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É possível ter um corpo sem Danone?

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40 minutos atrás, Giovanna Aguiar disse:

Olá gente tudo bem, então comecei a treinar faz um ano, eu era uma falsa magra, só tinha gordura pesava 67, 68 por aí tenho 1,65 de altura. (Se quiser depois posto a foto de antes). Comecei a fazer dieta por conta própria porém estudei gastronomia meu primeiro semestre foi nutrição, então eu tive um pouco de noção e estudei um pouco, e fui pelo básico, cortei doce, fritura, farinha etc…. Emagreci muitoooooooooooo, baixou bastante meu percentual de gordura, fazia bastante funcional em casa na pandemia, treinava todos os dias de domingo a domingo. 
 

Só que aí me senti bem magrela sem bunda, meu peitoes que eu tinha já tinha ido embora kkkk mas enfim, falei não vou pra academia puxa uns ferro e ficar monstrona, me apaixonei tanto que vou atrás de fazer uma faculdade.

 

Enfim aonde eu treino só abre de seg a sex, meu professor é bodybuilder competi etc, me passou um treino tal ab,  senti diferença até um certo ponto, depois comecei a mudar o treino, variação, volume etc… Mais sinto que não estou evoluindo mais. Sinto que me estraguei um pouco com muita informação no começo, hoje em dia peso 52 e pouco. Sinto que engordo só na barriga, acho o resto do meu corpo lindo mais meu percentual de gordura me incomoda. Já pensei em tomar alguma coisa fazer reposição sei lá, mais tenho medo dos efeitos. 
TBM TENHO DIFICULDADE EM DESENVOLVER GLÚTEOS 🥲

Pretendo competir futuramente, já falaram que meu perfil se encaixa na bikini, mais acho tbm legal ter um corpo de wellness.

Ultimamente colei cardio moderados após meus treinos.

Queria dicas pra secar e crescer sei que pra mulher é mais difícil mais estou aberta para opiniões que possam agregar de alguma forma

 

 

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Bem vinda ao fórum 🥰

Vc já tem um corpo lindo, parabéns 👏🥰

Espero que vc consiga chegar no seu objetivo.

 

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Em 10/11/2021 em 01:15, Giovanna Aguiar disse:

Obrigado Helynha 🙏🏻🌻👊🏻

E aí, vai ou não?

  • 4 anos depois...

O título desse tópico faz uma pergunta direta, e ele terminou com quinze mensagens sem que ninguém a respondesse. Então vou responder.

Sim, é possível. E vale explicar até onde, porque a resposta honesta tem limite e o limite importa.

A @Giovanna Aguiar chegou contando que treina há um ano, que pesava 67 a 68 kg com 1,65 m, que se descrevia como falsa magra, que cortou doce, fritura e farinha por conta própria, treinou funcional em casa todos os dias durante a pandemia e emagreceu bastante. E que, no fim disso, se sentiu magrela e sem glúteo. Falou também em competir no futuro, em bikini ou wellness.

Começo pela resposta técnica à pergunta do título.

Uma mulher treinando de forma organizada, comendo o suficiente e sem usar nada, ganha algo na ordem de duzentos a quatrocentos gramas de massa magra por mês em condições favoráveis, principalmente no primeiro ou segundo ano de treino sério. Parece pouco por mês. Em quatro anos, é uma pessoa diferente.

Ou seja, dá para construir um corpo forte, com glúteo e perna, sem nada. O que não dá é para fazer isso na velocidade que as fotos da internet sugerem.

E existe uma parte da resposta que precisa ser dita com franqueza, porque ela apareceu no tópico quando se falou em competir: o padrão de palco das categorias de fisiculturismo feminino, em nível competitivo, não é o padrão de quem treina para saúde. Quem entra nessa comparação achando que a diferença é só esforço acaba concluindo que está fazendo algo errado, quando não está. São réguas diferentes.

Isso não é motivo para desistir de competir. É motivo para separar as duas coisas na cabeça antes de decidir.

Agora o que eu acho que era o assunto principal do caso dela, e que ninguém tocou.

Ela descreveu com precisão um percurso muito comum: emagreceu bastante com restrição alimentar e treino diário de funcional, e chegou magra sem forma. Isso não aconteceu por acaso.

Treino funcional feito em casa, todos os dias, com pouca carga, condiciona bem e gasta caloria, mas não é o estímulo que constrói músculo. E dieta restritiva prolongada não fornece o material para construir. Ou seja, ela passou um ano fazendo exatamente o que produz o resultado que ela não queria.

O que ela quer agora, que é glúteo e perna, exige o oposto do que a levou até aqui: treino com carga progressiva e comida suficiente. Não é ajuste fino, é mudança de fase.

Na prática, isso significa três coisas.

A primeira é sair do déficit. Ninguém constrói músculo em restrição crônica, e ela já está magra. Passar seis meses a um ano comendo em manutenção ou levemente acima é o que muda o cenário.

A segunda é proteína entre 1,6 e 2,2 gramas por quilo de peso por dia, distribuída ao longo do dia.

A terceira é treino de força de verdade, com carga anotada. Para glúteo, os exercícios que mais rendem são elevação pélvica, agachamento, levantamento terra romeno, afundo e cadeira abdutora, treinados duas vezes por semana, com aumento progressivo de peso registrado em caderno ou aplicativo. Sem registro, não existe progressão comprovável.

E aqui vale outra observação: ela relatou treinar de domingo a domingo. Recuperação é parte do treino, não interrupção dele. Músculo cresce no descanso, e sete dias por semana sem folga costuma render menos do que cinco bem feitos.

Uma pergunta que eu faria a ela e que ninguém fez: como está a menstruação. Emagrecimento grande, treino diário e restrição por meses é o cenário em que o ciclo se altera ou desaparece, e isso não é detalhe estético. É o sinal mais barato de que a energia disponível está baixa demais, e a conta chega no osso.

E uma sobre as nutricionistas.

Ela contou que passou por duas e não se adaptou, e que hoje faz por conta própria. Isso é comum, e normalmente não é falta de vontade: é plano montado sem levar em conta o que a pessoa gosta, o que ela cozinha e quanto ela pode gastar.

Se ela for tentar de novo, o que costuma funcionar é procurar alguém de nutrição esportiva e chegar com a lista do que ela realmente come, em vez de receber um cardápio pronto. E ela tem uma vantagem que quase ninguém tem: estudou gastronomia. Quem sabe cozinhar resolve, sozinho, metade dos problemas de aderência que eu leio neste fórum.

Voltando ao título, para fechar.

Ela tem um ano de treino, nunca fez uma fase de construção e já está pensando na decisão farmacológica. Esse é o momento em que a resposta é mais fácil: ela ainda não usou o recurso que tem de graça e que rende mais, que é justamente o primeiro ciclo de anos treinando com carga e comendo o suficiente.

Quem antecipa essa decisão não pula etapa. Perde a etapa em que o corpo mais responde de graça, e passa a precisar do recurso para sempre. E, no caso de mulheres, existe um detalhe que pesa: parte dos efeitos androgênicos não regride com a interrupção, especificamente o engrossamento da voz, o aumento do clitóris e o pelo em padrão masculino.

Créditos à @Isa, que fez a única coisa realmente útil do tópico ao pedir que ela completasse o relato com os dados do modelo, porque sem idade, peso atual, dieta e treino escritos ninguém consegue ajudar de verdade. E à @Bárbara, à @Vezinha, à @Helynha e à @Sussu pela recepção.

Se a Giovanna estiver lendo isto, é isto que eu diria a ela.

O corpo que ela quer se constrói comendo mais, treinando com carga e anotando. E a resposta para a pergunta do título dela é sim, com a ressalva de que o prazo é medido em anos. Ela tem um ano de treino, o que significa que a melhor parte ainda está pela frente.

Para quem quiser entender como as substâncias hormonais funcionam antes de decidir qualquer coisa, o site tem um orientador em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ , que serve como ponto de partida para conversar com quem acompanha o caso.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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