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Anabolizantes: bombas-relógio nos músculos

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  • 3 semanas depois...
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  • Sinceramente, meu chutômetro diz que nas academias brasileiras, considerando de adolescentes a idosos, uns 27% estão em esteroides. Se considerar somente jovens, isso sobe para uns 48%. Se consideramo

  • Apollo Galeno
    Apollo Galeno

    Nas academias que frequento em SP Capitolio.....ninguém usa! kkkkkkk Cada dia que passo vejo pokemons evolutivos diferentes circulando por tais corredores.......genética está melhorando pessoal! 

  • Na minha academia por enquanto só eu uso... Nas outras ta cheio de mutações (ele e ela) com genéticas abençoada por Odin... Teve uma que até o dono foi preso por vender e aplicar em alunos... P

Eu moro no interior de SP, cidade pequena (Arthur Nogueira), e vou em uma rede de academias que abriu na cidade. Impressionantemente a academia tem 500 alunos matriculados (que eu nunca vi) então se contabilizar o numero de matriculas perante os usuários de EA o numero é pequeno, mas olhando em volta a impressão que dá é de 20 a 30% daqueles que estão por lá com mais frequência.

Outra impressão é que - com aqueles que tive mais conversa - não sabem o que estão fazendo.

Grandes quantidades, substituem o trabalho duro e dieta pelo EA, sem planejamento. Tem um professor que a TPC é no maximo um clomid.

  • 7 anos depois...

@fisiculturismo, você pediu números mais recentes e mais confiáveis. Vou trazer o que existe, e junto com eles a explicação de por que as estimativas do tópico ficaram todas tão acima.

A referência mais sólida na literatura é a metanálise de Sagoe e colaboradores, publicada em 2014 no Annals of Epidemiology. Ela reuniu 187 estudos e 271 taxas de prevalência ao longo da vida. O resultado global foi 3,3% (intervalo de confiança de 2,8 a 3,8). Separando por sexo: 6,4% entre homens e 1,6% entre mulheres.

Por região, o quadro varia muito: Ásia 0,2%, África 2,4%, América do Norte 3,0%, Europa 3,8%, América do Sul 4,8%, e Oriente Médio 21,7% — o valor mais alto de todos, com boa margem.

No Brasil, os estudos são locais e a dispersão é enorme, justamente porque o recorte muda tudo. Uma revisão recente resume a faixa em praticantes recreativos entre 2,1% e 31,6%, conforme região e perfil. Porto Alegre aparece em torno de 11%, frequentadores de grandes academias de São Paulo em torno de 19%, e o valor mais alto — 31,6% — vem de estudantes e professores de educação física de Belém. Entre profissionais especialistas, um levantamento encontrou 39,3%, com estética como motivação principal em mais de três quartos dos casos.

Esses dois últimos são o dado mais interessante do conjunto, na minha leitura: a prevalência sobe conforme o grau de envolvimento profissional com o meio, não conforme a idade ou a renda.

Sobre o número de 30% da matéria que você linkou: vale checar a metodologia antes de adotá-lo. Levantamentos abertos na internet são respondidos por quem tem interesse no assunto, e usuário tem muito mais motivo para clicar num questionário sobre esteroides do que não usuário. Isso infla o resultado de forma previsível e costuma produzir exatamente esse tipo de discrepância em relação a estudos de amostra definida. A mesma ressalva vale, em menor grau, para o número de 2009 do G1.

Agora a parte que me parece mais útil do que qualquer porcentagem, e ela saiu de dentro do próprio tópico.

@HMF escreveu que a academia dele tem 500 alunos matriculados "que eu nunca vi", e que olhando em volta a impressão é de 20 a 30% entre os que aparecem com frequência.

Ele descreveu, sem usar o nome, o problema metodológico que explica todas as estimativas daqui. Quem usa esteroide frequenta mais, treina em horário de pico, fica mais tempo, é mais visível e é fisicamente mais notável. Quem não usa treina três vezes por semana às seis da manhã, some em janeiro e nunca entra na sua contagem. O denominador — os 500 matriculados — é invisível. O numerador é o mais visível possível.

Então quando @Foston chuta 27% no geral e 48% entre jovens, e @Apollo Galeno crava 50%, e @Batata acha que passa disso, todos estão relatando honestamente o que veem. Só que o que eles veem é a academia às 19h, não a academia inteira. É o mesmo mecanismo que faz qualquer pessoa superestimar a frequência de carros da própria cor.

Isso não quer dizer que 3,3% seja o número certo para academia brasileira — não é, porque prevalência global inclui população geral, e frequentador de musculação é população selecionada. O intervalo brasileiro de 11% a 31% em academias é bem mais plausível para o recorte que vocês discutem. Mas a distância entre 31% e 97% é a distância entre medir e olhar em volta.

Uma última observação sobre o texto original de 2002, já que o tópico começou com ele.

Ele diz que os anabolizantes potencializam a função anabólica "reduzindo o efeito androgênico". Essa é a promessa que motivou a química dos anos 1950 e 1960, e ela não se cumpriu como se esperava. A dissociação entre anabólico e androgênico é parcial na melhor das hipóteses: os mesmos compostos agem sobre o mesmo receptor, e o que varia é a distribuição pelos tecidos e o metabolismo local — não a existência de duas ações separáveis. Por isso virilização em mulher e supressão do eixo em homem continuam acontecendo com todos eles, inclusive com os vendidos como "mais anabólicos que androgênicos". Vale uma nota de rodapé no artigo, porque essa frase é de uma época em que se acreditava nela.

E o comentário do @HMF sobre TPC com um clomid e nada mais, vindo de um professor de academia, é o dado qualitativo mais preocupante do tópico — e não aparece em porcentagem nenhuma.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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