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Ciclo Feminino de Oxandrolona (8 semanas, iniciando com 5mg de oxandrolona e aumentando até chegar em 15mg)
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A @Dexterina fez o que ela própria disse sentir falta nos outros relatos: foi até o fim, e ainda voltou um ano depois para contar como tinha sido o pós ciclo. Isso é raro e merece o registro. Mas há uma sequência de decisões nesse tópico que precisa de resposta, porque ela se repetiu em várias leitoras que estavam acompanhando para fazer igual. Começo pelo ponto mais sério, que é a combinação que se formou logo no início. Ela suspendeu o anticoncepcional para fazer o ciclo. E, logo depois, foi dito no tópico que a testosterona também tem efeito contraceptivo a partir de certa dosagem. Isso não procede em mulheres. Testosterona exógena reduz a produção de espermatozoides em homens, e é por isso que existe pesquisa de contraceptivo masculino com androgênio. Em mulher, o efeito é outro: pode alterar ou suspender a ovulação em algumas, e não em outras, de forma imprevisível, e não existe nenhum androgênio com indicação, dose ou evidência de eficácia contraceptiva feminina. Ou seja, quem para o anticoncepcional achando que o hormônio do ciclo cobre essa função está sem método nenhum. E aqui está o que torna isso grave: androgênios são teratogênicos. A exposição de um feto feminino a androgênio no primeiro trimestre pode produzir virilização, e a gravidez costuma ser descoberta semanas depois de ter começado. Ou seja, a pessoa que suspende o método contraceptivo para fazer um ciclo é exatamente a que mais precisa de contracepção confiável durante ele. Se a preocupação é hormônio, existe método não hormonal com eficácia alta, e o DIU de cobre foi corretamente citado pelo @Foston. Preservativo isolado tem falha de uso real bem maior, então, quem depende só dele durante um ciclo, precisa saber disso. Agora a razão pela qual ela parou, que foi repetida por três pessoas no tópico como se fosse consenso. Foi dito que o anticoncepcional derruba a performance, que é uma bomba hormonal péssima, e a @Fferraz e a @Joycris contaram que engordaram 13 kg ao parar. Sobre peso, a revisão Cochrane de ensaios com contraceptivos combinados não encontrou evidência de que eles causem ganho de peso, e nos estudos com placebo eles se comportam como neutros. Existe algum ganho modesto descrito para métodos apenas com progestagênio, da ordem de dois quilos em seis a doze meses, e ainda com dados inconsistentes. Treze quilos não são explicados pelo método, nem para mais nem para menos. E vale notar o detalhe cronológico dos dois relatos: o ganho aconteceu depois de parar, não durante. Ou seja, o que estava mudando na vida delas naquele período tem mais chance de explicar o número do que a cartela. Sobre performance, a evidência também não sustenta a afirmação. Revisões sistemáticas com metanálise que compararam usuárias e não usuárias de contraceptivo hormonal em treinamento de força não encontraram diferença nos ganhos de força, e as diferenças observadas em hipertrofia são pequenas e inconsistentes, havendo inclusive estudo recente com resultado favorável às usuárias. Isso importa porque a crença tem consequência concreta: mulheres estão abrindo mão de contracepção eficaz, dentro de um ciclo com droga teratogênica, com base num efeito de treino que a literatura não encontra. E há um contraponto que quase nunca aparece nessas conversas: o anticoncepcional é, para muitas, tratamento, e não escolha estética. Endometriose, sangramento intenso, cólica incapacitante, acne e síndrome dos ovários policísticos são indicações reais. Suspender por causa do treino é uma decisão que precisa ser tomada com o ginecologista, não com o fórum. Agora a leitura dos resultados, que é onde eu discordo mais do tópico. Ela postou, com 44 dias: gordura corporal de 20 para 17 por cento, 1,6 kg de gordura perdida e 1,650 kg de massa magra ganha. Repare no formato do número: a perda de gordura e o ganho de massa magra são praticamente idênticos, o que significa que o peso na balança quase não mudou. Esse é o padrão clássico de uma avaliação em que o peso total é medido com precisão e a divisão entre os dois compartimentos é estimada. E é aí que está o problema. Nem bioimpedância nem adipômetro medem músculo ou gordura. A bioimpedância mede resistência elétrica e estima composição a partir da água corporal, assumindo hidratação padrão. O adipômetro mede dobras cutâneas e joga o valor numa equação de regressão. O erro típico desses métodos é da ordem de três a cinco pontos percentuais. Ou seja, a diferença que ela mediu, de três pontos, é do mesmo tamanho da imprecisão do método. Isso não significa que ela não evoluiu. As fotos mostram que evoluiu, e o próprio tópico registrou isso. Significa que o número exato não suporta o peso que foi dado a ele, e que a foto na mesma luz e na mesma pose, que ela fez, é o dado mais confiável que ela produziu. O mesmo vale para a celulite, que segundo o relato reduziu 85 por cento em duas semanas. Celulite é uma característica estrutural do tecido subcutâneo feminino, ligada à organização dos septos de colágeno que atravessam a gordura. Ela responde à perda de gordura, mas de forma lenta e parcial, e não desaparece em duas semanas. O que muda em duas semanas é retenção de líquido, e ela mesma escreveu que estava se sentindo desinchada já antes de começar a oxandrolona, com dieta e treino ajustados. A aparência melhorou de verdade. O mecanismo não era o que se supôs. Agora três pontos de protocolo. O primeiro é a dose. Ela pretendia fazer 5, 10 e 15 mg, e acabou fixando 20 mg porque as cápsulas vieram de 20, e depois cogitou 30 mg por suspeitar de subdosagem. O raciocínio de subir dose porque não apareceu colateral aparece em quase todos os relatos femininos daqui, e ele não se sustenta. Efeito colateral e efeito desejado vêm do mesmo receptor, mas em tecidos diferentes, com sensibilidades diferentes, e dependem de fatores individuais como densidade de receptor e atividade da 5 alfa redutase na pele e no folículo. Não existe relação entre intensidade de colateral e tamanho do resultado. Quem não sentiu colateral não recebeu produto fraco. Provavelmente teve a melhor sorte possível. O que responde à dúvida de subdosagem não é a sensação, é a resposta objetiva: carga no treino subindo e medida mudando. E vale dizer que 20 mg por dia já é o teto de bula da oxandrolona para adultos, e que os protocolos femininos que circulam ficam abaixo disso. O segundo é o desmame gradual no fim, feito para o organismo desacostumar e para solidificar os ganhos. Não existe base farmacológica para isso. A oxandrolona tem meia vida em torno de 9 horas, ou seja, dois dias depois da última dose não há praticamente nada circulando, com desmame ou sem. E o que mantém o resultado depois não é o formato da retirada: é continuar treinando e comendo. O ganho que se perde ao parar é sobretudo água e glicogênio, e isso acontece de qualquer forma. Não faz mal reduzir aos poucos. Só não é isso que segura o resultado. O terceiro é o anastrozol em 0,35 mg duas vezes ao dia, sugerido à @Fat Bitch por um personal para reduzir retenção. O FitCoupleHim respondeu corretamente que não havia indicação. Vale reforçar o porquê: anastrozol é inibidor de aromatase, ou seja, ele bloqueia a conversão em estrogênio. Numa mulher na pré menopausa, o estradiol não é um incômodo estético, é o hormônio responsável por densidade óssea, conforto articular, lubrificação, humor e função cardiovascular. Derrubar estradiol de forma prolongada produz dor articular, ressecamento, queda de libido e perda de massa óssea. E não é sequer o remédio certo para o problema que se queria resolver, já que a oxandrolona não aromatiza. Não havia estrogênio extra para bloquear. Um comentário sobre o aeróbico em jejum e o jejum intermitente que ela adotou para atacar a gordura abdominal. A oxidação de gordura durante o exercício é mesmo maior em jejum, e a diferença é de aproximadamente 3 g de gordura por sessão, cerca de 27 kcal. Nos ensaios de composição corporal com calorias equiparadas, a diferença desaparece. Jejum intermitente funciona para quem come menos ao concentrar as refeições, e não funciona melhor que outra dieta com as mesmas calorias. E não existe redução localizada. A gordura abdominal sai na mesma proporção do resto, na ordem que a genética determina, e o abdome costuma ser dos últimos. Uma observação sobre o protetor hepático que a @Cah83 perguntou: não há evidência de que silimarina ou qualquer suplemento dito hepatoprotetor previna lesão por oral 17 alfa alquilado. O que protege é dose menor e tempo menor, e o que informa é TGO, TGP e gama GT. Sobre a comparação de exames que apareceu no fim, entre valores de testosterona livre antes e depois, cabe um alerta técnico: dosagem de testosterona livre varia enormemente conforme o método e o laboratório, e para mulheres, que estão na faixa baixa, os imunoensaios de rotina são imprecisos. Comparar resultados de laboratórios ou métodos diferentes é a fonte de erro mais comum nessas leituras. Vale sempre repetir no mesmo laboratório. Por fim, o que eu de fato levaria desse relato. Ela ajustou dieta e treino três semanas antes de começar, e ela mesma escreveu que a maior parte da mudança na celulite e no inchaço apareceu justamente nessas três semanas, antes da primeira cápsula. Depois manteve marmita em viagem, organização e constância, e ainda desconfiou da própria droga. O resultado dela foi real. A parte que produziu esse resultado estava, em boa medida, do lado que não custou nada. Para quem quiser montar a dieta com os números na mão, o site tem um gerador de dieta em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ , que serve como ponto de partida para ajustar com acompanhamento. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Ciclo feminino com Primobolan
Preciso começar por uma afirmação que apareceu no fim desse tópico e que precisa de correção, porque ela envolve o bebê da @Carolb. Foi dito, a partir de um texto sobre mitos e equívocos na terapia com testosterona em mulheres, que não ocorre efeito teratogênico ou virilizante em fetos, humanos ou animais. Isso não é o que consta na bula dos produtos de testosterona em gel. As bulas trazem contraindicação expressa na gravidez e em mulher que possa engravidar, com a informação de que a testosterona é teratogênica, e que a exposição de um feto feminino a androgênio pode produzir graus variáveis de virilização. E trazem contraindicação também na amamentação, pelo risco de efeitos adversos no lactente. Somando a isso a advertência de tarja preta por exposição secundária, que já existe para o contato de pele com pele com crianças, o quadro para o caso dela é bastante claro. O @Foston deu a orientação prática certa, e ele merece o crédito: aplicar em local sem possibilidade de contato com a bebê e lavar bem as mãos. Onde eu discordo é na conclusão de que a logística resolve tudo. Ela mesma descreveu o cenário real: bebê acordando de madrugada, contato aumentando, e ela vivendo com medo de encostar. A decisão dela de suspender o gel foi, na minha leitura, a mais sensata do tópico inteiro, e ela foi um pouco cobrada por isso. E existe uma pergunta que ficou no ar e que muda tudo: ela ainda amamentava. O @Apollo Galeno chegou a perguntar isso e não teve resposta clara. Se amamentava, o gel estava contraindicado, e não é questão de onde aplicar. Agora o sinal que passou como colateral leve e que, para mim, é o ponto mais sério do relato. Ela escreveu, depois do stanozolol: voz de manhã levemente rouca, some ao longo do dia. E clitóris levemente inchado. Esses dois não pertencem à categoria dos colaterais que se acompanha. Entre os sinais de virilização, alguns regridem com a suspensão, como acne, oleosidade, aumento de libido e alteração do fluxo. Dois não regridem de forma confiável: o engrossamento da voz e o aumento do clitóris. As alterações vocais vêm de mudança estrutural na prega vocal, com espessamento do epitélio, da lâmina própria e da fibra muscular, e a literatura descreve casos de virilização vocal permanente inclusive após uso curto, com melhora apenas parcial depois da interrupção. Rouquidão que aparece de manhã e melhora durante o dia é justamente o começo do quadro, não uma versão inofensiva dele. E a regra prática é diferente da que vale para os sinais reversíveis: nesses, não existe observar e ver se piora, porque observar é esperar dentro do dano. Uma sugestão concreta, que vale mais que qualquer descrição: gravar trinta segundos de voz no celular sempre no mesmo horário, uma vez por semana. A mudança é gradual e o ouvido se acostuma. A gravação não se acostuma. E aqui a @Joaninha fez a observação mais aguda do tópico, que merece ser repetida: ela teve colaterais com derivados de di hidrotestosterona e a conduta seguinte foi justamente dois derivados da mesma família. Estava certíssima. Sobre o stanozolol sublingual, e sobre a ideia de que sublingual e gel são mais seguros por não passarem pelo fígado. A premissa está parcialmente certa e a conclusão é maior do que ela sustenta. Absorção sublingual realmente desvia parte do primeiro metabolismo hepático, mas o desvio é parcial: parte do que está na boca acaba sendo deglutida e segue a rota comum. Mais importante, o stanozolol é 17 alfa alquilado, ou seja, a molécula é modificada exatamente para resistir ao metabolismo hepático, e é essa modificação que se associa à sobrecarga do fígado e à queda acentuada de HDL. Isso não é um efeito da via de administração, é da molécula. E há um ponto que independe de tudo isso: o stanozolol é dos compostos mais associados a virilização em mulheres, tanto que existe a expressão voz de stano, que apareceu no próprio tópico. Ela introduziu esse por conta própria, e foi logo depois dele que a rouquidão apareceu. Agora o primobolan manipulado, que custou 520 reais e não entregou resultado. O @Apollo Galeno e a @Joaninha desconfiaram, e a desconfiança tinha fundamento. Vou explicar por quê, sem entrar em procedência de produto. A metenolona oral, na forma acetato, tem biodisponibilidade baixa e é reconhecidamente um dos androgênios orais de menor rendimento por miligrama. Isso significa que uma dose que parece razoável no papel entrega pouco, e que a diferença entre um produto correto e um subdosado fica difícil de perceber pelo efeito, porque o efeito esperado já é discreto. Ou seja, o que ela viveu, dose que não parece baixa e resultado que não aparece, é compatível tanto com produto ruim quanto com a farmacologia normal do composto. Não dá para distinguir uma coisa da outra pela sensação, e por isso o valor pago não é argumento em nenhuma das direções. Sobre a informação de que a metenolona teria sido liberada pela Anvisa, que a própria @Carolb disse ter levado ao médico e repassado às cunhadas: eu não consegui confirmar isso. Não localizei registro de produto com metenolona disponível comercialmente no Brasil, e é justamente por isso que ela circula manipulada. Uma substância que só existe manipulada não está no mesmo patamar de um medicamento com registro, porque o que garante teor e uniformidade de dose é o controle do produto registrado. E vale um comentário sobre o que ela descreveu com honestidade rara: a informação partiu dela, chegou às cunhadas, as três levaram ao mesmo médico e as três saíram com a mesma receita. O @Apollo Galeno chamou de movimento de manada e tinha razão. É um fenômeno que se vê muito aqui: a informação circula no grupo, volta pela boca do profissional, e ganha autoridade que ela nunca teve na origem. Reconhecer isso publicamente, como ela fez, é mérito dela. Agora a dieta, que é onde eu acho que estava o problema real do relato. Ela informou no início que comia em torno de 80 a 100 g de proteína, 80 a 100 g de carboidrato e 35 a 45 g de gordura, e disse com todas as letras que não pesava nada, que ia tudo no olho. Depois, ao jogar no aplicativo a dieta ajustada, o resultado foi 204 g de proteína, 82 g de gordura e 126 g de carboidrato, e ela se assustou com a quantidade. Aí está a explicação de boa parte da frustração. A estimativa a olho e o número real estavam separados por um fator de duas vezes na proteína e na gordura. Não é falta de disciplina, é uma limitação conhecida: estimativa visual de porção erra muito, principalmente em óleo, molho, castanha e queijo, que são densos e ocupam pouco espaço. E isso importa mais que o ciclo. Ela passou oito meses em dieta muito restritiva de baixo carboidrato, se queixou de estagnação, e resolveu que faltava farmacologia. Com o consumo real desconhecido, não havia como saber se faltava déficit, se faltava proteína ou se faltava comida. Pesar tudo por duas semanas, sem mudar nada, responderia isso de graça. É chato, ninguém quer, e continua sendo a informação mais valiosa disponível. A @Joaninha resumiu o princípio corretamente: quando dieta e treino estão coerentes com o objetivo, o resultado vem, e o esteroide apenas acelera. Ele não substitui nem uma coisa nem outra. E vale corrigir uma expectativa que apareceu quando ela se decepcionou com as fotos: ela estava, ao mesmo tempo, buscando ganho de massa e queda de gordura de flanco. As duas coisas juntas, em quem já treina há anos e não está começando do zero, acontecem devagar e em janelas estreitas. Escolher uma por vez frustra menos e entrega mais. Três observações práticas, e uma delas sobre um número. A primeira é sobre a vitamina D sugerida em 5.000 a 10.000 UI por dia. O limite superior tolerável para adultos, em uso continuado sem monitoramento, é de 4.000 UI por dia. Doses acima disso existem e são usadas, mas em correção de deficiência documentada, com dosagem de vitamina D e de cálcio, e por tempo definido. Excesso crônico produz hipercalcemia. É um caso em que o exame vem antes da dose. A segunda é o sono, que atravessou o tópico e nunca foi resolvido. Ela descreveu adormecer rápido e acordar de madrugada sem conseguir voltar. Isso é insônia de manutenção, e a melatonina age principalmente sobre o adormecer, ou seja, sobre o problema que ela não tinha. Não surpreende que não funcione. O que costuma explicar despertar de madrugada em quem está em déficit calórico prolongado é o próprio déficit, e no caso dela havia ainda um bebê acordando e um trabalho estressante. Vale também dizer que androgênios podem piorar apneia do sono, e que sono ruim sozinho já derruba recuperação, apetite e humor. Esse era um problema para resolver antes do próximo ciclo, não depois. A terceira é a fisgada no ombro ao treinar peito, que passou quase sem comentário. A @Joaninha acertou ao apontar pegada e execução. Acrescento a regra: dor que aparece sempre no mesmo movimento e no mesmo ponto é para ser investigada, não contornada com carga menor. Treinar em volta de uma dor por meses é como se transforma um incômodo em lesão que tira do treino por um ano. Por fim, sobre o plano seguinte, que estava sendo desenhado entre deca, oxandrolona e testosterona. O decanoato de nandrolona é o que eu menos recomendaria para ela, e não pela potência. É pela meia vida: liberação do depósito da ordem de 6 a 12 dias, com atividade que persiste por semanas. Como parte dos sinais de virilização não regride, o valor de uma molécula de ação curta é poder interromper e ter a exposição caindo em pouco tempo. Com éster longo, no dia em que a voz mudar, ainda restarão semanas de droga circulando, e não existe como acelerar isso. Para mulher, meia vida curta não é um detalhe de conveniência. É a margem de segurança inteira. E, dado que ela já apresentou rouquidão e alteração de clitóris com o que usou até aqui, a pergunta anterior a qual composto escolher é se cabe escolher algum agora. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Fitness aos 43 (feminino) - Uso de Testosterona
Esse tópico terminou com um exame que todo mundo comemorou, e eu preciso discordar da leitura que foi feita dele. A @Lilika43 postou, depois de dois meses e meio de gel de testosterona a 3 por cento em pentravan: Testosterona total: 109,62 ng/dL, contra menos de 10 antes. Testosterona livre: 1,595 ng/dL, contra 0,111 antes. SHBG: 47,8, contra 66,6. TGO 24 e TGP 25. A conclusão do tópico foi que estava funcionando, que agora sim era o produto certo, e o @Foston chegou a dizer que com 3 por cento ela deveria ter subido oito vezes mais. O ponto que ninguém levantou é que 109 ng/dL de testosterona total não é um valor de mulher. A faixa de referência feminina adulta fica, na maioria dos laboratórios, entre aproximadamente 15 e 70 ng/dL. Ela está acima do teto. E a testosterona livre subiu quatorze vezes, mais do que a total, o que é justamente o que se espera quando o SHBG cai, porque menos hormônio fica ligado e mais fica disponível para o receptor. Ou seja, ela não estava numa dose de reposição. Estava numa dose suprafisiológica, e a conversa seguiu na direção de acrescentar oxandrolona por cima. O @davidevh, aliás, tinha dado no começo do tópico o alvo correto, entre 40 e 90 ng/dL. Ninguém voltou a esse número quando o resultado chegou em 109. Isso não é motivo para pânico. É motivo para levar o exame de volta à médica e discutir redução da dose, e o @Foston chegou perto disso ao dizer que ela teria que baixar para pelo menos um terço se quisesse manter por muito tempo. Ele estava certo, e essa era a informação mais importante do tópico inteiro. Agora o exame do começo, que sustentou tudo. O valor inicial não era um número: era inferior a 10 ng/dL, ou seja, abaixo do limite de detecção do método. E há uma limitação técnica reconhecida aqui: os imunoensaios usados na rotina são imprecisos justamente na faixa baixa, que é onde estão as mulheres. Para dosagem confiável em mulher, o método recomendado é cromatografia líquida com espectrometria de massas. Isso importa porque a decisão de tratar nasceu daquele valor. Um resultado abaixo do limite de detecção de um método impreciso naquela faixa é um resultado que diz pouco. E existe uma segunda questão, que é a indicação. Sobre reposição de testosterona em mulheres, o consenso global de 2019, endossado pela Endocrine Society, pela International Menopause Society e por várias outras sociedades, é bastante específico: a única indicação com base em evidência é o transtorno do desejo sexual hipoativo em mulher na pós menopausa, com diagnóstico formal, e a dose deve mirar a faixa fisiológica de mulher na pré menopausa. O mesmo documento diz que não há evidência suficiente para recomendar testosterona em mulheres com objetivo de desempenho, disposição, composição corporal, força ou bem estar geral. A @Lilika43 tem 43 anos, menstrua e o objetivo declarado era definição. Ou seja, ela está fora da indicação estabelecida, com um exame basal de método impreciso, num nível acima da faixa feminina. Registro que a endocrinologista dela foi coerente do começo ao fim, e o relato mostra isso: era contra uso estético, pediu 23 exames antes, e foi a segunda profissional, procurada justamente porque prescreveria a oxandrolona, que receitou sem exame. O @Apollo Galeno reagiu forte a isso e tinha razão no mérito. Agora uma coisa prática e séria que o tópico tocou de raspão e que precisa ser dita com todas as letras. Foi mencionado que o local de aplicação não pode ter contato com crianças e animais. Isso não é um detalhe de eficácia, é o alerta mais grave da bula desses produtos. Gel de testosterona tem advertência de tarja preta por exposição secundária. Crianças que tiveram contato com a pele de adulto tratado desenvolveram virilização, com aumento de clitóris ou pênis, pelos pubianos precoces, aceleração do crescimento e alteração de comportamento. Na maioria dos casos regrediu com a interrupção do contato, mas em alguns a genitália não voltou ao tamanho normal para a idade e a idade óssea permaneceu adiantada. E os casos aconteceram justamente com quem não seguiu as instruções de uso. As regras que eliminam esse risco: lavar bem as mãos com água e sabão logo após aplicar, esperar a secagem completa, cobrir a área com roupa antes de qualquer contato próximo, e lavar a pele do local antes de situações de contato direto e prolongado. Aplicar à noite e cobrir resolve a maior parte do problema. Vale a pena aqui reconhecer o @Foston, que orientou corretamente sobre esfregar até o gel sumir e sobre variar os locais, e o @Apollo Galeno, que insistiu em exames do começo ao fim, contra a corrente do tópico. Agora dois pontos técnicos que ficaram sem correção. O primeiro é o argumento de que testosterona é hormônio bioidêntico ao que a pessoa produz e, por isso, em níveis séricos ótimos, não traz problemas. A primeira parte está certa. A conclusão não segue. Bioidêntico descreve a molécula, não a dose nem o nível alcançado. Insulina é bioidêntica e mata em excesso, cortisol é bioidêntico e produz síndrome de Cushing. O que determina o efeito é a concentração no receptor, e é por isso mesmo que o exame importa. A ressalva sobre níveis ótimos, que ele fez, é justamente a parte que o caso dela não cumpria. O segundo é a afirmação, feita no meio da discussão sobre hormônio de crescimento, de que GH não tem colateral. Isso não procede. Hormônio de crescimento em doses acima da fisiológica produz resistência à insulina e elevação da glicemia, retenção de líquido, dor articular e síndrome do túnel do carpo, e em uso prolongado alterações de crescimento acral. As doses de 4 a 6 unidades por dia que foram citadas estão muito acima de qualquer dose de reposição. O @Locemar respondeu bem a esse trecho, ao dizer que GH sozinho não gera hipertrofia relevante sem androgênio associado. Acrescento que a comparação feita ali era enviesada: comparar mulheres que usam GH com mulheres que usam androgênio e concluir que GH é limpo ignora que os dois grupos não estão usando a mesma coisa nem buscando a mesma coisa. E aqui eu preciso ser direto sobre a sugestão de trembolona que apareceu no tópico, inclusive com a @Sereiafit considerando usar quando fosse secar. A trembolona não tem versão de uso humano. É extremamente androgênica, não aromatiza e tem afinidade alta pelo receptor androgênico, o que significa que ela age com força total na via responsável exatamente pelos efeitos que não voltam atrás numa mulher: engrossamento da voz e aumento do clitóris. As alterações da voz vêm de mudança estrutural na prega vocal, e a literatura descreve casos permanentes inclusive após uso curto. Ou seja, entre todos os compostos possíveis, esse é o que mais concentra risco irreversível para uma mulher. Não é questão de dose baixa. Sobre o treino, três observações. A @Sereiafit disse que treinar pernas com um dia de intervalo indica que a intensidade está baixa. Discordo em parte. Treinar o mesmo grupo duas vezes por semana é frequência bem suportada pela literatura e costuma render mais que uma vez. O que decide não é o intervalo, é a progressão de carga registrada. Se o peso sobe ao longo das semanas, a recuperação está dando conta. O que eu ajustaria no treino dela é outra coisa: ele é quase todo em máquina e em faixas altas de repetição, com pouca carga pesada. Para quem quer definição aos 43 anos, o objetivo do treino é preservar músculo durante o déficit, e o estímulo que faz isso é carga. E vale um ponto sobre osso, que ninguém mencionou e que é o mais importante para ela na década que vem: mulher na perimenopausa perde densidade óssea, e treino de força com carga progressiva e impacto é uma das poucas intervenções não medicamentosas com efeito demonstrado sobre isso. Definição é o objetivo do ano. Osso é o objetivo da vida. A terceira observação é sobre ela ter pedido para reduzir exercícios de peito com medo de ficar estranha por não ter seio. Pode voltar a treinar peito tranquilamente. Supino e afins trabalham o músculo peitoral, que fica embaixo da mama, e não removem tecido mamário. O que reduz volume de mama é perda de gordura corporal, que é justamente o que ela está buscando, e isso acontece independente de treinar peito ou não. Deixar de treinar peito só custa a ela o desenvolvimento da região, sem nenhum ganho em troca. Por fim, sobre a estagnação de que ela se queixou. O @davidevh deu a resposta mais curta e mais correta do tópico: para aparecer definição, falta perder mais gordura. E o @Apollo Galeno complementou com o que de fato trava a maioria, que é a dieta ser rigorosa de segunda a segunda. Acrescento o detalhe que costuma explicar o não engordo e não emagreço: peso estável durante meses significa, por definição, que o consumo está igual ao gasto. E o que quase sempre está por trás disso não é metabolismo travado, é subestimativa do que se come, principalmente óleo, molho, bebida e fim de semana. Quem pesa a comida em duas semanas normalmente encontra a diferença sozinho. E ela fez, no meio disso tudo, a mudança de maior impacto e quase não deu valor: cortou a cerveja do fim de semana e sentiu diferença grande. Álcool é caloria densa, atrapalha o sono e desinibe a escolha alimentar. Isso valeu mais que qualquer hormônio do tópico. Para quem quiser montar a dieta com os números na mão, o site tem um gerador de dieta em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ , que serve como ponto de partida para ajustar com acompanhamento. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Estou com 50 anos e vou comecar o ciclo com oxandrolona hoje
A @Juliana Cian escreveu nesse tópico a frase que mais me preocupou em toda a conversa, e ela passou sem correção. Ela disse estar muito preocupada porque não sentia colateral nenhum, pois tinha ouvido dizer que bons resultados vêm acompanhados de efeitos colaterais. Isso não é verdade, e é importante desmontar essa ideia com cuidado, porque ela leva a pessoa a subir dose atrás de um sinal. Efeito colateral e efeito desejado vêm do mesmo receptor androgênico, mas em tecidos diferentes, com sensibilidades diferentes. Quanta acne, quanta oleosidade e quanta alteração de voz uma pessoa desenvolve depende de fatores individuais como densidade de receptor e atividade da 5 alfa redutase na pele e no folículo, e não da quantidade de músculo que ela vai ganhar. Ou seja, não existe relação entre intensidade de colateral e tamanho do resultado. Duas mulheres na mesma dose podem ter respostas opostas nos dois eixos, e de forma independente. Quem não sentiu colateral não está desperdiçando o ciclo. Está, provavelmente, tendo a melhor sorte possível. Agora o ponto central do tópico, que é a dose. A @Amelia começou com 20 mg por dia e, no quarto dia, subiu para 40 mg, seguindo a sugestão do FitCoupleHim, com a justificativa de que as cápsulas eram de 20 mg e assim as 60 cápsulas rendiam mais. A bula da oxandrolona vai de 2,5 a 20 mg por dia, e os 20 mg são o teto para adultos. Protocolos femininos que circulam por aqui costumam ficar entre 5 e 15 mg, e a própria @Amelia estava no limite superior antes de dobrar. E há uma questão de raciocínio que vale explicitar: a dose foi decidida pelo formato da cápsula que ela já tinha comprado, e não pelo que ela precisava. Isso é o inverso da ordem correta. Cápsula manipulada se manipula em qualquer miligragem, e o @Nandopw apontou isso corretamente ao dizer que o primeiro ciclo feminino costuma ficar em torno dos 20 mg. O que mais me chama atenção é que ela subiu a dose no quarto dia, citando que ainda não sentia colateral. Oxandrolona oral tem meia vida em torno de 9 horas, então em quatro dias o nível já está estável. Mas os colaterais que importam numa mulher não são de horas, são de acúmulo, e ela mesma registrou depois que os efeitos apareceram aos 28 dias. Ou seja, a ausência de sinal na primeira semana não era informação sobre segurança, era apenas o tempo passando. Agora a parte que ninguém disse com todas as letras, e que é a informação mais importante para qualquer mulher que leia este tópico. Entre os efeitos de virilização, alguns são reversíveis e outros não são. Costumam regredir com a suspensão: acne, oleosidade, aumento de libido, retenção, irritabilidade e alteração do fluxo menstrual. Não costumam regredir: o engrossamento da voz e o aumento do clitóris. As alterações da voz vêm de mudança estrutural na prega vocal, com espessamento do epitélio, da lâmina própria e da fibra muscular, e a literatura descreve casos de virilização vocal permanente inclusive após uso curto, com melhora apenas parcial depois da suspensão. Por isso a regra prática é diferente da que vale para homens. Nos sinais reversíveis dá para observar e avaliar. Nos irreversíveis não existe observar: rouquidão nova, instabilidade da voz, perda das notas agudas, mudança de timbre ou crescimento do clitóris são motivo de parar no mesmo dia. Quem espera para ver se piora está esperando dentro do dano. A @PWS Couple relatou clitóris um pouco inchado e o assunto seguiu adiante. Era exatamente o momento de parar e reavaliar dose. E uma sugestão prática que vale mais que qualquer descrição: gravar trinta segundos de voz no celular antes de começar e repetir toda semana. A mudança é gradual e o próprio ouvido se acostuma. A gravação não se acostuma. Sobre o peso que a assustou, e que voltou várias vezes. Ela ganhou 1 kg na segunda semana e 3 kg na quarta, com as medidas iguais e as roupas mais largas. O @Az_Rio e o FitCoupleHim acertaram ao dizer para desencanar da balança. Vale acrescentar o mecanismo, porque ele tranquiliza mais que o conselho. Androgênio aumenta o glicogênio muscular, e cada grama de glicogênio armazenado carrega água consigo. Isso é peso, aparece na balança em dias, e some quando se interrompe. Medida de fita inalterada com roupa mais larga é o quadro clássico de troca de composição, e é resultado bom. Sobre a irritabilidade, que foi o colateral marcante dela. Aqui é preciso separar duas coisas que ficaram misturadas. Ela atribuiu a irritação à menopausa, e depois concluiu que não era o ciclo porque a menstruação veio normalmente. Só que menstruar significa justamente que ela não estava em menopausa estabelecida, e sim provavelmente em perimenopausa. Ou seja, o argumento que ela usou para descartar o ciclo é o mesmo que descarta a menopausa. Aparecer aos 28 dias de uso e ter sido descrita como muito acima do habitual dela aponta para o ciclo. E ela registrou junto a queda de libido a zero, que também é achado de uso, por supressão da produção ovariana e adrenal de androgênio durante a administração exógena. Agora os exames, que foram a melhor decisão que ela tomou no tópico inteiro. Ela fez exames depois, se preocupou com o colesterol e não fez os demais. Vale corrigir o foco. Em quem usa oxandrolona, o colesterol total é o número menos informativo do painel. O que a oxandrolona faz de forma marcante, e está bem documentado, é derrubar o HDL, o colesterol bom, e elevar o LDL. Um colesterol total até baixo pode estar escondendo um HDL no chão, e é o HDL que interessa aqui. O painel que responde é HDL, LDL, triglicerídeos, TGO, TGP, gama GT, hemograma, glicemia e pressão arterial aferida. E, sendo oral 17 alfa alquilada, as enzimas hepáticas não são opcionais. E vale a boa notícia: a queda de HDL induzida por oral costuma se recuperar em semanas a poucos meses após a suspensão. Repetir o painel de dois a três meses depois é o que fecha o relato. Sobre o DHEA baixo e a conversa que veio dele. O @Mestre foi correto e cuidadoso ao dizer que o DHEA declina com a idade e que a leitura precisa considerar idade, não só sexo. Acrescento uma coisa: DHEA sulfato baixo logo após um ciclo é esperado, porque androgênio exógeno suprime a produção adrenal. Ou seja, aquele exame foi colhido no pior momento possível para se tirar conclusão. Repetido três meses depois, ele diria outra coisa. E aqui eu discordo do encaminhamento que a conversa tomou, quando o DHEA baixo passou a ser lido como sinal verde para um ciclo de testosterona. Um exame colhido sob supressão não autoriza nada. Se a suspeita é deficiência androgênica na perimenopausa, isso é avaliação de endocrinologista ou ginecologista com exames colhidos fora de uso, e não motivo para escolher o próximo composto. O @Mestre também acertou no ponto seguinte, e a lógica dele merece destaque: ela teve irritabilidade forte com oxandrolona, que é dos androgênios menos propensos a isso em mulheres, então esperar tranquilidade com testosterona injetável é apostar contra a própria evidência que ela já produziu. A resposta individual dela já estava medida. Onde eu discordo do @Matheus França é na sugestão que veio depois, de boldenona ou primobolan como mais seguras em relação à virilização. O problema não é a potência androgênica delas, é a farmacocinética. O undecilenato de boldenona tem meia vida muito longa, da ordem de duas semanas, com detecção que se estende por meses. E isso é exatamente o que não se quer numa mulher. Como parte dos sinais é irreversível, o valor de um oral de meia vida curta é poder interromper e ter a exposição caindo em horas. Com um éster de meia vida de duas semanas, no dia em que a voz mudar, ainda restarão semanas de droga circulando, e não existe como acelerar isso. Ou seja, para mulher, meia vida curta não é detalhe, é a margem de segurança inteira. A oxandrolona, apesar do custo hepático de ser alquilada, é preferida por mulheres justamente por isso. O mesmo raciocínio se aplica à sugestão do @Az_Rio de acrescentar masteron em dose baixa. Masteron é derivado da di hidrotestosterona, ou seja, é um androgênio que não converte para estrogênio e age direto na via responsável pelos sinais irreversíveis, e o propionato ainda assim tem liberação de dias e não de horas. Duas observações finais. A primeira, para a @MelMene, que perguntou como tinha sido a experiência e não teve resposta técnica. Vale ler o relato dela por inteiro, mas com um alerta: a @Amelia sentiu os colaterais aos 28 dias, em 40 mg por dia. Repetir o protocolo dela é repetir uma dose que estava dobrada em relação ao teto de bula. A segunda, para a @Cirene Riguete Vecchi, que entrou no tópico dois anos depois dizendo para procurar endocrinologista e nutricionista esportivo, e foi recebida com ironia. Ela estava certa no conteúdo. Uma mulher de 50 anos em perimenopausa é justamente o perfil que mais tem a ganhar com avaliação hormonal formal, porque existe tratamento reconhecido para o quadro, e porque irritabilidade, sono ruim, queda de libido e mudança de composição corporal nessa fase têm causa que se investiga. O que a fez ser mal recebida foi o tom, não o argumento. E vale registrar que o argumento sobrevive ao tom. Por fim, um reconhecimento à @Amelia. Ela relatou tudo, incluindo o que a assustou, voltou depois do fim para contar como estava, e fez exames. Relato completo com desfecho é a coisa mais rara e mais útil deste fórum. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Relato DIANABOL + CICLO-6
O @marcosrock terminou esse tópico com a melhor pergunta que alguém pode fazer nessa situação: se não senti efeito, faço ou não faço a terapia pós ciclo? E o @Matheusbp deu a resposta certa em uma linha: faça um exame de sangue, nada melhor para saber a necessidade. Vou desenvolver, porque aquele exame respondia duas perguntas de uma vez e ninguém percebeu. O exame é LH, FSH e testosterona total, colhido depois de esperar a saída do éster. Se o LH e o FSH estiverem normais, significa que o eixo não foi suprimido, ou seja, não entrou androgênio suficiente. Nesse caso não há o que recuperar, e não há motivo para terapia pós ciclo. Se estiverem suprimidos, houve androgênio agindo, e aí a terapia se justifica. Repare no que mais esse exame entrega: ele responde também a pergunta que atravessou o tópico inteiro, sobre se o produto era falsificado. Eixo suprimido é prova de que algo entrou. Eixo intacto depois de oito semanas é prova de que não. Um exame de trinta reais teria encerrado as duas discussões. Mas há um detalhe importante no caso específico dele, e ele muda a resposta. Ele não usou só o injetável. Usou também dianabol, 40 mg por dia durante quatro semanas. O dianabol é oral e de ação rápida, e ele mesmo relatou dois sinais compatíveis com estar agindo: aumento de força já na primeira semana e azia forte, que é queixa clássica dos orais. Ou seja, mesmo que o injetável fosse falso, o oral provavelmente não era. E oral suprime o eixo. A dúvida dele, portanto, tinha uma resposta provável antes mesmo do exame: sim, provavelmente havia o que recuperar. O @-HUNTER- chegou perto disso ao dizer que não valia arriscar. Agora sobre a dose desse dianabol. A dose original de bula da metandienona era de 5 a 10 mg por dia para homens. Quarenta miligramas é quatro a oito vezes isso, num oral 17 alfa alquilado, mantido por quatro semanas junto com um injetável. E a azia que ele relatou como o colateral mais incômodo merece atenção maior do que recebeu. Desconforto gástrico e azia são comuns com orais alquilados. O problema é que os sintomas iniciais de sofrimento hepático são justamente inespecíficos: náusea, azia, desconforto abdominal alto e cansaço. Tratar isso diariamente com sal de frutas alivia e apaga o sinal. Os sinais que exigem médico no mesmo dia: urina escura como chá, fezes claras, amarelado nos olhos, coceira pelo corpo sem lesão de pele, dor no lado direito de cima da barriga e cansaço desproporcional. E, sobre a silimarina que ele cogitou usar depois: não existe evidência de que silimarina ou qualquer outro suplemento dito hepatoprotetor previna a lesão dos 17 alfa alquilados. Nenhum ensaio clínico testou isso em pessoas usando esteroide oral. O que protege o fígado é dose menor e tempo menor. Agora um sintoma que foi atribuído ao clima e que merece uma segunda leitura. Ele relatou sangramento nasal, e concluiu, com o @ninga, que era o tempo seco. Pode ter sido, e umidificar o ambiente é uma boa ideia de qualquer forma. Mas existe uma causa comum de epistaxe que ninguém mencionou e que é diretamente relevante: pressão arterial elevada. E tanto a testosterona quanto o dianabol elevam pressão, o dianabol especialmente, por retenção de sódio e água. Um aparelho de pressão de farmácia custa pouco e resolve a dúvida. Vale medir antes de começar qualquer ciclo e uma vez por semana durante. Pressão alta não dá sintoma até dar, e sangramento nasal é justamente um dos primeiros avisos. Junto com isso, hemograma com hematócrito. Testosterona eleva a produção de glóbulos vermelhos, e sangue mais viscoso também contribui. Duas correções e um elogio. A correção mais importante é ao raciocínio dele sobre autenticidade. Ele escreveu que, se estivesse aplicando azeite, já estaria todo caroçado, e que como não estava, provavelmente o produto era real. Óleo estéril injetado em pequeno volume no músculo costuma ser absorvido sem formar nódulo. Ausência de caroço não prova nada sobre o conteúdo do frasco. E, do outro lado, produto legítimo também pode formar nódulo, dependendo do solvente e da técnica. O que separa as duas hipóteses não é a reação local. É o exame de sangue. A segunda correção é sobre a dose esquecida do dianabol, que o deixou chateado por causa da meia vida curta. O @ninga acertou ao dizer para não se prender tanto a isso. Duas doses perdidas em quatro semanas não mudam nada num total de aproximadamente 112 doses. E o elogio, que é genuíno e raro por aqui: ele escreveu que o tamoxifeno estava engatilhado e que só usaria se aparecesse sensibilidade nos mamilos. Essa é exatamente a conduta correta, e ela é minoria absoluta no fórum. A maioria toma inibidor de aromatase ou modulador de receptor de forma preventiva, sem sinal nenhum, e acaba derrubando o estradiol, o que produz libido baixa, dor articular e humor ruim. Ter o remédio disponível e usar só diante do sinal é a decisão mais bem fundamentada de todo o tópico. E o sinal que ele descreveu é o certo: dor ou nódulo endurecido embaixo do mamilo, diferente de gordura mole. Aparecendo isso, é avaliação no mesmo momento, porque o tecido que fibrosa não regride depois com remédio. Por fim, sobre o @CarlosF ter alertado para as articulações com o dianabol: ele tinha razão, e o mecanismo vale ser dito. O dianabol produz aumento rápido de força, e tendão, ligamento e cartilagem se adaptam bem mais devagar que o músculo. Quem sente a carga subir depressa tende a acompanhar com o peso, e é aí que a lesão acontece. Subir carga mais devagar do que se é capaz é a única proteção real. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Relato Ciclo-6 (Enantato de Testosterona): 1 ml na segunda e 1 ml na quinta por 8 semanas
Esse relato do @japo. tem uma diferença em relação à maioria dos que aparecem por aqui, e é justo começar reconhecendo isso. Ele tinha 1,85 m, 95 kg e 13 por cento de gordura. Fazendo a conta, a massa livre de gordura fica em torno de 82,6 kg, e dividindo pela altura ao quadrado o índice de massa livre de gordura dele dá aproximadamente 24,1. Num estudo com 157 atletas, os que nunca tinham usado esteroides ficaram todos abaixo de 25, e os usuários iam de 25,4 a 32,4. É uma régua descritiva e não uma barreira física, mas serve de referência. Ou seja, diferente do padrão do fórum, ele não estava longe do teto natural. Estava perto dele. Isso muda o argumento. Não dá para dizer a ele que estava desperdiçando anos de ganho fácil, porque não estava. O que muda tudo é outro número: ele tinha 19 anos. E é aí que está o ponto principal deste tópico. Aos 19 anos, a produção natural de testosterona está no pico da vida inteira, e o eixo hipotálamo hipófise testículo terminou de amadurecer há pouco tempo. Ele estava suprimindo com 600 mg semanais exatamente o sistema que estava rendendo mais do que renderá em qualquer momento futuro. E há um agravante prático: os dados sobre recuperação do eixo após uso de androgênio vêm majoritariamente de homens adultos. Em quem começa muito jovem, a informação é mais escassa, e o risco de recuperação incompleta é justamente a variável que ele não tem como estimar. Alguém que chega a um índice de 24 aos 19 anos, sem nunca ter usado nada, é a pessoa que menos precisava e a que mais tinha a perder. Agora os pontos técnicos do protocolo. Sobre iniciar a terapia pós ciclo 30 dias após a última aplicação, que ele levantou: com enantato, cuja meia vida é de sete a oito dias, trinta dias correspondem a cerca de quatro meias vidas. Ainda resta droga, mas em nível baixo. É um prazo razoável. Só que prazo é convenção. O que responde de verdade é exame: depois desse intervalo, dosar LH, FSH e testosterona total. Se o LH voltou, o eixo religou. Se não voltou, aí existe indicação de tratamento, com médico. Terapia pós ciclo não é uma lista de comprimidos, é a resposta a uma pergunta. Sobre o clembuterol que ele usava junto, dois pontos. O primeiro é a meia vida, que em pessoas fica entre 26 e 39 horas. Ela é longa, e por isso os esquemas de dois dias tomando e dois parando não limpam o organismo, apenas reduzem parcialmente o que ficou. O segundo é o potássio. O clembuterol empurra potássio para dentro das células e derruba o potássio do sangue, e é isso que produz a cãibra que aparece em quase todos os relatos. Potássio baixo é o que gera arritmia. Cãibra intensa, fraqueza muscular, palpitação e batimento irregular são motivo de parar e dosar sódio, potássio e creatinina. E vale registrar que ele reportou, na segunda semana, dores de cabeça leves e o estresse lá em cima. Dor de cabeça em quem usa testosterona pede duas verificações baratas: pressão arterial aferida em casa e hemograma com hematócrito. Testosterona eleva a produção de glóbulos vermelhos, e homens em tratamento têm cerca de quatro vezes mais chance de ultrapassar 50 por cento, com orientação de suspender acima de 54. É silencioso. Sobre o Glicopan que ele mencionou, uma observação que vale para toda essa categoria. É produto de uso veterinário. Os limites de esterilidade, de partículas e de endotoxina desses produtos são fixados considerando a espécie, o peso e a expectativa de vida do animal de destino. São adequados para o fim a que se destinam, e é exatamente isso que os torna inadequados para outro. E há um detalhe que faz diferença: vários tônicos veterinários dessa família trazem, além de vitaminas e aminoácidos, substâncias com ação farmacológica própria que não se espera de um polivitamínico. Quando não se consegue confirmar exatamente o que há dentro da ampola, a informação que falta não é um detalhe, é a informação principal. Agora respondendo ao @Heverton Francisco, que escreveu em 2017 e recebeu apenas a orientação de abrir tópico próprio. Ele informou 27 anos, 64 kg e percentual de gordura de 4 por cento, e disse querer crescer. Esses números não fecham, e vale explicar por quê, porque isso muda a decisão dele. A gordura essencial no homem, ou seja, a que compõe membranas, sistema nervoso e órgãos e sem a qual o organismo não funciona, fica em torno de 3 a 5 por cento. Quatro por cento é o patamar de um fisiculturista no dia da competição, mantido por poucos dias e com custo alto. Alguém que está nesse percentual não está postando dúvida sobre como crescer: está sob preparação e com acompanhamento. O mais provável é que a medida tenha vindo de bioimpedância ou de adipômetro mal calibrado. E isso importa porque, se ele acredita estar com 4 por cento, ele vai concluir que só falta massa e vai atrás de farmacologia. Se o número real for 12 ou 15 por cento, a conclusão é outra, e o caminho é comida e treino. Para 64 kg, o que resolve é superávit calórico consistente, proteína em torno de 1,8 a 2 g por quilo e carga registrada. E medir com fita métrica e foto em vez de aparelho. Duas observações finais. A primeira é sobre a preocupação com o abdome que atravessou várias mensagens. O @Everton Santos deu a resposta certa: no meio de um bulking não dá para encanar com barriga. E vale acrescentar que abdominal com peso, que foi sugerido, fortalece o músculo e não retira a gordura que está por cima dele. O estudo que testou isso diretamente, com sete exercícios abdominais cinco dias por semana durante seis semanas, não encontrou redução da gordura subcutânea da região. A segunda é sobre a expressão endomorfo, que apareceu no meio da conversa. Os somatotipos vêm de uma classificação dos anos 1940, baseada em observação visual, sem consistência entre avaliadores, e foram abandonados porque não predizem resposta metabólica nem resposta a dieta. O que costuma explicar a diferença entre quem ganha limpo e quem ganha gordura é o tamanho do superávit, e isso é modificável. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Ciclo curto (CUTTING) - 6 semanas - Stanozolol + Enantato de testosterona
O @Soul. fez nesse tópico a observação farmacológica mais precisa da conversa, e ela merece ser confirmada, porque continua valendo e quase ninguém sabe. Ele disse que a efedrina e o clembuterol fecham os mesmos receptores beta adrenérgicos, e que por isso alternar um no período off do outro não traz vantagem, porque não há o descanso necessário para os receptores. Está correto. Os dois são simpaticomiméticos que agem sobre os mesmos receptores beta, e a tolerância que aparece em poucas semanas de uso vem justamente da redução da sensibilidade desses receptores. Alternar entre duas substâncias que ocupam a mesma via não dá folga a nada: para o receptor, é uso contínuo. A conclusão prática dele também estava certa: escolher um dos dois, e usar o intervalo como intervalo de verdade. Agora a justificativa que o @Bernardo1 deu para manter o clembuterol, que era usá-lo não só para reduzir gordura mas para manter o anabolismo muscular. O efeito anabólico do clembuterol está bem demonstrado, mas em animais de produção, que é onde ele foi estudado a fundo e onde é usado. Em pessoas, a evidência de preservação de massa magra é fraca. E há um custo que precisa entrar na conta: nos modelos animais, o clembuterol produz hipertrofia do músculo cardíaco e alteração fibrótica. Não é um efeito colateral de bula distante, é o efeito mais estudado dele fora do músculo esquelético. Somando: o benefício muscular alegado é o menos comprovado, e o custo cardíaco é o mais comprovado. Agora um ponto que ninguém comentou e que me preocupa mais do que tudo no relato dele. Ele escreveu que as cãibras estavam suaves porque tinha voltado a usar Slow K, que tinha guardado na caixa de remédios. Slow K é cloreto de potássio, e é medicamento de prescrição. Tomá-lo por conta, para tratar cãibra, sem dosar o potássio, é arriscado nos dois sentidos. O clembuterol realmente empurra potássio para dentro das células e derruba o potássio do sangue, então a intenção fazia sentido. O problema é o excesso: potássio alto produz arritmia, e os sintomas iniciais dele são praticamente os mesmos do potássio baixo, ou seja, fraqueza muscular, formigamento e palpitação. Ou seja, quem se guia por sintoma não consegue distinguir se está corrigindo ou piorando. O exame é sódio, potássio e creatinina, custa pouco, e é ele que diz se há o que repor. E há um agravante no dia que ele descreveu: 400 mg de cafeína, clembuterol e aeróbico em jejum, tudo na mesma manhã. Quatrocentos miligramas de cafeína já é o limite diário considerado seguro para adulto saudável, tomado de uma vez, somado a um beta agonista. Os sinais de parar e procurar atendimento: palpitação que não passa, batimento irregular, dor no peito, falta de ar, cãibra intensa, fraqueza muscular importante e sensação de desmaio. Respondendo ao @Ricardo13, que perguntou em 2015 e nunca foi respondido. Ele contou que teve uma febre forte na segunda semana de enantato. Febre depois de aplicação não é efeito esperado da testosterona e merece atenção. As duas hipóteses principais são infecção no local, que vem com vermelhidão que se expande, calor e dor que piora a partir do terceiro dia, e reação sistêmica ao veículo ou ao produto. Em qualquer das duas, é avaliação médica no mesmo dia, e é preciso informar ao médico exatamente o que foi aplicado, porque sem isso o quadro não faz sentido para quem está atendendo. Sobre a afirmação do @jonaspaixao de que o stanozolol acaba com as articulações, ele tem razão no fenômeno e vale a explicação. O stanozolol não aromatiza. Ou seja, ele não gera estradiol. E estradiol tem papel no conforto articular, na lubrificação e na síntese de colágeno. Usar um androgênio que não aromatiza, ainda mais em dose alta e associado a corte calórico, costuma produzir exatamente a queixa de articulação seca e dolorida. Onde eu discordo dele é no resto. Ele sugeriu subir a testosterona para pelo menos 600 mg e acrescentar deca num protocolo de corte, argumentando que corte é para perder gordura e não retenção. A nandrolona é 19 nor, com atividade progestogênica que eleva prolactina, e o que ela faz por articulação é aliviar a dor, não fortalecer o tendão. Ou seja, ela apaga o aviso que impediria o excesso de carga. Sobre a sugestão do @teteumendes, de clembuterol com T3, e o exemplo que ele citou. O T3 exógeno em pessoa com tireoide normal desliga a produção própria, e a perda de peso que ele produz inclui gordura, massa muscular e massa óssea ao mesmo tempo. Combinado com clembuterol, soma-se estímulo adrenérgico a um estado equivalente a hipertireoidismo leve, e o risco cardíaco é o ponto de encontro dos dois. E vale dizer, com respeito, que o exemplo escolhido não sustenta o argumento: o rapaz citado morreu aos 22 anos de parada cardíaca, e a autópsia apontou um defeito cardíaco congênito. Uma morte súbita jovem é o contrário de um endosso de protocolo. Duas correções menores. A primeira é sobre o endomorfo do primeiro post. Os somatotipos vêm de uma classificação dos anos 1940, feita por observação visual, sem consistência entre avaliadores, e foram abandonados porque não predizem resposta metabólica nem resposta a dieta. O que ele descreveu, ganhar muita gordura no bulk, tem explicação mais simples e modificável: o tamanho do superávit. Superávit de 250 a 350 kcal produz ganho lento e limpo; superávits maiores produzem o que ele descreveu. A segunda é sobre a oxandrolona em 60 a 80 mg por dia sugerida no início. A bula vai de 2,5 a 20 mg, e os 20 mg são o teto. Além disso, a resposta não cresce proporcionalmente à dose, porque os receptores saturam, enquanto a sobrecarga hepática e a queda de HDL continuam subindo. E, sobre o comentário de que ele deveria entrar logo em blast e cruise, a resposta que ele mesmo deu foi a mais lúcida do tópico: quero ter filhos e prezo pela minha produção de espermatozoides. Vale acrescentar o dado que fundamenta isso. Testosterona exógena suprime a espermatogênese, e a recuperação após uso contínuo prolongado leva de seis meses a dois anos, com uma minoria que não recupera totalmente. Ele estava certo, e a decisão dele foi a mais bem fundamentada que apareceu aqui. Por fim, para o @Bils, que contou ter perdido 34 kg em seis meses e ficado com pele sobrando: a retração é parcial e leva de um a dois anos, e depois de uma perda dessa magnitude é frequente sobrar excesso que não retrai. Se isso acontecer, não é falta de paciência: existe indicação médica de dermolipectomia quando há repercussão funcional. Trinta e quatro quilos em seis meses é uma conquista enorme, e vale saber disso antes para não se frustrar depois. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Deca + Dura + Oxan Ciclo criado e acompanhado por médico
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Volume de treino: por que mais séries nem sempre dão mais resultado
Acrescentar séries é uma solução fácil de enxergar na planilha. Saber se elas estão produzindo o estímulo certo exige olhar para a execução. Dez repetições que terminam com muita sobra não representam o mesmo esforço que dez repetições perto do limite, mesmo quando o peso e o exercício são iguais. E uma série que seria produtiva para hipertrofia pode acumular fadiga demais para quem precisa saltar mais alto ou acelerar melhor. Em “Qualidade sobre quantidade: por que mais volume não salva um treino sem esforço”, Paulo Gentil defende que a perda de velocidade ajuda a decidir quando continuar e quando interromper uma série. Sua orientação favorece preservar a velocidade para potência e sprints, enquanto dá maior importância à proximidade da falha para hipertrofia e resistência. A preferência por levar séries à falha, porém, precisa ser separada da ideia de que isso seria obrigatório para qualquer resultado. [1] Carga, esforço e velocidade são coisas diferentesA carga é o peso movimentado. O esforço depende de quanto aquele trabalho exige da capacidade disponível naquele momento. Já a velocidade descreve a rapidez do movimento. Confundir essas três variáveis cria discussões em que duas pessoas usam a palavra “intensidade” para falar de coisas diferentes: uma pensa no percentual da carga máxima, a outra pensa em quão perto está de não conseguir fazer mais uma repetição. Considere três exemplos hipotéticos: uma carga com a qual seria possível fazer 100 repetições, outra que permitiria 12 e outra que permitiria cinco. O peso mais pesado tende a se mover mais devagar desde o início. Ainda assim, cada série pode começar com a maior velocidade que a pessoa consegue imprimir àquela carga. Esses números ilustram capacidades diferentes, não uma recomendação de realizar séries de 100 repetições. Quando a intenção é manter essa velocidade, a repetição pode ficar mais lenta conforme o esforço se acumula. A pessoa continua tentando acelerar, mas já não consegue a mesma resposta. No limite, não completa outra repetição dentro das condições estabelecidas para o exercício. Começar a 100% da velocidade possível com uma carga não significa usar 100% de uma repetição máxima. Também não significa estar descansado para sempre: a capacidade muda durante a série e entre as séries. O que é treinamento baseado em velocidadeO Velocity Based Training, ou VBT, usa a velocidade de movimento para orientar o treinamento. Uma de suas aplicações é encerrar a série quando a velocidade cai até um limite estabelecido. O foco deixa de ser apenas completar uma contagem e passa a incluir o desempenho de cada repetição. [2] Existe uma condição essencial para interpretar isso: ficar lento por fadiga é diferente de escolher uma cadência lenta. Reduzir a velocidade de propósito não demonstra proximidade da falha. Comparações também ficam pouco úteis se a pessoa muda a amplitude, a técnica ou a intenção de acelerar de uma repetição para outra. Observar o movimento ajuda a perceber mudanças evidentes, mas não substitui uma medição quando a prescrição depende de um percentual exato de perda de velocidade. Não é possível olhar uma série e concluir com precisão que houve 20% de perda ou que resta exatamente uma repetição. [2] Potência e salto: parar antes pode preservar o que você quer melhorarPara saltar mais alto, é preciso produzir força rapidamente. Uma sequência que começa explosiva e termina arrastada já não oferece a mesma qualidade de repetição. Isso importa para atacar uma bola no futevôlei, disputar uma cabeçada no futebol ou alcançar mais altura no basquete. Um exemplo prático ajuda a organizar a sessão: na primeira série, dez repetições permanecem rápidas. Na seguinte, a desaceleração aparece na sétima ou na oitava. Se a prioridade é potência, insistir em completar dez a qualquer custo troca parte da qualidade buscada por mais fadiga. A contagem serve ao objetivo, não o contrário. Depois de descansar, vale reavaliar a capacidade de repetir o movimento. Se a velocidade continua caindo, pode ser necessário reduzir o trabalho daquele bloco. Isso não significa que toda pequena oscilação exija encerrar o treino, nem que exista um número fixo de repetições rápidas para todos. Um estudo comparou perdas de 20% e 40%Pareja-Blanco e colaboradores acompanharam 22 homens durante oito semanas de treinamento de agachamento. Um grupo encerrava as séries com perda de velocidade de 20%, e o outro, de 40%. O primeiro melhorou a altura do salto em 9,5%, contra 3,5% do segundo, apesar de realizar aproximadamente 40% menos repetições. Os ganhos de força no agachamento foram semelhantes. [3] O grupo de 40% teve maior hipertrofia em partes do quadríceps. Portanto, a diferença entre os protocolos não cabe numa classificação de treino “bom” e “ruim”: os resultados mudaram conforme a capacidade avaliada. Esses percentuais pertencem ao experimento, não são limites universais para copiar. [3] A mesma lógica de preservar ações rápidas pode orientar o planejamento de um soco ou chute isolado. Isso é uma aplicação do raciocínio sobre potência, não uma demonstração de que o estudo de agachamento testou golpes ou garantiu melhora no combate. A técnica específica continua fazendo parte do resultado. Sprints curtos: a distância e o descanso precisam combinar com o esporteGanhar velocidade em poucos metros não é a mesma tarefa que suportar uma sequência longa de esforços. Para um atacante chegar primeiro à bola, um defensor alcançar o adversário ou um jogador de basquete completar um contra-ataque, o resultado desejado é percorrer a distância relevante em menos tempo. Não se deve transferir automaticamente esse raciocínio para provas de 100 ou 200 m. A duração do esforço, a distribuição de velocidade e a fadiga mudam. Também é necessário separar a melhor arrancada isolada da capacidade de repetir várias arrancadas durante uma partida. A distância deve nascer da tarefa. No exemplo de um lateral que percorre 40 m, a necessidade pode ser diferente da de um centroavante que disputa espaço dentro da área. No futevôlei, os deslocamentos para salvar uma bola ou chegar à rede são curtos. Usar 20 m para todos, apenas porque é uma distância fácil de marcar, pode perder essa especificidade. Uma sequência simples para avaliar a qualidade das arrancadasDefina o percurso relevante: considere o espaço realmente percorrido na modalidade e na função do atleta. Faça uma tentativa com intenção de máxima velocidade: mantenha condições comparáveis de saída, superfície e distância. Descanse e repita: se a nova tentativa já está mais lenta, investigue se a pausa foi insuficiente. Reavalie o volume: se, mesmo ampliando o descanso, o desempenho cai depois de três ou quatro tentativas, insistir pode transformar uma sessão de velocidade em trabalho de tolerância à fadiga. Três ou quatro tentativas são um exemplo de como a queda pode aparecer, não uma quantidade máxima obrigatória. O critério é a capacidade de reproduzir a qualidade planejada. Força máxima e aprendizagem técnica não exigem exaustão constanteLevantar a maior carga possível quando se está descansado é uma tarefa diferente de repetir um peso muitas vezes. Supino, agachamento e levantamento terra ilustram essa distinção. Em um teste físico que exige uma ou duas barras, conseguir a primeira repetição também pode ser, antes de tudo, um desafio de força relativa. Uma ou duas barras para cumprir uma exigência e aumentar o máximo de barras são problemas diferentes. O primeiro pode exigir desenvolver a capacidade de realizar um esforço breve. O segundo acrescenta a necessidade de sustentar repetições. A prescrição deve considerar a tarefa concreta e, quando houver concurso, as exigências do edital aplicável. A relação entre proximidade da falha e ganho de força é menos clara do que para hipertrofia. Nas análises exploratórias de Robinson e colaboradores, publicadas em 2024, os ganhos de força foram semelhantes em uma faixa ampla de repetições em reserva. Isso ajuda a explicar por que terminar séries antes da falha pode fazer parte de um treino de força produtivo. [4] Aprender um gesto e executá-lo cansado são etapas distintasA peitada no futevôlei depende de impulsão, inclinação do corpo, posição de contato e tempo de chegada da bola. A coordenação dos braços num salto e a organização da passada numa arrancada também precisam ser aprendidas. Produzir força é apenas uma parte dessas tarefas. Tentar ensinar um chute rodado ou um movimento acrobático a alguém já exausto dificulta manter a execução que se pretende desenvolver. Para aprender, é útil repetir tentativas de boa qualidade, com fadiga compatível com essa exigência. Depois que o gesto está dominado, pode haver espaço para praticá-lo sob fadiga, se isso fizer parte das exigências da competição. A exceção não elimina a necessidade de planejamento: aumentar a dificuldade dessa forma altera o custo da sessão e pode exigir mais recuperação antes de repetir o mesmo trabalho. Resistência muscular: repetir mais não é o mesmo que levantar maisNa resistência muscular, a pergunta é quantas repetições a pessoa sustenta com determinada carga. Barras, flexões e abdominais de um teste físico, assim como tarefas de repetição no CrossFit, ilustram essa capacidade. Imagine uma tarefa de dez repetições com uma carga que você conseguiria repetir 50 vezes. Ela tende a consumir uma parcela menor da capacidade disponível do que consumiria se dez já fossem o seu limite. Os números são hipotéticos, mas mostram por que ampliar a capacidade de repetição pode deixar mais reserva para etapas seguintes. Isso não autoriza concluir que toda série de resistência deva terminar na falha. A revisão de Jukic e colaboradores não encontrou relação significativa entre maior perda de velocidade e maiores ganhos de resistência muscular. O exercício, a carga e a forma de avaliar as repetições precisam entrar na decisão, em vez de usar exaustão como regra única. [2] Hipertrofia: esforço suficiente importa, mas falhar não é obrigação em toda sériePara ganhar massa muscular, interromper sistematicamente as séries com muita capacidade sobrando pode produzir um estímulo menor do que o esperado. A proximidade da falha merece atenção, especialmente antes de concluir que a solução é adicionar exercícios e séries. Repetições em reserva, ou RIR, representam uma estimativa de quantas repetições ainda seriam possíveis. Dizer que restariam duas significa estimar que seria possível completar mais duas nas condições daquele exercício. É uma ferramenta para pensar o esforço, não uma leitura infalível do corpo. Na meta-regressão de Robinson e colaboradores, a hipertrofia aumentou conforme as séries terminavam mais perto da falha. Entretanto, as repetições em reserva foram estimadas a partir da descrição dos protocolos, e a análise era exploratória. O resultado sustenta a importância do esforço sem determinar um RIR perfeito para todas as pessoas. [4] A revisão de Refalo e colaboradores, com 15 estudos, não encontrou superioridade clara da falha muscular momentânea sobre o treinamento sem falha. Também não demonstrou vantagem de perdas de velocidade acima de 25% em relação à faixa de 20–25%. Chegar suficientemente perto do limite e obrigatoriamente falhar em todas as séries são decisões diferentes. [5] O exemplo das dez repetições com 50 kgConsidere alguém que faça dez repetições com 50 kg e termine a primeira série com bastante sobra. Ao repetir a mesma tarefa, o esforço pode aumentar. Depois de duas, três ou até sete séries, a pessoa pode estar muito mais perto do limite, mesmo mantendo o peso e a contagem. Esse exemplo explica por que olhar apenas a planilha não basta. As séries não necessariamente custaram o mesmo esforço. Uma revisão útil seria perguntar se fazia sentido acumular tantas séries fáceis ou se seria melhor ajustar as primeiras para que cumprissem o objetivo com mais eficiência. Mas não se pode deduzir que uma série até a falha equivale a sete séries, nem que volume só produz resultado porque acumula fadiga. Quantidade de trabalho e esforço interagem. O ponto prático é avaliar ambos, sem tentar corrigir indefinidamente uma execução pouco exigente apenas aumentando o número de séries. A revisão principal reuniu 18 estudos agudos e 19 longitudinais. Nela, maiores perdas de velocidade se associaram a maior hipertrofia, mas essa associação deixou de ser estatisticamente significativa ao excluir dois grupos influentes. Além disso, fazer mais repetições e perder mais velocidade frequentemente ocorreram juntos. Separar o efeito do volume do efeito da proximidade da falha exige cautela. [2] Mais fadiga pode exigir menos frequênciaO esforço de hoje interfere no que será possível fazer amanhã. Isso vale tanto para quem deseja executar movimentos rápidos quanto para quem usa séries mais exigentes para ganhar massa muscular. Um esquema didático ajuda a visualizar essa relação: três séries submáximas com repetição após 24 horas, seis séries submáximas após 48 horas e três séries até a falha após 72 horas. A utilidade da comparação é mostrar que mudar a quantidade ou o esforço altera a recuperação. Esses intervalos não são um calendário universal nem uma autorização para repetir qualquer exercício diariamente. [1] Mesmo volume, recuperação diferenteMorán-Navarro e colaboradores estudaram dez homens treinados no supino e no agachamento. Compararam três séries de cinco repetições, seis séries de cinco e três séries de dez, sempre com uma carga que permitia dez repetições. Assim, seis séries de cinco e três séries de dez totalizavam as mesmas 30 repetições, mas somente a última configuração levava cada série ao limite. [6] As séries até a falha provocaram maior queda de desempenho e recuperação mais lenta, inclusive na comparação com volume igualado. As diferenças apareceram nas avaliações de 24–48 horas. O estudo acompanhou respostas até 72 horas, mas não estabeleceu que todo praticante precise exatamente desse tempo após qualquer treino até a falha. [6] Se a sessão seguinte começa mais lenta com a mesma carga e condições comparáveis, a sensação de estar disposto pode não contar toda a história. Vale rever o intervalo entre sessões, a quantidade de trabalho e a frequência. Uma queda isolada não diagnostica excesso crônico de treinamento, mas quedas repetidas merecem ajuste. Antes de adicionar séries, confira estas decisõesDefina o resultado: saltar mais alto, correr mais rápido, levantar mais peso, repetir mais vezes e ganhar músculo não são a mesma meta. Observe a execução: diferencie desaceleração involuntária de cadência escolhida e de mudança de técnica. Defina por que a série termina: preservar velocidade e chegar perto da falha são critérios diferentes, que devem combinar com o objetivo. Confira a recuperação: uma sessão que compromete sistematicamente a qualidade da próxima precisa ser revista. Deixe as técnicas avançadas para depois do básico: discutir drop-set ou rest-pause sem saber o esforço das séries comuns não resolve a falta de controle. Essa lógica também evita tratar toda pessoa da mesma forma. No acompanhamento de um idoso, por exemplo, desenvolver ações rápidas para a funcionalidade e manter disposição entre sessões pode pedir uma organização diferente daquela usada para recuperar massa muscular. A prioridade clínica, a capacidade atual e a supervisão profissional orientam o ajuste. Treino produtivo não precisa terminar sempre em exaustão. Também não basta parecer intenso: caretas, gritos, suor e desconforto não medem o estímulo de hipertrofia. A referência deve ser o trabalho realizado, o objetivo e a capacidade de progredir mantendo execução adequada. ConclusãoAntes de aumentar o volume, vale descobrir o que as séries atuais estão entregando. Para potência e velocidade, preservar repetições de boa qualidade pode ser mais importante do que prolongar o esforço. Para hipertrofia, a proximidade da falha merece atenção, sem transformar falhar em obrigação permanente. A melhor quantidade de treino é aquela que oferece estímulo suficiente e permite sustentar o progresso. Ajustar carga, esforço, descanso e frequência juntos é mais útil do que acrescentar séries sem critério. As quantidades apresentadas são exemplos didáticos ou protocolos dos estudos identificados, não uma ficha individual de treinamento. FAQMais séries sempre geram mais hipertrofia?Não. O resultado também depende do esforço, da organização do trabalho e da recuperação. Acrescentar séries sem entender a proximidade da falha pode aumentar o tempo e a fadiga sem resolver o problema do treino. Preciso chegar à falha em todas as séries?Não há obrigação universal. Treinar suficientemente perto do limite pode favorecer hipertrofia, mas a falha momentânea não mostrou superioridade clara em todas as comparações. [4, 5] Fazer a repetição devagar significa estar perto da falha?Não. A cadência pode ter sido escolhida. A desaceleração como sinal de fadiga faz mais sentido quando a pessoa tenta manter a velocidade, com condições de execução comparáveis. Por que parar uma série se ainda consigo continuar?Porque a meta pode ser preservar velocidade, potência ou qualidade técnica. Continuar até ficar exausto pode afastar a série desse objetivo. É obrigatório descansar 72 horas depois de treinar até a falha?Não. Exercício, volume, esforço e resposta individual influenciam a recuperação. O esquema de 24, 48 e 72 horas ilustra essa diferença, sem estabelecer uma regra para todos. [1, 6] Posso usar drop-set para compensar um treino pouco exigente?Antes disso, vale aprender a avaliar o esforço das séries comuns. Uma técnica avançada não substitui saber por que a série termina e como ela afeta a recuperação. ReferênciasGENTIL, Paulo. Qualidade sobre quantidade: por que mais volume não salva um treino sem esforço. YouTube, 1 set. 2026. 1 vídeo (30 min 36 s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ljbE8qS99s0. Acesso em: 5 set. 2026. JUKIC, Ivan et al. The Acute and Chronic Effects of Implementing Velocity Loss Thresholds During Resistance Training: A Systematic Review, Meta-Analysis, and Critical Evaluation of the Literature. Sports Medicine, v. 53, n. 1, p. 177–214, 2023. DOI: 10.1007/s40279-022-01754-4. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s40279-022-01754-4. Acesso em: 5 set. 2026. PAREJA-BLANCO, Fernando et al. Effects of velocity loss during resistance training on athletic performance, strength gains and muscle adaptations. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, v. 27, n. 7, p. 724–735, 2017. DOI: 10.1111/sms.12678. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27038416/. Acesso em: 5 set. 2026. ROBINSON, Zac P. et al. Exploring the Dose–Response Relationship Between Estimated Resistance Training Proximity to Failure, Strength Gain, and Muscle Hypertrophy: A Series of Meta-Regressions. Sports Medicine, v. 54, n. 9, p. 2209–2231, 2024. DOI: 10.1007/s40279-024-02069-2. Disponível em: https://pure.solent.ac.uk/en/publications/exploring-the-dose-response-relationship-between-estimated-resist/. Acesso em: 5 set. 2026. REFALO, Martin C. et al. Influence of Resistance Training Proximity-to-Failure on Skeletal Muscle Hypertrophy: A Systematic Review with Meta-analysis. Sports Medicine, v. 53, n. 3, p. 649–665, 2023. DOI: 10.1007/s40279-022-01784-y. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36334240/. Acesso em: 5 set. 2026. MORÁN-NAVARRO, Ricardo et al. Time course of recovery following resistance training leading or not to failure. European Journal of Applied Physiology, v. 117, n. 12, p. 2387–2399, 2017. DOI: 10.1007/s00421-017-3725-7. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28965198/. Acesso em: 5 set. 2026.
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Eduardo Correa: parar anabolizantes é voltar a ser natural?
Diminuir o corpo foi a parte mais visível. Recuperar a disposição, a vida sexual e a capacidade de treinar sem depender do mesmo suporte hormonal se mostrou muito mais difícil. Aos 45 anos, Eduardo Correa enfrenta uma transição que não cabe numa fotografia de antes e depois: interromper os anabolizantes depois de uma longa carreira no fisiculturismo, tentar ter outro filho e aprender a valorizar um físico que já não precisa vencer no palco. Em “A TRANSIÇÃO DE BODYBUILDING PARA PERFORMANCE!” e nas outras quatro publicações conectadas da série Metamorfose, ele expõe essa mudança por diferentes ângulos: consultas, treinamento, alimentação, exames e gastos. O conjunto revela uma transformação em andamento, com ganhos percebidos e dificuldades persistentes. Até os relatos de agosto de 2026, havia interrupção dos anabolizantes, tratamento de fertilidade e recuperação hormonal parcial. Não havia demonstração de um eixo funcionando sozinho nem uma decisão definitiva de permanecer sem reposição. [1–5] O segundo filho mudou o destino de uma pausa hormonalA interrupção começou em dezembro de 2025, motivada pelo desejo de ter o segundo filho com Carol Saraiva. Inicialmente, a ideia não era abandonar para sempre o físico mais volumoso. Eduardo admite que, se a gravidez tivesse acontecido em janeiro, fevereiro ou março, provavelmente teria voltado a usar anabolizantes e a aumentar o corpo. [4] A demora fez a pausa ganhar outro significado. Nos primeiros meses, ele percebeu menos impacto e atribuiu isso à presença residual dos medicamentos. Depois, a queda da testosterona veio acompanhada de dificuldades que já não podiam ser resolvidas apenas com disciplina: menos força, menos recuperação, redução da libido e cansaço para sustentar a rotina. Essa fase coincidiu com um período exigente de trabalho. Foram viagens por 15 estados nos quatro primeiros meses de 2026 para as seletivas da Casa dos Campeões. Em maio, ele comandava um projeto com aproximadamente 20 pessoas sob responsabilidade da equipe enquanto se sentia muito distante da condição hormonal à qual estava habituado. [4] A experiência anterior também não se repetiu. Para a primeira gravidez, cerca de cinco anos antes, ele relata ter interrompido os anabolizantes e usado hCG e clomifeno, com resposta mais rápida e sem FSH recombinante. Na nova tentativa, o processo ficou mais demorado e complexo. A passagem dos anos e a exposição acumulada fazem parte dessa história, mas o relato não permite atribuir toda a diferença exclusivamente à idade. [5] Testosterona alta durante o uso não significa produção própria preservadaDurante anos, havia uma grande diferença entre a quantidade de testosterona circulando no sangue e o funcionamento do sistema responsável por produzi-la. Eduardo recorda testosterona total na casa dos 4.800 ng/dL em setembro de 2023 e de 3.845 ng/dL em fevereiro de 2024, enquanto LH e FSH permaneciam muito baixos. Esses valores pertencem ao período de uso, não a uma produção natural excepcional. [4] O eixo hipotálamo–hipófise–testículos funciona por sinais. O hipotálamo libera GnRH, que estimula a hipófise. A hipófise produz LH e FSH. O LH estimula as células de Leydig a produzir testosterona, e o FSH participa do suporte à produção de espermatozoides, em conjunto com um ambiente testicular adequado. A testosterona administrada de fora pode reduzir esses sinais por retroalimentação negativa. [6, 12] Ao suspender o anabolizante, portanto, duas coisas podem acontecer ao mesmo tempo: a fonte externa diminui e a produção interna ainda não se recuperou. Também não basta trocar testosterona por outro esteroide anabolizante para evitar supressão. O problema não se limita a um nome de produto. De maio a agosto: melhora laboratorial ainda sob tratamentoNos exames que Eduardo apresenta, a evolução dos principais números é a seguinte. São resultados divulgados por ele em momentos e laboratórios diferentes, que precisam ser interpretados com o tratamento em curso. [4] Período Resultado divulgado O que ajuda a entender Histórico de 2022 a 2025 LH e FSH em torno de 0,1 a 0,3 Gonadotrofinas persistentemente muito baixas durante o uso. Valores próximos do limite do método não significam uma contagem literal de “zero hormônio”. Maio de 2026 Testosterona total de aproximadamente 141 ng/dL e livre de 2,55 ng/dL. LH de 0,6 e FSH de 0,8. O período que ele associa à pior disposição, libido e recuperação. Julho de 2026 Testosterona total de 182 ng/dL e LH de 1,4 UI/L. Resposta ainda limitada durante o acompanhamento. 20 de agosto de 2026 Testosterona total de 220 ng/dL e LH de 2,2 UI/L. Melhora em relação ao exame anterior, feito cerca de 26 dias antes, sem comprovar recuperação independente dos medicamentos. Testosterona total e testosterona livre não são a mesma medida. O resultado de 2,55 ng/dL corresponde à fração livre, não à total. Comparações entre exames também exigem conferir unidade, método e referência do laboratório. SHBG e albumina participam dessa interpretação, e um número isolado não resume toda a ação hormonal. [6] Também seria inadequado transformar 220 ng/dL em diagnóstico completo por conta própria. A diretriz da Endocrine Society exige sintomas compatíveis, concentrações consistentemente baixas e avaliação da causa, com confirmação laboratorial apropriada. No caso, a dificuldade de recuperação é uma queixa do próprio atleta, acompanhada de resultados que ele e sua equipe ainda consideram insuficientes. [4, 6] Sem anabolizantes, mas ainda com tratamento hormonalQuando Eduardo diz que deixou “todos os hormônios”, está se referindo à interrupção dos anabolizantes usados para sustentar o físico. A expressão precisa dessa precisão: hCG e FSH recombinante também são hormônios. Ele relata utilizar ambos, além de clomifeno, no tratamento de fertilidade, com intensificação nos três meses anteriores à atualização dos exames. Também menciona anastrozol no acompanhamento. [2, 4, 5] São intervenções com funções diferentes. O hCG atua no receptor de LH no testículo. O FSH recombinante fornece um estímulo relacionado à espermatogênese. O clomifeno é um modulador seletivo do receptor de estrogênio, usado em determinadas situações para favorecer a liberação de gonadotrofinas. A escolha depende do diagnóstico e da resposta clínica. [12] Isso explica por que um exame melhor sob medicação não responde sozinho à pergunta “meu eixo voltou?”. O próprio Eduardo observa que seu FSH saiu de aproximadamente 0,3 para 5 depois que começou a receber FSH recombinante. Encontrar o hormônio no sangue durante sua administração não demonstra que a hipófise retomou aquela produção de forma autônoma. [5] hCG não oferece uma garantia de fertilidade futuraEduardo reconhece que, depois de uma fase inicial em que utilizava hCG após campeonatos, passou a manter testosterona entre preparações, no chamado cruise, sem esse recurso. Ao rever o histórico, considera que havia subestimado as dificuldades de uma futura interrupção. Isso não permite concluir que outro esquema teria garantido recuperação. [4, 5] Um estudo frequentemente usado para explicar o mecanismo do hCG foi realizado por Coviello e colaboradores com 29 homens com fisiologia reprodutiva normal. Durante três semanas de supressão induzida por testosterona, doses de 125, 250 ou 500 UI de hCG em dias alternados produziram respostas diferentes de testosterona intratesticular. O desfecho foi a concentração dentro do testículo, não gravidez nem recuperação após décadas de uso. [9] Assim, a discussão sobre hCG durante o uso de anabolizantes não deve virar uma promessa de proteção. Nem hCG nem uma TPC garantem que será simples parar depois. Esses números descrevem um experimento, não uma orientação de aplicação. A indicação de qualquer medicamento exige profissional habilitado. [5, 9, 12] Libido e fertilidade: a pressão aparece dentro de casaO tratamento tinha como objetivo uma gravidez, mas justamente a vida sexual se tornou uma das áreas mais difíceis. Eduardo descreve dias em que não conseguia manter a relação como gostaria e outros em que tinha dificuldade para concluí-la. Tentar engravidar a esposa em uma fase de libido muito baixa acrescentava cobrança a um problema que já era físico e emocional. [4] O espermograma também mostra por que recuperar testosterona e recuperar fertilidade não são sinônimos. Ao comentar um exame de 16 de junho de 2026, ele informa concentração na faixa de 1,4 a 1,5 milhão de espermatozoides por mL. Relata ainda redução do volume ejaculado, de aproximadamente 4 mL para 1 mL, entre duas avaliações. Concentração por mL e quantidade total no ejaculado são informações distintas. [4] A possibilidade de gravidez depende de outros fatores, como motilidade, características dos espermatozoides e avaliação do casal. Esses resultados não autorizam declarar esterilidade definitiva, tampouco asseguram fertilidade restaurada. A programação de uma nova avaliação após cerca de três meses de tratamento refletia o tempo necessário para observar mudanças na produção espermática, sem prometer normalização naquele prazo. [4, 12] Carol acrescenta uma perspectiva que o espelho não mostra. Ela percebeu estresse muito grande e cansaço extremo no início. Mais adiante, passou a notar mais energia e, principalmente, motivação e satisfação com a transformação. Essa melhora percebida na convivência pode coexistir com exames ainda limitados e sintomas persistentes. [3] A dificuldade sexual não deve ser interpretada automaticamente pelo casal como perda de interesse pelo parceiro. No acompanhamento, precisam caber tanto a investigação hormonal e reprodutiva quanto a comunicação sobre expectativas, frustração e cansaço. Repor testosterona por conta própria para tentar resolver a disposição também pode conflitar com o objetivo reprodutivo, pois testosterona externa pode suprimir a produção de espermatozoides. [6, 12] A jaqueta escondia mais que a perda de volumeNa avaliação que abre a série, Eduardo pesa 88,6 kg. Ele lembra que a última vez em que esteve próximo desse peso foi em 2007. A distância em relação à imagem construída durante a carreira não era apenas numérica: ele conta que evitava sair sem jaqueta, mesmo com calor de 40 °C, para não expor o corpo menor. [2] Esse desconforto ajuda a entender por que interromper anabolizantes não é simplesmente aceitar perder alguns centímetros. Depois de anos sendo reconhecido pelo físico, diminuir pode parecer perder parte do que justificava o respeito dos outros. O medo de afastar a audiência também estava presente. A resposta positiva às novas publicações, porém, o surpreendeu e ajudou a sustentar a mudança. Carol percebia uma diferença menos dramática do que ele e lembrava que o físico fora de competição nem sempre mantinha a definição do palco. [2, 3] Ele interpreta a ligação com a autoimagem como uma das consequências mais difíceis do uso prolongado. É uma leitura da própria experiência, não um diagnóstico de dependência aplicável a qualquer fisiculturista. Mesmo sem os antigos 55 cm de braço, continua tendo experiência de competição, conhecimento e capacidade de ensinar. [3] A camisa do ex-jogador e o físico do ex-fisiculturistaUma lembrança de conversa com Diego Ribas ajudou a reorganizar essa identidade. Na comparação que Eduardo recupera, a camisa do time representa para o ex-jogador algo semelhante ao que o físico representa para o ex-fisiculturista. Deixar aquela “armadura” não apaga o que a pessoa aprendeu e construiu. [3] A mudança não vem acompanhada de uma renúncia à carreira. Ele diz amar o fisiculturismo, não se arrepender da trajetória e que faria tudo novamente. O que muda aos 45 anos é a necessidade de considerar como deseja chegar aos 50, 55 e 60 anos, em vez de manter o passado como única versão possível de si mesmo. Há uma tensão que permanece. Carol observa mais liberdade alimentar nos fins de semana, mas reconhece no cotidiano a mesma pressão para cumprir tudo. Ele ainda insiste em fazer cardio quando está cansado. A disciplina que construiu o atleta pode ajudar a manter hábitos, mas precisa abrir espaço para recuperação quando o corpo já não responde como antes. [3, 4] Reaprender a treinar devolveu uma forma de progressoPerder força, massa e pump — a sensação de musculatura cheia durante o treino — tornou injusta a comparação diária com o auge. Mesmo após melhorar alguns exames, Eduardo relata que a recuperação muscular não mudou tanto quanto gostaria. A saída prática foi encontrar outras capacidades em que pudesse avançar. [3, 4] No trabalho conduzido por Alex Souto Maior, o objetivo passa a incluir mobilidade, equilíbrio, controle do tronco, potência e coordenação. O acompanhamento online já durava aproximadamente um mês quando fizeram a sessão presencial de agosto. Ganhar amplitude num agachamento ou executar melhor uma flexão de quadril começou a produzir uma satisfação que antes dependia muito mais da carga e da aparência. [1] A avaliação inicial trouxe um resultado que evita outro estereótipo. Apesar de apoiar pouco os dedos dos pés, ele mostrou boa estabilidade na análise estática. A plataforma fazia a leitura de mais de 5 mil pontos em cinco segundos. Alex observou 107 cm² de contato em cada pé e oscilação lateral de aproximadamente 1,5 mm. Ser muito musculoso não significou, naquele exame, ser necessariamente instável. As dificuldades apareceram de outras maneiras quando a tarefa mudou. [1] Da mobilidade aos saltos: o que mudou na sessãoMobilidade adaptada: exercícios para quadril e coluna torácica entraram antes da parte principal. A limitação do cotovelo exigiu substituir um apoio que ele não conseguia realizar adequadamente. Elásticos com exigência real: um bloco usou deslocamentos laterais de 20 repetições e movimentos para frente e para trás de 16 repetições, com quatro séries previstas. O esforço surpreendeu mesmo sem as grandes cargas habituais. Estabilidade unilateral: equilibrar-se sobre uma perna revelou diferença de dificuldade entre os lados. A boa avaliação parado não eliminava a necessidade de aprender movimentos novos. Potência e controle: a sessão incluiu uma arrancada seguida de estabilização com kettlebell de 16 kg, além de agachamento com elástico e agachamento espanhol. Saltos e corrida adaptada: os saltos no tatame começaram com seis repetições e avançaram para oito. Depois, houve simulação de corrida na cama elástica, com blocos de aproximadamente um minuto e recuperação ativa. Esses exemplos pertencem a uma sessão supervisionada, ajustada às limitações dele. Não são um programa de retorno ao exercício para copiar. O joelho ainda provocava receio, e Eduardo mencionou incômodo em algumas execuções. A corrida na cama elástica também não significa que já estivesse correndo normalmente na rua. [1] A motivação está em tolerar a fase de aprendiz. Ele percebe que precisa de tentativas para entender um movimento e se anima com a possibilidade de executá-lo melhor na sessão seguinte. A referência deixa de ser apenas o corpo que perdeu e passa a incluir o que está aprendendo a fazer. Essa mudança tem um episódio concreto na vida familiar. Eduardo conta que um pedalinho começou a afundar quando estava com Carol e a filha. Depois de entrar na água, precisou esperar socorro segurando a criança. Ter condicionamento para lidar com uma situação assim passou a dar outro sentido à força: estar disponível para a família também fisicamente. [2] Coração e recuperação precisam de acompanhamento, não de adivinhaçãoA nova rotina veio acompanhada de avaliação cardiopulmonar, ecocardiográfica e vascular. A Dra. Renata Castro considerou satisfatórios o teste de esforço, a resposta da pressão e outros parâmetros avaliados. A estimativa de idade vascular foi de 37 anos, frente aos 45 anos de idade cronológica. É um resultado favorável daquele método, não a demonstração de que todo o organismo rejuvenesceu oito anos. [2] O contraste com o estudo de Castro e colaboradores ajuda a dar contexto. Em 25 homens que usavam esteroides, a idade cronológica média foi de 38 anos e a idade vascular estimada, de 46 anos. Publicado em 2025, o trabalho encontrou uma associação em uma amostra pequena de um serviço particular. Não permite prever individualmente o resultado de quem usa ou interrompe anabolizantes. [10] O Dr. João Giffoni enfatiza a comparação de Eduardo com ele mesmo ao longo do tempo, considerando peso, pressão, frequência cardíaca, medicamentos e tipo de treinamento. A avaliação complementar da dinâmica intracraniana também foi considerada normal pela médica. Nenhum desses resultados, isoladamente, encerra o acompanhamento ou comprova que todo possível efeito do uso anterior desapareceu. [2] As zonas do relógio não são iguais para todo mundoO uso de betabloqueador interfere na resposta da frequência cardíaca ao esforço, como os profissionais explicam durante a avaliação. Por isso, as zonas do relógio precisavam ser ajustadas ao teste individual. Não faria sentido copiar os batimentos de Eduardo, nem interpretar uma frequência aparentemente baixa como prova de treino leve. [1, 2] Na rotina diária, ele descreve 40 minutos de cardio, cinco vezes por semana, predominantemente em zonas 2 e 3, para não somar duas sessões muito exigentes no mesmo dia. Uma sessão de musculação registrada durou 1 hora e 24 minutos, com estimativa do relógio de 515 kcal e maior permanência nas zonas 3, 4 e 5. O gasto é uma estimativa do dispositivo, e esses dados explicam sua organização, não uma meta universal. [3] Também houve avanço na caminhada: ele compara os antigos 4,8 km/h, quando pesava perto de 110 kg, com a possibilidade de chegar a 6,0 km/h na nova fase. Isso não autoriza calcular quanto perdeu de músculo entre essas situações, pois peso corporal inclui água, gordura e outros tecidos. [2] A saúde cardiovascular continua exigindo cuidados. Na atualização sobre gastos, Eduardo afirma usar três medicamentos para o coração e esperar mantê-los a longo prazo. Um resultado melhor durante tratamento não é motivo para interrompê-lo por conta própria. [5] Ao rever o passado, ele também relata uma competição em que teria chegado a 200–205 batimentos por minuto em repouso, num quadro que descreve como desidratação, enquanto resistia a beber água apesar da intervenção dos paramédicos. Ele não apresenta esse episódio como motivo de orgulho. É um relato de risco e de prioridades que hoje reconsidera, não um diagnóstico cardíaco que possa ser confirmado à distância. [2] A dieta antiga deixou de servir ao corpo atualA alimentação também precisou acompanhar a transição. Eduardo percebeu que manter o padrão anterior favorecia ganho de gordura, enquanto sua massa corporal, seu treinamento e suas necessidades já haviam mudado. O ajuste foi feito com auxílio do nutricionista Gustavo Carvalho. [3] A mudança mais clara está na proteína: de aproximadamente 3,5–4 g por kg de peso por dia para 1,8–2,2 g/kg/dia. Não houve abandono da proteína, mas redução de uma quantidade que fazia parte de uma rotina competitiva. Na fase inicial, ele ainda descrevia cerca de 40% das calorias em proteína e 30% em carboidratos, reconhecendo dificuldade para alterar essa proporção. [2, 3] Também passou de cinco ou seis refeições para quatro refeições principais, mantendo duas medidas de whey entre o treino e a busca da filha na escola. Portanto, quatro refeições não significam apenas quatro ocasiões de ingestão. O que mudou foi o planejamento total, não uma regra segundo a qual comer menos vezes automaticamente emagrece. Como as porções foram reorganizadasNo café da manhã, aparecem seis claras e dois ovos inteiros, em vez das antigas oito a dez claras com dois ovos. Ele acrescenta três fatias de pão, aproximadamente 25–30 g de cottage, rúcula, 150 g de frutas, 50 g de iogurte e uma colher de sopa de farinha de linhaça. [3] No almoço, o exemplo é 150 g de arroz, 60 g de feijão e 180 g de frango, com vegetais e uma colher de azeite. O prato chega perto de 800 g porque há bastante volume de alimentos, especialmente vegetais. Peso do prato e quantidade de calorias não são a mesma coisa. No jantar, usa 200 g de arroz e 180 g de peixe, vegetais e meio abacate, substituindo a fonte de gordura do almoço. O jantar também fica próximo de 800 g no prato. Os pesos de arroz, feijão e carnes descrevem alimentos sendo servidos, não quantidades equivalentes desses alimentos crus. Para a última refeição, uma opção é a panqueca com quatro claras, dois ovos inteiros, 120–130 g de batata-doce, 40 g de banana, 100 g de morango e uma medida de whey. Há alternativas com wrap, mingau acompanhado de omelete ou iogurte com proteína e frutas. A flexibilidade permite manter a organização sem exigir um cardápio único todos os dias. [3] A lição prática é recalcular as porções para a nova rotina e preservar refeições que ofereçam proteína, carboidratos, gorduras e fibras. Linhaça, azeite e abacate ajudaram a ampliar fontes de gordura que antes ele evitava. Isso não significa que acrescentar esses alimentos cure a supressão hormonal ou dispense o tratamento. Ele ainda relata melhora da digestão, depois de uma história de refluxo e hérnia de hiato, e afirma não estar usando medicamento para refluxo naquela fase. É um benefício percebido no conjunto de mudanças, não prova de cura da hérnia. As porções descritas foram calculadas para ele e não substituem avaliação nutricional individual. [3] R$ 72.560: a conta que não aparece quando alguém decide começarO custo financeiro dá dimensão à dificuldade de interromper o uso. Eduardo apresenta uma conta de R$ 72.560 para oito meses de hCG, FSH recombinante e clomifeno, equivalente a R$ 9.070 por mês na média do cálculo. São valores relatados por ele, com base nos preços e no consumo que informa, não uma tabela de preços atuais ou um orçamento obrigatório para qualquer pessoa. [5] Medicamento Base usada na conta pessoal Total para oito meses hCG R$ 631 por caneta, considerando uma por semana e 32 semanas. R$ 20.192 FSH recombinante R$ 3.075 por caneta, considerando duas por mês e 16 canetas. R$ 49.200 Clomifeno Caixa de dez comprimidos a R$ 65,59, arredondada para R$ 66. Seis caixas por mês, totalizando 48. R$ 3.168 Total Média mensal de R$ 9.070. R$ 72.560 A caixa de clomifeno durava cinco dias no consumo relatado de dois comprimidos por dia. Essa informação explica a despesa, mas não estabelece uma dose que o leitor deva usar. Canetas, cliques e comprimidos são apresentações comerciais, e não devem ser transformados em miligramas ou UI sem a concentração confirmada e a prescrição individual. O cálculo adota quatro semanas por mês para o hCG e usa os preços e o consumo declarados por Eduardo. Como ele também descreve ajustes no tratamento, com intensificação nos últimos três meses, essa média não estabelece a despesa exata de cada mês. [4, 5] Ficaram fora consultas, plano de saúde, exames, medicamentos cardiovasculares e outros produtos. O anastrozol também não entrou no subtotal dos três medicamentos. E, apesar do investimento, a testosterona total apresentada era de 220 ng/dL. Gastar mais não comprou uma recuperação completa ou um prazo garantido. Conseguir pagar os anabolizantes não significa conseguir pagar todas as consequências de usá-los e tentar interrompê-los. O preço da saída pode envolver meses de tratamento, queda de produtividade, desgaste sexual e adaptação emocional, além da farmácia. [4, 5] É possível voltar a ser natural depois de tantos anos?É possível interromper os anabolizantes e, em parte dos casos, recuperar a produção hormonal. Isso não é garantido nem apaga o histórico de uso. Três perguntas precisam ser separadas: a pessoa ainda usa anabolizantes? A produção hormonal se mantém adequada sem medicamentos de estímulo ou reposição? Seu histórico é o de alguém que nunca usou? No caso de Eduardo, a primeira resposta, segundo seus relatos, era que havia interrompido. A segunda continuava em aberto, porque os exames e os sintomas estavam sendo acompanhados durante tratamento. A terceira é inequívoca: sua trajetória inclui muitos anos de uso, independentemente da aparência atual. [2–5] Recuperar testosterona e espermatozoides pode levar tempos diferentesNo estudo prospectivo HAARLEM, com 100 homens, a testosterona se normalizou em até três meses após a interrupção na maioria, enquanto a recuperação da produção de espermatozoides levou mais tempo, aproximadamente um ano. Ao final do acompanhamento, 11% dos avaliados ainda tinham testosterona abaixo do normal. A amostra e o histórico desses participantes não permitem estabelecer um calendário para um ex-fisiculturista após uma carreira prolongada. [7] Outro estudo, de Kanayama e colaboradores, avaliou 24 ex-usuários de longa duração. Entre os 19 que não recebiam tratamento, cinco tinham testosterona abaixo de 200 ng/dL mesmo após três a 26 meses de abstinência. O trabalho também encontrou prejuízos sexuais e episódios depressivos associados ao período de retirada. É uma amostra pequena e selecionada, mas demonstra por que a recuperação não deve ser prometida como automática. [8] Na consulta de julho, Eduardo ainda pretendia tentar ao máximo sem reposição. Renata discutiu um horizonte de 18–24 meses em algumas avaliações de recuperação. Isso não é um prazo que todo paciente precise cumprir sofrendo sem assistência, nem uma garantia de normalização depois de esperar. Sintomas, resultados, fertilidade e resposta ao tratamento orientam as decisões. [2, 6] Um físico menor não equivale a nunca ter usadoO histórico também pode deixar adaptações musculares. Em um estudo com 25 homens, incluindo sete ex-usuários, Nielsen e colaboradores encontraram maior densidade de mionúcleos em fibras musculares do tipo II dos ex-usuários, em média geométrica quatro anos após a interrupção. O achado sugere persistência de adaptações celulares, mas não quantifica quanto músculo Eduardo conservará nem prova vantagem permanente em qualquer pessoa. [11] Interromper a exposição pode fazer parte de uma melhora real na saúde. O histórico de uso, porém, continua relevante para o acompanhamento e para interpretar as adaptações musculares que permanecem. Em agosto, Eduardo admite que provavelmente consideraria reposição de testosterona em níveis fisiológicos, conforme a evolução da fertilidade e da recuperação. Isso descreve uma possibilidade de tratamento, não um retorno anunciado a doses de competição. Ainda assim, TRT continua sendo testosterona externa. Não equivale a recuperar a produção própria nem deve ser iniciada por conta própria durante uma tentativa de gravidez. [4, 6] ConclusãoA transição de Eduardo mostra que deixar os anabolizantes pode exigir muito mais que aceitar um físico menor. Há a espera por uma resposta hormonal, as dificuldades sexuais, o custo dos medicamentos, a necessidade de treinar com outra capacidade de recuperação e o trabalho de reconhecer valor em si mesmo fora da imagem competitiva. Os avanços também são concretos: encarar movimentos novos, caminhar melhor, ajustar as refeições, sentir satisfação com outra forma de progresso e priorizar a família. Eles não anulam as dificuldades nem comprovam recuperação completa. A mudança mais importante é deixar de medir todos os resultados pelo tamanho do corpo. Até o fim de agosto de 2026, essa história permanecia aberta. A série documenta uma interrupção dos anabolizantes com tratamento e recuperação parcial, não uma transformação concluída em “natural”. Esta matéria é informativa e não substitui acompanhamento médico, nutricional ou de saúde mental. Os medicamentos e as quantidades descritos pertencem ao relato pessoal ou aos estudos identificados, não a uma prescrição para o leitor. FAQEduardo parou mesmo os anabolizantes?Ele afirma ter interrompido em dezembro de 2025 para tentar ter o segundo filho. Nos relatos de agosto de 2026, continuava em tratamento de fertilidade com medicamentos e discutia a possibilidade de futura reposição de testosterona. [4, 5] Quem para anabolizantes volta automaticamente a produzir testosterona?Não. A recuperação pode ocorrer, mas varia e pode permanecer incompleta. Os estudos mostram que alguns homens continuam com testosterona baixa meses ou anos depois. [7, 8] Melhorar LH e FSH durante tratamento prova que o eixo voltou?Não necessariamente. Medicamentos podem estimular esses sinais ou fornecer diretamente um deles, como o FSH recombinante. A avaliação deve considerar o tratamento em curso e se a função se mantém sem esse suporte. [5, 12] TRT é o mesmo que ser natural?Não. A reposição fornece testosterona de fora. Pode ter indicação clínica, mas não significa produção endógena recuperada e precisa ser discutida com atenção quando há desejo de fertilidade. [6] É inevitável perder todo o músculo construído com anabolizantes?Não é possível prever uma perda universal. Eduardo relata redução de massa, força e pump, mas permanece musculoso. O antes e depois não mede sozinho quanto mudou de músculo, gordura ou água. [2, 3] Todo tratamento para parar hormônios custa R$ 9 mil por mês?Não. R$ 9.070 é a média da conta pessoal apresentada por Eduardo para três medicamentos. Necessidades, esquemas, duração e preços variam, e o cálculo dele ainda exclui outros custos de acompanhamento. [5] ReferênciasCORREA, Eduardo. A TRANSIÇÃO DE BODYBUILDING PARA PERFORMANCE!. YouTube, 16 ago. 2026. 1 vídeo (62 min 31 s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Wnq3XbjOOl8. Acesso em: 5 set. 2026. CORREA, Eduardo. COMO ESTOU APÓS UMA VIDA USANDO SUCO! EPISÓDIO 1. YouTube, 31 jul. 2026. 1 vídeo (66 min 51 s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Fg4xpRzGqZE. Acesso em: 5 set. 2026. CORREA, Eduardo. CRIEI CORAGEM E MOSTREI O SHAPE! FULL DAY OF EATING. YouTube, 23 ago. 2026. 1 vídeo (52 min 23 s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=JGzijEGhXkk. Acesso em: 5 set. 2026. CORREA, Eduardo. RESULTADO APÓS UMA VIDA USANDO HORMÔNIOS. YouTube, 27 ago. 2026. 1 vídeo (30 min 35 s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=wT_XlbyIcB8. Acesso em: 5 set. 2026. CORREA, Eduardo. QUANTO GASTO TODO MÊS!. YouTube, 31 ago. 2026. 1 vídeo (17 min 13 s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=IZnrr-Ab1t4. Acesso em: 5 set. 2026. ENDOCRINE SOCIETY. Testosterone Therapy for Hypogonadism Guideline Resources. 19 mar. 2018. Disponível em: https://www.endocrine.org/clinical-practice-guidelines/testosterone-therapy. Acesso em: 5 set. 2026. SMIT, D. L. et al. Disruption and recovery of testicular function during and after androgen abuse: the HAARLEM study. Human Reproduction, v. 36, n. 4, p. 880–890, 2021. DOI: 10.1093/humrep/deaa366. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33550376/. Acesso em: 5 set. 2026. KANAYAMA, Gen et al. Prolonged hypogonadism in males following withdrawal from anabolic-androgenic steroids: an under-recognized problem. Addiction, v. 110, n. 5, p. 823–831, 2015. DOI: 10.1111/add.12850. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25598171/. Acesso em: 5 set. 2026. COVIELLO, Andrea D. et al. Low-dose human chorionic gonadotropin maintains intratesticular testosterone in normal men with testosterone-induced gonadotropin suppression. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, v. 90, n. 5, p. 2595–2602, 2005. DOI: 10.1210/jc.2004-0802. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15713727/. Acesso em: 5 set. 2026. CASTRO, Renata Rodrigues Teixeira de et al. Envelhecimento vascular em usuários de esteroides anabolizantes. Revista Brasileira de Hipertensão, v. 32, n. 1, p. 20–23, 2025. DOI: 10.47870/1519-7522/2025320120-23. Disponível em: https://s3.sa-east-1.amazonaws.com/the-hive-cms.production/a0ccb5e4-7703-4d9b-8275-9d636cf6f5c7/02093a77-7c15-411c-a4fd-e4264703bf1a. Acesso em: 5 set. 2026. NIELSEN, Jakob Lindberg et al. Higher Myonuclei Density in Muscle Fibers Persists Among Former Users of Anabolic Androgenic Steroids. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, v. 109, n. 1, p. e266–e273, 21 dez. 2023. DOI: 10.1210/clinem/dgad432. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37466198/. Acesso em: 5 set. 2026. AMERICAN UROLOGICAL ASSOCIATION (AUA). AMERICAN SOCIETY FOR REPRODUCTIVE MEDICINE (ASRM). Diagnosis and treatment of infertility in men: AUA/ASRM guideline part II. Fertility and Sterility, v. 115, p. 62–69, 2021. Disponível em: https://prod.asrm.org/practice-guidance/practice-committee-documents/diagnosis-and-treatment-of-infertility-in-men-aua-asrm-guideline-part2/. Acesso em: 5 set. 2026.
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Deca + Dura + Oxan Ciclo criado e acompanhado por médico
O @Bernardo1 resumiu a estranheza desse tópico melhor que ninguém, ao apontar que a deca começava em 200 mg, caía para 50 mg, voltava para 200 mg e depois sumia por uma semana. O @Arnold1989 e o @PaulH disseram a mesma coisa com outras palavras. Todos tinham razão em estranhar, e dá para explicar exatamente por quê. Não vou comentar quem prescreveu, porque é uma pessoa real e identificável, e o que interessa aqui é a farmacologia. Começo pela deca, que é o ponto mais claro. O decanoato de nandrolona tem meia vida de liberação do depósito muscular em torno de 6 a 12 dias, com atividade que persiste por duas a três semanas. Isso significa que a concentração no sangue em qualquer semana não reflete a dose daquela semana, e sim a média das duas ou três semanas anteriores. O organismo faz uma média móvel do que foi aplicado. Ou seja, aquele zigue-zague de 200, 50, 200, zero, 50 não produz no sangue o desenho que o cronograma sugere. Ele produz uma linha razoavelmente lisa em torno da média. A tabela parece precisa e, na prática, a variação semanal é quase toda absorvida pela farmacocinética. E isso vale como princípio geral: com ésteres longos, ajuste fino semana a semana não faz sentido. O que importa é a dose média ao longo de várias semanas. Agora o clomifeno, que aparecia da quarta à décima semana e que ninguém explicou. O clomifeno é um modulador seletivo do receptor de estrogênio. Ele funciona bloqueando o receptor no hipotálamo e na hipófise, o que retira o feedback negativo e faz subir LH e FSH. Só que, durante um ciclo com 1.000 mg de testosterona por semana, o LH e o FSH já estão completamente suprimidos, e a supressão vem do próprio androgênio exógeno, não do estrogênio. Não há feedback estrogênico a ser bloqueado que resolva isso. Ou seja, usado como manutenção do eixo durante o ciclo, ele não tem como funcionar. Ele teria alguma função como proteção contra ginecomastia, mas para esse fim o tamoxifeno é o mais usado e mais estudado. Sobre o tribulus, o @Arnold1989 estava certo. Revisão da literatura publicada entre 2002 e 2018 não encontrou suporte científico para o tribulus elevar testosterona sérica em homens. Existem ensaios mostrando alguma melhora de função sexual, o que é outra coisa, mas testosterona ele não eleva. Agora a dose principal, que foi o que mais chamou atenção do @Nandopw. Mil miligramas de durateston por semana em quem nunca tinha usado nada é dose muito alta para um primeiro contato, e ele estava certo em estranhar. O argumento contra não é moral, é prático: numa primeira vez, dose menor ensina qual é a sua resposta individual. Quanto você aromatiza, quanto o hematócrito sobe, como o humor reage, quanto de HDL você perde. Essa informação vale para todos os ciclos seguintes. Com dose alta de saída, você aprende menos e paga mais caro pelo aprendizado. Agora uma correção ao que o @PaulH escreveu, porque ela é importante e vai na direção contrária. Ele disse que não gosta de oxandrolona porque ela só faz efeito mesmo em 100 mg ou mais por dia. A bula da oxandrolona vai de 2,5 a 20 mg por dia, e os 20 mg são o teto. Cem miligramas é cinco vezes o máximo terapêutico de um 17 alfa alquilado. E existe uma razão pela qual subir tanto não entrega o que se espera: a resposta da oxandrolona não é linear com a dose. Passado certo ponto, os receptores já estão ocupados, e o que continua subindo é a sobrecarga hepática e a queda de HDL. Cem miligramas não entregam cinco vezes o resultado de 20 mg. A conclusão dele sobre custo e benefício da oxandrolona até procede, ela é cara para o que oferece. O caminho para essa conclusão é que precisava de ajuste. Agora o ponto que atravessa o tópico e que merece uma resposta cuidadosa. O @PaulH escreveu que faculdade de medicina não ensina ciclos, e que quem conhece de anabolizantes é quem usa. A primeira parte é verdadeira. Formação médica não cobre protocolos de uso recreativo, porque eles não existem como indicação clínica. A segunda parte é onde eu discordo, e o próprio tópico mostra por quê. A alternativa proposta pelo fórum foi 500 mg de dura com 400 mg de deca por dez semanas, apresentada como o básico. Esse número também não vem de evidência: vem de prática acumulada, que é uma fonte legítima de experiência e uma fonte fraca de segurança. E existe uma parte do problema que é inequivocamente médica, e foi justamente a que os dois lados deixaram de fora: hematócrito, perfil lipídico, função hepática, pressão arterial e a avaliação de recuperação do eixo depois. Nenhuma dessas coisas se aprende usando. Elas se medem. Vale registrar, aliás, que o autor fez a parte difícil: procurou médico, fez acompanhamento por exames de sangue e tinha nutricionista esportivo. O que faltou foi levar de volta ao prescritor as dúvidas que o fórum levantou, com as perguntas escritas. Um protocolo que o paciente não consegue explicar é um protocolo que ele não consegue executar corretamente. Respondendo à dúvida que ele fez logo no começo, sobre o que era HCG: é a gonadotrofina coriônica, que age como o LH e estimula diretamente os testículos, sendo usada para evitar a atrofia testicular durante o uso de androgênio exógeno. Ela não substitui a recuperação do eixo, porque não age na parte alta, no hipotálamo e na hipófise. E, sobre a dieta que ele descreveu, ela era boa: seis refeições com proteína e carboidrato, ajuste de índice glicêmico no pós treino, fontes de comida de verdade. Era, provavelmente, a parte mais bem feita do projeto inteiro. Por fim, sobre o que o @Thariwol e o @S.Ramos04 perguntaram anos depois, quando quiseram saber o final. Não houve final. E isso é o mais comum nos relatos daqui. Vale dizer o que isso custa: um relato sem desfecho não permite saber se o resultado se manteve, como foi a recuperação do eixo, o que aconteceu com o hematócrito e com o perfil lipídico, e se a pessoa faria de novo. Ou seja, ele guarda a parte empolgante e perde justamente a parte que serviria de aprendizado para quem vem depois. Quem fizer um relato aqui, o pedido é esse: volte no fim, mesmo que o resultado tenha sido ruim. Principalmente se tiver sido. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Ciclo Dura e Deposteron
O @Gamma fez uma pergunta nesse tópico que ficou sem resposta e que, no meu entender, é a mais importante de todas: qual era o objetivo da prednisona na lista de medicamentos. O @darthvader respondeu que não lembrava e que perguntaria na próxima consulta, e o assunto não voltou. Vale explicar por que essa pergunta importa tanto num relato de ganho de massa. A prednisona é um corticoide, e corticoide age no receptor de glicocorticoide, que é uma via completamente diferente da dos anabolizantes. Os efeitos dela sobre músculo são catabólicos: ela aumenta a degradação proteica e reduz a síntese, com perda preferencial de fibras do tipo dois, que são justamente as que hipertrofiam. Além disso, eleva a glicemia, redistribui gordura para tronco e face, e reduz densidade óssea. Ou seja, dentro de um protocolo montado para aumentar massa magra e reduzir gordura, ela puxa nos dois sentidos contrários. Isso não significa que a prescrição estivesse errada. Corticoide tem indicações legítimas, e o médico que o acompanha sabe de coisas que o tópico não conta. Significa que essa é exatamente a pergunta a levar ao retorno, e que a resposta muda a interpretação de todo o resultado. E há um cuidado que ele precisa conhecer: corticoide usado por período prolongado não pode ser interrompido de uma vez. Ele suprime o eixo da adrenal, e a retirada abrupta pode produzir insuficiência adrenal, com fraqueza intensa, náusea, vômito, tontura e queda de pressão. A suspensão é sempre gradual e orientada por quem prescreveu. Agora os números que ele postou, porque eles são bons e merecem leitura cuidadosa. Em um mês, de julho para agosto: peso de 77 para 77,4 kg, massa muscular de 32,5 para 34,1 kg, massa gorda de 19,8 para 17,9 kg, percentual de 25,7 para 23,1 por cento. Se isso fosse literal, seriam 1,6 kg de músculo ganho e 1,9 kg de gordura perdida em quatro semanas. Ganhar 1,6 kg de tecido muscular em quatro semanas está no extremo superior do que se observa mesmo com farmacologia, e perder 1,9 kg de gordura ao mesmo tempo torna a combinação ainda mais improvável. A explicação está no método de medida. Esses valores vêm de bioimpedância, que não mede músculo nem gordura: ela mede a resistência à passagem de uma corrente elétrica e estima composição corporal a partir da água corporal, assumindo uma hidratação padrão. E é justamente essa premissa que se quebra durante um ciclo. Testosterona aumenta a água intracelular e o glicogênio muscular, que traz água consigo. Como o aparelho lê água como massa magra, parte do músculo que apareceu era água. Isso não anula o resultado dele, que é real e apareceu também nas medidas de fita, que são melhores. Só significa que o número exato está inflado para o lado bonito, e que ele deve esperar uma correção quando parar. O mesmo vale para a taxa metabólica basal que o aparelho informou, de 2.105 para 2.155. Isso não é medido, é calculado por fórmula a partir da massa magra estimada. Se a massa magra está superestimada, a taxa também está. O que vale mais, e ele já tinha: fita métrica nos mesmos pontos, foto na mesma luz e a carga registrada no treino. Agora a discussão sobre misturar duas testosteronas, que o @Locemar levantou. Ele tem razão em dizer que não acrescenta nada, e vale explicar por quê: testosterona é testosterona, e o que muda entre durateston e deposteron é apenas o éster, ou seja, a velocidade de liberação. O que determina o resultado é a quantidade total de miligramas por semana e a estabilidade do nível. Então trocar de um para o outro no meio do ciclo não traz benefício. Também não traz prejuízo, desde que a dose semanal se mantenha e a transição respeite a meia vida mais longa. Nesse ponto específico, a decisão do médico não era errada, era apenas indiferente. Agora três dúvidas que ele levantou e que merecem resposta direta. A primeira: é possível ganhar gordura durante o ciclo? O @Locemar respondeu corretamente que sim, se estiver comendo mais do que deveria. Vale acrescentar o que desfaz a crença oposta, que aparece muito por aqui: androgênios melhoram modestamente a partição de nutrientes, ou seja, a proporção do excedente que vai para tecido magro. Eles não anulam o balanço calórico. Caloria em excesso continua virando gordura. A segunda: ele perguntou se fazer creatina durante o ciclo sobrecarregaria a saúde, depois que a nutricionista sugeriu aproveitar o momento. Pode ficar tranquilo. A creatina é o suplemento com melhor evidência de segurança e eficácia que existe, e não há interação conhecida com androgênios. Dois ajustes de conceito: não é preciso fazer ciclo de creatina, ela é de uso contínuo, e não é preciso fase de saturação. Três a cinco gramas por dia, todo dia, resolvem. A terceira: força não melhorou e ele estava pegando 80 por cento da carga habitual. O @Gamma deu a resposta certa ao perguntar em relação a quê. Ele mesmo contou depois que tinha mudado o treino para bisets com intervalos de 30 segundos. Bisets com intervalo curto reduzem a carga possível por definição, e comparar carga entre dois métodos diferentes não diz nada. Além disso, ele ficou nove dias sem treinar por causa da internação da filha. Duas observações que valem para o resultado dele. A primeira: náusea e dor de cabeça na quarta semana. Em quem usa testosterona, esses dois sintomas juntos pedem duas verificações baratas, aferição de pressão arterial em casa e hemograma com hematócrito. Testosterona eleva a produção de glóbulos vermelhos, e homens em tratamento têm cerca de quatro vezes mais chance de ultrapassar 50 por cento, com orientação de suspender acima de 54. É silencioso até deixar de ser. A segunda: reduzir carboidrato à noite não muda perda de gordura. O horário das refeições tem efeito pequeno ou nulo quando o total do dia é igual, e o que decide é o balanço. Se ele se sente melhor assim, tudo bem, mas não é a alavanca. E o @Locemar apontou o que de fato importava na dieta dele: ovo, óleo de coco e abacate somados dão bastante gordura para quem quer secar. Sobre o aeróbico em jejum que ele acrescentou: a oxidação de gordura durante o exercício é mesmo maior em jejum, e a vantagem é de aproximadamente 3 g de gordura por sessão, cerca de 27 kcal. Nos ensaios de composição corporal, a diferença desaparece. E o BCAA do pré treino não faz nada em quem já come proteína suficiente. O mesmo vale para aumentar a proporção de leucina isolada quando a proteína total já está adequada. Por fim, sobre a autoavaliação dele no fim do ano, quando não bateu a meta de ficar abaixo de 10 por cento e apontou os fins de semana como causa. Ele saiu de 25,7 para bem abaixo disso em seis meses, com acompanhamento médico e nutricional, exames, fotos e medidas registradas, tendo a filha internada no meio do caminho. O @Jmc resumiu bem: ciclo leve, resultado de longo prazo, e isso é bom porque exige disciplina e preserva a saúde. E ele fez a coisa mais rara do fórum: procurou profissionais antes, e não depois. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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2° Ciclo com Durateston
Volto a esse tópico por causa de uma mensagem de 21 de abril que recebeu a resposta errada, e ela é a mais séria de toda a conversa. O @PoolJack97 escreveu que tinha aplicado no ombro esquerdo, que desde então estava com dor chata e inchaço no ombro e no braço, que estava tomando ibuprofeno para aliviar, e que tinha começado a tomar amoxicilina e cefalexina. E perguntou o que indicavam. A única resposta que ele recebeu foi para comprar uma boldenona e aplicar junto. Vou responder o que deveria ter sido dito. Dor com inchaço que se espalha do ombro para o braço, dias depois de uma injeção, é quadro que precisa de avaliação médica presencial. As hipóteses que precisam ser afastadas são celulite e abscesso, e a diferença entre elas muda completamente a conduta. Sobre os dois antibióticos que ele começou por conta. Tomar amoxicilina e cefalexina ao mesmo tempo não soma benefício. Elas pertencem à mesma família, os beta lactâmicos, e cobrem espectro parecido. O que se soma são os efeitos adversos e o risco de selecionar bactéria resistente. E há um problema maior: infecção de pele e partes moles é causada, na esmagadora maioria dos casos, por estafilococo, e boa parte das cepas na comunidade é resistente justamente a esse tipo de antibiótico. Amoxicilina sem clavulanato é das opções com pior cobertura para estafilococo. Ou seja, ele provavelmente estava tomando dois remédios que não agiam sobre a bactéria mais provável. E, se houvesse coleção de pus, nenhum antibiótico resolveria sozinho. Abscesso se trata com drenagem, porque dentro de uma coleção de pus não há circulação e o antibiótico não chega em concentração útil. O antibiótico entra depois, como coadjuvante. O ibuprofeno, nesse contexto, é o terceiro problema. Ele derruba febre e reduz vermelhidão, que são exatamente os sinais que indicariam a gravidade. Alivia e apaga o alarme ao mesmo tempo. Os sinais que exigem pronto socorro no mesmo dia: febre, vermelhidão que se expande em vez de recuar, área que amolece no centro como se tivesse líquido dentro, saída de secreção, risco vermelho subindo pelo braço em direção à axila, e dor que piora a partir do terceiro dia em vez de melhorar. Agora a discussão sobre aplicar no deltoide, que ficou em aberto entre o @Juninho Júnior de um lado e o @Arnaldo Santos. e o @Kami Back do outro. Os dois lados têm parte de razão, e dá para fechar. Dizer para nunca aplicar no deltoide é forte demais. O deltoide é sítio padrão de injeção intramuscular na prática clínica, é onde se aplica a maioria das vacinas, e existe uma técnica estabelecida para localizá-lo. Só que o @Juninho Júnior está certo no fundamento, e o motivo é o volume. O deltoide é um músculo pequeno, e o volume máximo recomendado para injeção nele fica em torno de 1 ml, às vezes até 2 ml em adulto de porte maior. O glúteo e o vasto lateral aceitam bem mais. E o @PoolJack97 relatou ter aplicado 1,5 ml de um blend oleoso no deltoide, justamente porque o glúteo estava dolorido. Ou seja, ele injetou perto ou acima do limite de volume daquele músculo, em óleo, num músculo pequeno e já com o outro sítio inflamado. Isso aumenta muito a pressão no tecido, a chance de parte do volume ficar fora do músculo e a chance de reação local. A conclusão prática, portanto: o deltoide serve, com volume pequeno e técnica correta. Volumes maiores vão para glúteo, preferencialmente na região ventroglútea, e vaso lateral da coxa. E nenhum sítio recebe nova aplicação enquanto estiver dolorido ou endurecido. Vale registrar também que quem aplicava era a mãe dele, em formação técnica em enfermagem. Isso é melhor do que autoaplicação, e provavelmente evitou problemas piores. Agora o resto do relato, e aqui o @MC00 disse a frase mais importante do tópico. Ele escreveu que o @PoolJack97 não tinha shape para ciclar, que estava queimando fases e que, com quase dois anos de treino e aquele físico, estava errando em algo fundamental, a dieta. E a resposta foi a mais honesta que se pode dar: verdade, não tenho uma dieta boa. Esse é o tópico inteiro. Um rapaz de 20 anos, com 1,71 m e 66 kg, um ano e sete meses de treino, admitindo que a dieta não está boa, e resolvendo isso com testosterona, depois stanozolol, depois dianabol. E o desfecho confirma. Ele acrescentou stanozolol injetável em dias alternados, e depois dianabol em quatro comprimidos por dia, um a cada quatro ou cinco horas, subindo de 66 kg para 73 kg. Sobre esse dianabol: a dose original de bula do metandienona era de 5 a 10 mg por dia para homens. Quatro comprimidos de 10 mg dão 40 mg diários, ou seja, quatro a oito vezes a dose terapêutica de um oral 17 alfa alquilado, somado a um segundo oral alquilado, que é o stanozolol, e a testosterona injetável. Dois orais 17 alfa alquilados ao mesmo tempo é a combinação que mais carrega o fígado, e ninguém no tópico mencionou um exame. Os sinais de parada imediata: urina escura como chá, fezes claras, coceira sem lesão de pele, amarelado nos olhos, náusea persistente e cansaço desproporcional. E o stanozolol acrescenta o pior perfil lipídico de todos os androgênios, com redução de HDL da ordem de 33 por cento e elevação de LDL em torno de 29 por cento em estudo controlado. Isso é silencioso e só aparece em exame. Sobre os sete quilos ganhos: com dianabol e stanozolol na jogada, boa parte é água e glicogênio. Ele mesmo já tinha antecipado isso quando escreveu que depois faria dieta para tirar a retenção. E aqui está o problema desse plano, que é o mesmo de muita gente: comer tudo agora e organizar depois. Quem não conseguiu montar uma dieta em um ano e sete meses de treino natural não vai montá-la porque começou a injetar. A dificuldade é a mesma, e o custo de descobrir isso ficou maior. O @Arnaldo Santos. deu, no meio disso, o conselho mais aplicável ao caso dele: com 66 kg e 1,71 m, a prioridade não era montar dieta elaborada, era comer. Batata, ovo, atum, frango, arroz, massa. É o mais simples e o que ele mais precisava. Aos 20 anos, com um ano e sete meses de treino e 66 kg, ele estava a anos de distância do que consegue sem nada. Se quiser montar isso com número em vez de impressão, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Casal em projeto de evolução a longo prazo
O @Casal_projeto escreveu em agosto de 2019 uma frase que eles trataram como problema e que era, na verdade, o melhor resultado possível: perdemos medidas mas o peso continua o mesmo. Isso se chama recomposição corporal. Significa que gordura saiu e massa magra entrou, mais ou menos na mesma proporção, e por isso a balança não se moveu. É exatamente o que acontece com quem está começando, com proteína adequada e treino de força, e é o resultado que quem está há anos treinando não consegue mais obter. Eles conseguiram nas primeiras semanas e leram como estagnação. A medida certa para eles, portanto, é a que já estavam usando sem confiar: fita métrica na cintura, foto na mesma luz e no mesmo horário, e a roupa. A balança, nessa fase, é a informação menos útil das quatro. E isso responde diretamente a pergunta que ela fez no fim e que ficou sem resposta, quando disse que queria algo mais expressivo, tinha visto jejum intermitente e termogênicos e estava perdida. A resposta é que o processo já estava sendo expressivo. O que faltava era o instrumento de medida certo. Sobre jejum intermitente e termogênicos, já que ela perguntou. O jejum intermitente funciona como qualquer outra estrutura de dieta: pelo total calórico. Quando se comparam jejum intermitente e dieta convencional com as mesmas calorias e a mesma proteína, os resultados de composição corporal são semelhantes. Ele ajuda quem se adapta bem a comer em janelas, e atrapalha quem precisa distribuir proteína ao longo do dia. É preferência, não alavanca. Termogênicos entregam supressão de apetite e um pequeno aumento de gasto, e cobram no sistema cardiovascular. Para alguém que está tendo recomposição no primeiro mês, eles resolveriam um problema que ela não tem. Agora uma correção importante, sobre o critério que foi sugerido para acompanhar o progresso. Foi dito que, em 30 ou 45 dias, eles fizessem exame de urina para ver se apareceriam corpos cetônicos, e que se aparecessem estariam queimando gordura. Cetona na urina não mede perda de gordura. Ela indica que o corpo está produzindo cetonas, o que acontece quando o carboidrato está baixo. Só que produzir cetona e perder gordura são coisas diferentes: dá para estar em cetose comendo na manutenção e não perder nada, e dá para perder gordura rapidamente sem nenhuma cetona na urina. E a fita tem três problemas adicionais. Ela mede o que está sendo excretado, e não o que está circulando. O resultado varia muito com hidratação, ficando mais alto em quem está desidratado e mais baixo em quem bebe bastante água, que era justamente o que eles estavam fazendo. E, conforme o corpo se adapta, ele passa a usar as cetonas em vez de descartá-las, então a fita marca menos justamente quando a adaptação está melhor. Ou seja, é um instrumento que pode dar sinal forte num dia ruim e sinal fraco num dia bom. Fita métrica continua valendo mais. Agora o treino, que eles perguntaram três vezes. Eles descreveram um AB, cinco dias por semana, e desconfiaram que não fosse eficiente porque treinavam vários músculos no mesmo dia com dois exercícios cada, com apenas um dia de descanso, e chegavam ao treino seguinte sem terem se recuperado. Aqui vale separar duas coisas, porque a conclusão do tópico foi na direção contrária ao que os dados sugerem. O AB cinco vezes por semana faz cada grupo muscular ser treinado cerca de duas vezes e meia por semana. Isso é bom. A metanálise que comparou frequências, com volume semanal igualado, mostra que treinar cada grupo pelo menos duas vezes por semana produz mais hipertrofia do que uma vez. Ou seja, a divisão deles estava certa. Passar para ABCD, como foi sugerido, reduziria a frequência de cada grupo para uma vez por semana, que é a configuração com menor retorno. O problema real que eles descreveram não era a divisão. Era o que eles mesmos escreveram: tentar ir até o limite em tudo, cinco dias por semana, com um único dia de descanso. A correção, portanto, é de volume e de intensidade por sessão, não de estrutura. Levar até a falha real apenas a última série de cada exercício, e deixar as anteriores com uma ou duas repetições de reserva, resolve o problema de recuperação sem mexer na frequência. E a observação deles sobre as academias entregarem o mesmo programa para todo mundo é justa. Só que, no caso específico, a divisão que a academia deu estava melhor do que a alternativa proposta. Duas observações sobre os números da dieta. A primeira já tinha sido notada corretamente: os valores calóricos estavam trocados entre os dois. Fazendo a conta dos macros dela, 89 g de carboidrato, 169 g de proteína e 54 g de gordura dão aproximadamente 1.520 kcal, e não 1.740. A segunda é a proteína. Ela estava em 169 g com 71 kg, ou seja, 2,4 g por quilo, e ele em 196 g com 84 kg, 2,3 g por quilo. A faixa em que o benefício se estabiliza vai até cerca de 2,2 g por quilo, e sobe um pouco em déficit acentuado. Não faz mal, mas parte disso está ocupando o lugar do carboidrato, que é o que sustenta cinco treinos por semana. Sobre a celulite que ela relatou ter reduzido muito nos primeiros dias, uma nota honesta. A melhora rápida é real, e o mecanismo mais provável é redução de retenção de líquido, que muda o aspecto da pele bem antes de qualquer mudança de gordura. Isso conta, e é motivador. O que vale saber para não frustrar depois é que a celulite em si não é só gordura: ela depende da organização dos septos fibrosos que ligam a pele ao músculo, e por isso aparece também em mulheres magras. Reduzir percentual de gordura melhora o aspecto, e não faz desaparecer. Um comentário sobre a lista de exames sugerida, que era boa e completa. Eu tiraria apenas a leptina, que é marcador de pesquisa e não muda conduta. E, para os dois, o que mais importa naquele peso é glicemia de jejum, hemoglobina glicada, insulina, perfil lipídico e TSH. Por fim, sobre a cobrança pelos quinze dias sem postar. Eles voltaram explicando que estavam esperando completar um mês para postar fotos novas, e pedindo desculpas. Não deviam desculpa nenhuma. Esperar um mês entre fotos é, aliás, a decisão metodologicamente correta: variação de uma semana em foto é ruído. E o objetivo do relato era o resultado deles, não o retorno para o fórum. Um casal de 23 e 25 anos, no fim da faculdade e tocando um trabalho, que segue dieta à risca e treina cinco vezes por semana, já está fazendo a parte difícil. Se quiserem refazer os números com a proteína ajustada e mais carboidrato para sustentar os treinos, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Primeiro ciclo com enantato de testosterona apenas
Esse tópico tem um enigma que ficou sem solução, e a solução era um exame que o @Emer.GT chegou a dizer que ia fazer e nunca postou. O quadro era esse: 600 mg de enantato por semana, sexta semana, aplicações em dias alternados, e a libido completamente normal, sem aumento nenhum. Além disso, 2,5 kg de ganho, sem retenção e sem aumento de gordura. O @Arnaldo Santos e o @Gamma desconfiaram de subdosagem, e a desconfiança estava certa. Falta dizer como se confirma. Com 600 mg de enantato por semana, a testosterona total costuma ficar em faixa muito acima do limite superior da referência, tipicamente na casa dos milhares. Se o exame voltar dentro da faixa normal, ou perto dela, a conclusão é direta: não há 600 mg entrando. É um exame só, colhido em qualquer ponto do intervalo entre aplicações, e ele responde de uma vez a pergunta que ocupou várias mensagens do tópico. Nada mais precisa ser adivinhado. E há um detalhe do relato que reforça a suspeita: ele contou que o produto chegou dentro de um pacote, sem informação que ele conseguisse pesquisar, e que abriria para ver mais informações quando recebesse. Depois aplicou. Ausência total de efeito sobre libido, com dose alta de testosterona pura, em homem de 24 anos que nunca tinha usado nada, é justamente o padrão de produto que não é o que diz ser. Agora a discussão entre o @Arnaldo Santos e o @Gamma sobre tamoxifeno, porque os dois estavam parcialmente certos e ninguém fechou. O @Gamma disse que tamoxifeno é para controle e não é terapia pós ciclo. O @Arnaldo Santos disse que ele ajuda tanto no controle do estrogênio quanto na recuperação do eixo. A parte da recuperação do eixo é do @Arnaldo Santos, e está correta. O tamoxifeno é um modulador seletivo do receptor de estrogênio, e ao bloquear esse receptor no hipotálamo e na hipófise ele remove parte do feedback negativo. O resultado é aumento de LH e FSH, e consequentemente da produção própria de testosterona. É exatamente por isso que ele é usado nesse contexto. A parte do controle do estrogênio é onde o @Gamma tem razão, e por um motivo que provavelmente nenhum dos dois tinha: o tamoxifeno não reduz o estradiol circulante. Ele ocupa o receptor no tecido alvo, principalmente na mama, mas o estradiol no sangue não cai, e tende inclusive a subir. Ou seja, ele protege contra ginecomastia e não resolve retenção de água nem os efeitos sistêmicos do estrogênio. E, como o número no exame não se move com o uso, o ajuste de dose passa a depender só de sintoma. Quem baixa estradiol é o inibidor de aromatase, que é outra classe. Agora uma correção a uma afirmação que apareceu e que é bastante difundida. Foi dito que, com aplicações diárias, na maioria das vezes não haveria aromatização e nem seria necessário usar inibidor. A primeira parte da ideia está certa: aplicações mais frequentes achatam a curva, reduzindo o pico e elevando o vale. Isso reduz oscilação de humor, de retenção e de libido, e é uma boa prática. A segunda parte não se sustenta. A quantidade total de estradiol produzida depende da quantidade total de testosterona disponível na semana, e não de como ela foi dividida. Seiscentos miligramas semanais oferecem o mesmo substrato à aromatase, aplicados uma vez ou sete. O que muda é o pico. Como alguns sintomas estrogênicos acompanham o pico, e não só a média, dividir realmente reduz queixas. Mas dizer que não haverá aromatização é outra coisa. Sobre a coceira no peito que ele relatou, duas informações. Ela não é sinal de que a droga está no sangue, como ele interpretou. Coceira ou sensibilidade na região do mamilo é sinal precoce de estímulo estrogênico ao tecido mamário, e merece atenção. O que fecha o quadro e exige avaliação no mesmo momento é dor ou nódulo endurecido embaixo do mamilo, diferente de gordura mole, porque tecido que fibrosa não regride depois com remédio. E, respondendo à pergunta dele sobre medir prolactina: num ciclo só com testosterona, a prolactina não é o exame indicado. Ela importa quando há 19 nor no protocolo, como nandrolona ou trembolona, que têm atividade progestogênica. Para testosterona isolada, o exame é estradiol, de preferência por método sensível, porque os imunoensaios comuns perdem precisão nas concentrações masculinas. Agora o ponto que o @Toxi levantou e que gerou atrito, mas que era o mais importante do tópico. Ele disse que, com 59 kg, o que faltava era paciência e trabalho duro, não esteroide. O @Emer.GT respondeu, corretamente, que não estava mais com 59 kg, e sim com 66 kg e 11 por cento de gordura. A correção dele sobre o número procede. Mas o conteúdo do que o @Toxi disse continua de pé, e dá para mostrar isso com conta. Com 66 kg, 1,74 m e 11 por cento de gordura, a massa livre de gordura fica em torno de 58,7 kg. Dividindo pela altura ao quadrado, o índice de massa livre de gordura dele fica em torno de 19,4. Num estudo com 157 atletas, os que nunca tinham usado esteroides ficaram todos abaixo de 25, e os usuários iam de 25,4 a 32,4. É uma régua descritiva, não uma barreira física, e há naturais documentados acima de 25. Ainda assim, 19,4 está muito longe do teto. E ele mesmo contou o contexto: dois anos de treino, tendo caído de 70 para 59 kg por estresse de trabalho, estudo e relacionamento, com interrupção do treino, e retomada em fevereiro. Boa parte do que ele estava recuperando era reaquisição, que acontece mais rápido do que a construção original e independe de ciclo. Ou seja, aos 24 anos, com dois anos de treino e retomando de uma perda por estresse, ele tinha anos de ganho natural disponíveis. Duas observações práticas. O @Arnaldo Santos deu um conselho muito bom e pouco lembrado: não aplicar só no glúteo. Rodízio de locais, incluindo deltoide e vasto lateral, evita fibrose e melhora a absorção. E ele detalhou uma distribuição prática das aplicações que faz sentido. E, sobre a ideia de acrescentar proviron, deca, boldenona ou dianabol na sexta semana porque o resultado estava aquém, vale o alerta: se a hipótese principal é que o produto está subdosado, acrescentar mais compostos de origem igualmente desconhecida não testa nada e multiplica o risco. Primeiro se descobre o que está acontecendo, depois se decide. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Projeto ex-gordo julho/2020.
O @Ragnaldo saiu de 128 kg para 106 kg em pouco mais de quatro meses, sem usar nada, e terminou o tópico pedindo desculpas por não ter conseguido manter o projeto no fim de ano. Vou responder tudo, mas começo pelo que estava a caminho e que o @Apollo Galeno mandou parar, porque ele estava certo e vale saber o motivo. Ele informou que estavam para chegar ioimbina 5 mg e Black Mamba. O Black Mamba, na versão com efedra, traz 65 mg de extrato de efedra, 200 mg de cafeína anidra e um blend proprietário com outros estimulantes adrenérgicos, incluindo DMHA, que é o substituto direto do DMAA depois que este foi retirado do mercado. A ioimbina é antagonista de receptor alfa 2, e os efeitos são ansiedade, tremor, taquicardia e elevação de pressão. No Brasil ela é medicamento, e não suplemento. Ou seja, ele ia somar efedra, cafeína em dose alta, DMHA e ioimbina. São quatro substâncias empurrando o sistema adrenérgico na mesma direção, num homem de 106 kg que estava treinando de segunda a sábado. E há um agravante que estava nos próprios exames dele. O usuário que analisou os resultados notou, corretamente, que o único marcador que chamava atenção era a insulina elevada. Isso é resistência insulínica, que é o esperado nesse peso, e é justamente o que a perda de peso corrige. Só que estimulantes adrenérgicos, incluindo efedra, elevam a glicose e pioram a sensibilidade à insulina. Ou seja, os produtos que ele comprou para acelerar o processo atuavam contra o único marcador alterado que ele tinha. Vale acompanhar isso com hemoglobina glicada e glicemia de jejum, além da insulina, e o cálculo de HOMA-IR sai desses dois últimos. É barato e mostra a melhora acontecendo, o que é bem mais motivador do que a balança. Agora um assunto que ele mencionou de passagem e que ninguém retomou. Ele escreveu que a testosterona aumentou, que o DHT também aumentou, e que estava quase careca aos 23 anos. Isso merece atenção por dois motivos. O primeiro é que existe uma ligação direta com o que ele estava fazendo: perder gordura eleva a testosterona, porque reduz a aromatização, e mais testosterona significa mais DHT disponível. É o DHT que dirige a alopecia androgenética. Ou seja, a melhora hormonal que ele comemorou traz esse custo específico. O segundo é que aos 23 anos isso tem tratamento, e quanto mais cedo se começa, mais folículo se preserva. O que se perde por miniaturização não volta integralmente depois. É consulta com dermatologista, e as opções disponíveis são conhecidas e eficazes. Não é vaidade, é uma janela que fecha. Agora sobre a pele, e aqui preciso discordar do que foi dito a ele. Foi afirmado que a pele vai encolher, que o corpo tende a voltar como acontece com mulher grávida, e que a natureza dá conta do recado, bastando aminoácidos e whey. A parte reversível existe: quem perde peso costuma ver retração ao longo de um a dois anos. Mas ela é parcial, e depende da magnitude da perda, do tempo que a pessoa passou no peso alto, da idade e da genética. Ele saiu de 128 kg e planejava chegar bem abaixo dos 106. Numa perda dessa ordem, é frequente sobrar pele que não retrai. E whey e aminoácidos não mudam isso. O colágeno da pele é sintetizado a partir de aminoácidos que já estão disponíveis em qualquer dieta com proteína adequada, e ingerir mais não acelera a retração de pele que já foi distendida. Digo isso não para desanimar, mas porque a expectativa errada é o que mais frustra. Se sobrar pele, isso não significa que ele fez algo errado nem que faltou paciência. Significa que existe uma etapa a mais, que é cirúrgica, com indicação médica reconhecida quando há repercussão funcional, e disponível inclusive na rede pública em certos casos. Duas observações menores sobre a dieta que ele recebeu. A primeira é o vinagre de maçã em jejum. A evidência para perda de peso é modesta e inconsistente, com reduções pequenas em algumas metanálises e nenhuma em outras revisões. Não faz mal, mas não é uma alavanca. E há um cuidado prático: o vinagre tem pH em torno de 2 a 3, e o esmalte dentário começa a se dissolver abaixo de 5,5. Tomado diariamente e puro, ele desgasta o esmalte. Se for tomar, use canudo e enxágue a boca com água depois, sem escovar logo em seguida. A segunda é sobre os macros. Ele estava em 200 g de proteína, 200 g de carboidrato e 100 g de gordura, o que dá aproximadamente 2.500 kcal. Para 106 kg, é um déficit razoável, e a proteína em 1,9 g por quilo está no lugar certo. Essa parte estava boa. E o @Locemar deu o único ajuste de treino do tópico e ele estava certo: colocar pernas no terceiro dia para dar descanso aos superiores. Agora o fim, que é o que mais importa. Ele escreveu que não conseguiu manter o projeto no fim de ano, pediu desculpas por tomar o tempo de quem o ajudava, e disse que preferia contar a verdade a simplesmente abandonar o tópico. Duas coisas. A primeira é que ele não deve desculpas a ninguém. O projeto é dele, a saúde é dele, e quem ajuda por aqui faz isso por escolha. Um mês difícil no fim do ano, depois de 22 kg perdidos, não é dívida com o fórum. A segunda é a que de fato ajuda: o que mata projeto não é parar, é a distância entre parar e recomeçar. E o que funciona nesses períodos é reduzir o protocolo ao mínimo que ainda conta, em vez de suspender tudo. No caso dele, o mínimo já estava descrito no próprio relato. Na semana em que ficou sem treinar por causa da semana acadêmica, ele acordou às cinco da manhã, fez caminhada e foi trabalhar de bicicleta, uns 10 km por dia. E ainda assim perdeu 2,6 kg naquele intervalo. Ou seja, ele já sabe qual é o protocolo mínimo dele, porque executou um sem perceber. E o @Azzis Netto e a @monedeira disseram, cada um do seu jeito, a coisa mais útil do tópico: ninguém perde peso à força, e o corpo aguenta quase tudo, quem precisa ser convencida é a cabeça. Aos 23 anos, saindo de 128 kg com exames de fígado, rim, tireoide e perfil lipídico bons, ele está numa posição muito melhor do que imagina. Se quiser refazer os números com o peso atualizado, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.