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Maromba para diabético

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  • Qto ao carb up, não sei não, mas o médico do seu pai o autorizou a usar esse suplemento? Qto aos exercícios, não costuma haver limitação não, até pq o exercício pode ser benéfico pois irá diminui

  • autorizou o carb up sim!! tb não entendi, mas deve ter a ver com o gasto de glicose que ele tem treinando. questão de reposição e talz. quanto à insulina, já li que ajuda(é claro, com risco de hipo

  • Como disse, ele teria q perguntar ao médico. O efeito anabólico da insulina é por aumentar a permeabilidade da membrana celular, oq facilita não só a entrada de glicose, mas tb de aminoácidos.

Torque, faz tempo que eu não meço minha glicemia, mas geralmente qdo media, era um pouco após a uma refeição.

Tenho acompanhamento de médico, mas não consigo descobrir a causa.

pharmabio-

eu fiz o teste de curva glicemica c/dosagem de insulina e outros hormonios:

O ACTH veio normal, 43,8pg/mL qdo o máxmo tolerável é de 46pg/mL.

O T4 e TSH tb estão normais.

Com relação a glicose, o resultado veio normal.

glicose basal c/ 12h de jejum de 82mg/dL. E as outras taxas sempre entre 80 e 93, com exceção é claro na que foi medida 30min após o uso de dextrose q foi de 103.

Com relação a insulina é q houve algo meio estranho:

A basal foi de 3mcIU/mL, sendo q o valor normal é de 6 a 27.

Só q o estranho foi com relação a insulina após o uso de dextrose.

Apesar da glicose durante o exme não ter caído, no exame diz q aumentos expressivos de insulina são considerados expressivos c/5 a 7 vezes maior que a basal.

E quase todos os valores de insulina foram se encontraram entre 20 e 25 mcIU/mL, ou seja entre 7 e 8 vezes maiores q a insulina basal.

  • 14 anos depois...
  • 8 anos depois...

@emmerick, este tópico é de dois mil e três e continua sendo encontrado por quem pesquisa musculação e diabetes, então vale responder as três perguntas que você fez, e a terceira precisa de uma resposta clara.

Você perguntou se o seu pai aplicar uma quantidade um pouco maior de insulina, visando efeito anabólico, teria problema.

Teria, e este é o único assunto do fórum inteiro em que o erro pode matar no mesmo dia.

O @thiago_sa te explicou corretamente o mecanismo, que é o aumento da permeabilidade da membrana e a entrada de aminoácidos junto da glicose. O mecanismo existe. O problema é a margem.

E, no caso do seu pai, ela é ainda menor do que na média, porque ele tem diabetes tipo um. Isso importa por uma razão específica que quase ninguém sabe. Na diabetes tipo um, além de não haver produção própria de insulina, a resposta do glucagon à hipoglicemia costuma estar prejudicada. O glucagon é justamente o hormônio que manda o fígado liberar glicose quando ela cai. Ou seja, a principal defesa natural contra a queda está comprometida.

Some se a isso o exercício, que por si só aumenta a captação de glicose pelo músculo, e você tem duas coisas puxando na mesma direção.

O @carluismendes descreveu isso muito bem, e o comentário dele é o melhor do tópico. Ele explicou a hipoglicemia tardia, que ocorre horas depois do exercício, quando o corpo repõe os estoques de glicogênio e retira glicose da circulação. Isso é real e é bem documentado, e o cenário clássico é o treino da tarde produzindo hipoglicemia de madrugada, durante o sono, que é justamente quando não há ninguém para perceber.

Ele também acertou no aparente paradoxo da glicemia subir com exercício muito intenso, e o thiago_sa acertou ao nomear o mecanismo, que é a liberação de hormônios contrarreguladores como a adrenalina.

Então a resposta à terceira pergunta é não, e o motivo não é conservadorismo. É que a dose que ele usa foi calculada para o corpo dele, e qualquer aumento deliberado remove a margem justamente num contexto que já a reduz por conta própria.

Agora a segunda pergunta, sobre limitações de exercício, que ficou respondida só em parte.

O carluismendes deu a regra de glicemia, e ela existe mesmo, com a orientação padrão sendo evitar exercício vigoroso com glicemia muito alta, e nesse caso verificar corpos cetônicos antes, porque treinar com cetonas presentes agrava o quadro.

Mas existem duas limitações específicas que não apareceram e que respondem melhor a sua pergunta.

A primeira é a retinopatia. Diabetes de longa data pode produzir alterações na retina, e quem tem retinopatia proliferativa precisa evitar esforço com apneia, ou seja, aquele padrão de prender a respiração e fazer força máxima, porque isso eleva bruscamente a pressão e há risco de hemorragia dentro do olho. Isso não impede musculação. Muda a forma de treinar, com cargas moderadas, mais repetições e sem prender a respiração. Quem decide é o oftalmologista depois de um exame de fundo de olho.

A segunda é a neuropatia periférica. Quando existe perda de sensibilidade nos pés, uma bolha ou um calo passa despercebido e vira ferida. Nesse caso, calçado adequado e conferir os pés depois do treino deixam de ser detalhe.

E há um detalhe prático que quase nenhum diabético ouve e que é muito útil. O local da aplicação da insulina influencia a velocidade de absorção. Aplicar na coxa e depois treinar perna acelera a absorção pelo aumento do fluxo sanguíneo local, e isso pode antecipar uma hipoglicemia. Para quem vai treinar, o abdome costuma ser o local mais previsível.

Junto disso, o básico que vale sempre. Medir antes e depois do treino, e não decidir pela sensação. Carboidrato de absorção rápida sempre à mão, ou seja, glicose, mel, suco ou refrigerante comum, e não maltodextrina nem waxy maize, que são amidos e precisam de digestão. Não treinar sozinho em jejum. Ter alguém na academia que saiba que ele é diabético. E ter glucagon injetável em casa, com alguém que saiba usar, porque em quem está inconsciente não se coloca nada na boca, pelo risco de engasgo.

Existe ainda uma ordem que ajuda, e é fácil de aplicar. Fazer a musculação antes do aeróbio tende a produzir menos queda de glicemia do que o contrário.

A primeira pergunta, sobre suplementos, é a mais simples e a menos importante.

A glutamina foi sugerida como anticatabólico. Em pessoa saudável e bem alimentada, ela não demonstrou efeito sobre massa muscular, força ou recuperação, e é dos suplementos com pior relação entre preço e resultado. Você mesmo perguntou se valia o custo benefício, e a resposta honesta é que não vale.

A creatina, por outro lado, vale, e vale especialmente aqui. Ela é dos suplementos mais estudados e mais seguros, e existe inclusive literatura sugerindo efeito favorável sobre o controle glicêmico. O reparo é a forma. Ele usa em comprimidos, que é a apresentação mais cara por grama. Monoidratado em pó, três a cinco gramas por dia, todo dia, sem necessidade de ciclar, entrega o mesmo por uma fração do preço.

Um alerta ligado a ela, importante no caso do seu pai. Creatina eleva a creatinina no sangue sem que haja lesão renal, porque ela se converte espontaneamente em creatinina. Como a creatinina é o exame usado para estimar a filtração dos rins, e como diabéticos fazem esse exame regularmente para monitorar a função renal, o resultado pode sugerir piora que não existe. Ele deve avisar o médico que usa creatina, e, havendo dúvida, o exame que separa as duas coisas é a cistatina C.

Sobre o carboidrato em pó autorizado pelo médico, a sua intuição estava certa. Faz sentido justamente pelo risco de hipoglicemia em torno do treino, e é uma ferramenta de segurança tanto quanto de desempenho.

Por fim, a coisa mais importante deste tópico, e ela é sobre método. O thiago_sa respondeu três vezes que a questão da insulina era com o médico, e ele estava certo. Isso não é fugir da pergunta. É que o seu pai já tem alguém acompanhando, que conhece o padrão de glicemia dele, e essa pessoa é a única que pode ajustar dose com segurança. O que vale levar à consulta é o que ele quer fazer no treino, e não a pergunta sobre aumentar insulina.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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