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QUEDA DE BRAÇO: qual é o treino para esta modalidade?

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O @galloV017 perguntou três vezes e nunca recebeu uma resposta de verdade. Chego com bastante atraso, mas o assunto continua valendo para quem cair aqui procurando a mesma coisa.

A primeira coisa a entender é que luta de braço não é uma disputa de bíceps, e essa é a confusão que faz a maioria treinar a coisa errada. Ela é decidida, nessa ordem, pela mão, pelo punho, pelo antebraço e pelas costas. Braço grande sem mão forte perde para mão forte com braço médio, e isso acontece o tempo todo nas mesas.

O que realmente decide:

O controle da mão do adversário, que depende de flexão de punho e da força dos dedos. Quem perde o punho perde a luta antes de qualquer outra coisa acontecer.

A pronação, que é o movimento de girar o antebraço colocando a palma para baixo. É ela que executa o chamado top roll, e o músculo principal é o pronador redondo, que praticamente ninguém treina na academia.

A força de puxar para si, que vem de dorsal, peitoral e bíceps trabalhando junto com o corpo, e não do braço isolado. Por isso lutador de braço bom traz a mão do adversário para perto do próprio ombro em vez de empurrar para o lado.

E a resistência isométrica, porque a maior parte de uma luta é passada segurando, e não se movendo.

Sobre como treinar, o princípio mais importante e o menos conhecido é este: ganho de força isométrica é bastante específico do ângulo em que você treina. Ficar forte segurando em uma posição transfere pouco para outra posição distante dela. Por isso o treino precisa reproduzir os ângulos reais da mesa, principalmente aquele momento de braço quase parado, e não só levantar peso em amplitude completa. Na prática isso significa fazer sustentações estáticas contra uma faixa, uma corrente ou um cabo, em várias posições do trajeto, segurando de dez a trinta segundos.

Um esqueleto de trabalho, para não ficar só na teoria: rosca inversa e rosca martelo para braquiorradial, rotações de pronação e supinação com barra desbalanceada ou com um martelo segurando pela ponta do cabo, flexão de punho com barra e também com halteres, trabalho de pegada com pinça em anilhas e com barra grossa ou corda, remada e puxada pesadas para as costas, e sustentações isométricas na posição de luta. Duas a três sessões por semana de antebraço já é bastante, porque antebraço aguenta frequência alta mas cansa mais rápido do que parece nesse tipo de trabalho.

E, por último, o mais importante e o que ninguém avisa antes: tempo de mesa não é substituível por academia. Técnica de gancho, de top roll e de posicionamento do corpo decide luta contra gente mais forte, e isso só se aprende puxando com quem já sabe. O @Locemar deu o caminho certo lá atrás ao apontar a confederação, porque é por clube e por associação que se acha gente para treinar de verdade.

Um alerta que vale mais do que qualquer dica de treino aqui. A lesão clássica dessa modalidade é a fratura em espiral do úmero, geralmente no terço distal, perto do cotovelo. Ela acontece porque o ombro gira internamente contra a resistência enquanto o cotovelo está travado, e a torção se acumula no osso do braço. Os dados mostram que ela atinge principalmente amadores, exatamente por causa do erro técnico que a produz: deixar o braço se afastar do corpo e tentar resolver a luta com o ombro. A prevenção é a mesma coisa que a boa técnica, ou seja, cotovelo apoiado e colado ao tronco, ombro sempre atrás da mão e corpo girando junto. Se em algum momento você sentir que o braço ficou sozinho, longe do tronco, o certo é desistir daquela pegada e não insistir na força. E não se puxa uma luta séria sem aquecer punho, cotovelo e ombro antes.

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