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CONSEGUEM ME AJUDAR NESSA SITUAÇÃO?

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Esse tópico tem um resultado de exame que foi mencionado de passagem, no meio de uma conversa sobre doses, e que na minha leitura é o assunto principal do caso. Vou começar por ele.

O @Twin contou que fez, três anos atrás, uma restrição alimentar extrema: cerca de quarenta e cinco dias comendo apenas banana, maçã e aveia, dentro de uma janela curta no fim da tarde, com quatro litros de água e mais de quatrocentos miligramas de cafeína por dia. Desde então convive com queixas que o levaram a procurar médico e a colher exames.

No meio da conversa, ele escreveu que o médico havia dito que a prolactina estava alta, e perguntou se valia mandar cabergolina para dar uma baixada.

Prolactina alta em homem não é um número para se baixar. É um achado que pede investigação, e é o item deste tópico que mais muda conduta.

Explico por quê.

Prolactina elevada tem uma lista de causas que precisa ser percorrida antes de tratar. Medicamentos são a causa mais comum, e entram aí antipsicóticos, alguns antidepressivos, metoclopramida e domperidona, opioides e outros. Hipotireoidismo eleva prolactina, e por isso o TSH entra sempre na conta. Doença renal e hepática também. E existe a causa que não pode ser esquecida: um tumor benigno da hipófise, o prolactinoma, que é a causa mais frequente de prolactina muito elevada.

Por isso a sequência importa. Primeiro se confirma o resultado, porque a dosagem sofre interferência: estresse na coleta, punção difícil, exercício, refeição, atividade sexual recente e até estímulo mamilar elevam o valor. Existe ainda a macroprolactina, uma forma que não tem atividade biológica e que produz resultado alto sem doença nenhuma, e que pode ser pesquisada no próprio laboratório.

Confirmado, se procuram as causas da lista acima. E, se a elevação for expressiva ou persistir sem explicação, o exame que se pede é uma ressonância magnética da região da hipófise.

A cabergolina é, de fato, o tratamento correto para prolactinoma. O problema não é a substância: é usá-la para derrubar o número antes de saber o que está causando o número. Isso resolve o exame e deixa a causa sem diagnóstico.

E há uma informação que conecta tudo isso com a queixa dele: prolactina alta, por si só, reduz testosterona e reduz libido. Ou seja, esse achado pode ser justamente a explicação do quadro, e nesse caso o caminho não é estimular o eixo por fora, e sim tratar o que está causando a elevação. Isso é conversa com endocrinologista, e vale insistir nela.

A segunda coisa é a origem do quadro, e aqui o tópico foi bem.

O que ele descreveu três anos atrás é o cenário clássico de baixa disponibilidade energética: déficit muito grande, por semanas, com alimentação monótona e pobre. Isso derruba o eixo hormonal, em homens também, e é um mecanismo bem descrito. Não é castigo nem sequela misteriosa, e a recuperação passa justamente por reverter o que causou: comer o suficiente, ter proteína adequada, dormir e treinar.

A orientação do @Foston nesse ponto estava certa e é a base de tudo: dieta com proteína de verdade, oito horas de sono e atividade física. Sem energia disponível, nenhum estímulo hormonal se sustenta.

A terceira coisa é onde eu discordo, e são três pontos.

O primeiro é a vitamina D. Foi dito que dez mil unidades por dia é para tomar todo dia nessa dose. O limite superior tolerável para uso contínuo em adulto é de quatro mil unidades por dia. Doses acima disso, mantidas sem exame e sem acompanhamento, podem levar a excesso de cálcio no sangue e na urina, com risco de pedra nos rins e de comprometimento renal. Dose de reposição sai da dosagem sanguínea e do acompanhamento, e não de um número fixo.

O segundo é a frase de que não existe nada mais supressor de testosterona do que estatina, acompanhada da sugestão de trocar de médico.

Os estudos que avaliaram isso mostram, no máximo, um efeito pequeno das estatinas sobre a testosterona, e não algo que explique um quadro como o dele. E a recomendação de trocar de médico por causa de uma prescrição de estatina pode custar caro para quem tem indicação cardiovascular real, porque essa é uma das classes com maior benefício documentado em prevenção de infarto e de AVC. Discutir a indicação com o médico é legítimo. Abandonar por causa de um comentário de fórum não é.

Vale notar, aliás, que o próprio perfil dele, com triglicerídeos altos, aponta mais para padrão alimentar e metabólico do que para efeito de medicação.

O terceiro é a lista de manipulados. Aqui eu separo, porque não é tudo igual.

Tribulus é o caso mais estudado e o mais claro: os ensaios em homens não mostram aumento de testosterona. Maca tem ensaios clínicos com melhora de desejo sexual, e o dado interessante é que essa melhora aconteceu sem alteração dos hormônios, ou seja, ela pode ajudar no sintoma sem mexer na causa. Saw palmetto foi estudado para sintomas urinários de próstata, e não para libido ou testosterona.

Não é que não sirvam para nada. É que nenhum deles resolve prolactina alta, e gastar dinheiro com eles enquanto a causa não foi investigada é adiar o que importa.

Uma observação sobre o clomifeno: a afirmação de que ele não precisa de desmame está correta. Mas, no caso dele, a pergunta anterior a essa é se estimular o eixo é o passo certo antes de saber por que a prolactina está alta. Se a prolactina for a causa, tratar a prolactina resolve o eixo. Essa é uma conversa para o endocrinologista, com os exames na mão.

E fica um item para a lista, porque não apareceu: TSH e T4 livre. Hipotireoidismo eleva prolactina e produz cansaço e queda de libido, e é barato de descartar.

Créditos ao Foston pelas orientações de base, que são as que sustentam qualquer recuperação, ao @Kami Back pela observação honesta de que libido é multifatorial e pela sugestão de buscar segunda opinião médica quando não há confiança na primeira, que foi o melhor conselho da página, e ao @Batata... pela orientação de calcular os macronutrientes em vez de continuar no escuro.

Se o Twin estiver lendo isto, é isto que eu diria a ele.

O achado mais importante do caso dele já está na mão: prolactina alta. Antes de qualquer decisão sobre substância, valem três coisas com um endocrinologista: repetir a dosagem em condições adequadas e pesquisar macroprolactina, revisar toda medicação em uso e dosar TSH, e discutir a necessidade de ressonância da hipófise. É isso que responde a pergunta que ele está fazendo há três anos.

Para quem quiser entender como as substâncias hormonais funcionam antes de decidir qualquer coisa, o site tem um orientador em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ , que serve como ponto de partida para conversar com quem acompanha o caso.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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  • Que desmame de clomid mais esquisito é esse... Clomid vai ajudar sim, seria interessante o tamoxifeno junto... No meu caso um distúrbio causado pelas glandulas hipotalamo e hipófise... Uso Clomid

  • O seu colesterol está baixo e seu triglicerídeos, alto. Isso pode indicar uma dieta rica em carboidratos e pobre em gorduras. Ou pode indicar, ainda, o uso de estatinas. Não existe nada mais supressor

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