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Dieta e 1º ciclo com oxan (FEMININO)

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@Lauraorfano, preciso apontar uma coisa que passou despercebida no tópico inteiro, e ela é séria.

Você escreveu que começou com vinte miligramas de oxandrolona de oito em oito horas. Isso dá sessenta miligramas por dia.

Quando o @Arnaldo Santos. respondeu que não vale a pena usar mais que vinte miligramas por dia, ele estava lendo a sua dose como vinte no total. Não foi má vontade, foi leitura, e é um engano fácil de cometer. Mas o resultado é que você seguiu adiante achando que estava dentro do que ele recomendou, quando na verdade estava no triplo disso.

A faixa em que se costuma trabalhar em mulher, com risco bem menor, é de cinco a dez miligramas por dia. Sessenta é seis a doze vezes essa faixa.

Isso muda bastante a conversa, e muda para o lado prático. Não estou dizendo isso para te assustar, e sim porque existem verificações que valem a pena agora, e que ninguém sugeriu.

A primeira, e a mais importante, é a voz. E não pela sua própria impressão, porque a gente escuta a própria voz por dentro do crânio e o cérebro se acostuma com mudança gradual. Grave um mesmo parágrafo lido em voz alta e, se conseguir, uma escala cantada até a nota mais alta confortável, guarde com a data e compare adiante. Pergunte também a duas pessoas próximas se notaram diferença, pedindo sinceridade. O primeiro sinal de virilização vocal não é a voz engrossar, é a perda das notas altas, seguida de rouquidão e aspereza. Essa é a alteração que não regride, porque envolve mudança estrutural das pregas vocais.

A segunda é laboratorial. Perfil lipídico com HDL, e TGO, TGP e gama GT. A oxandrolona é dezessete alfa alquilada e derruba o HDL de forma relevante, e nenhuma dessas duas coisas produz sintoma. Você está há cinco semanas em dose alta, então esses exames dizem algo de verdade agora.

E vale a regra de decisão que orienta tudo. Os efeitos se dividem em dois grupos. Acne, oleosidade, queda de cabelo, inchaço e irritabilidade regridem depois que se para. Engrossamento de voz e aumento do clitóris podem não regredir. Ao primeiro sinal desses dois, a conduta é interromper no mesmo dia, e não reduzir a dose para observar.

Agora o segundo ponto, que também não foi comentado e que me preocupa mais do que a dose isolada.

Você mencionou, de passagem, que usa quinze miligramas de efedrina antes dos treinos, e escreveu que não sabia se contava. Conta, sim. A efedrina é substância sob controle especial da Anvisa, e o que ela faz é elevar frequência cardíaca e pressão arterial. Somada a uma dose alta de anabolizante, que também eleva pressão e piora perfil lipídico, você tem dois fatores atuando no mesmo sistema.

E aí entra a terceira coisa, que é a que eu mais mudaria hoje.

Você contou que na avaliação física foi identificada muita retenção de líquido e que por isso começou a tomar um diurético. Existem dois problemas aí.

O primeiro é que a oxandrolona não aromatiza, ou seja, não converte em estrogênio, e é justamente por isso que ela é conhecida por não causar retenção de água. Retenção hídrica não é um efeito esperado do que você está usando. Então o achado provavelmente não é o que parece.

O segundo é o que provavelmente aconteceu de fato. Avaliação por bioimpedância é muito sensível ao estado de hidratação, ao horário, ao que se comeu e bebeu antes e à fase do ciclo menstrual. E o resultado que você recebeu, de três quilos de massa magra a mais e três quilos de gordura a menos em cinco semanas, não é fisiologicamente plausível para uma mulher nesse intervalo, ainda mais em dieta para perder gordura. Três quilos de tecido muscular novo em cinco semanas simplesmente não acontece. O que a máquina leu como massa magra é, em boa parte, água.

Ou seja, você está tomando um diurético para corrigir um número que provavelmente é artefato de medição.

E isso é o que me preocupa, porque a combinação é ruim. Diurético provoca perda de água e de eletrólitos, sobretudo potássio. Efedrina é estimulante cardíaco. Perda de potássio somada a estimulante é justamente a combinação que favorece arritmia. Some a isso que você faz dieta restritiva e treina, e o cenário fica menos confortável ainda.

Eu suspenderia o diurético e conversaria sobre isso com quem te acompanha. Se houver dúvida real sobre retenção, o que responde não é bioimpedância, é exame de sangue com sódio, potássio, creatinina e ureia, além de avaliação clínica de inchaço de verdade, que é o que deixa marca quando se aperta a pele.

Um pedido, também. Você escreveu que teve problemas de saúde nesses dias e ninguém perguntou o que foi. Se houve palpitação, tontura, falta de ar, dor no peito, dor de cabeça forte ou pressão alterada, isso não é detalhe, e muda o que se deve fazer agora com a efedrina e com o diurético.

Agora a parte boa, e ela é a maior parte.

O seu método de acompanhamento é melhor que o da maioria. Você não confiou só na balança, usou fita métrica, olhou o espelho, registrou fotos com data e comparou. Foi exatamente por isso que você conseguiu perceber que o ganho de dois quilos não tinha ido para a cintura. Esse é o conjunto correto de instrumentos, e ele é mais confiável do que a bioimpedância que te trouxe o resultado estranho.

E o @Batata... te disse a coisa mais verdadeira do tópico, que o corpo que você tem não é resultado de quatro meses e que daqui para frente também não será um ciclo que vai te transformar, e sim os hábitos. Acrescento um dado a favor dele, e a favor de você. Você treina há dois anos, sendo apenas o último com dedicação real. Isso significa que você está justamente no período em que o ganho natural é mais rápido, e que boa parte do que você viu no espelho nessas cinco semanas teria acontecido de qualquer forma, com a dieta ajustada e o treino de posterior e glúteo que você começou.

Sobre a sua dúvida de fundo, que é querer secar o abdome e ganhar massa ao mesmo tempo, a resposta honesta é que dá para fazer as duas coisas devagar, e é isso que está acontecendo com você. Mas não dá para escolher de onde a gordura sai, porque não existe redução localizada, e o abdome costuma ser a última região a ceder. Isso não significa que não vai ceder, significa que ele é o indicador atrasado do processo.

Por fim, um item que ninguém mencionou e que é indispensável. Contracepção eficaz. A oxandrolona é categoria X na gravidez, por risco de virilização da genitália do feto feminino. Se a preocupação for hormônio, o dispositivo intrauterino de cobre é opção não hormonal, e essa conversa é com a ginecologista.

Se você me perguntasse o que fazer amanhã, eu diria três coisas. Reduzir a oxandrolona para a faixa de dez miligramas diários, ou encerrar. Suspender o diurético. E fazer perfil lipídico, transaminases e a gravação da voz. O resto do seu processo está indo bem e não precisa de mudança.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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  • Então, segue a foto de quando comecei o ciclo (5 semanas atrás) e da semana passada. Comecei com 20mg de oxandrolona de 8 em 8 horas, não estou usando mais nada. Alias, estou usando 15 mg de efed

  • Arnaldo Santos.
    Arnaldo Santos.

    Então eu acho que está evoluindo sim! Apenas deve ser mais paciente e continuar focada no objectivo! Não Vale a pena usar mais que 20mg por dia.

  • Voce está sim evoluindo... O corpo que você tem não é resultado de 4 meses e sim dos seus habitos e costumes do dia a dia...  Mesma coisa é daqui pra frente... não é um ciclo que fará você se transf

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