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Vetecor 5000 UI: como usar?

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@eduardowgt, o @Locemar te ajudou bem na parte prática, principalmente ao explicar que uma ampola é o pó e a outra é o diluente, que era onde você estava travado. Mas tem uma informação sobre o produto que não apareceu em nenhum momento do tópico, e ela é importante.

O Vetecor é um medicamento veterinário. Ele é registrado para uso em animais, com indicações voltadas para éguas, vacas e cães, em situações como cio silencioso, cisto ovariano e criptorquidia. As doses que constam na bula são para esses animais, e não para pessoas.

Isso importa por alguns motivos práticos. Um produto veterinário segue exigências regulatórias diferentes das de um medicamento humano, com controle de qualidade, especificações de pureza e farmacovigilância pensados para outra finalidade. Não existe estudo de segurança em humanos por trás dele, e não há como saber se o que é aceitável para uma vaca de quinhentos quilos é aceitável para você. A molécula pode até ser a mesma, mas medicamento não é só a molécula, é também o que vem junto, o processo de fabricação e o controle do lote.

Existe apresentação humana de gonadotrofina coriônica, vendida em farmácia com receita. Se a decisão for usar, esse é o caminho, e vale conversar com médico, até porque HCG tem indicação clínica legítima e é prescritível.

Sobre o armazenamento, já que você reconstituiu, vale saber. Depois de misturado, o HCG deve ficar na geladeira, entre dois e oito graus, e nunca no congelador, porque ele é uma glicoproteína e o congelamento danifica a estrutura, podendo eliminar a atividade. Também não se deve chacoalhar o frasco, e sim girar suavemente. E o uso após a reconstituição costuma ser recomendado em torno de trinta dias, com alguns fabricantes admitindo até sessenta, sempre refrigerado.

Agora preciso corrigir duas informações que circularam aqui, porque as duas levam a decisões erradas.

A primeira é a ideia de que você não precisaria de HCG por não estar usando trembolona. Isso não procede. A supressão do eixo não é característica de uma substância específica, ela acontece com qualquer androgênio exógeno. Durateston e boldenona suprimem, e é por isso que os testículos diminuem. A trembolona tem fama nesse assunto por outros motivos, ligados à prolactina, mas a supressão em si é geral.

A segunda é a afirmação, no último post, de que usar HCG no ciclo inteiro evitaria problemas de ereção e infertilidade. Aqui a correção é importante, porque essa crença dá uma sensação de segurança que não existe.

O que acontece é o seguinte. A testosterona exógena desliga dois sinais que o cérebro manda para o testículo, que são o LH e o FSH. O HCG imita o LH, então ele mantém o testículo estimulado, preserva o volume e sustenta a produção de testosterona dentro do próprio testículo. Isso é útil e é a razão de ele ser usado. Só que ele não repõe o FSH, e a formação de espermatozoides depende dos dois. Por isso o HCG ajuda a preservar, mas não garante fertilidade durante o uso.

Os números ajudam a dimensionar. Testosterona exógena leva à ausência total de espermatozoides em algo entre quarenta e setenta por cento dos homens, e em um dos estudos em sessenta e cinco por cento dentro de quatro meses. A recuperação depois de parar acontece na maioria, com mediana em torno de cento e dez dias, e trabalhos mostram cerca de noventa por cento voltando ao valor de base em doze meses. Ou seja, quem quer ter filho precisa planejar com meses de antecedência, e não contar com o HCG como se fosse um seguro.

Sobre o ciclo em si, tem um ponto que eu levantaria e que não é sobre dose.

Você começou com um plano de dez semanas e, no meio do caminho, comprou mais material e estendeu para quinze. Essa é a parte que eu revisaria, e não a substância. Estender ciclo em andamento é uma das decisões que mais custam depois, porque o tempo total com o eixo desligado é justamente o fator que mais pesa na dificuldade de recuperar. Quinze semanas contínuas cobram bem mais que dez, e essa conta chega toda de uma vez no fim.

E repare que, em todo o tópico, não houve uma palavra sobre TPC. Você planejou o ciclo, estendeu o ciclo, comprou HCG, e a saída ficou em branco. Essa é a parte que costuma faltar e a que mais determina quanto você mantém do que ganhou.

Sobre a boldenona especificamente, três informações úteis. A informação que te passaram, de que os ganhos só apareceriam depois de meses, tem fundo de verdade e a explicação é o éster, que é o undecilenato, de liberação bem lenta, o que faz o nível demorar muito para estabilizar. É por isso que ela costuma ser usada em ciclos longos. A contrapartida é que ela também demora muito para sair, e permanece detectável em exame antidoping por um período bastante prolongado, o que importa para quem compete. E ela tende a aumentar a produção de glóbulos vermelhos, então vale acompanhar hematócrito e hemoglobina no hemograma, porque sangue mais viscoso traz risco próprio e isso não dá sintoma até dar.

Um último ponto sobre a origem da orientação. Você escreveu que quem te passou o produto disse para usar a cada quatro dias, e depois que outras pessoas disseram coisas diferentes. Repare que a orientação veio de quem forneceu. Isso é comum e é onde muita informação errada entra, porque quem vende não tem como ser fonte neutra sobre se, quanto e por quanto tempo usar.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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