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Análise de suplementos pela PROTESTE

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Em 27/08/2009 at 22:04, galdrothx1 disse:

Se segundo vc nem a Isopure presta, qual marca é boa?!?!?

 

Surpreendente o desempenho da Nutrilatina de fato...A bioprotein já ouvi falarem bem várias vezes, vale a pena comprar?? Aparentemente possui o maior custo/benefício...

 

Qual whey é o que mais presta afinal?

 Hei man ...ñ sou competidor além da.minha própria academia e nao pago mais de 150 conto em pote colorido de.whey...

Cara tomei o ON opitmus importado naturals msm. Comprei no granel co. Um amigo de loja. Peguei 30 kg. Eu tomei minha mulher tomou vendi pros frango da academia. E todos ficaram satisfeitos.. mas é o seguinte. Queria que os mais estudados aqui me corrigisse se estiver eu errado. Whey é soh nas( janelas) e em algumas horas de extrema necessidade para não pular uma refeição.

O negócio é comer bem . E muito e sempre. Dai o whey é uma ferramenta detalhe...pra os comuns que nao competem a nível profissional eu digo isso..

  • 3 anos depois...
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  • Vamos prestar concurso pra ser agente da Anvisa e liberar suplementos pra galera..... kkkk Do jeito que eles não tem criterio algum, o concurso deve ser bem meia boca, sem nenhum critério tb.

  • natures best e designer tem muito marketing, mas ja vi muita gente meter o pau e gente uqe entende mesmo. proteinas tops, intra pro, vp2...

  • Eu não disse exatamente que não presta, disse que não vale a pena. Resumindo, pra mim, whey concentrado > isopure. Como falei, procure sobre o processo de troca iônica e processos de filtração

  • 6 anos depois...

Esse tópico teve um debate bom e ficou sem árbitro. Vou tentar fechar os pontos que ficaram em aberto, porque alguns deles continuam valendo para qualquer teste de suplemento que sai hoje.

Sobre a crítica do @rgiovann, que foi a mais bem construída do tópico.

Ele está correto na parte formal. A PROTESTE é associação de consumidores, não órgão fiscalizador. Os testes dela não são avaliação oficial de conformidade, e a ausência de contraprova com participação do fabricante é de fato uma fragilidade metodológica real. Isso vale para o critério de qualidade que a revista adota, que é um critério editorial e não legal.

Mas existe uma separação importante que o debate não fez, e ela muda o peso da objeção.

Uma coisa é a revista classificar um produto como bom ou ruim segundo régua própria. Aí a crítica do rgiovann procede inteiramente.

Outra coisa completamente diferente é o achado de proteína de soja não declarada no rótulo, que foi o caso do Nutri Whey. Isso não é questão de critério editorial. Soja é alergênico de declaração obrigatória. Hoje isso está expresso na RDC 26 de 2015, que obriga a declaração de contém soja em destaque no rótulo, justamente porque quem tem alergia depende dessa informação para não passar mal. Produto com soja não declarada é irregular independentemente de qualquer opinião sobre metodologia de revista.

Ou seja, os dois lados do debate estavam certos sobre coisas diferentes. A nota de qualidade era contestável. O alergênico oculto não era.

Agora o ponto técnico mais afiado do tópico, que foi do @bergjunior e passou batido.

Ele observou que o teste era incompleto porque, se o rótulo diz proteína isolada, o fabricante poderia colocar quase tudo concentrado e um resto de isolado, e o teste de quantidade de proteína não pegaria.

Ele estava certo, e o problema é ainda maior do que ele imaginou.

O método clássico de dosagem de proteína é o Kjeldahl, que não mede proteína. Ele mede nitrogênio total e multiplica por um fator de conversão, assumindo que todo o nitrogênio veio de proteína. Isso significa que qualquer coisa barata e rica em nitrogênio contabiliza como proteína no resultado. Aminoácidos livres baratos como glicina e taurina fazem isso. Creatina faz isso. Nos Estados Unidos essa prática ganhou nome, amino spiking, e gerou uma sequência de ações judiciais na década seguinte a este tópico.

Consequência prática: um produto adulterado por essa via passa no teste de quantidade de proteína e não aparece entre os reprovados. O que pega é a análise de perfil de aminoácidos, que verifica se a distribuição bate com a do soro de leite real. É mais cara e raramente aparece em teste de consumidor.

Sobre o @Insight e a troca iônica, que ele mesmo descartou dizendo que não tinha a ver com o tópico. Tinha tudo a ver, e é justamente o que explica a posição dele de preferir concentrado a isolado por troca iônica.

Resumindo o mecanismo. O soro de leite tem, além das proteínas principais, frações menores que carregam boa parte do valor biológico, como lactoferrina, imunoglobulinas e glicomacropeptídeo. A troca iônica separa proteína por carga elétrica, o que resulta em teor proteico mais alto no rótulo, mas remove ou desnatura parte dessas frações menores e desloca um pouco o perfil de aminoácidos. A microfiltração de fluxo cruzado separa por tamanho de molécula, entrega teor proteico um pouco menor e preserva melhor essas frações.

Então a escolha entre os dois não é simplesmente mais proteína é melhor. Um isolado por troca iônica com teor mais alto pode entregar um produto empobrecido em relação a um concentrado bem feito. Era exatamente isso que o Insight estava dizendo, e o tópico interpretou como esnobismo.

Dois ajustes menores, para não ficar registrado errado.

Sobre o registro cancelado do produto da Optimum, o próprio @bergjunior trouxe o texto que responde: cancelamento por transferência de titularidade. É procedimento administrativo, e não reprovação de qualidade. O @Aviador leu certo. Vale guardar como regra de leitura, porque registro cancelado no Diário Oficial tem muitas causas e a maioria é burocrática, não sanitária.

E sobre o Muscle Milk, o @lmancine disse que uma dose entregava 100 por cento da gordura do dia, mas o próprio rótulo citado no tópico marcava 33 por cento do valor diário para 18 gramas de gordura total. O alerta era pertinente, o número foi exagerado. Já o @Extdefmaxvas defendeu os TCM como gordura benéfica, e aí também cabe um ajuste: TCM é gordura saturada, e a ideia de que traria vantagem metabólica relevante em quantidade dessa ordem nunca se firmou nos estudos. Não é vilão, mas também não compensa o restante.

O que sobra de útil disso tudo, quase vinte anos depois, é uma regra simples de leitura. Teste de consumidor serve muito bem para pegar fraude grosseira, como carboidrato vendido como proteína e soja escondida. Ele não serve para atestar que um produto é bom, porque o método não enxerga origem de matéria prima, processo de obtenção nem adulteração por nitrogênio barato. Aprovado no teste quer dizer não reprovado por fraude óbvia, e só.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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