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Meu ciclo de Stano

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3 minutos atrás, Bruna Silveira disse:

Qual a diferença de oral e injetável? 

Oral tem meia vida mais curta (horas) em comparação ao injetável (2dd). Oral é altamente hepatotóxico. Injetável tem menos perdas que o oral.

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Boa noite estou de volta 

bom hoje entrei na terceira semana 

Diferenca: um leve aumento na força e me sentindo bem firme todos os músculos que mais treino sinto eles bem rígidos principalmente após o treino 

Colaterais Leve inchaço no clitoris e queda de cabelo (essa eu já tinha antes, agora piorou) e as vezes sinto caimbras após alguns exercícios 

No mais estou bastante feliz com os resultados 

Sigo firme na dieta e treino 

Essa semana coloco fotos do antes e depois 

Obrigada a todos que estão acompanhando 

 

9 horas atrás, Bella.fit disse:

 

 

Essa semana coloco fotos do antes e depois 

Obrigada a todos que estão acompanhando 

 

Procure fotografar com a mesma roupa e mesmas posições.

  • 1 ano depois...
  • 7 anos depois...

Volto a esse tópico por causa de uma linha do relato da terceira semana que não recebeu nenhuma resposta, e ela é a informação mais importante de toda a conversa.

A @Bella.fit escreveu, entre os colaterais, leve inchaço no clitóris.

Isso não é um colateral leve. É o sinal de parada.

Aumento de clitóris é, junto com a alteração de voz, um dos dois efeitos de virilização que não regridem. O tecido responde ao androgênio crescendo, e ele não volta ao que era quando o uso termina. Todos os outros efeitos que ela relatou, e que costumam assustar mais no dia a dia, são reversíveis: acne, oleosidade, pele áspera, pelo e queda de cabelo regridem.

A única resposta que aquela mensagem recebeu foi uma orientação sobre como fotografar. Não é crítica a quem respondeu, porque a informação estava no meio de um relato positivo e passou. Mas é justamente por passar despercebido que esse sinal precisa estar escrito em algum lugar, e é por isso que estou escrevendo.

Para quem chegar aqui pela busca, e principalmente para a @genoviafit, que voltou ao tópico em 2019 dizendo que tinha começado um ciclo de stanozolol e queria saber o resultado: essa é a lista que importa.

Parada imediata: rouquidão, voz mais grave, dificuldade nas notas altas da fala ou do canto, e aumento de clitóris.

Não são motivo de pânico e regridem: acne, oleosidade, pele áspera, pelo, queda de cabelo e alteração do ciclo menstrual.

Agora a dose.

O personal dela recomendou 30 mg por dia, divididos em três tomadas de 10 mg.

O @Toxi respondeu corretamente logo na primeira resposta, dizendo que metade daquilo já seria suficiente e que os resultados seriam semelhantes com bem menos risco. Ele estava certo: para mulher, a faixa em que se aprende a própria resposta ao stanozolol fica entre 5 e 10 mg por dia. Trinta miligramas é dose masculina.

Ela respondeu que ia reduzir. Cinco dias depois, escreveu que continuava com três comprimidos de oito em oito horas.

E foi nessa dose que o clitóris respondeu, duas semanas depois.

Registro isso sem nenhuma censura a ela, porque quem estava orientando o protocolo era o profissional que ela pagava. Só vale dizer com clareza: personal trainer não prescreve medicamento. Isso está fora do escopo da profissão, e stanozolol é medicamento controlado. Quem prescreve é médico, com exames.

Agora duas correções técnicas, que são úteis para quem lê.

A primeira responde à pergunta da @Xiriuu123, sobre a diferença entre oral e injetável.

A resposta que ela recebeu está certa quanto à meia vida, e errada em um ponto importante: foi dito que o oral é altamente hepatotóxico, dando a entender que o injetável não seria.

O stanozolol é a exceção da regra. Ele é 17 alfa alquilado nas duas apresentações, oral e injetável, porque é a mesma molécula, apenas suspensa em água em vez de comprimida. A alquilação é o que causa a hepatotoxicidade, e ela não é removida por injetar.

Ou seja, na maioria dos compostos, injetar poupa o fígado. Com stanozolol, não poupa. Essa é uma das confusões mais difundidas do meio, e ela leva gente a trocar o comprimido pela ampola achando que resolveu.

Além disso, o stanozolol injetável é uma suspensão de microcristais que não se dissolvem no músculo, o que explica a fama de doer muito e de formar nódulo, inclusive abscesso sem bactéria nenhuma envolvida.

A segunda correção é sobre o que o @Foston respondeu quando ela perguntou se era normal dar baixo astral.

Ele disse que os que mexem com o psicológico costumam ser os terminados em ona, e que nunca tinha visto isso com stanozolol. A terminação do nome não é uma categoria farmacológica, e o stanozolol tem, sim, relatos consistentes de irritabilidade, agressividade e alteração de humor.

Dito isso, a explicação dela era melhor que a nossa: ela contou que a avó estava muito doente. Isso é motivo suficiente, e ela foi honesta ao dizer.

Agora o exame que ninguém mencionou e que, no caso do stanozolol, é o mais importante de todos.

O stanozolol é o pior de todos os androgênios para o perfil lipídico. Em estudo controlado, ele reduziu o HDL em 33 por cento e elevou o LDL em 29 por cento. Em outra série, o HDL caiu de 59 para 29 mg por decilitro.

Isso é completamente silencioso. Não dá sintoma, não aparece no espelho e não muda o treino. O único jeito de saber é o perfil lipídico, e ele precisa ser feito antes, porque sem o valor de antes não existe comparação. E vale repetir dois meses depois do fim, porque a recuperação leva tempo.

Junto com ele, perfil hepático, pelo motivo já explicado.

E as cãibras que ela relatou merecem nota: o stanozolol é conhecido por ressecar articulações e por queixas de dor articular e cãibra, e vale ficar atento à hidratação e ao potássio, principalmente com 30 minutos de cardio depois do treino.

Duas observações finais.

A primeira é sobre contracepção. Ela disse que não usava anticoncepcional havia seis meses, e tem um filho pequeno. Androgênio é teratogênico e viriliza feto feminino. Não existe cenário em que a resposta certa seja usar androgênio sem método contraceptivo, e isso não apareceu em nenhum ponto do tópico, apesar de a pergunta sobre anticoncepcional ter sido feita logo no início por outro motivo.

A segunda é sobre o que ela conquistou antes do ciclo, e que merece ser dito.

Ela treinava havia um ano, com 1,68 m e 58 kg, com dieta acompanhada, tinha perdido a gordura abdominal da gestação e tinha uma divisão de treino organizada. Isso é uma base muito boa, construída sem nada. Um ano de treino consistente é pouquíssimo tempo para concluir que era hora de acrescentar farmacologia, e a evolução que ela descreveu na terceira semana, de força e rigidez muscular, ela provavelmente teria de qualquer forma naquele período.

E, respondendo à @genoviafit, que perguntou como tinha terminado: o tópico parou nas fotos que nunca foram postadas, e é por isso que relato interrompido tem tão pouco valor. O que ficou registrado dele, e que serve para quem chega agora, foi o sinal da terceira semana.

Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois de um protocolo, o site tem um orientador simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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