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Laudos whey protein 2018 (PROTESTE)

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Para o experimento, a PROTESTE considerou normais uma variação de até 20% entre a quantidade de nutrientes prometida no rótulo e a concentração que de fato está no produto. Essa, aliás, era o limite considerado adequado por uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que foi revogada por causa da nova legislação sobre suplementos alimentares. Mas isso não interfere na análise de laboratório, obviamente.

 (Fonte: PROTESTE/SAÚDE é Vital)

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  • 6 anos depois...
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@Locemar, esse tópico ficou sem resposta e merece uma, porque tem dois pontos aqui que mudam bastante a forma de ler qualquer teste desses.

Primeiro, a lacuna regulatória que você apontou. Ela existiu de fato, mas foi preenchida depois.

A regra antiga foi revogada quando entrou o novo marco de suplementos, a RDC 243 de 2018. Em outubro de 2020 saiu a RDC 429, junto com a Instrução Normativa 75, que trata de rotulagem nutricional e se aplica também a suplemento alimentar. Ela voltou a fixar tolerância, e é ela que vale hoje.

Mas tem um detalhe importante que muda o significado do número. A tolerância atual não é uma faixa simétrica de mais ou menos 20 por cento, como o teste da PROTESTE considerou.

Ela é assimétrica, e funciona em duas direções opostas conforme o nutriente.

Para o que interessa limitar, como valor energético, carboidratos, açúcares, gorduras, sódio e colesterol, a quantidade encontrada não pode ser superior a 20 por cento do declarado.

Para o que interessa entregar, como proteínas, aminoácidos, fibras, vitaminas, minerais e substâncias bioativas, a quantidade não pode ser inferior a 20 por cento do declarado.

Ou seja, no caso de whey a régua legal é um piso, não uma faixa. Um produto com proteína acima do rótulo não infringe nada. Um produto com proteína abaixo do piso está irregular, e não existe mais a leitura de que 20 por cento para menos seria uma variação aceitável e ponto final.

Agora o segundo ponto, que é o mais relevante e que quase nenhuma matéria sobre esses testes menciona.

O método clássico de dosagem de proteína em alimento é o Kjeldahl. Ele não mede proteína. Ele mede nitrogênio total, e multiplica o resultado por um fator de conversão, 6,25 no caso geral, partindo do pressuposto de que todo o nitrogênio da amostra veio de proteína.

Esse pressuposto é exatamente o que pode ser explorado.

Se o fabricante adiciona qualquer coisa rica em nitrogênio e barata, o aparelho conta como proteína. Aminoácidos livres baratos como glicina e taurina fazem isso. Creatina faz isso. E no caso mais grave que já apareceu no setor alimentício, a melamina, que é um composto industrial sem valor nutricional nenhum, foi usada com essa finalidade em leite em pó e matou bebês na China em 2008.

No mundo do whey isso ganhou o nome de amino spiking, ou protein spiking, e foi objeto de várias ações judiciais nos Estados Unidos ao longo da década de 2010.

A consequência prática para quem lê esses relatórios é incômoda. Um whey adulterado por essa via passa no teste de proteína. Ele não aparece na lista dos reprovados. O teste de quantidade de proteína não distingue proteína de verdade de nitrogênio comprado a peso.

O que distingue é a análise de perfil de aminoácidos, que verifica se a distribuição dos aminoácidos bate com a do soro de leite real. Whey concentrado tem uma assinatura característica, com leucina em torno de 10 a 11 por cento do total de aminoácidos e um conjunto de essenciais em proporção conhecida. Produto adulterado com glicina ou taurina sai completamente fora desse padrão. Essa análise é mais cara e raramente aparece em teste de consumidor.

Então, como o consumidor consegue alguma leitura sem laboratório.

Olhe a lista de ingredientes, não só a tabela nutricional. Um whey que se apresenta como proteína pura não tem por que trazer glicina, taurina ou creatina na lista.

Desconfie de produto cujo teor de proteína declarado é muito alto para o tipo. Concentrado costuma ficar na faixa de 70 a 80 por cento de proteína no pó. Concentrado anunciado com teor de isolado, e a preço de concentrado, é o perfil clássico.

Quando existir, confira o perfil de aminoácidos declarado no rótulo, principalmente a leucina.

E preço muito abaixo do mercado continua sendo o melhor indicador isolado, porque soro de leite tem um custo de matéria prima que não comprime.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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