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Proteinúria: espuma na urina

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Dias atrás comecei a urinar muita espuma, sendo que não bebo e não tenho vícios.

Fui pesquisar sobre os sintomas e li que existe a doença chamada: "proteinúria", doença essa que se dá quando sai excesso de proteínas na urina.

Pode ser que eu não esteja com isso, pode ser também que seja outras coisas, apesar dos sintomas levarem para essa direção.

Fiz exame de urina, sangue e um exclusivo dessa doença, aguardando resultados, se alguém tiver a mesma doença ou puder debater a respeito para maiores informações...

Proteínas diárias: 2,0 baixando agora para 0,8..

Peso atual: 82kg

Nunca utilizei hormônios apesar de pensar em utilizar.

 

 

  • 1 ano depois...
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  • 7 anos depois...

@Destroyer., começando por uma correção que muda a forma de encarar isso: proteinúria não é uma doença. É um achado de exame, do mesmo jeito que febre é um sinal e não um diagnóstico. Ela pode ser passageira e completamente benigna, pode ser postural, ou pode apontar para algo nos rins. O que define é o contexto e a quantidade.

E espuma na urina também nem sempre significa proteinúria. Jato forte caindo de altura no vaso faz espuma em qualquer pessoa, resíduo de produto de limpeza no vaso faz espuma, e urina muito concentrada também. O que chama atenção é espuma abundante, que demora a desfazer e que aparece de forma persistente, todos os dias.

Agora o ponto mais importante do seu relato, e o que mais me preocupou: você baixou a proteína de 2,0 para 0,8 g por quilo por medo, antes mesmo do resultado sair. Essa decisão não tinha base.

Dieta rica em proteína não causa doença renal em pessoa com rim saudável. Isso já foi investigado em revisões e meta-análises, inclusive com ingestões altas e sustentadas por longos períodos, e o que se observa é um aumento fisiológico da filtração, não lesão. A restrição de proteína só faz sentido como conduta em quem já tem doença renal estabelecida, e mesmo aí sob orientação de nefrologista e nutricionista. Para alguém de 82 kg que treina, 0,8 g por quilo é restritivo, custa massa magra e, no seu caso, não protege de nada. Se os exames vierem normais, volte para a faixa que você usava.

Sobre os exames, três coisas que valem muito saber:

Primeiro, o exame certo hoje em dia. A urina de 24 horas está em desuso por ser trabalhosa e cheia de erro de coleta. O padrão atual é a relação proteína-creatinina, ou albumina-creatinina, em amostra isolada de urina. Ela estima bem o total do dia com uma amostra só. Se ainda não pediram, vale pedir.

Segundo, e essa é a armadilha que mais pega quem treina: exercício intenso causa proteinúria transitória. É um fenômeno conhecido e benigno, e uma urina colhida no dia seguinte a um treino pesado pode dar proteína positiva sem que exista nada de errado. Por isso, colha a amostra depois de pelo menos 48 horas sem treino forte, e de preferência a primeira urina da manhã. Essa mesma amostra matinal ajuda a identificar a proteinúria ortostática, que é aquela que aparece só quando a pessoa está em pé ao longo do dia e some quando deitada. Ela é comum em gente jovem, é benigna e não precisa de tratamento.

Terceiro, sobre a creatinina do sangue, que é onde o pessoal daqui mais se assusta à toa. Creatinina vem do metabolismo muscular, então quem tem mais massa muscular tem creatinina basal mais alta sem ter nada nos rins. E quem suplementa creatina eleva a creatinina sérica sem lesão nenhuma, apenas porque parte dela se converte. Resultado: as fórmulas de estimativa de filtração, que foram calibradas na população geral, subestimam a função renal em praticante de musculação. Se a sua creatinina vier no limite ou pouco acima, e o resto estiver normal, o exame que resolve a dúvida é a cistatina C, que não depende de massa muscular. Vale muito pedir antes de aceitar um diagnóstico de função renal reduzida.

Os sinais que mudariam a urgência, e que você deve observar: inchaço, principalmente nas pálpebras ao acordar e nos tornozelos no fim do dia, urina escura ou avermelhada, pressão arterial alta, espuma que piora progressivamente, redução do volume de urina. Qualquer um desses pede nefrologista sem demora. Além dos exames de urina, vale ter creatinina, ureia, albumina sérica, glicemia com hemoglobina glicada e a pressão aferida em casa por alguns dias, porque diabetes e hipertensão são as duas causas mais comuns de perda de proteína pela urina.

E sobre o comentário final do seu post, de estar pensando em usar hormônios: resolva isso primeiro. Anabolizantes elevam pressão arterial e hematócrito, e se existir qualquer alteração renal em andamento, é exatamente o pior cenário para colocar essa carga em cima. Com os exames normais, a conversa é outra.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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