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Suplementos e ração para cachorros! Há diferença quanto aos produtos para humanos?

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  • Dei uma inchada boa, nada muito espetacular, parece o efeito de creatina, e dá muita disposição também. O gosto é extremamente desagradavel, eu misturava com leite, mamao, banana, farinha lactea, a

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vao usar coleira, shampo e tomar banho no pet shop

  • 14 anos depois...
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Existe um risco de reações alérgicas:

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Medicamentos de indicação animal estão sendo utilizados por seres humanos. Conforme vendedores de lojas veterinárias em Fortaleza, a prática é antiga. A maioria das pessoas que compram esses produtos para se automedicar não sabem o risco que correm.

Flávio Nogueira da Costa, professor do curso de Ciências Farmacêuticas da Universidade de Fortaleza (Unifor) explica que o uso desses medicamentos pode causar desde reações alérgicas até o óbito.

De acordo com Eduardo de Oliveira, vendedor de uma loja veterinária, diariamente drogas de uso animal são vendidas para combater alguma enfermidade de humanos. Ele diz que há quem utilize, por exemplo, antitóxico animal para curar ressaca. Ferimentos são tratados, por alguns clientes, com o cicatrizante veterinário Ganadol.

O produto mais procurado, de acordo com o comerciante, é a pomada equina Calminex. Apesar de haver uma medicação semelhante voltada para os humanos, as pessoas continuam procurando o medicamento de uso veterinário.

Podemos incluir nessa gama suplementos de aminoácidos como, por exemplo, o Muscle Horse Turbo. Enquanto, aparentemente, as dosagens possam ser adaptadas para humanos, o que muita gente não sabe é que um aminoácido que essas fórmulas veterinárias possuem chamado DL-Metionina pode não ser utilizado de forma correta no organismo humano e causar forma severa de alergia.

Na opinião de Edvar Carvalho, proprietário de uma loja desse ramo, os consumidores acreditam que a pomada para cavalos surte efeito mais rápido. Todavia, ele garante que não vende o produto, caso saiba que não será utilizado em bichos. "O organismo do animal é diferente do humano", justifica.

Entretanto, pelo menos em outros estabelecimentos, até mesmo cosméticos indicados aos animais são comercializados para serem usados pelo homem. Eduardo de Oliveira diz que algumas pessoas utilizam, por exemplo, o xampu canino Paroxydex. "Elas acreditam que o produto combate caspa", explica Eduardo.

No entanto, Flávio Costa ressalta que medicamentos veterinários de uso tópico podem causar reações alérgicas, quando aplicados em humanos. Já a professora-doutora Maria Cristina da Silva, que leciona na Faculdade de Veterinária da Universidade Estadual do Ceará, afirma que alguns produtos veterinários não apresentam "tanta restrição ao uso humano".

A professora explica que algumas pomadas cicatrizantes de uso animal são aplicadas em homens e vice-versa. Mas ela ressalta que as pessoas "devem ter muita cautela na utilização de produtos veterinários".

A ingestão de medicamentos indicados para animais, segundo o professor Flávio Costa, pode provocar problemas estomacais, renais e hepáticos. Ele alerta que a administração intramuscular ou intravenosa dessas drogas corre o risco de provocar, por exemplo, choque anafilático ou levar o usuário à morte.

http://www.minutofarmacia.com.br/postagens/2016/01/26/uso-de-produtos-veterinarios-por-humanos/

  • 6 anos depois...

@williamsuane, essa pergunta de dois mil e cinco virou piada no tópico, mas ela tem resposta técnica boa, e a piada esconde um risco real. Vale responder, ainda mais porque isso voltou a circular como moda de internet nos últimos anos.

Começando pelo argumento do @-lipkno†, que é o mais inteligente do tópico e está meio certo. Ele tem razão em dizer que creatina é creatina, independente do rótulo. Uma molécula não muda de identidade por causa do público a que o produto se destina, e é verdade que boa parte dos anabolizantes usados por aí é de linha veterinária. Nesse ponto o raciocínio dele é sólido.

O que o argumento deixa de fora é que o problema não é a molécula, é tudo o que vem junto com ela. E aí a diferença é grande.

Alimento para animais no Brasil é regulado pelo Ministério da Agricultura, com regras próprias, e não pela vigilância sanitária de alimentos para pessoas. Isso não significa que seja um produto ruim, significa que ele é fabricado sob um padrão desenhado para outra espécie. As fontes de proteína usadas nessa indústria incluem subprodutos e farinhas de origem animal classificados como impróprios para consumo humano, e a linha de produção não precisa atender aos requisitos de uma fábrica de alimentos para gente.

O segundo ponto é a formulação. Vitaminas e minerais são dosados para o metabolismo do cão, que é diferente do nosso em coisas específicas. Cachorro, por exemplo, produz a própria vitamina C, e nós não. As proporções de vitamina A, vitamina D e minerais são calculadas para o peso e a necessidade do animal, e não são pensadas para alguém que vai comer aquilo em quantidade grande todo dia. Excesso de vitaminas lipossolúveis se acumula.

E o terceiro ponto é o que fecha a discussão, porque não é teoria. Ração seca já causou surto de salmonela em pessoas. Entre dois mil e seis e dois mil e oito, setenta e nove casos em vinte e um estados americanos foram ligados a ração seca contaminada por Salmonella Schwarzengrund, com recall nacional do fabricante. Metade dos infectados eram crianças pequenas, e vinte e quatro por cento dos casos com informação disponível precisaram de internação. A maioria dessas crianças nem comeu a ração, apenas teve contato com ela ou com a vasilha. Alguém que come direto do pacote está numa exposição bem maior.

Ou seja, @zapatista, a sua conclusão estava certa mesmo com o mecanismo errado. Não é questão de flora intestinal nem de anticorpo para carne crua. É questão de padrão de fabricação e de contaminação microbiológica, com um limite de tolerância pensado para outra espécie.

@binho5, um ajuste ao que você escreveu: os aminoácidos desses suplementos não são tóxicos para humanos. Aminoácido é o mesmo em qualquer espécie. O problema é o resto do produto e a procedência.

E existe o argumento que ninguém fez e que talvez seja o mais convincente de todos: nem como estratégia isso funciona. Ração é feita para ser calórica e barata, não para ser proteica. Cada cem gramas trazem em torno de trezentas e cinquenta a quatrocentas calorias, com boa parte vinda de gordura e de amido, e uma proporção de proteína bem pior que a de ovo, frango, leite ou até de feijão com arroz. Quem come ração para bater proteína está comendo muita caloria e pouca proteína, pagando por isso, e ainda arriscando contaminação.

@-lipkno†, sobre a sua experiência com aquele suplemento veterinário: o inchaço e a disposição que você descreveu são compatíveis com creatina, que era o principal componente ativo dele para esse efeito. Ou seja, você pagou por gosto de vômito para ter o efeito de um pote de creatina, que é um dos suplementos mais baratos e mais estudados que existem. Isso resume bem o custo benefício da ideia.

Respondendo a sua última pergunta, @williamsuane, que ninguém respondeu: dar suplemento humano para cachorro também não é boa ideia. O sentido inverso tem os mesmos problemas, com um agravante, porque existem coisas comuns em suplemento humano que são tóxicas para cães, incluindo xilitol, adoçante presente em vários produtos, que causa hipoglicemia grave e lesão hepática no cachorro. Suplementação de animal se resolve com veterinário.

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