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Gestrinona X endometriose

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Bem pessoal, consegui a cotação da gestrinona em gel, só para registrar:

30 doses de 3 mg => R$ 485
30 doses de 5 mg => R$ 720

Só para comparação, cada tubinho do implante tem 40 mg, o G6 240 mg para o ano inteiro, ao custo em torno de R$ 5000.

Logo, estimo que o gel custe entre 50 e 75% menos que o tal "chip". 

A princípio vale muito a pena. Resta saber se tem alguma questão quanto à absorção para achar a dose ideal equivalente ao G6 ou alguma outra particularidade. Talvez a conta não seja tão simples, mas de todo modo, a economia deve ser de no mínimo 50%.

O Dr. Hugo não atende à distância, eu bem que insisti, mas não tem jeito. Desembolsar 5 mil+ nos implantes cada vez mais me parece um abuso. Por ora, o que não tem remédio, remediado está.

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  • Bom, vou relatar meu caso clínico então :). Usei gestrinona também para uma condição ginecológica, no meu caso, mioma. Usei por 1 ano os implantes G6. Nos 2 primeiros meses tive episódios de inchaço e

  • Exato... por isso o continuo... 😊 no dia que eu morar no Nordeste isso mudará kkkkkkkkk

  • Os bastonetes não tem uma liberação uniforme: liberam mais no começo e a desculpa dos médicos é de que "o corpo está se adaptando" quando em verdade os colaterais iniciais são devido à maior liberação

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  • Moderador
7 horas atrás, Lady Who disse:

A princípio vale muito a pena. Resta saber se tem alguma questão quanto à absorção para achar a dose ideal equivalente ao G6 ou alguma outra particularidade. Talvez a conta não seja tão simples, mas de todo modo, a economia deve ser de no mínimo 50%.

O Dr. Hugo não atende à distância, eu bem que insisti, mas não tem jeito. Desembolsar 5 mil+ nos implantes cada vez mais me parece um abuso. Por ora, o que não tem remédio, remediado está.

Ele atende em várias capitais, recentemente está atendendo em São Paulo e Aracaju, dentre outras, você pode ver uma perto de você. Passagens de avião, dependendo do caso, podem custar R$500,00 ida e volta, se compradas com 20 dias de antecedência.

O saudoso Elsimar tem outro discípulo, o Luiz Carlos Calmon, que atende (ou atendia) em Brasília, Rio, São Paulo, etc.

  • 5 meses depois...
Em 02/09/2021 em 21:55, Foston disse:

Esse orçamento é de 2016, então muita coisa mudou:

75 doses de Gestrinona.................................... $887,00 no cartão ou $770,00 a vista

40 doses de Gestrinona .................................... $650,00 no cartão ou $550,00 a vista

Não me recordo, mas, salvo engano, as 75 doses dão para 06 meses, pois o uso não é diário.

Telemedicina. Encontre o médico. Não precisa viajar.

Eu também tenho endo e faço uso de gestrinona em óvulo vaginal. Eu usei o chip por 3 anos, mas cansei de gastar tanto dinheiro. Fiz na ph pharma, aqui na minha cidade. 20 doses saíram por 138 reais. Agora fiquei preocupada, por estar barato, se tem gestrinona mesmo. Sou muito desconfiada com farmácia de manipulação. 

Em 13/09/2021 em 21:52, Foston disse:

Ele atende em várias capitais, recentemente está atendendo em São Paulo e Aracaju, dentre outras, você pode ver uma perto de você. Passagens de avião, dependendo do caso, podem custar R$500,00 ida e volta, se compradas com 20 dias de antecedência.

O saudoso Elsimar tem outro discípulo, o Luiz Carlos Calmon, que atende (ou atendia) em Brasília, Rio, São Paulo, etc.

Fui paciente do Dr. Alzimar.  Foi uma grande perda. O dr. Luis Carlos é ótimo, super atencioso. 

Tenho um dúvida, existe uma estimativa da absorção pela via vaginal? Na pele vi que gira em torno de 30/40%. A médica disse que na mucosa absorve mais, mas não disse quanto. 

  • Moderador
18 horas atrás, CyMB disse:

Tenho um dúvida, existe uma estimativa da absorção pela via vaginal? Na pele vi que gira em torno de 30/40%. A médica disse que na mucosa absorve mais, mas não disse quanto.

Eu creio que as absorções sejam semelhantes. Contudo, os óvulos - creio eu - tem uma absorção mais lenta, o que pode ser uma vantagem, por ser mais constante.

E, sim, na pele é cerca de 30 a 40%, mesmo. Não sei se a mucosa absorve mais, porque na pele, ao menos, é possível friccionar até o pentravan "sumir" para dentro da derme.

1 hora atrás, Foston disse:

Incrível, hein? Está absurdamente barato. Em todo o caso, se tiver uma melhora clínica, será um indicativo de que a medicação está no veículo.

As dores começaram a diminuir e tem apenas duas semanas de uso. Fora que vez ou outra dá uma espinha no rosto ou nas costas, bem grande de dolorida, que acho que é típico da gestrinona. 

  • 4 anos depois...

A @Gestgirl abriu esse tópico com um objetivo declarado: que ele virasse um dos mais completos do fórum sobre gestrinona e endometriose, porque ela sabia que muitas mulheres chegam aqui procurando exatamente isso.

Ele cumpriu boa parte do que se propôs. E é justamente por isso que ele precisa de uma atualização, porque a conversa parou em 2022 e o assunto mudou depois disso.

Começo por aí, porque é a informação que muda decisão para quem lê hoje.

Em outubro de 2024 a Anvisa suspendeu a fabricação, a manipulação, a importação, a comercialização e a divulgação dos implantes hormonais manipulados, os chamados chips. A medida veio depois de manifestações de entidades médicas, entre elas a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, e o motivo central foi a ausência de comprovação de segurança e de eficácia nessa forma de uso.

Ou seja, o implante que atravessa esse tópico inteiro, discutido em marcas, custos e fornecedores, não está mais disponível legalmente no Brasil.

Isso não transforma a gestrinona em vilã, e é importante separar as duas coisas.

A gestrinona é um fármaco com história clínica real na endometriose, associada ao trabalho do professor Elsimar Coutinho, e existiu como medicamento registrado no país. O que a Anvisa retirou não foi a substância: foi a forma implantável manipulada, que não tem registro, não tem estudo de liberação e não passa por controle de teor.

E aqui está a distinção que o tópico não fez, e que é o argumento mais forte contra o chip.

Um gel tem uma característica que o implante não tem: dá para parar. A @Gestgirl escreveu isso ela mesma, e estava certíssima, quando explicou por que preferia começar pela via intravaginal: pelo custo e pela probabilidade de não suportar os colaterais.

Esse é exatamente o critério. Com o implante, no dia em que aparecer o efeito que não se quer, ainda restam meses de hormônio liberando, e a única forma de interromper é um procedimento para retirar. Com o gel, para se no mesmo dia.

É a mesma lógica que vale para qualquer androgênio em mulher, e ela vale mais aqui do que em qualquer outro lugar do fórum: o que determina a margem de segurança é a rapidez com que a exposição cai depois que se decide parar.

Agora o ponto do tópico que eu considero o mais importante clinicamente, e que foi dispensado rápido demais.

A @Lady Who usou implantes de gestrinona por um ano para mioma, e voltou aqui para contar o que aconteceu, o que é raríssimo e merece registro. Ela levantou a hipótese de ter perdido massa óssea. A resposta foi que provavelmente era massa magra, e que massa óssea seria difícil.

Preciso discordar, e o motivo é que essa é uma pergunta que não se responde por dedução.

A gestrinona tem ação antiestrogênica, e é assim que ela funciona na endometriose e no mioma: reduzindo o estímulo estrogênico. Só que estrogênio é também o principal hormônio de manutenção da densidade óssea na mulher. Hipoestrogenismo mantido por tempo prolongado é um fator de risco reconhecido para perda de massa óssea, e é por isso que os análogos de GnRH, que produzem esse mesmo estado, têm limite de tempo de uso e protocolos de terapia complementar.

E o detalhe que torna isso concreto no caso dela: perda óssea não aparece em fita métrica, não dá sintoma e não dá para sentir. A pessoa descobre na densitometria ou na primeira fratura.

Ela usou por um ano, considerava usar de forma contínua e disse querer atravessar a menopausa já em amenorreia induzida. Nesse desenho específico, densitometria óssea de base e acompanhamento não são exagero: são a única forma de saber. E isso é conversa com o ginecologista dela, que conhece o caso.

Agora três correções que eu preciso fazer com clareza, porque foram ditas com segurança e são as que mais podem causar dano em quem lê.

A primeira é a testosterona apresentada como forma de suspender a menstruação e como alternativa para mioma.

Amenorreia induzida por androgênio não é o mesmo fenômeno que amenorreia induzida por um progestágeno ou por gestrinona. Ela é consequência da supressão do eixo hipotálamo hipófise ovário, ou seja, é um sinal de que o eixo foi desligado, e não um efeito terapêutico buscado. Não existe estudo de eficácia nem de segurança de testosterona como supressor menstrual em mulher, e não existe indicação dela para mioma ou endometriose.

E há um ponto de mecanismo que costuma passar batido: mioma e endometriose são condições estrogênio dependentes, e parte da testosterona aromatiza em estradiol. Ou seja, não é sequer um caminho farmacologicamente coerente para o problema que se quer resolver.

Foi dito no tópico que um médico tradicional não faria isso por falta de publicações que o amparassem perante o conselho. Eu inverteria a leitura: a ausência de publicação é exatamente o problema, e não uma formalidade burocrática. É ela que significa que ninguém sabe o que acontece com essas mulheres em cinco ou dez anos.

E vale lembrar o que está do outro lado da conta. Entre os efeitos androgênicos, acne, oleosidade e alteração de fluxo regridem quando se para. O engrossamento da voz e o aumento do clitóris, não. As alterações vocais vêm de mudança estrutural na prega vocal, e a literatura descreve casos permanentes inclusive após uso curto.

A segunda é a testosterona apresentada como forma de coibir histórico familiar de câncer de mama.

Isso não procede, e é a afirmação mais delicada do tópico. Não existe evidência que sustente testosterona como estratégia de prevenção de câncer de mama, e parte dela aromatiza em estradiol, que é justamente o hormônio envolvido na maioria dos tumores de mama.

Quem tem histórico familiar relevante tem um caminho estabelecido, e ele é bem diferente: avaliação de risco, aconselhamento genético quando indicado, rastreamento com frequência e método adequados ao risco, e, em casos selecionados, medidas de redução de risco conduzidas por mastologista ou oncologista. Nenhuma delas passa por hormônio comprado em farmácia de manipulação.

A terceira é menor, mas vale ajustar. Foi dito que a única maneira resolutiva para mioma, segundo diretriz, é a histerectomia.

A histerectomia é de fato o tratamento definitivo, no sentido de que sem útero não há mioma novo. Mas ela não é a única conduta com respaldo. Miomectomia, embolização das artérias uterinas e tratamento medicamentoso são opções reais, e a escolha depende de número, tamanho e localização dos miomas, da intensidade dos sintomas e do desejo de gestação. Apresentar cirurgia radical como a única saída para uma mulher de 39 anos é estreitar demais o leque.

Agora um ponto que passou como comentário e que é dos mais úteis para qualquer leitora daqui.

A @Gestgirl registrou que tem enxaqueca com aura.

Isso merece destaque, porque é uma das poucas situações em ginecologia com contraindicação formal e bem estabelecida: mulher com enxaqueca com aura não deve usar contraceptivo hormonal combinado, com estrogênio, pelo aumento de risco de acidente vascular cerebral. Métodos apenas com progestágeno, como o desogestrel que ela usava, são justamente a alternativa adequada.

Ou seja, a prescrição que ela tinha estava correta, e isso vale ser dito, porque toda semana aparece aqui alguém recomendando trocar de anticoncepcional por conta do treino, sem saber que existe esse tipo de contraindicação do outro lado.

E vale registrar o episódio mais instrutivo do tópico, que foi ela quem contou.

Ela recebeu da farmácia de manipulação 24 doses, com 36 aplicadores, e a embalagem dizendo 36 gramas. Ela percebeu a discrepância e correu atrás.

Esse parágrafo vale mais que toda a discussão de preço que veio depois. É a demonstração prática do problema central do produto manipulado: não há como saber o que se está usando. E isso tem uma consequência clínica direta, que apareceu logo em seguida no relato dela.

Ela usou o gel por semanas, não sentiu nem benefício nem colateral, teve duas menstruações num mês e cólica intensa, e escreveu que ficou com receio de não ser gestrinona.

Ela estava fazendo a pergunta certa e não tinha como respondê la. Ausência total de efeito, em qualquer direção, é compatível tanto com resposta individual quanto com produto sem teor, e não existe jeito de distinguir pela sensação. Com medicamento registrado, teor e uniformidade de dose são garantidos pelo controle do produto. É essa a diferença, e não o preço.

E, sobre a conduta naquele momento, eu discordo do encaminhamento. Piora do sangramento e dor intensa depois de semanas de tratamento não é indicação de trocar para uma forma da qual não se pode sair. É indicação de voltar ao ginecologista e reavaliar, inclusive com exame de imagem, que foi aliás o que ela mesma cogitou.

Sobre resveratrol, própolis, pinus e a estratégia antioxidante em geral: não há evidência consistente de efeito clínico na endometriose. Não fazem mal, mas não substituem tratamento e não devem entrar na conta de decidir se algo está funcionando.

E uma nota sobre a vitamina D, que atravessou o tópico. Foi dito que é para a vida toda, a menos que se tome sol todos os dias. O critério melhor é outro e é mais simples: dosar, repor conforme o resultado e reavaliar. Uso continuado sem exame tem um teto, que é 4.000 UI por dia para adultos, e excesso crônico produz hipercalcemia.

Fecho com o que eu de fato acho desse tópico.

Ele foi aberto por alguém que não estava procurando shape, e sim tentando parar de sentir dor, e que decidiu documentar isso publicamente para ajudar outras mulheres na mesma situação. A @Lady Who fez o mesmo, e ainda voltou depois de um ano para contar o que não tinha funcionado, que é a parte que quase ninguém volta para contar.

Endometriose e mioma são condições que causam dor real, sangramento real e prejuízo real de vida, e a impaciência de quem procura qualquer coisa que funcione é absolutamente compreensível. É exatamente por isso que essas são as pacientes mais expostas a produto sem comprovação, e é por isso que a decisão de 2024 sobre os implantes manipulados precisa estar escrita aqui, no tópico que elas vão encontrar quando pesquisarem.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

  • 2 semanas depois...

Sobre tratamentos alternativos como miomectomia e embolização, eu vejo mais como paliativos de curto prazo, qualquer que seja o tamanho ou quantidade: quem faz miomectomia geralmente volta a ter miomas 5, 6 anos depois na melhor das hipóteses, é um trauma no abdômen que não se justifica, pode tirar todos os miomas, enquanto houver útero eles voltarão. Cada nova miomectomia vai gerar aderências, criando um quadro pior depois.

A embolização envolve riscos de provocar uma falência ovariana precoce, não há garantia de que artérias erradas não serão atingidas, não compensa o risco, até porque, poucos anos depois surgirão novos miomas, isso se é que a embolização vai gerar uma redução relevante nos existentes.

Eu tentei muita coisa desde 2015: alimentação radicalmente livre de processados por mais de 1 ano, exercícios, receitas e suplementos naturais (uxi, unha de gato, picnogenol). E a única coisa que funcionou minimamente foi a gestrinona. Fato é que mioma não acaba, sempre crescem, tira um vem outro, não tem jeito. A única alternativa de longo prazo seria a medicamentosa mesmo, mas aí depende se a pessoa vai se dar bem com a gestrinona (ou com outras substâncias se existir) e se os colaterais compensam.

Editado em por Lady Who

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