próprio tópico: ela perdeu três quilos ainda usando o mesmo anticoncepcional que se queria trocar.

A troca era justificada por segurança, o que é uma razão excelente. Não era, porém, o que estava segurando o resultado dela.

A segunda correção é a mais importante para o corpo dela, e ela mesma deu o aviso.

Em julho, o plano passou a ser jejum intermitente, com a orientação de comer apenas até as quinze horas e depois só água. Na atualização seguinte, ela escreveu textualmente: depois desse jejum não estou tendo muita força na academia, cansada, quase sem aguentar levantar os pesos, com fraqueza. E marcou libido como baixa, tendo marcado normal antes.

Isso não é coincidência nem falta de disposição. Ela treinava de manhã, tomava banana como pré treino e ficava sem comer nada das quinze horas até o dia seguinte. Ou seja, passava as últimas nove horas acordada e a noite inteira sem energia, e voltava a treinar com o estoque de glicogênio baixo.

E o ponto técnico que fecha o assunto: quando as calorias e a proteína são igualadas, o jejum intermitente não produz mais perda de gordura do que uma dieta comum distribuída ao longo do dia. Os ensaios que compararam os dois encontram resultados equivalentes. Ele é uma ferramenta de conveniência, útil para quem tem mais facilidade de controlar o total comendo em menos refeições, e não uma estratégia superior.

Ou seja, ela pagou um preço concreto, em força e em disposição, por uma estratégia que não oferecia vantagem sobre o que ela já estava fazendo, e que estava funcionando. Quando o plano voltou à dieta corrida, em agosto, foi a decisão certa.

A terceira correção é sobre a proteína, que é o que sustenta o resultado a longo prazo.

Somando o cardápio, com cerca de 120 g de frango no almoço, 70 a 120 g no jantar, três ovos e um iogurte, o total fica em torno de 80 a 90 gramas de proteína por dia. Para uma mulher em déficit calórico, que treina musculação e quer não perder músculo junto com a gordura, a faixa recomendada seria mais alta, algo em torno de 110 a 120 gramas por dia no caso dela.

E isso importa especialmente por causa da história que ela contou. Alguém que já emagreceu e voltou várias vezes precisa, mais do que qualquer outra pessoa, preservar massa magra no processo, porque é ela que sustenta o gasto energético e faz a manutenção depois ser possível.

Duas observações menores.

Sobre os chás de hibisco e cavalinha, duas vezes ao dia: hibisco como bebida não tem problema, mas não tem efeito relevante sobre gordura corporal. Já a cavalinha age como diurética, ou seja, o que ela tira é água, e isso aparece na balança sem que nada tenha mudado na composição corporal. Uso prolongado de diurético natural ainda pode mexer no potássio. Não é o tipo de coisa que ajuda, e é o tipo de coisa que confunde a leitura do peso.

E sobre a cirurgia que ela fez em março, para retirada de um teratoma: vale ela manter o acompanhamento ginecológico com ultrassom conforme a médica orientar, porque esse tipo de cisto pode voltar. É seguimento de rotina, não é motivo de preocupação.

Agora o que eu acho que era o assunto central e nunca foi tratado como tal.

Ela escreveu, na primeira mensagem, a informação mais reveladora do tópico: treina desde os 16 anos, mas nunca conseguiu ficar três meses seguidos, sempre parava e voltava.

O problema dela, portanto, nunca foi saber o que fazer. Era manter. E o plano que ela recebeu, com cardio sete vezes por semana, jejum intermitente e nenhuma refeição livre autorizada em nenhum momento, é justamente o desenho mais difícil de sustentar por quem tem histórico de abandono.

Isso não é opinião sobre disciplina. Restrição rígida, com regras do tipo tudo ou nada, é o padrão associado a maior chance de abandono e de episódios de descontrole alimentar, e a flexibilidade planejada, com uma refeição livre prevista, se associa a mais aderência a longo prazo. Ou seja, a refeição livre que ela pediu duas vezes e que foi negada, e depois cancelada como consequência de uma viagem, é uma ferramenta de aderência, e não um prêmio por bom comportamento.

E ela foi honesta todas as vezes, o que é o comportamento mais raro deste fórum: contou que comeu feijoada, contou que viajou e não conseguiu seguir, e escreveu os números reais em vez de inventar.

O que eu diria a ela, se estiver lendo, é isto.

Perder 3,1 kg em dois meses, no ritmo dela, é exatamente a velocidade certa. O que quebrou não foi o resultado, foi a exigência de perfeição semanal em cima de alguém cujo histórico dizia, desde a primeira linha, que o desafio era a constância.

Ela não precisa de cem por cento. Precisa de setenta por cento por dois anos, o que dá muito mais resultado do que cem por cento por dois meses. E, das coisas que ela fez neste projeto, a que mais importa para a saúde dela ainda vale hoje, esteja ela treinando ou não: trocou um anticoncepcional de risco maior por um de risco menor, depois de conversar com a própria médica.

Para quem quiser montar a dieta com os números na mão, o site tem um gerador de dieta em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ , que serve como ponto de partida para ajustar com acompanhamento.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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