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Classes sobre EAA - Conhecendo a Oxandrolona

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Boa noite pessoal,

eu sou o Dr. João Fonseca, era figurinha carimbada no forrum do hipertrofia.org, mas comecei a incomodar a panelinha dos que já estão la há muito tempo e acabei sendo banido. Um conhecido me indicou esse forum, e eu nao conhecia. Como na faculdade eu era monitor de Farmacologia e Patologia, e amo a docencia, resolvi começar a fazer aulas sobre EAA para o publico geral, com uma linguagem acessivel a todos. Não sei quais sao as regras desse forum, mas a ideia é apenas compartilhar a informacao com o pessoal. 

Link da aula: 

Meu instagram: @drjoao.fonseca

abraco

 

  • 3 anos depois...
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Bem vindo, e iniciativa de ensinar farmacologia em linguagem acessível é sempre bem vinda por aqui. Como o tópico se propõe a apresentar a oxandrolona, deixo uma contribuição sobre o lado que quase nunca aparece nas discussões de fórum, que é o uso clínico dela. Ele explica muita coisa sobre o comportamento da molécula.

A oxandrolona não nasceu como droga de academia. Ela foi desenvolvida no começo dos anos sessenta e as indicações estudadas foram recuperação de perda de peso após cirurgia, trauma ou infecção crônica, osteoporose, atraso de crescimento e puberdade em meninos, síndrome de Turner e, principalmente, o grande corpo de evidência em grandes queimados. É justamente nesse cenário de catabolismo intenso que ela mostrou efeito mais consistente, acelerando cicatrização e preservando massa magra. Também foi estudada em perda de peso associada ao HIV e em distrofia muscular de Duchenne.

O detalhe que interessa a quem lê o fórum é a dose usada nesses estudos. Em adultos, a faixa clássica é de 2,5 a 20 mg por dia, dividida, por períodos de duas a quatro semanas, eventualmente estendidos com reavaliação. Ou seja, os 40, 60 ou 80 mg diários por dois ou três meses que aparecem em protocolos por aí estão bem acima de qualquer contexto em que a molécula foi estudada com segurança. Quando alguém diz que a oxandrolona é leve, está se apoiando na reputação construída na literatura clínica, com dose e tempo que ninguém respeita na prática recreativa.

Três características farmacológicas que valem entrar na aula, porque respondem a boa parte das dúvidas recorrentes. A primeira é que ela não sofre aromatização, então não converte em estradiol e não produz retenção nem ginecomastia, o que sustenta a fama de composto seco. A segunda é a meia vida curta, em torno de nove horas, o que justifica a divisão da dose. E a terceira, que costuma surpreender, é que ela é a exceção entre os 17-alfa-alquilados quanto à excreção, com parte relevante eliminada por via renal e sem sofrer o mesmo grau de metabolização hepática dos demais orais. Isso explica por que a elevação de transaminases costuma ser menor que a de stanozolol ou hemogenin, e é importante que fique claro na aula que menor não significa ausente.

E aí vem o ponto que eu faria questão de destacar para o público geral, porque é o que mais se perde na conversa. O grande custo da oxandrolona não é hepático, é lipídico. Ela está entre os anabolizantes que mais reduzem o HDL, com quedas expressivas relatadas mesmo em doses moderadas e em poucas semanas. Não dá nenhum sintoma, então a pessoa termina o uso convencida de que passou ileso. Quem for ensinar sobre ela para leigo precisa deixar isso na frente, senão o recado que fica é o de sempre, o de que é a mais segura, e o ouvinte só entende a conta muito depois.

Se for fazer uma aula específica sobre o uso feminino, sugiro tratar separadamente o que é reversível e o que não é, porque essa distinção é a que mais falta. Alteração de voz, aumento de clitóris e pelo facial que virou terminal não regridem com a suspensão, enquanto acne e oleosidade regridem.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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