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O Lado Escuro da Suplementação - 2ª temporada - 02 - Laudos de aminoácidos

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@Body Muscle escreveu em 2014 que não ia acontecer nada. Aconteceu, e vale registrar. E o @Markus B deixou nesse tópico dois testes caseiros que continuam sendo os melhores que existem para essa categoria.

O que aconteceu depois de 2014

Os laudos que deram origem a este tópico coincidiram com a análise do INMETRO sobre whey concentrado, no mesmo período, que reprovou 14 de 15 marcas. As duas coisas juntas tiveram repercussão na imprensa e no Congresso.

E o marco regulatório mudou.

Em 2018 saíram a RDC 243 e a Instrução Normativa 28, que substituíram o regime anterior de alimentos para atletas, criaram a categoria suplemento alimentar e estabeleceram listas de constituintes autorizados com limites de uso.

E em 2020 vieram a RDC 429 e a Instrução Normativa 75, que fixaram a tolerância de rotulagem em vigor hoje. Essa parte interessa diretamente ao tópico, porque ela é assimétrica.

Para proteínas, aminoácidos, fibras, vitaminas, minerais e substâncias bioativas, a quantidade encontrada não pode ser inferior a 20 por cento do declarado.

Ou seja, para os casos citados aqui, em que não foi detectado BCAA nenhum no produto, hoje existe um enquadramento objetivo e direto. Não é mais só questão de denúncia na imprensa.

Os dois testes do Markus B, e por que eles funcionam

Ele deu dois discriminadores caseiros e não explicou a química por trás. Vale explicar, porque isso mostra que não é palpite.

O sabor amargo. Leucina, isoleucina e valina são aminoácidos hidrofóbicos, e aminoácidos hidrofóbicos ativam receptores de amargor. O gosto intensamente amargo é propriedade da molécula, não da marca.

Então um BCAA que não é agressivamente amargo está diluído ou não é BCAA. A @Arnold1989 confirmou com o produto importado e o Markus acertou em cheio ao comparar com dipirona.

A solubilidade. A leucina em particular tem solubilidade baixa em água, na casa de poucos gramas por litro. Por isso o BCAA não dissolve de verdade: ele forma uma película na superfície e deixa resíduo.

Um BCAA que dissolve perfeitamente, deixando um líquido limpo e transparente, está se comportando como maltodextrina, que dissolve com facilidade.

@RCruz2011, você perguntou ao Markus como funciona a dissolução e não recebeu resposta. É isso, e tem uma ressalva importante: existem versões chamadas instantâneas, que usam lecitina como agente dispersante para melhorar o molhamento do pó. Essas dissolvem bem melhor de forma legítima.

Então o teste correto é combinado: o produto instantâneo pode dispersar melhor, mas continua amargo e continua deixando algum resíduo. Se dissolver perfeitamente e não for amargo, aí não tem BCAA relevante.

O adulterante da glutamina que o Markus citou

Ele mencionou um produto que parecia glutamina e era hidrolisado de trigo. Isso merece destaque, porque é engenhoso e perigoso por outro motivo.

O glúten é excepcionalmente rico em resíduos de glutamina, algo em torno de 35 por cento da sua composição de aminoácidos. Ou seja, hidrolisado de trigo é naturalmente rico em glutamina, é barato, é branco e solúvel, e passa sem problema nos testes de proteína baseados em nitrogênio.

É o adulterante perfeito para glutamina.

E aí vem o risco que ninguém comentou: quem tem doença celíaca ou sensibilidade ao glúten compra glutamina isolada justamente por ser um pó puro, e estaria ingerindo glúten sem saber.

Se você tem restrição a glúten, isso não é economia, é exposição.

Um teste adicional que serve para quase tudo

Para detectar amido ou maltodextrina em qualquer pó branco, funciona a tintura de iodo de farmácia.

Coloque uma pitada do produto num pratinho branco e pingue uma gota. Se ficar azul muito escuro ou preto, há amido presente. Creatina, BCAA e glutamina puros não reagem.

Custa alguns reais e leva dez segundos.

A ressalva do Wesley Kohler estava certa

@Wesley Kohler observou que tudo era reprovado, menos a marca de quem divulgava e a que o patrocinava. Essa é uma objeção metodológica legítima e merece ser tratada com seriedade.

Duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo: os laudos individuais estarem corretos, e a escolha de quais produtos analisar não ser aleatória. Conflito de interesse não falsifica um resultado, mas afeta a seleção do que é testado e do que é divulgado.

O que resolve isso é verificação independente. E ela veio: a análise do INMETRO, feita por órgão sem interesse comercial no setor, encontrou padrões semelhantes de não conformidade no mesmo período. Isso sustenta o conteúdo geral dos achados sem validar nenhum ranking em particular.

@Micael Silva, seu relato de mandar analisar por conta própria uma glutamina de 35 reais e encontrar quase 90 por cento de pureza é o melhor exemplo do tópico: preço baixo não implica fraude, e preço alto não implica pureza. O único jeito de saber é medir.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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