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Aspirina X Musculação (AAS Infantil)

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Ola pessoal, tenho uma duvida. Sou cardiopata (estenose valvula pulmonar), a 3 anos atras fiz uma cirurgia de troca de valvula (coloquei uma valvula laboratorial), com isso, meu medico passou AAS Infantil 1 dia sim um dia nao, diz ele que e pro prevençao e por tomar mesmo (ele falou ate que se eu tivesse muito sintomas colaterais eu poderia interromper tranquilamente)

Eai que vem a minha duvida, o aas e um remedio anti inflamatorio nao esteroidal e por ser um AINE (penso eu) vai atrapalhar minha evoluçao ou ate mesmo nao dar nada de resultados, e ai que vem minha pergunta para os experientes "devo parar de treinar ou parar de tomar o aas?" se alguem conseguir me explicar algo agradeço desde ja

Editado em por vitaoar

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  • Difícil, jovem, responder algo assim: sem ver exames, fazer uma anamnese, etc. Por que não pergunta ao seu médico? A princípio ele é a pessoa certa para responder isso.

  • 3 anos depois...

A pergunta é boa e tem resposta técnica, e ela é diferente do que a lógica inicial sugere. A resposta curta é que você não precisa escolher entre as duas coisas.

O ponto central é a dose. O ácido acetilsalicílico tem efeitos completamente diferentes conforme a quantidade. Na dose infantil, em torno de 100 mg, ele age praticamente só como antiagregante plaquetário. Ele inibe de forma irreversível a enzima COX 1 dentro da plaqueta, que não tem núcleo e por isso não consegue produzir enzima nova, então o efeito dura toda a vida daquela plaqueta, cerca de sete a dez dias. Nessa dose ele não funciona como anti-inflamatório sistêmico, porque a inibição relevante em tecidos com núcleo é transitória e parcial. Anti-inflamatório de verdade com aspirina exige doses várias vezes maiores.

Isso importa porque a preocupação com anti-inflamatórios e hipertrofia vem de estudos com doses altas e uso contínuo de ibuprofeno ou naproxeno, tomados justamente em torno do treino, e mesmo nesse cenário o efeito encontrado é modesto e inconsistente. Extrapolar isso para 100 mg de aspirina em dias alternados, com indicação cardiológica, não se sustenta. O efeito prático sobre o seu ganho de massa é irrelevante perto de dieta, sono e progressão de carga.

O segundo ponto é bem mais importante que o primeiro. Você tem prótese valvar e o antiagregante foi prescrito exatamente para reduzir risco de evento tromboembólico. Essa não é uma medicação de conforto. Interromper por conta própria para tentar ganhar um pouco mais de músculo é trocar um benefício pequeno e incerto por um risco pequeno mas grave. Se em algum momento fizer sentido suspender, isso é decisão do seu cardiologista, e existe inclusive protocolo próprio de suspensão antes de procedimentos como cirurgia e extração dentária.

O que eu levaria de verdade para a consulta é outra coisa, e é a pergunta que costuma ficar de fora. Não é se o remédio atrapalha o treino, é qual treino é liberado para você. Estenose pulmonar corrigida com troca de valva pede avaliação individual sobre intensidade, e o item que mais interessa na musculação é a manobra de Valsalva, ou seja, aquele bloqueio de respiração em cargas máximas, que eleva pressão intratorácica de forma abrupta. Muita gente com cardiopatia corrigida treina normalmente, com a orientação de evitar falha máxima e prender a respiração. Um teste ergométrico ou ergoespirométrico e um ecocardiograma recentes respondem isso com segurança.

Dois cuidados práticos de quem treina usando antiagregante. Você vai notar mais hematomas e sangramento maior em cortes, e isso é esperado. E, se em algum momento for usar anti-inflamatório comum para dor muscular ou lesão, avise o médico, porque alguns AINEs competem com a aspirina no mesmo sítio da plaqueta e podem reduzir o efeito protetor dela, além de somarem risco de sangramento gástrico. Nesse contexto, o cuidado com automedicação para dor vale mais do que qualquer ajuste de treino.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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