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TPC & Uma formula aí

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Vamos por partes, @KalyJP.

Tamoxifeno e clomifeno não são intercambiáveis como costumam dizer por aí. Os dois são SERMs e os dois bloqueiam o receptor de estrogênio no hipotálamo e na hipófise, o que libera LH e FSH e reacende a produção testicular. A diferença está no perfil. O clomifeno é uma mistura de dois isômeros, o enclomifeno e o zuclomifeno, e esse segundo tem meia-vida longa, de semanas, e é o principal responsável pelos efeitos visuais e de humor que muita gente relata: embaçamento, flashes de luz, irritabilidade, oscilação emocional. O tamoxifeno costuma ser mais bem tolerado nesse quesito, é mais barato e tem ação antiestrogênica direta na mama, o que ajuda quando há sensibilidade mamária junto. Na prática, tamoxifeno resolve a maioria das TPCs sozinho, em doses decrescentes ao longo de quatro a seis semanas, e o clomifeno costuma ser reservado para casos de recuperação mais difícil ou eixo mais castigado. Usar os dois juntos existe, mas raramente acrescenta o suficiente para justificar a soma de efeitos colaterais.

Uma correção importante ao que foi dito no tópico sobre a dose: 1 ml de durateston por semana, que são 250 mg, não corresponde à produção endógena de um homem saudável. A produção natural fica em torno de 5 a 7 mg por dia, algo como 35 a 50 mg por semana. Ou seja, 250 mg semanais são aproximadamente cinco vezes a produção fisiológica, e é por isso que essa dose funciona como ciclo e não como reposição. Reposição de verdade gira em torno de 100 a 150 mg semanais e mesmo assim já suprime o eixo. O raciocínio de @Foston está certo no espírito, desligar o eixo para repor o que você já produz é péssimo negócio, só o número precisava de ajuste.

Agora a fórmula. Ela não é um estimulante natural, é um protocolo farmacológico com ervas em volta. Clomifeno, letrozol e cabergolina são medicamentos, e são eles que respondem por praticamente todo o efeito hormonal da lista. Clomifeno isolado realmente sobe testosterona endógena, em geral algo entre 1,5 e 2 vezes o valor basal, o que pode levar alguém de 400 para a faixa de 700 a 900. Isso é bem diferente de 250 mg exógenos por semana, que colocam a pessoa muito acima de qualquer faixa fisiológica. Então a resposta direta à sua pergunta é não: nenhuma combinação oral chega perto de 1 ml de durateston semanal, porque o teto do eixo é o próprio testículo, e ele tem limite de produção.

O letrozol nessa mistura é o ponto que mais me preocupa. Ele é um inibidor de aromatase potente e sobe testosterona justamente por derrubar estradiol, e estradiol baixo em homem custa caro: perda de libido, articulação seca, queda de densidade óssea, piora de perfil lipídico e desânimo. Usar letrozol sem exame de estradiol e sem motivo clínico é pedir para descobrir na pele o quanto o estrogênio importa para o homem. Cabergolina ali não tem função nenhuma se a prolactina estiver normal, e ela tem efeitos próprios, de náusea e hipotensão a alterações valvulares em uso prolongado com dose alta.

Sobre a parte herbal, sendo honesto com o que a literatura mostra. Zinco, magnésio e vitamina D só sobem testosterona em quem está deficiente, e nesse caso sobem mesmo, o que faz valer a pena dosar 25-OH vitamina D e corrigir. Ácido D-aspártico teve resultado inicial promissor e depois foi testado em homens treinados, sem aumento e com sinal de queda em dose alta. Tribulus não sustenta aumento de testosterona em humanos, apesar do efeito sobre libido relatado. Feno grego e mucuna têm estudos pequenos e inconsistentes. Tongkat ali é o que tem o achado mais consistente do grupo, com elevações modestas principalmente em homens estressados ou com testosterona baixa. Nada disso é placebo puro, mas a magnitude é pequena e serve para otimizar, não para transformar.

O que muda a sua testosterona de verdade, e que quase ninguém quer ouvir porque dá trabalho: percentual de gordura mais baixo, já que tecido adiposo aromatiza testosterona em estradiol; sono de sete a oito horas, porque a maior parte da liberação é noturna e uma semana dormindo cinco horas já derruba testosterona de forma mensurável; treino de força regular; álcool baixo; e correção de deficiências reais. Antes de qualquer fórmula, faça testosterona total e livre, SHBG, LH, FSH, estradiol sensível, prolactina, TSH, hemograma, glicemia, insulina e vitamina D, colhendo entre 7 e 10 da manhã. Se seus números vierem normais, nenhuma fórmula vai te dar ganho relevante. Se vierem baixos, o valor está em descobrir a causa, não em mascarar com uma mistura de doze ingredientes na qual você nunca vai saber o que fez efeito e o que fez mal.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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