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  • Oi Fonseca!! Primeiro passo já foi dado... Tenho certeza que como "uma boa brasileira" vai se dedicar de correr até o que é melhor para você... Focando em exercícios e uma boa alimentação, a ansi

  • Boa Noite.... Seu problema está na pecinha que controla tudo isso ai....ou seja....vou falar de uma maneira diferenciada.....e acredito que ninguem falou ou falará assim com vc....mas escutará! E

  • Apollo Galeno
    Apollo Galeno

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Esse tópico termina com uma conclusão sobre a autora que eu preciso contestar, e ela é o motivo desta resposta.

A @fonsecafonseca chegou com 28 anos, 1,59 m, 74,7 kg, contando que tinha acabado de recomeçar acompanhamento com nutricionista, que fez avaliação de composição corporal e ficou chocada, e que o efeito sanfona sempre a acompanhou: ela consegue emagrecer e não consegue manter.

Mais adiante, ela escreveu a frase mais importante do tópico. Disse que já passou por todos: endocrinologistas, nutrólogos, psiquiatras, psicólogos e nutricionistas, e que, teoricamente, não há nada de errado com ela.

A resposta que ela recebeu foi que já estava descoberto o erro: falta de força de vontade e determinação.

É sobre isso que eu quero escrever, porque a explicação verdadeira existe, é conhecida, e é bem diferente dessa.

Começo pelo que acontece com quem emagrece e não consegue manter, que é exatamente a queixa dela.

Depois de uma perda de peso, o gasto energético cai mais do que o esperado apenas pela redução do tamanho do corpo. Ao mesmo tempo, os hormônios que regulam fome e saciedade mudam de patamar: a leptina, que sinaliza saciedade, cai, e a grelina, que sinaliza fome, sobe.

O ponto decisivo é que essas alterações não são passageiras. Estudos que acompanharam pessoas por anos depois de uma perda grande de peso mostraram que elas persistem por muito tempo, ou seja, quem emagreceu convive com mais fome e menos gasto do que alguém do mesmo peso que nunca engordou.

Isso não é desculpa e não é fatalismo. É a descrição do que ela está enfrentando, e explica por que manter é mais difícil do que perder, para todo mundo, e não só para ela.

Por isso a obesidade é tratada, hoje, como doença crônica e recidivante, e não como questão de caráter. E o efeito sanfona não é sinal de fraqueza: é o resultado previsível de tratar como projeto de dois meses uma coisa que exige plano de manutenção.

O que muda na prática, com isso na mão, é o desenho do plano. Quem tem histórico de sanfona precisa que a fase de manutenção esteja escrita desde o começo, com a mesma seriedade da fase de perda. Perder quatro quilos e ter um plano para os doze meses seguintes vale mais do que perder dez e não ter nenhum.

A segunda coisa é a meta, e aqui existe um número que ninguém deu a ela.

Ela mencionou peso ideal de 53,9 kg e disse, ela mesma, que isso parecia inviável. Ela tem razão. Sair de 74,7 kg para 53,9 kg é reduzir cerca de vinte e oito por cento do peso corporal, o que é uma meta que quase ninguém alcança e mantém sem cirurgia.

A meta que a literatura usa é outra, e é muito mais alcançável: uma redução de cinco a dez por cento do peso corporal já produz melhora mensurável em pressão arterial, glicemia, triglicerídeos e função hepática.

No caso dela, cinco a dez por cento significam entre 3,7 kg e 7,5 kg.

Ou seja, o resultado que vale clinicamente está muito mais perto do que a meta que ela carregava na cabeça. E carregar uma meta impossível é, em si, um dos maiores fatores de abandono: a pessoa perde seis quilos, olha para os vinte que faltam e conclui que não adiantou.

A terceira coisa é uma pergunta que eu faria a ela e que, pelo que está escrito, ninguém fez de forma direta.

Ela relatou histórico longo de tentativas, passagem por vários profissionais e dificuldade específica de manter. Nesse cenário, vale investigar de forma explícita a presença de episódios de compulsão alimentar, ou seja, momentos de comer grande quantidade em pouco tempo, com sensação de perda de controle, geralmente sozinha e seguidos de culpa.

Isso importa porque é o transtorno alimentar mais comum, é frequentemente associado a obesidade, e tem tratamento com resultado bom. E porque muita gente passa por vários consultórios sem que essas perguntas específicas sejam feitas, e sai com a impressão de que não há nada, quando o que houve foi que ninguém perguntou.

E há um detalhe que conecta isso com o próprio plano que estava sendo proposto: restrição rígida é um dos preditores mais consistentes de episódios de perda de controle alimentar. Ou seja, um plano de tudo ou nada, com cem por cento obrigatório, é justamente o desenho com maior chance de reiniciar o ciclo que ela quer quebrar.

O que costuma funcionar melhor em quem tem esse histórico é o contrário do que parece: metas menores, flexibilidade programada e um plano que sobrevive a uma semana ruim.

A quarta coisa vale ser dita porque ela é jovem e o assunto raramente aparece.

Com índice de massa corporal de 29,5, ela está na faixa em que o tratamento medicamentoso da obesidade tem indicação formal, tanto a partir de trinta quanto a partir de vinte e sete quando existe alguma condição associada. Isso é conversa para o endocrinologista, e ela já tem trânsito com esses profissionais.

Não estou dizendo que ela deva usar algo. Estou dizendo que existe uma opção de tratamento com indicação estabelecida que não é atalho nem preguiça, e que alguém que tentou por anos merece saber que ela existe em vez de ouvir que o problema é determinação.

A quinta coisa é sobre a composição corporal, e aqui tem uma leitura importante.

Ela relatou 33,2 kg de massa gorda e 22,5 kg de massa muscular. O número de gordura assusta, e ela mesma disse que ficou chocada.

Duas observações. A primeira é que avaliações por bioimpedância variam bastante conforme hidratação, horário e aparelho, e servem melhor para acompanhar tendência do que como retrato exato. A segunda, e mais útil, é que o objetivo dela deveria incluir preservar aqueles 22,5 kg, porque é exatamente essa parte que costuma se perder nas dietas rápidas e é ela que sustenta o gasto energético. O que protege isso é proteína suficiente e treino de força com carga, não mais aeróbico.

Agora a parte que eu preciso comentar sobre o tom, e faço isso reconhecendo que quem escreveu ali oferece ajuda de graça e de boa fé.

A mensagem que ela recebeu falava sobre ser jovem, poder usar decote e short curto, tirar selfies e estar escolhendo ficar cada dia mais estragada.

Vale saber que abordagens que associam peso a valor pessoal, mesmo com intenção de motivar, estão associadas a piores resultados, e não melhores. O que se observa é aumento de comportamento alimentar desorganizado e maior chance de abandono do acompanhamento.

E, no caso específico dela, existe um detalhe que torna a conclusão sobre falta de determinação difícil de sustentar: essa é uma pessoa que procurou endocrinologista, nutrólogo, psiquiatra, psicólogo e nutricionista, recomeçou acompanhamento mais uma vez em setembro, veio a um fórum público expor peso, foto e composição corporal e pediu ajuda.

Isso descreve alguém que tentou muitas vezes. Falta de determinação é justamente o que não explica esse histórico.

Créditos à @Sussu, que foi a primeira a responder, deu as boas vindas e sugeriu o caminho prático de postar o cardápio, e que reagiu com tristeza sincera ao fim do tópico. À @FaBHana pela torcida constante. E ao @Clutch, cuja mensagem, mesmo intensa, era de incentivo. Ao @Apollo Galeno, pela organização do que precisava ser entregue e pelo tempo dedicado de graça a desconhecidos.

Se a autora estiver lendo isto, é isto que eu diria a ela.

O que ela tem não é falta de força de vontade. É a parte difícil de um problema que tem biologia própria, e que exige plano de manutenção escrito e meta realista. Sete quilos, mantidos por um ano, valem mais do que vinte perdidos e recuperados.

E, na próxima consulta, valem duas perguntas: se existe indicação de tratamento medicamentoso para o caso dela, e se ela apresenta episódios de compulsão alimentar. As duas mudam o rumo, e nenhuma delas depende de determinação.

Para quem quiser montar a dieta com os números na mão, o site tem um gerador de dieta em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ , que serve como ponto de partida para ajustar com acompanhamento.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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