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L-CARNITINA E CREATINA JUNTAS? L-CARNITINA VALE A PENA?

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qual a real da l-carnitina? vale mesmo a pena? como tomar e q tipo? qtas mg ou g tomar? qtas doses e horarios? para q serve em resumo? e pode ser misturada com a creatina? tenho q malhar muito pra poder tomar l-carnitina e creatina? obrigado

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  • cara l-carnitina eh furada... jah foram feitas varias pesquisas comprovando a sua ineficacia em individuos normais ela soh teria utilidade caso seu organismo tenha uma improvavel deficiencia no tra

  • eduardo ramos
    eduardo ramos

    Concordo com o Sarado-rj, mais detalhes vide texto abaixo: L- Carnitina Na prática (para perda de gordura) Traduzindo, a Carnitina é quem realiza o transporte dos derivados da gordura para d

  • L=CARNITINA NÃO VALE A PENA.DÁ UM PESQUISADA NO FORUM.TEMUM MILHÃO DE TOPICOS FALANDO DELA.ABRAÇOS

cara l-carnitina eh furada... jah foram feitas varias pesquisas comprovando a sua ineficacia em individuos normais :wink:

ela soh teria utilidade caso seu organismo tenha uma improvavel deficiencia no transporte de lipidios...

qto a creatina, n aconselho toma-la caso tenha pouco tempo d treino n

vlw

Concordo com o Sarado-rj, mais detalhes vide texto abaixo:

L- Carnitina

Na prática (para perda de gordura)

Traduzindo, a Carnitina é quem realiza o transporte dos derivados da gordura para dentro dos mitocôndrias, onde eles serão oxidados. Ao tomar conhecimento destas reações, alguns entusiastas da indústria farmacêutica apressaram-se em produzir e vender Carnitina, afirmando que sua ingestão aumentaria a degradação de lipídeos e ajudaria a queimar a indesejável gordura localizada. Esses compostos receberam o sugestivo nome de Fat Burners (Queimadores de gordura).

O que parece lógico no raciocínio linear é duvidoso e até certo ponto infantil na sistemática bioquímica. Tendo em visto que o catabolismo do tecido gorduroso possui um grande número de reações, catalizadas por diversas enzimas e reguladas por incontáveis fatores, seria demasiado simplista achar que a Carnitina sozinha influenciaria toda essa cadeia de reações sem que os outros passos fossem alterados. Outro ponto a ser colocado é o fato dos tecidos animais saudáveis já possuírem quantidades mais que suficientes de Carnitina para manter as reações em andamento, não sendo esse o motivo de maior ou menor queima de gordura.

Analisando o uso de carnitina

Para analisarmos a suplementação da carnitina devemos começar da ingestão em si. Em primeiro lugar deve-se ter em mente a enorme distância fisiológica entre a ingestão do suplemento e o aumento de sua concentração nos músculos. É um caminho tão longo e incerto que diversos autores afirmam que a suplementação de carnitina tem pouco efeito em sua concentração muscular (BASS, 2000; BRASS et al, 1994, VUKOVICH et al, 1994; BARNETT et al, 1994). Em condições normais a carnitina exógena é quase toda eliminada pela urina (OHTANI et al, 1984), e o pior de tudo é que esse pouco que porventura venha a cair na circulação, dificilmente entrará no músculo (BRASS, 2000). Além dessas questões fisiológicas, há outras ainda mais obscuras, como a qualidade dos suplementos. Em um estudo de 1993, MILLINGTON et al verificaram que a média de quantidade de carnitina nos suplementos analisados era apenas 52% do escrito nos rótulos!! Ou seja, se tomando a carnitina em si já e difícil que ela chegue no músculo, imagina tomando farinha...

Mesmo que tomássemos a carnitina verdadeira e ela de fato chegasse ao músculo, ainda restaria um pergunta: por que tomar? Considerando que há pouca perda de carnitina (perto de 90% dela é reabsorvida pelos rins), concluiremos que deficiências na quantidade de carnitina são muito raras, sendo vistas apenas em algumas doenças hereditárias incomuns. Por esses e outros fatores não há como afirmarmos nada positivo em relação ao uso de uso de carnitina com fins estéticos.

Na prática para performance

Supôs-se também que a suplementação da carnitina ajudaria na performance das atividades de endurance por aumentar o consumo de gorduras e poupar o glicogênio muscular, porém não há nenhum estudo relacionando a falta de carnitina à fadiga. Além disso, deve-se ter em mente que o mecanismo de fadiga ainda não é totalmente compreendido, e a falta de glicogênio certamente não é o único fator envolvido.

Apesar de estudos de longa duração terem verificado alterações enzimáticas sugestivas, os únicos casos onde se comprovou a melhora na performance de atividades físicas foram em condições patológicas como doenças renais (AHMAD et al, 1991), vasculares (BREVETTI et al, 1988) e síndrome de fadiga crônica (PLIOPLYS et al, 1997).

Concluindo

- Apesar de haver inúmeros estudos sobre o uso de carnitina, não é possível dizer que sua suplementação traz benefícios para pessoas saudáveis, sejam estéticos ou de performance

  • 15 anos depois...
  • 6 anos depois...

As respostas de 2004 estavam essencialmente certas, mas o assunto rendeu bastante desde então, e hoje dá para responder com mais nuance, inclusive corrigindo uma afirmação categórica que ficou no tópico.

Começando pelo que se confirmou. Para emagrecer, a L-carnitina oral não faz o que a propaganda promete. O raciocínio de que ela transporta ácido graxo para a mitocôndria e portanto suplementá-la queimaria mais gordura está correto na primeira parte e errado na conclusão. O transporte não é o passo limitante da oxidação de gordura em pessoa saudável, que já tem carnitina muscular de sobra. Aumentar a oferta de um insumo que não está em falta não acelera a linha de produção. O @eduardo ramos trouxe o raciocínio certo, e o @SaRaDo-RJ resumiu bem.

Agora a parte que merece correção, e é justamente onde a ciência avançou. Ficou dito no tópico que a carnitina ingerida praticamente não chega ao músculo e é toda eliminada pela urina. Isso é verdade nas condições em que a maioria das pessoas toma, mas não é uma impossibilidade.

Existe uma linha de pesquisa que mostrou que o conteúdo muscular de carnitina pode ser aumentado, com uma condição bem específica: é preciso insulina alta e sustentada para empurrar a carnitina para dentro da célula. Na prática, isso exigiu tomar a carnitina junto com uma quantidade grande de carboidrato, cerca de 80 gramas, duas vezes ao dia, por doze semanas ou mais. Nessas condições houve aumento real do estoque muscular, na ordem de 20 por cento, com efeitos mensuráveis sobre o uso de glicogênio e sobre desempenho.

Ou seja, a afirmação correta não é que não tem como. É que é lento, caro, exige um protocolo que quase ninguém segue e vem acompanhado de um monte de carboidrato extra, o que é meio contraditório para quem queria emagrecer.

Onde ela tem respaldo, sendo justo com a substância:

Recuperação muscular. Essa é a aplicação com evidência mais consistente hoje. Meta-análises apontam redução de marcadores de dano muscular e de dor tardia. O efeito é modesto, mas é mais sólido do que qualquer coisa relacionada a queima de gordura.

Situações clínicas de deficiência real, como em pacientes em hemodiálise ou em uso de certos medicamentos, entre eles o ácido valproico. Aí a reposição é tratamento, não suplemento.

Fertilidade masculina, com estudos mostrando melhora de parâmetros do espermograma.

E existe uma informação que ninguém tinha em 2004 e que vale conhecer antes de tomar por anos. A carnitina é metabolizada pela microbiota intestinal em trimetilamina, que o fígado converte em TMAO. Níveis mais altos de TMAO vêm sendo associados a maior risco cardiovascular em estudos observacionais. O mecanismo é plausível e a associação é consistente, mas causalidade em humanos ainda não está estabelecida. Não é motivo para pânico, é motivo para não tomar indefinidamente algo que não está resolvendo nada.

Respondendo as perguntas práticas que o @fsevero fez e que nunca foram respondidas: se for usar, a dose estudada fica em torno de 2 gramas por dia, e pode ser tomada junto com creatina sem problema nenhum, porque usam vias diferentes e não competem. Vale saber também que a acetil-L-carnitina é outra coisa: ela atravessa a barreira hematoencefálica e é estudada em contexto de cognição e neuropatia, não como suplemento esportivo.

E uma correção ao conselho sobre creatina: não existe motivo para esperar ter mais tempo de treino antes de usá-la. Ela funciona por saturação muscular independentemente de experiência, tem o melhor perfil de evidência e segurança entre todos os suplementos, e em iniciante funciona tão bem quanto em avançado. Se é para escolher entre as duas com orçamento limitado, a creatina leva, e não é perto.

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