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Libido irregular + falta de ereção matinal - Fertilidade em 2027 - Marcadores clínicos

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31 anos, 1.73cm e 75kgs - 250mg EnanTesto (aplicação 2x semana) uso continuo.

Objetivo: Preservar massa muscular, melhorar marcadores clínicos e melhorar libido/ereções, 2027 regular fertilidade.

Hematócrito 49.8

Hemoglobina 17.6

Prolactina 14.1

Testo Total 23,90 (2390)

T Livre 293 pg/mL

Estrogénio 83.7 ng/L

DHT 436

Conclusões/opiniões:

Baixar 50% Testo de 250 para 125-150mg (2390 para tentar baixar aos 1000-1200) consequentemente para baixar estrogénio, TLivre, bem como a viscosidade do sangue)

Cardio 2/3x semana

Aumentar ingestão de água

Nattokinase ???

Aplicação mudar de intramuscular para de insulina (125-150mg)

Após melhorar marcadores médicos, em 2027 queria ser pai, incluir HCG ???

Sugestões ? Obrigado

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  • Desde já agradeço a resposta. Quando falo em ser pai em 2027 penso em trabalhar no imediato para esse objetivo porque sei que pode ser algo demorado. Antecipei-me e já tenho uma prescrição de espermog

  • Dado o relatado acima, além da libido/erecao inconstante também pode ocorrer uma ejaculaçao mais rápida ?

  • Tiroestimulina HTsH - 1.8 mui/l Tiroxina livre t4L - 1.3 no/dl Relativamente a esses pontos tenho estes marcadores (abril) Esta semana já desci a dose para 150mg

Post bem feito, com números na mesa e uma proposta já pensada, o que é raro por aqui. Vou dizer onde eu concordo, e depois o ponto em que acho que você está com o calendário errado, e esse ponto é sério.

Onde você acertou. Testosterona total em dois mil trezentos e noventa não é reposição, é um patamar bem acima do que qualquer faixa de referência considera normal, e é ele que está puxando o resto. O estradiol elevado é consequência direta disso, e o hematócrito quase cinquenta e a hemoglobina no teto também. Ou seja, você tem um único problema com três sintomas laboratoriais, e a sua conclusão de reduzir a dose ataca a causa em vez de cada sintoma isolado. É o caminho certo. Cardio e água ajudam na margem, mas quem move o ponteiro é a dose.

E tem um detalhe no seu próprio caso que merece atenção. Você está com testosterona altíssima e mesmo assim com libido irregular e sem ereção matinal. Isso é a prova prática de que mais não é melhor, e aponta para o estradiol fora do lugar como suspeito principal, que é exatamente o que a redução tende a corrigir sozinha. Vale só um cuidado: ao reduzir, o alvo não é derrubar o estradiol ao chão, porque estradiol baixo demais produz o mesmo quadro de libido ruim, articulação dolorida e humor pior. O que você quer é que ele acompanhe a queda da testosterona, e não que seja perseguido em separado.

Sobre a troca para aplicação subcutânea com seringa de insulina, faz sentido. Doses menores e mais frequentes por essa via tendem a dar níveis mais estáveis, com menos pico e menos vale, e isso costuma refletir bem tanto no estradiol quanto no hematócrito. É uma mudança de baixo risco e alto retorno.

Sobre a nattokinase, eu não iria por aí. Não existe base para usá-la no manejo de hematócrito elevado por testosterona, a evidência dos efeitos que se atribuem a ela é fraca, e ela mexe com coagulação, o que traz interação com anticoagulante e cuidado em cirurgia. Adicionar um suplemento para compensar uma dose alta é resolver pelo lado difícil. E, já que o assunto é hematócrito, uma palavra sobre doação de sangue, que é o atalho que todo mundo usa. Retirar sangue com essa finalidade é uma conduta médica legítima, mas ela tem nome, tem indicação e deveria ser feita com acompanhamento, inclusive porque repetir com frequência derruba o ferro e cria um problema novo. Usar banco de sangue como válvula de escape, omitindo o motivo, é outra conversa e não é boa para ninguém.

Agora o ponto principal, e é onde eu discordo do seu plano. Você escreveu fertilidade em 2027 e HCG com ponto de interrogação, como se fosse a última etapa. Na prática é o contrário, é a primeira.

Você está em uso contínuo, e uso contínuo de testosterona externa desliga a produção de espermatozoide. Não é redução, em muitos homens é parada completa. E a volta é lenta, porque um ciclo inteiro de produção leva por volta de setenta e cinco dias e a máquina precisa antes ser religada. Depois de uso contínuo prolongado, o tempo até voltar costuma se contar em muitos meses, com uma parcela levando mais de um ano e uma minoria não recuperando por completo. Se o plano é ser pai em 2027, isso não se resolve começando em 2027.

Três coisas que eu faria já, e a primeira é a mais importante de tudo neste post. Faça um espermograma agora, antes de mudar qualquer coisa. Você montou uma estratégia de fertilidade inteira sem nunca ter medido a sua fertilidade, e esse exame é barato e responde de uma vez em que ponto você está. Se vier alguma coisa, a segunda providência é congelar. Criopreservação de sêmen é o seguro mais barato que existe nessa história e elimina o risco inteiro, porque a partir dali o filho não depende mais de o seu eixo voltar. Muita gente descobre isso tarde demais.

E a terceira é o princípio sobre HCG, sem entrar em protocolo, porque quem define isso é o médico. Ele funciona muito melhor como manutenção do que como resgate. Usado junto, ele preserva a função enquanto ela ainda existe. Usado depois, ele tenta recuperar o que já parou, e o resultado é bem pior. Ou seja, se essa peça vai entrar em algum momento, o momento não é 2027.

Por último, leve isso a um endocrinologista ou a um urologista com formação em andrologia. Vale dizer que o impedimento que existe hoje para o médico prescrever esse tipo de substância vale para finalidade estética. O seu caso é outro, é manejo de reposição, marcadores alterados e planejamento de fertilidade, e isso é território médico legítimo. Você tem exames, tem dados e tem um objetivo claro, e vai ser bem melhor atendido do que imagina.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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Desde já agradeço a resposta.

Quando falo em ser pai em 2027 penso em trabalhar no imediato para esse objetivo porque sei que pode ser algo demorado.

Antecipei-me e já tenho uma prescrição de espermograma para fazer, para ver o ponto de situação.

Em Portugal, onde resido, os médicos não estão á vontade com esta matéria de uso de testosterona exógena e não costumam ajudar muito, pois pedem logo a remoção total de testo e a libido vai embora, ainda mais. A minha está irregular, às vezes boa outra menos boa mas funcionável mas penso que a baixa da mg de enantato vai ajudar bastante, bem como os outros marcadores mais altos..

obrigado

Boa, @pplcc. Espermograma já prescrito era a peça que faltava, e antecipar em mais de um ano é exatamente a postura certa.

Sobre a dificuldade com os médicos aí, uma sugestão de estratégia. O profissional a procurar não é o clínico geral nem o endocrinologista comum, é urologista com formação em andrologia ou uma consulta de medicina da reprodução. Nesses serviços a conversa sobre eixo suprimido e recuperação de espermatogênese é rotina, e a proposta costuma ser bem diferente de simplesmente mandar parar tudo. E, mesmo que a colaboração seja pouca, a criopreservação de sêmen depende só do espermograma e de um banco, não da simpatia de ninguém pela testosterona. Se vier material bom, congele. Isso tira o seu plano de 2027 das mãos de terceiros.

E ficou faltando uma hipótese que eu não levantei no post anterior e que amarra dois dos seus achados de uma vez só: apneia do sono. Ela é causa clássica de hematócrito elevado, porque a queda de oxigênio durante a noite estimula a produção de glóbulos vermelhos, e é também uma das causas mais comuns de perda das ereções matinais, que dependem do sono REM íntegro. E testosterona em dose alta pode piorar apneia, fechando o círculo. Se você ronca, acorda cansado mesmo dormindo o suficiente ou alguém já notou pausas na sua respiração, uma polissonografia explicaria dois dos seus três problemas com um exame só, e é a hipótese mais barata de testar.

Dois números de referência para você se situar, já que o hematócrito te preocupa. As diretrizes costumam investigar a partir de cinquenta por cento e indicar redução de dose ou suspensão temporária a partir de cinquenta e quatro. Quarenta e nove vírgula oito é vigilância, não urgência, e a conduta indicada é justamente a que você já escolheu.

Por último, o que eu acrescentaria na próxima coleta: SHBG, para que a testosterona livre signifique alguma coisa, ferritina, principalmente se em algum momento se falar em retirar sangue, PSA, perfil lipídico, glicemia com hemoglobina glicada, função hepática e renal e TSH. Vale repetir a prolactina, porque quatorze está no limite superior e prolactina alta derruba libido sozinha, e ela sobe com estresse, sono ruim e coleta mal feita. E, se o laboratório oferecer, peça o estradiol por método sensível, porque o imunoensaio comum é pouco confiável na faixa masculina e você vai tomar decisões olhando para esse número.

Só faça esses exames de oito a doze semanas depois de estabilizar a dose nova. Antes disso você mede a transição, e não o novo patamar.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

Pode, sim, @pplcc. E é uma pergunta boa, porque ejaculação rápida costuma ser tratada como um problema à parte quando, no seu caso, ela provavelmente pertence ao mesmo pacote.

Ao contrário do que a intuição sugere, testosterona alta não empurra a ejaculação para mais tarde. Os trabalhos que olharam disfunção ejaculatória apontam o contrário. Testosterona total mais alta aparece associada a ejaculação mais rápida, e prolactina mais baixa e TSH mais baixo caminham na mesma direção. O quadro oposto, com testosterona baixa, prolactina alta e tireoide lenta, é o que tende a produzir ejaculação retardada. Existe inclusive a leitura de que precoce e retardada são as duas pontas de um mesmo eixo hormonal, e não dois problemas sem relação.

Traduzindo para os seus números, você está no extremo alto desse eixo, com testo total em dois mil trezentos e noventa. Então a redução de dose que você já planejou mexe exatamente na variável mais provável, sem precisar de nada novo no protocolo.

Tem um exame que eu reforçaria por causa disso. Já tinha pedido TSH na lista anterior, mas agora peça T4 livre junto. Tireoide acelerada é causa clássica e totalmente reversível de ejaculação rápida, e é o tipo de coisa que passa despercebida porque ninguém liga uma queixa sexual com tireoide. Se o TSH vier baixo, você achou um culpado tratável.

Dito isso, não jogue tudo na conta do hormônio. Ejaculação rápida tem um componente de ansiedade de desempenho que é grande de verdade, e ele se retroalimenta com o que você já descreveu. Quem anda com ereção irregular acaba com pressa, e a pressa piora o controle. Se depois de estabilizar a dose nova o problema persistir sozinho, aí ele passa a merecer abordagem própria, que hoje tem opções boas e bem estudadas, do treino de controle a medicação específica.

Ordem prática, então. Ajusta a dose, espera de oito a doze semanas, coleta o painel com TSH e T4 livre incluídos e reavalia libido, ereção matinal e tempo de ejaculação como um bloco só. É bem provável que os três se movam juntos.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

@pplcc , esses dois valores de tireoide fecham bem a questão. TSH em 1,8 com T4 livre em 1,3 está no meio da faixa, sem hipotireoidismo nem tireoide acelerada. Ou seja, dá para riscar a tireoide da lista de suspeitos do seu quadro e concentrar no que sobrou, que é o excesso de andrógeno e as suas consequências.

Sobre ter descido para 150 mg esta semana, alguns pontos práticos para você não interpretar errado o que vem pela frente.

O primeiro é o tempo. Enantato leva de quatro a seis semanas para estabilizar em um novo patamar, então qualquer exame feito antes disso mostra um valor em trânsito. O momento certo de repetir é entre seis e oito semanas depois da mudança, com coleta imediatamente antes da próxima aplicação, que é o vale. Repetir cedo demais é o erro mais comum e leva gente a mexer na dose duas vezes seguidas sem necessidade.

O segundo é o que esperar nesse intervalo. É bastante comum sentir uma piora transitória de disposição e de libido nas primeiras semanas após reduzir a dose, mesmo quando a redução é acertada. O corpo estava adaptado a um nível muito alto, e a recalibração dos receptores leva tempo. Isso costuma se resolver sozinho, e não é motivo para voltar atrás na primeira semana ruim.

O terceiro é o hematócrito, que no seu caso é o marcador mais relevante de risco. Com 49,8 e hemoglobina em 17,6, você está no limite alto. A redução de dose deve trazer isso para baixo, mas a resposta é lenta, porque a vida da hemácia é de cerca de 120 dias. Ou seja, mesmo com tudo certo, o hemograma só reflete a nova realidade depois de dois a três meses. Sobre a nattoquinase que você citou, eu não contaria com ela. A evidência é fraca e ela não reduz hematócrito, que é o que está elevado. O que reduz de verdade é dose menor e, quando indicado, doação de sangue, que nesse caso é decisão médica e não algo para fazer por conta como rotina, porque doações repetidas levam à deficiência de ferro e a um ciclo próprio de problemas.

Sobre a mudança para aplicação subcutânea com seringa de insulina, ela faz sentido e tende a ajudar. A absorção subcutânea é mais lenta e mais uniforme, o que costuma reduzir o pico e, com ele, a aromatização. Muita gente consegue estradiol mais baixo apenas mudando a via e a frequência, sem tocar em inibidor.

Sobre o espermograma, uma orientação sobre o momento. Ele vale ser feito agora, mesmo em uso, porque estabelece o seu ponto de partida real. Se vier com contagem preservada, congelar material é a decisão mais barata e mais definitiva do seu plano de 2027. Se vier azoospermia ou contagem muito baixa, isso não é sentença, apenas indica que o protocolo de recuperação vai precisar de tempo e provavelmente de HCG associado a estímulo do eixo, o que é exatamente a conversa a ter na andrologia. Vale saber que a recuperação da espermatogênese costuma levar de seis a vinte e quatro meses, e é por isso que antecipar como você fez é o que faz diferença.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

  • Autor

Neste dias já realizei o espermograma e possuo espermatozóide, contudo imóveis.

5.8 milhões (16 milhões seria o ideal)

Mas existem o que considero positivo, em termos de ficar moveis outra vez não sei o melhor procedimento.

Ejaculaçao mais rápido penso que seja do stress, como a libido oscila revelo alguma preocupação na erecao e na sua manutenção o que cria stress e acelera a ejaculaçao, penso eu

@pplcc, o espermograma mudou a prioridade do seu plano, e vale destrinchar o resultado porque o número que preocupa não é o que você destacou.

Você reparou na concentração, 5,8 milhões contra os 16 milhões por mililitro que a sexta edição do manual da Organização Mundial da Saúde usa como limite inferior de referência. Mas o achado mais importante é o outro: espermatozoides imóveis. Motilidade progressiva zero pesa muito mais que concentração baixa, porque concentração reduzida ainda é contornável, enquanto imobilidade total precisa primeiro ser explicada.

E a primeira coisa a fazer com esse resultado é uma pergunta que provavelmente não foi respondida no laudo: eles estão imóveis ou estão mortos? São situações completamente diferentes e o exame básico não distingue. O que distingue é o teste de vitalidade, feito por coloração de eosina-nigrosina ou pelo teste hipo-osmótico, o chamado teste HOS. Se a vitalidade mostrar que há espermatozoides vivos porém imóveis, existe defeito de motilidade e esse material continua utilizável em injeção intracitoplasmática, porque nessa técnica o espermatozoide é injetado diretamente no óvulo e não precisa nadar. Se a maioria estiver morta, o quadro é de necrozoospermia e a investigação segue outro caminho. Peça esse teste especificamente ao solicitar a repetição.

Segundo ponto, e igualmente importante: um espermograma isolado não define nada. A variabilidade entre coletas do mesmo homem é grande, e a recomendação padrão é repetir com intervalo de algumas semanas antes de concluir qualquer coisa. Isso tem base biológica, já que um ciclo completo de espermatogênese leva cerca de setenta e quatro dias, somados ao trânsito pelo epidídimo, o que dá aproximadamente dois a três meses entre uma mudança qualquer e o seu reflexo no exame.

Ainda sobre repetir, atenção aos erros pré-analíticos, que produzem imobilidade falsa com frequência. Abstinência entre dois e sete dias, nem menos nem muito mais. Coleta por masturbação, sem lubrificante e sem preservativo comum, porque a maioria contém espermicida. Amostra completa, incluindo a primeira fração, que é a mais rica. E entrega ao laboratório em até uma hora, mantida próxima da temperatura corporal, nunca exposta ao frio, porque choque térmico mata a motilidade a caminho do laboratório. Se a coleta anterior foi feita em casa e transportada, vale refazer no próprio laboratório antes de tirar conclusões.

Agora sobre o que fazer, e aqui está o ajuste principal de plano. Reduzir de 250 para 150 mg melhora hematócrito, estradiol e o excesso de andrógeno, e isso continua valendo. Mas não recupera espermatogênese. Testosterona exógena, em qualquer dose de uso contínuo, suprime LH e FSH, e a produção de espermatozoides depende de FSH e, principalmente, de uma concentração de testosterona dentro do testículo muito superior à do sangue, concentração essa que só existe quando o LH estimula as células de Leydig. Com o eixo suprimido, o testículo fica sem esse estímulo, independentemente de quanto hormônio circula fora dele. Ou seja, 150 mg suprime tanto quanto 250 no que diz respeito à fertilidade.

Os protocolos que preservam ou recuperam espermatogênese em quem usa testosterona envolvem gonadotrofina coriônica, que age como análogo do LH e mantém a testosterona intratesticular, associada quando necessário a FSH recombinante ou gonadotrofina menopáusica, e em alguns casos a moduladores seletivos do receptor de estrogênio. Você já tinha levantado a hipótese da gonadotrofina coriônica no primeiro post, e o espermograma agora justifica levar essa conversa adiante. Mas isso é prescrição, com dose e acompanhamento, e é exatamente o tipo de conduta que um urologista com formação em andrologia ou um serviço de medicina da reprodução conduz de rotina. Vale insistir nesse tipo de serviço, e não no clínico geral, pelo motivo que você mesmo descreveu.

Sobre prazo, a recuperação da espermatogênese depois de supressão prolongada costuma levar meses, com mediana em torno de meio ano, e há casos que se estendem por um a dois anos. Isso confirma que antecipar em mais de um ano foi a decisão certa, e reforça que quanto antes a estratégia for definida com quem prescreve, melhor.

Há ainda causas independentes do uso de testosterona que precisam ser descartadas, porque são comuns e algumas são corrigíveis. A principal é varicocele, que é a causa tratável mais frequente de alteração de motilidade, diagnosticada por exame físico e confirmada por ultrassonografia com doppler de bolsa escrotal. Vale também olhar no laudo se havia leucócitos aumentados, porque leucocitospermia sugere infecção ou inflamação e prejudica motilidade, e considerar pesquisa de anticorpos antiespermatozoide. E existem os fatores de calor, que são subestimados e fáceis de corrigir: sauna, banhos muito quentes, computador sobre as pernas, roupa muito apertada e horas sentado sem pausa. O testículo trabalha alguns graus abaixo da temperatura corporal, e essa margem é estreita.

Por fim, sobre a sua leitura de que a ejaculação mais rápida vem do estresse gerado pela oscilação de libido e pela preocupação com a manutenção da ereção. Ela é plausível e o mecanismo existe, é o ciclo de ansiedade de desempenho, em que a preocupação com o desempenho piora o desempenho e realimenta a preocupação. Provavelmente há uma parte disso somada à parte hormonal que discutimos antes. O que vale separar com clareza é que esse ciclo não tem relação nenhuma com o resultado do espermograma. Motilidade não sofre influência de ansiedade. São duas questões independentes, e misturá-las só aumenta a angústia sem ajudar em nenhuma das duas.

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