Pular para o conteúdo

Ração para cão no lugar de whey protein!!

Respostas em Destaque

  • 4 anos depois...
  • Respostas 41
  • Visualizações 16,7mil
  • Criado
  • Última Resposta

Maiores Postadores Neste Tópico

Postagens Mais Populares

  • LIXO  chega doido só piora 20min no forno pra matar bacteria imagina a qualidade dos alimentos dessa ração cara shape requer $$$$$$ se gasta MUITO com isso então não tenha pre

  • Amigo, você tem que se preocupar com algumas coisas... 1° Conhecer a proteína que está ingerindo, porque nem toda proteína é igual, bem como os outros nutrientes da ração. É importante ressaltar

  • HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAAA  mano do céu  cara patê, nuggets etc para humanos já é uma M tu imagina ração de cachorro  ainda vai compra pelo preço uma de vira latas ainda ta TOM

Imagens Postadas

Esse tópico rendeu muita piada e algumas respostas boas, mas ninguém fez a conta, e a conta resolve o assunto inteiro sem precisar de opinião. Vou fazê-la, porque o @adeilton2012 chegou aqui com um problema real, que era falta de dinheiro, e a resposta que ele mais recebeu foi que shape custa caro. Não custa, e vou mostrar por quê.

Começo pelo que a conta revela.

Ele estava comendo 900 g de ração por dia, e a premissa era que aquilo entregava a proteína dele. Entregava mesmo, mais ou menos: ração seca padrão tem entre 20 e 26 por cento de proteína, então os 180 g batem.

O problema é o outro número, que ninguém olhou.

Ração seca tem em torno de 350 a 400 kcal por 100 g. Isso significa que 900 g por dia são aproximadamente 3.200 a 3.600 kcal, vindas de uma única fonte.

Ou seja, ele não estava suplementando proteína. Ele estava substituindo a dieta inteira por ração e comendo por cima disso. Foi aí que vieram os 2 kg em um mês que ele comemorou, e é por isso que o resultado dele não prova nada sobre a ração: qualquer pessoa que acrescente 3.000 kcal ao dia ganha peso, comendo o que for.

E é também por isso que os 80 reais parecem milagre. Não é que a ração seja proteína barata. É que ela é caloria barata em altíssima densidade, e ele passou a viver dela.

Agora, o custo real de proteína, que é a informação que faltava.

A conta que importa não é o preço do quilo, é o custo por 100 g de proteína. Você pega o preço do produto, vê quanta proteína ele tem, e divide. Feito isso com os preços de qualquer mercado, o ranking se repete: ovo é quase sempre o mais barato por grama de proteína, e por larga margem. Depois vêm leite em pó, frango inteiro ou coxa e sobrecoxa, sardinha em lata, fígado bovino e as leguminosas. Whey costuma cair no meio, e cortes bovinos nobres ficam entre os mais caros.

O @ADETOR fez essa conta de cabeça logo no começo do tópico, quando disse que 80 reais dariam 240 ovos. Ele estava certo, e aquilo era a resposta.

Mas há uma correção importante à premissa do autor, e ela vale para muita gente que lê isso hoje.

Ele escreveu que precisaria comer 1 kg de frango por dia para bater 160 g de proteína. Não precisa. Peito de frango tem cerca de 23 g de proteína por 100 g, então 160 g sairiam de aproximadamente 700 g. E, mais importante, ninguém tira a proteína do dia de uma fonte só. Arroz com feijão entrega proteína. Leite entrega. Pão entrega. Ovo entrega. O @Mineiro e o @ynjm apontaram isso e tinham razão: a dieta dele estava desorganizada, e o buraco de 160 g que parecia intransponível era, na prática, bem menor depois de contar o que ele já comia.

O @Mestre também acertou ao lembrar da albumina, que é clara de ovo desidratada, tem valor biológico alto e custa uma fração do whey.

Agora a parte de segurança, que é o motivo pelo qual eu não trataria isso como só uma extravagância.

Não é a proteína o problema. São três outras coisas.

A primeira é contaminação bacteriana, e ela não é hipotética. Ração seca já causou surto de salmonela em pessoas, com dezenas de casos confirmados e internações, e isso apenas por manuseio do produto, sem ninguém comer. A orientação sanitária padrão é lavar as mãos depois de mexer com ração justamente por causa disso. Quem come 900 g por dia está numa exposição de outra ordem.

O forno por 20 minutos que ele adotou reduz esse risco específico, então nesse ponto o cuidado dele fazia algum sentido.

A segunda não tem forno que resolva, e é a que mais me preocuparia: aflatoxina. Ela é uma toxina de fungo que aparece em grãos, principalmente milho, que é a base de muita ração. Existe histórico de recolhimento de ração por aflatoxina, inclusive em anos recentes. E aflatoxina é termoestável, ou seja, ela atravessa o cozimento e atravessa o forno. É hepatotóxica e reconhecidamente cancerígena para o fígado, com efeito que depende do acúmulo ao longo do tempo. É exatamente o tipo de risco que não dá sintoma nenhum no primeiro mês, que foi quando ele disse que estava indo bem.

A terceira é o excesso de micronutrientes, e o @Toxi levantou isso corretamente, embora sem o detalhe. Ração é fortificada com vitaminas e minerais em concentração calculada para a necessidade de um cão por quilo de alimento. Vitamina D e vitamina A são lipossolúveis, acumulam no corpo e têm toxicidade conhecida por excesso. Já houve recolhimento de ração justamente por níveis excessivos de vitamina D, com animais em insuficiência renal. Uma pessoa comendo quase um quilo de ração por dia está ingerindo essas doses todos os dias, e o problema aqui não é a falta, é a sobra.

E há um ponto regulatório que fecha o raciocínio, e que o @Mineiro intuiu ao falar de controle de qualidade. Ração animal não é regulada como alimento humano. Ela segue norma agropecuária, com limites próprios de contaminantes e permissão para usar material que não é aprovado para consumo humano. Isso não a torna suja, ela é adequada para o fim dela. Torna-a fora de escopo para o outro fim, e é por isso que não existe estudo respondendo à dúvida do @Mestre sobre valor biológico: ninguém desenhou um estudo para isso, porque ninguém aprovaria um.

Sobre a matéria que o @fisiculturismo trouxe, do nutricionista americano que passou um mês comendo ração para denunciar a alimentação industrializada, vale reter o detalhe: ele fez aquilo como protesto, por tempo determinado, justamente para mostrar que era ruim. Foi uma performance, não uma recomendação.

E, sobre o relato do @thurizao e do @punk77, que descreveram problema intestinal ao comer pequenas quantidades, e sobre a lembrança do primo pedreiro trazida pelo @Batata..., vale registrar que os dois lados são compatíveis. Ração não é veneno agudo, e há quem coma sem passar mal no curto prazo. O que se está discutindo aqui é outra coisa: exposição diária, prolongada e em volume alto a um produto cujos limites de contaminante foram desenhados para outra espécie.

Fecho com o que eu diria a ele em 2016, e ao leitor que chega aqui hoje na mesma situação.

O objetivo não era comer ração, era resolver 160 g de proteína com pouco dinheiro. E isso se resolve assim: ovos em quantidade, que continuam sendo o melhor custo por grama de proteína do mercado brasileiro; leite integral, que entrega proteína e caloria ao mesmo tempo; frango inteiro ou coxa e sobrecoxa em vez de peito; sardinha em lata; fígado bovino, que é o alimento mais barato e mais denso em micronutrientes que existe; e arroz com feijão todo dia, que já entrega uma parcela relevante do total. Somado, isso bate 160 g de proteína por um preço que não chega perto dos 1.000 reais que ele temia gastar em whey.

Se quiser montar isso com as quantidades certas usando comida barata, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

Crie uma conta ou entre para comentar

Conteúdo Semelhante

Conta

Navegação

Buscar

Buscar

Configure browser push notifications

Chrome (Android)
  1. Tap the lock icon next to the address bar.
  2. Tap Permissions → Notifications.
  3. Adjust your preference.
Chrome (Desktop)
  1. Click the padlock icon in the address bar.
  2. Select Site settings.
  3. Find Notifications and adjust your preference.