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O FISICULTURISMO PARA O IDOSO

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Senhores,

Hoje, estou com 60 anos de idade. Há, uns 20, resolvi praticar atividades físicas para correr a primeira maratona da Ponte Rio-Niterói. Até então, só corria, no máximo, 15/20 km. Nada profissional. Tudo por puro prazer, “sem lenço e sem documento”.

Durante aquela preparação, marcando tempo/distância, mas sem nenhuma outra atividade física, dieta ou suplementação, surgiu-me algumas dores nos membros inferiores, parecidas com aquelas que temos quando estamos muito gripados.  Na prática, já acordava com essas dores, mesmo depois de parar completamente de correr, mas frequentando a academia, com fins de ganhar massa muscular e cessar as dores. Nessa época, pesava 78kg.

De lá para cá, foram quase 11 anos procurando ajuda médica, inúmeros especialistas, diversos tipos de exames realizados e medicamentos ingeridos. Só não fui aos obstetras, ginecologistas, dermatologistas, dentistas, ou seja, especialidades que não têm, pela lógica, nenhuma relação com as dores.

Um desses médicos foi o doutor Joaquim Maximiano da Mata, conhecido nutrólogo do RJ, que conseguiu resolver minhas dores, mas o qual desistir depois de não aguentar pagar as consultas, além dos quase 1600 reais trimestrais com manipulados.

Evidentemente, as dores recomeçaram a surgir. Por isso, humildemente, passei a me consultar com os endocrinologistas do plano de saúde.

Os exames laboratoriais e de imagens sempre obtiveram resultados satisfatórios, com exceção da tireoide, que me obrigou a tomar a Levotiroxina pelo resto da vida e realizar exames de imagem da tireoide a cada 02 anos.

Em resumo, as dores somente cessaram quando achei um endocrinologista, há 04 anos, que resolveu me prescrever 200mg do Deposteron a cada 10 dias, mesmo com minha testosterona oscilando entre 380/420ng/dl, cuja prescrição faço uso há 03 anos ininterruptos. Naturalmente, a cada 02 anos faço os exames da próstata, mesmo não tendo histórico familiar de alguma doença ligada a esse órgão.

Com o Cipionato, o último exame da testosterona, apontou o índice de 900ng/dl.

Atualmente, não sinto mais dores nos membros inferiores, alimento-me regularmente 03 vezes ao dia e evito o desnecessário como: frituras, refrigerantes, doces; balanço entre 87/90kg; tenho 1,81 altura; ganhei massa nos braços e tronco; não sei a medida do meu BF, mas não deve ser alta, porque o hereditário colabora e só tenho uma pequena barriga, que quase desaparece quando estou perto dos 83kg, medida que acho ideal para o meu corpo; faço uso da Creatina em jejum e junto com a Levotiroxina; treino os tríceps/peito/posteriores das pernas na segunda e quinta, bíceps/costas/anteriores das pernas  na terça e sexta, ombro/trapézio na quarta, tudo precedido de 15/30 minutos de aeróbico e abdominais; em regra, 04 exercícios para cada grupo muscular, sendo em 04 séries e 08/12 repetições; depois do treino, 01 medida de whey protein; quando janto, como carne, salada.

Com esse ciclo contínuo, faço uso diário da Tadalafila 5mg, o que faz a libido melhorar. Notoriamente, sei de todas as consequencias do Deposteron.

Como nada é perfeito, quase sempre, sinto os músculos trabalhados queimarem antes, durante e depois da atividade anaeróbica, resultando no treino pouco satisfatório. Raros os dias que essa fadiga não acontece.

No que se refere à corrida, não tenho mais conseguido correr mais do 7km, porque sinto muitas dores nas pernas, o que me deixa muito triste, porque sinto muito prazer quando o suor começa a escorrer pelo rosto.

Depois de todo esse livro, vamos à conclusão:

1)    por que não vemos sites ou literaturas especializadas no assunto, comentarem a respeito os idosos interessados no fisiculturismo? Algum tipo de preconceito?

2)    Com base nessas poucas informações, podem opinar no que posso fazer para, pelo menos, minimizar o que chamam de “inflamação” (fadiga) no meu corpo, tendo em conta que isso já era para ter sido resolvido, por causa dos vários anos que já venho treinando?

3)    Acham que posso melhorar alguma coisa nessa minha carteira de exercícios e suplementos, com fins de ajudar na melhora da minha performance muscular e, inclusive, na corrida?

4)    Podem publicar mais temas relacionados ao fisiculturismo do idoso ou quem está perto de ser um velho?

 Saudações, sucessos e muita saúde a todos. Desde já, meu muito obrigado.

 

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  • Olá, Não há maiores consequências. O hormônio usado é bioidêntico, é apenas uma testosterona, o seu corpo conhece bem. Existem muitas publicações, contudo, não voltadas aos populares. Proc

  • Apollo Galeno
    Apollo Galeno

    Se quer uma ajuda melhor.... Faça seu ost completo. (tem bom nivel de entendimento....não terá dificuldade de padronizar seu topico). o @Foston ja deu umas dicas....mas prefiro ver o context

  • Senhores, Após analisar detalhadamente o escrito pelo moderador LOCEMAR, no tópico LEIA AQUI ANTES DE POSTAR, principalmente, o grafado em vermelho, cheguei à conclusão de que não preencho os req

  • Moderador
21 minutos atrás, Edilan disse:

Notoriamente, sei de todas as consequencias do Deposteron.

Olá,

Não há maiores consequências. O hormônio usado é bioidêntico, é apenas uma testosterona, o seu corpo conhece bem.

21 minutos atrás, Edilan disse:

1)    por que não vemos sites ou literaturas especializadas no assunto, comentarem a respeito os idosos interessados no fisiculturismo? Algum tipo de preconceito?

Existem muitas publicações, contudo, não voltadas aos populares. Procure os textos de José Maria Santarém Sobrinho ( https://biodelta.com.br/jose-maria-santarem/ ) , cientista membro do IFBB, especialista e pioneiro em treinos resistidos para idosos.

Alguns artigos encontrei aqui:

https://treinamentoresistido.com.br/artigos-cientificos/

https://www.revistas.usp.br/actafisiatrica/article/view/103008

21 minutos atrás, Edilan disse:

2)    Com base nessas poucas informações, podem opinar no que posso fazer para, pelo menos, minimizar o que chamam de “inflamação” (fadiga) no meu corpo, tendo em conta que isso já era para ter sido resolvido, por causa dos vários anos que já venho treinando?

O ideal é o médico ver isso de perto. Aqui na comunidade entendemos que a dose a cada 10 dias varia muito os níveis séricos: a dose fica alta no 3º dia e baixa no 10º dia. No caso, eu, particularmente, uso 100mg dividido em 3 ministrações por semana. A ministração é feita com agulhas de insulina via subcutânea.

 

21 minutos atrás, Edilan disse:

3)    Acham que posso melhorar alguma coisa nessa minha carteira de exercícios e suplementos, com fins de ajudar na melhora da minha performance muscular e, inclusive, na corrida?

O ideal é postar o treino e a frequência semanal.

21 minutos atrás, Edilan disse:

4)    Podem publicar mais temas relacionados ao fisiculturismo do idoso ou quem está perto de ser um velho?

Leia os textos do Dr. José Maria Santarém. ele é o maior especialista neste quesito !

Edited by Foston

  • Author

Senhores,

Após analisar detalhadamente o escrito pelo moderador LOCEMAR, no tópico LEIA AQUI ANTES DE POSTAR, principalmente, o grafado em vermelho, cheguei à conclusão de que não preencho os requisitos desejados pelo fisiculturismo.com.br.

Sinceramente, acho que ele tem razão. Necessário existir foco em tudo que fazemos. Não adianta fazermos um trabalho diferente do inicialmente proposto. Afinal de contas, “tudo que inicia errado, termina errado”.

Também, concordo com o moderador APOLLO GALENO, a respeito de modificarem a forma de acesso ao fórum, exigindo que os interessados, antes de qualquer coisa, leiam as regras citadas pelo LOCEMAR para depois preencherem o questionário padronizado e enviarem as fotos dos perfis corporais, além dos exames médicos com, no máximo, três meses.

Essa restrição é excepcional para vocês, porque selecionará os reais interessados, resultando na sobra de tempo para prestarem o serviço de qualidade, e evitará que pessoas fora da concepção desse site criem expectativas dispensáveis.

Agradeço imensamente a atenção de todos.

Peço desculpas por qualquer mal entendido.

Desejo a todos muita saúde, paz e sucessos.

Fiquem com Deus!

Edilan

  • Moderador
11 horas atrás, Edilan disse:

não preencho os requisitos desejados pelo fisiculturismo.com.br.

Edilan, eu creio que seja um equívoco mas respeito sua opinião e entendimento. Eu acredito que a vida é feita de momento e escolhas! Não é que não tem tempo, não é que não tem foco, não é falta de  determinação, tudo é questão de "PRIORIDADES".... 

Mas as portas estão e estarão abertas para ti quando quiser e puder!!!

 

  • Moderador
14 horas atrás, Edilan disse:

cheguei à conclusão de que não preencho os requisitos desejados pelo fisiculturismo.com.br.

Não há qualquer requisito. O modelo de tópico é, apenas, para sabermos quem está do outro lado, se é obeso, se tem problemas graves e saúde, se faz esportes e em que frequência, etc., porque fica complicado recomendar/aconselhar alguém sem ver pelo menos o biotipo da pessoa e, independente disto, as pessoas sempre ajudam, independentemente de completar o tópico ou não.  🙂

  • 4 years later...

Esse tópico faz quatro perguntas diretas e sérias, e merecia quatro respostas. Vou responder todas, e começo pela que ninguém respondeu e que é a mais fácil.

O @Edilan pergunta por que não se vê literatura sobre treinamento para idosos, e se existe algum preconceito.

Não existe preconceito, e a literatura existe, é vasta e é uma das mais consistentes da área. Só que ela não é publicada com o nome de fisiculturismo: é publicada com o nome de sarcopenia, que é a perda de massa e de força muscular associada ao envelhecimento.

E ela chega a conclusões que interessam diretamente a ele.

A primeira é que o treino com pesos é a intervenção mais eficaz que existe contra a sarcopenia, e funciona em qualquer idade, inclusive acima dos oitenta anos.

A segunda é a mais prática de todas, e provavelmente é a resposta para boa parte do que ele descreveu: a necessidade de proteína aumenta com a idade, e não diminui. A recomendação geral para adultos, de oito décimos de grama por quilo, é insuficiente para idosos, e as recomendações específicas para essa faixa etária ficam entre 1,2 e 1,6 grama por quilo de peso por dia, subindo mais em quem treina.

E existe um detalhe fino que muda o resultado. Com a idade, o músculo responde menos a doses pequenas de proteína, um fenômeno chamado resistência anabólica. Na prática, isso significa que o idoso precisa de uma quantidade maior em cada refeição para ativar a construção muscular, algo em torno de trinta e cinco a quarenta gramas, enquanto um jovem consegue com vinte.

Agora vale olhar o que ele descreveu comendo: três refeições por dia, evitando fritura, refrigerante e doce, uma dose de whey depois do treino, e carne com salada no jantar.

Com esse padrão, é bem provável que ele esteja bem abaixo do que precisa. Para 88 kg aos 60 anos, treinando cinco dias por semana e correndo, eu miraria entre cento e dez e cento e quarenta gramas de proteína por dia, distribuídas em três porções grandes em vez de concentradas em uma.

Isso, sozinho, pode explicar parte da fadiga muscular e da recuperação ruim que ele relata, e é a mudança mais barata de todas.

Segunda pergunta: o que fazer com as dores e a fadiga.

Aqui eu vou ser honesto: dor em membros inferiores há onze anos, que limita a corrida a sete quilômetros em alguém que já correu bem mais, não é assunto de ajuste de treino. É assunto de investigação, e existem causas específicas que valem ser nomeadas para que ele leve os nomes à consulta.

A primeira, e a que mais combina com a descrição de dor que aparece ao caminhar ou correr e melhora com o repouso em um homem de 60 anos, é a claudicação intermitente, que é a manifestação da doença arterial periférica. Ela é subdiagnosticada, e o rastreio inicial é simples: um exame chamado índice tornozelo braquial, que compara a pressão do tornozelo com a do braço.

A segunda é a estenose do canal lombar, que produz dor nas pernas ao caminhar e melhora ao sentar ou ao inclinar o tronco para a frente, e que é comum nessa faixa etária.

A terceira é a própria tireoide. Ele usa levotiroxina, e tanto dose insuficiente quanto dose excessiva produzem dor muscular, cansaço e intolerância ao exercício. Vale conferir se o TSH está na faixa certa, e não apenas se ele toma o remédio.

E fica uma pergunta que só ele pode responder: se usa alguma estatina. Dor muscular é o efeito adverso mais relatado dessa classe, e é a primeira coisa a se checar em quem tem dor muscular difusa e usa medicação contínua.

Sobre esse ponto, aliás, há um detalhe importante: ele usa creatina, e creatina eleva discretamente a creatinina no sangue sem que exista lesão renal, e também pode elevar a CK, que é a enzima muscular. Se ele fizer exames para investigar dor muscular, precisa avisar ao médico que usa creatina, ou a interpretação sai errada.

Terceira pergunta: o que melhorar na rotina.

Duas coisas, e a primeira é a mais concreta deste tópico inteiro.

Ele escreveu que toma a creatina em jejum junto com a levotiroxina.

A levotiroxina precisa ser tomada em jejum, sozinha, com água, e com trinta a sessenta minutos de intervalo antes de qualquer outra coisa. Ela tem absorção sensível, e alimentos, café, cálcio, ferro e outros produtos tomados junto reduzem o quanto entra no organismo. Café, especificamente, tem redução de absorção documentada em estudo.

A correção é simples e não custa nada: levotiroxina sozinha ao acordar, e a creatina em qualquer outro horário do dia, porque para a creatina o horário não faz diferença.

A segunda é a distribuição do treino. A divisão dele coloca peito com tríceps e posteriores de coxa no mesmo dia, e costas com bíceps e anteriores de coxa em outro. Funciona, mas para quem tem sessenta anos e quer performance na corrida, eu separaria melhor as pernas dos dias em que ele corre, para que a corrida não seja feita sempre sobre pernas trabalhadas na véspera.

Quarta pergunta, e aqui está a parte que eu considero de segurança.

Ele contou que o endocrinologista prescreveu cipionato de testosterona a cada dez dias quando a testosterona dele oscilava entre 380 e 420 ng/dL, e que hoje, em uso contínuo há três anos, o exame apontou 900 ng/dL. E contou também que faz exames de próstata a cada dois anos.

Duas observações.

A primeira é que aqueles valores iniciais, de 380 a 420, estão dentro da faixa de referência da maioria dos laboratórios. As recomendações para iniciar reposição partem de testosterona baixa comprovada, geralmente com duas dosagens em jejum e pela manhã, associada a sintomas. Isso não significa que a decisão dele tenha sido errada, porque quem examinou tinha o quadro completo na frente. Mas é uma pergunta legítima para levar à consulta: qual foi a indicação formal.

A segunda é sobre o acompanhamento, e essa é a parte prática. O efeito adverso mais comum da reposição de testosterona não é a próstata: é o aumento do hematócrito, ou seja, o sangue ficar mais espesso, o que aumenta risco de eventos trombóticos. O acompanhamento recomendado inclui hemograma com hematócrito e PSA por volta de três a seis meses depois do início e, depois, pelo menos uma vez por ano.

Ou seja, um intervalo de dois anos é longo demais para quem está em uso contínuo há três anos. Essa é a mudança que eu levaria à próxima consulta, junto com o perfil lipídico.

Créditos ao @Foston, que deu a melhor referência possível para a pergunta dele ao citar o doutor José Maria Santarém, que é justamente o autor brasileiro que consolidou o tema de musculação para idosos e para pessoas com doenças crônicas. E ao @Apollo Galeno, por pedir o contexto completo antes de opinar, que é a conduta correta em um caso com essa complexidade.

E há um último ponto, que é sobre o desfecho do tópico.

Ele leu as regras, concluiu que não preenchia os requisitos do fórum e se despediu. A @FaBHana e o Foston responderam dizendo que não havia requisito nenhum, e eles estavam certos.

Vou acrescentar o motivo prático: um homem de 60 anos, com onze anos de investigação de dor, em uso de levotiroxina e de testosterona, que treina cinco dias por semana e ainda corre, é exatamente o tipo de participante de que este fórum mais precisa. Perguntas como as quatro que ele fez são raras aqui, e interessam a muita gente que está chegando nessa faixa etária e não encontra nada escrito.

Se o Edilan estiver lendo isto, é isto que eu diria a ele: as portas estão abertas, e as respostas mais úteis para o caso dele estão em três lugares baratos. Separar a levotiroxina da creatina, subir a proteína para a faixa de idoso que treina, e levar ao médico dois pedidos: hematócrito e PSA anuais por causa da testosterona, e investigação da dor nas pernas com o nome certo, começando pelo índice tornozelo braquial.

Para quem quiser entender como as substâncias hormonais funcionam antes de decidir qualquer coisa, o site tem um orientador em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ , que serve como ponto de partida para conversar com quem acompanha o caso.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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