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Me ajudem a emagrecer e me devolver a minha vida!

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@Maria Izadora, sei que faz tempo e que você não voltou. Mesmo assim vou escrever, porque acho que sei por que você sumiu, e porque outras pessoas na sua situação vão ler isto.

Você perguntou "quais exames você precisa?" e recebeu uma lista com mais de trinta itens, mais ecocardiograma, mais tomografia de abdome com contraste. Você tinha acabado de dizer que não tinha exames, que a consulta era dia 14, e que sofria com depressão e ansiedade.

Aquela lista foi feita com boa intenção, e o @Locemar e o @Apollo Galeno estavam genuinamente tentando ajudar. Mas ela é grande demais para um ponto de partida, e para quem está deprimido uma lista assim não é ajuda, é mais um muro. Deprimido não desiste por preguiça, desiste porque tudo parece grande demais. E aquela lista era grande demais.

Então deixe eu te dar a versão curta, a que cabe numa consulta e num pedido de exame do SUS:

Hemograma completo, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, colesterol total e frações, triglicerídeos, TSH e T4 livre, ureia e creatinina, TGO e TGP, ferritina, vitamina D e vitamina B12.

São doze exames. Eles cobrem anemia, diabetes, tireoide, colesterol, fígado, rim e as vitaminas que mais afetam disposição e humor. Se algum vier alterado, aí sim se pede o próximo passo. É assim que a investigação funciona de verdade: começa pequena e cresce conforme o resultado.

E aproveito para tirar dois itens daquela lista, para você não gastar dinheiro nem se preocupar à toa. Tomografia de abdome com contraste não é exame de rastreio para quem tem obesidade, envolve radiação e contraste e não tem indicação no seu caso. E o TRAB é um anticorpo pedido quando já existe suspeita de doença de Graves, não serve para avaliar tireoide de início. Nenhum dos dois precisa entrar agora.

Agora o que realmente importa no seu caso, e é a frase que você escreveu e que ninguém comentou:

"Sofro com depressão e ansiedade, como o tempo inteiro sem sentir fome. Já tomei remédio, porém na última consulta o médico tirou toda medicação."

Comer o tempo inteiro sem sentir fome não é gula e não é falta de disciplina. É comer por emoção, e é um sintoma, não um defeito de caráter. Enquanto a depressão não for tratada, nenhuma dieta vai parar em pé, porque a comida está cumprindo uma função que a dieta não substitui.

E tem a linha do tempo, que conta a história inteira: você teve o primeiro filho aos 16, o segundo aos 19, o terceiro aos 28, era magra até os 26, e a obesidade veio depois da quarta filha, aos 40. Ou seja, isso tem contexto, tem cansaço acumulado de quatro gestações e de trinta anos cuidando de outras pessoas. Não é falta de vontade.

Então o primeiro passo do seu projeto não é dieta nem academia. É voltar ao médico e falar sobre a depressão especificamente, dizendo que a medicação foi retirada e que você continua com os sintomas, inclusive comendo o tempo inteiro sem fome. Se possível, procure também acompanhamento psicológico. A terapia cognitivo-comportamental tem boa evidência tanto para depressão quanto para o comer emocional, e no SUS existe através dos CAPS e da unidade básica de saúde.

Agora preciso discordar de uma coisa que foi dita aqui e que poderia te prejudicar.

Foi dito que o anticoncepcional dificulta sobremodo a perda de peso e que suspendê-lo poderia reverter a depressão. A primeira parte não tem apoio na literatura: as revisões Cochrane que compararam contraceptivos combinados com placebo ou métodos não hormonais não encontraram diferença significativa de peso, e as mulheres também não abandonaram o método por causa de ganho de peso. O seu anticoncepcional não é o motivo dos seus 98 kg.

A segunda parte é mais delicada e vou ser justo: existe, sim, um estudo dinamarquês grande, com mais de um milhão de mulheres, que encontrou aumento pequeno mas real de risco de depressão associado à contracepção hormonal, com risco relativo em torno de 1,2, e o efeito foi maior em mulheres mais jovens do que em mulheres da sua faixa etária. Ou seja, a hipótese não é absurda, mas o efeito é pequeno, e aos 46 anos é menos provável que seja esse o seu caso.

O que fica é: vale mencionar isso à sua médica, e se houver troca de método, que seja com orientação e com outro método no lugar. Não vale largar o anticoncepcional esperando que a depressão passe, porque a chance de isso resolver é baixa e o custo de uma gravidez não planejada aos 46 anos é alto.

Uma coisa importante que ninguém disse e que você merece saber: com 1,60 m e 98 kg, você está numa faixa de obesidade em que existe tratamento de verdade, e ele foi muito além de dieta nos últimos anos. Existem medicamentos com eficácia bem estabelecida, e existe indicação de cirurgia bariátrica dentro de critérios. Isso é conversa para um endocrinologista, e você tem indicação para essa conversa. Dizer isso não é desistir do treino e da dieta, é reconhecer que obesidade é doença crônica e tem tratamento, e que ninguém deveria enfrentá-la só com força de vontade.

E, para começar hoje, sem depender de nada disso, três coisas pequenas:

Caminhe 15 minutos por dia. Não 40, não uma hora. Quinze. Todo dia, no mesmo horário. A meta não é queimar caloria, é criar a rotina. Depois de um mês, suba para 25.

Coloque proteína no café da manhã. Ovo, queijo, iogurte, o que tiver. É a refeição que mais muda a fome do resto do dia.

E anote o que você come, sem mudar nada por duas semanas. Só anote. Ver o padrão escrito costuma mostrar coisas que a gente não percebe vivendo.

Por fim, a pessoa anônima que voltou aqui em dezembro para perguntar onde você estava tinha toda razão no que escreveu: às vezes não é desmotivação nem preguiça, é a doença. E o conselho dela de apenas ir e fazer, sem esperar a vontade chegar, é exatamente o que funciona, porque na depressão a vontade vem depois da ação, e não antes.

Você abriu esse tópico pedindo para devolverem a sua vida. Ela volta, e a porta de entrada não é a academia. É a consulta.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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