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Alguém conhece o treino físico do Bruce Lee ou Donnie Yen?

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   Bom dia pessoal. Muito obrigado Frankbassi, vou ler o livro que você recomendou. Comecei a pouco tempo a estudar o Wing Chun, estou gostando muito. Depois de tantos anos sonhando em estudar Kung Fu, finalmente consegui... mesmo com as situação financeira não muito favorável, consegui fazer umas economias e por enquanto conseguir pagar a mensalidade do Mokwoon e despesas com ônibus.

   O mais interessante no Kung Fu é toda a filosofia por trás da arte marcial, seu real significado. Creio que o Kung Fu já contribuiu para mudar a vida de muitas pessoas. Novamente muito obrigado pela contribuição.

  • 9 anos depois...
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  • Um Treinamento que BruceLee usava para aplica o soco de 1 polegada era o Apoio do Tigre que é muito usado no Kung Fu

  • Este livro que falar todo o método de treinamento de Bruce Lee com foto dele mesmo demostrando e treinamento  TREINAMENTO DE BRUCE LEE https://agbook.com.br/book/196531--TREINAMENTO_DE_BRUCE

  • Quem utilizar algum treino em outra Arte Marcial (Jiu Jitsu, Karatê, Muay Thay e etc.), participe também. Fazer parte do site, me fez novamente ser assíduo na academia e pensar em exercícios 24 hs do

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O tópico é antigo mas a pergunta continua boa, e como ninguém trouxe o conteúdo em si, vale registrar o que de fato se sabe sobre como o Bruce Lee treinava, porque quase tudo que circula sobre isso é lenda.

A fonte séria é o material que o John Little organizou a partir dos cadernos e das anotações pessoais dele, principalmente The Art of Expressing the Human Body. Ali não há mistério nenhum, há registro de treino escrito à mão, com carga e repetição anotadas, o que já diz muito sobre o método.

O primeiro fato que costuma surpreender é que ele treinava com peso, e levava isso a sério. Existe um mito de que artista marcial não deve fazer musculação para não perder velocidade, e o Bruce Lee é justamente o exemplo contrário. Por volta de 1965 ele montou uma rotina bem enxuta, na linha de desenvolvimento com barra a partir do chão, agachamento, pullover e rosca, algo como duas séries de oito a doze repetições, três vezes por semana. É uma rotina que qualquer um aqui reconheceria como programa básico de força, e não tem nada de exótico.

O que era realmente fora do comum não era a sala de musculação, era o volume de tudo o mais: corrida, corda, trabalho de saco e de aparelho, isométricos e uma quantidade enorme de abdominal. Somado a um percentual de gordura muito baixo, é isso que explica a aparência dele, e não uma rotina secreta. Vale ter isso claro para não frustrar expectativa: o físico dele veio de horas por dia de treino de habilidade, não de uma planilha que se copia.

E tem uma parte da história que raramente é contada e que interessa mais a quem treina do que qualquer série dele. Em 1970 ele se lesionou gravemente executando um bom dia com barra, com carga alta e sem aquecimento adequado, e machucou um nervo da região sacral. Ficou meses praticamente imobilizado, disseram que talvez não voltasse a treinar como antes, e foi nesse período de cama que ele escreveu boa parte do que virou o Tao of Jeet Kune Do. Ou seja, o cara mais bem preparado da geração dele se ferrou num exercício de flexão de tronco com carga sem aquecer. É um bom lembrete para todo mundo aqui, e o bom dia continua sendo um dos exercícios que mais cobram caro quando executados às pressas.

Sobre o Donnie Yen, o caminho é diferente e igualmente instrutivo. A base dele é wushu de competição, aprendida em casa com a mãe, que é mestra reconhecida da área, e ao longo da carreira ele incorporou boxe e jiu jitsu, chegando a faixa preta. O condicionamento que aparece nos filmes do Ip Man vem dessa base atlética somada a preparação de força convencional, não de treino de kung fu tradicional isolado.

Um comentário sobre a sua rotina, @Lone Warrior, já que você citou trabalho, faculdade, musculação e agora Wing Chun. O gargalo aí não vai ser disposição, vai ser recuperação. Quando a semana fica cheia assim, o erro comum é manter a musculação exatamente igual e empilhar a arte marcial por cima. Costuma render mais reduzir para dois ou três dias de musculação bem pesada e curta, priorizando movimentos básicos, e deixar o gasto de energia e o condicionamento por conta do Mokwoon. Você mantém a força e chega inteiro no treino que é o seu objetivo real.

Boa sorte no Wing Chun. Quem chega nele depois de anos querendo costuma aproveitar bem mais do que quem cai lá por acaso.

  • Autor
Há 20 horas, Cláudio Chamini disse:

O tópico é antigo mas a pergunta continua boa, e como ninguém trouxe o conteúdo em si, vale registrar o que de fato se sabe sobre como o Bruce Lee treinava, porque quase tudo que circula sobre isso é lenda.

A fonte séria é o material que o John Little organizou a partir dos cadernos e das anotações pessoais dele, principalmente The Art of Expressing the Human Body. Ali não há mistério nenhum, há registro de treino escrito à mão, com carga e repetição anotadas, o que já diz muito sobre o método.

O primeiro fato que costuma surpreender é que ele treinava com peso, e levava isso a sério. Existe um mito de que artista marcial não deve fazer musculação para não perder velocidade, e o Bruce Lee é justamente o exemplo contrário. Por volta de 1965 ele montou uma rotina bem enxuta, na linha de desenvolvimento com barra a partir do chão, agachamento, pullover e rosca, algo como duas séries de oito a doze repetições, três vezes por semana. É uma rotina que qualquer um aqui reconheceria como programa básico de força, e não tem nada de exótico.

O que era realmente fora do comum não era a sala de musculação, era o volume de tudo o mais: corrida, corda, trabalho de saco e de aparelho, isométricos e uma quantidade enorme de abdominal. Somado a um percentual de gordura muito baixo, é isso que explica a aparência dele, e não uma rotina secreta. Vale ter isso claro para não frustrar expectativa: o físico dele veio de horas por dia de treino de habilidade, não de uma planilha que se copia.

E tem uma parte da história que raramente é contada e que interessa mais a quem treina do que qualquer série dele. Em 1970 ele se lesionou gravemente executando um bom dia com barra, com carga alta e sem aquecimento adequado, e machucou um nervo da região sacral. Ficou meses praticamente imobilizado, disseram que talvez não voltasse a treinar como antes, e foi nesse período de cama que ele escreveu boa parte do que virou o Tao of Jeet Kune Do. Ou seja, o cara mais bem preparado da geração dele se ferrou num exercício de flexão de tronco com carga sem aquecer. É um bom lembrete para todo mundo aqui, e o bom dia continua sendo um dos exercícios que mais cobram caro quando executados às pressas.

Sobre o Donnie Yen, o caminho é diferente e igualmente instrutivo. A base dele é wushu de competição, aprendida em casa com a mãe, que é mestra reconhecida da área, e ao longo da carreira ele incorporou boxe e jiu jitsu, chegando a faixa preta. O condicionamento que aparece nos filmes do Ip Man vem dessa base atlética somada a preparação de força convencional, não de treino de kung fu tradicional isolado.

Um comentário sobre a sua rotina, @Lone Warrior, já que você citou trabalho, faculdade, musculação e agora Wing Chun. O gargalo aí não vai ser disposição, vai ser recuperação. Quando a semana fica cheia assim, o erro comum é manter a musculação exatamente igual e empilhar a arte marcial por cima. Costuma render mais reduzir para dois ou três dias de musculação bem pesada e curta, priorizando movimentos básicos, e deixar o gasto de energia e o condicionamento por conta do Mokwoon. Você mantém a força e chega inteiro no treino que é o seu objetivo real.

Boa sorte no Wing Chun. Quem chega nele depois de anos querendo costuma aproveitar bem mais do que quem cai lá por acaso.

Bom dia Cláudio, poxa, muito obrigado pela valiosa contribuição. Você iluminou muitos pontos que eu sequer tinha chego a cogitar, acabou ampliando toda a ideia de treino, recuperação e levantou uma literatura que eu não conhecia, e que certamente vou procurar, rsrsrs.

Infelizmente por questões de grana, rotina de trabalho/estudo/musculação..., eu acabei tendo que encerrar as aulas. Lembro que à época, eu era bem gordo, tipo uns 113 kg e, confesso que apanhei muito (sou bonzinho demais sabe?), principalmente para criar a coordenação motora necessária para aplicação das técnicas.

Parei no nível 2 (ou segunda faixa), o famigerado Chun Kiu, onde lá tinha uma célebre frase: "Ao Chun Kiu chegarás... mas dele não passarás!" Bom, fui exemplo vivo da veracidade da frase, rsrsrs.

Foi uma experiência muito boa, fiz amizades pra vida lá. E não, nunca usei o que lá aprendi. Segundo um amigo meu da faculdade, sou o "Kung Fu Panda", pacífico demais.

Novamente Cláudio, muito obrigado pela contribuição, devido a toda a correria da vida, estresse do trabalho, contas, faculdade por terminar... fazia tempo que eu não acessava a comunidade, e hoje, ao ler sua postagem, acabei me deparando com um monte de artigos interessantes. Vou voltar a consumir os conteúdos da comunidade e, quem sabe, em algo eu não possa contribuir. Afinal, sigo a velha filosofia da "xícara sempre pela metade", cada ser humano é um universo de complexidade e de conhecimentos desconhecidos. Sempre temos a aprender com o outro.

Forte abraço e uma boa semana.

PS: Dá pra notar que você possui bastante conhecimento, se me permitir, eventualmente posso te consultar com dúvidas relacionadas a esse maravilhoso mundo da musculação e dos esportes em geral?

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