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PROJETO HULK - CUTTING

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  • Boa noite Galera!!! Chegamos ao dia final do projeto dia 249,  mas vamos dizer dia 250 pra ficar mais bonito hehehe. DIA 250  -  ATUALIZAÇÃO FINAL  (desse projeto e que venha o proximo kkkkk

  • Pois é....momento épico....kkkkkk Vc mesmo respondeu.......SEM DESCULPAS.... Não tem segredo....o que faço é o que passo......o que estudo é o que faço e passo tbm.......nada de receita ou

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  • 2 semanas depois...
  • 6 anos depois...

Esse é um dos relatos mais bem documentados que já li aqui. O @MOTUMBO saiu de 118,5 kg para 94 kg em 250 dias, atualizou de quinze em quinze dias sem falhar uma vez, registrou peso, cintura, treino, dieta e fotos em todas, e foi até o fim. Isso é raro e o resultado é indiscutível.

Justamente por isso vale discutir com seriedade as partes que ficaram sem revisão, porque esse tópico virou referência e é lido até hoje por gente que vai repetir o roteiro.

Começo pela pergunta mais bem feita do tópico inteiro, que foi dele e recebeu a resposta errada.

Depois de nove semanas de oxandrolona, ele perguntou: estanozolol oral depois de oxandrolona seria exigir demais do fígado?

A resposta foi sugerir o estanozolol injetável.

A pergunta estava certíssima e a solução não resolve o problema. O estanozolol injetável não é outra molécula: é a mesma substância 17 alfa alquilada, apenas em suspensão aquosa. A alquilação na posição 17 alfa é uma modificação feita exatamente para a molécula resistir ao metabolismo hepático, e é ela que se associa à sobrecarga do fígado e à queda acentuada de HDL. Isso é da molécula, não da via de administração.

Ou seja, trocar oral por injetável reduz um pouco a passagem inicial pelo fígado, mas não retira a característica que produz o problema. Quem faz oxandrolona por nove semanas e emenda estanozolol está somando dois 17 alfa alquilados em sequência.

E aqui está o que me preocupa de verdade nesse relato: em 250 dias, com enantato, propionato, oxandrolona, nandrolona, estanozolol e clembuterol, eu não encontrei um único exame de sangue postado.

O acompanhamento quinzenal perguntava cabelo, pelos, acne, libido e voz, que são sinais externos e que ele respondia com honestidade. Mas fígado e colesterol não dão sinal externo. Eles só aparecem no exame, e é justamente por isso que o exame existe.

Dois marcadores importavam nesse projeto, e nenhum foi olhado. O hepatograma, com TGO, TGP, gama GT e bilirrubinas, por causa dos dois orais. E o perfil lipídico, porque oxandrolona e estanozolol estão entre os compostos que mais derrubam HDL, e ele estava fazendo isso durante meses de déficit calórico agressivo.

Isso não invalida nada do que ele conquistou. Só significa que a parte da conta que não aparece na foto nunca foi conferida.

Agora a decisão que estruturou o projeto inteiro, e onde eu discordo desde o primeiro post.

Ele começou, aos 28 anos, com 115 kg, direto num cruise de enantato a 150 mg por semana. Não houve exame prévio mostrando testosterona baixa, e ele não estava saindo de um ciclo.

O conceito de cruise faz sentido dentro de uma lógica: depois de um ciclo, o eixo está suprimido, a produção própria caiu, e uma dose de manutenção evita o período de testosterona baixa. Ele não estava nessa situação. Ele estava começando.

E existe uma ironia nesse caso específico que vale desenvolver, porque ela é o argumento mais forte contra a escolha.

Obesidade derruba testosterona por mecanismos conhecidos: mais tecido adiposo significa mais aromatização de testosterona em estrogênio, o que retroalimenta negativamente o eixo, e há ainda alteração de SHBG e o efeito da apneia do sono e da resistência à insulina. É por isso que perda de peso significativa costuma elevar a testosterona própria de forma substancial em homens obesos.

Ou seja, o próprio projeto que ele estava executando era o tratamento mais eficaz disponível para a testosterona dele. Ele perdeu 24 kg. Nós nunca vamos saber o que a testosterona dele fez nesse período, porque ela estava sendo fornecida de fora desde o dia um.

E cruise, por definição, não termina. Aos 28 anos, isso é uma decisão de longo prazo tomada sem o exame que mostraria se havia problema para resolver.

Agora um ponto de segurança que eu considero o mais urgente do relato.

Na fase final ele estava usando, ao mesmo tempo: cafeína pela manhã, ioimbina 5 mg, clembuterol, e HIIT duas a três vezes por dia, todos os dias.

Esses quatro atuam sobre o mesmo sistema. Cafeína e ioimbina são adrenérgicos, o clembuterol é agonista beta 2, e o HIIT é o estímulo simpático mais intenso que existe no treino. Somar tudo isso é empilhar frequência cardíaca, pressão e arritmia sobre a mesma via.

Sobre o clembuterol, especificamente, vale dizer o que ele é. Não é anabolizante. É um broncodilatador, e os efeitos que aparecem com frequência são taquicardia, tremor, cãibra, insônia e queda de potássio. Em modelos animais há descrição de hipertrofia cardíaca com uso prolongado. E o gel de uso veterinário, que foi o sugerido, não tem concentração pensada para pessoa, o que torna a dose um chute.

Sobre a ioimbina, dois pontos. É medicamento, e não suplemento. E numa análise de 49 produtos vendidos como suplemento de ioimbina, a maioria não trazia a quantidade no rótulo, e entre os que traziam o conteúdo real variou de 23 a 147 por cento do declarado. Quem toma 5 mg pelo rótulo não sabe o que tomou.

E há a interação que quase nunca é mencionada: ioimbina com antidepressivos que agem na noradrenalina pode elevar bastante a pressão.

Sobre a finalização, com baixa hidratação seguida de hiper hidratação: isso é protocolo de palco, feito para durar horas, sob supervisão, por quem vai competir. Ele não estava competindo. Manipular água e sódio para uma foto de fórum, ainda por cima com clembuterol e estimulantes em uso, troca risco real por um ganho que dura um dia. É a única parte do projeto em que eu diria, sem meio termo, que não valia a pena.

Agora três correções técnicas menores, e um crédito grande.

O crédito primeiro, porque foi merecido: quando ele repetiu a crença da janela de oportunidade pós treino e do pico de insulina, o @Apollo Galeno desmontou corretamente. Vale reforçar o motivo, porque é útil para quem lê: a janela anabólica é muito mais larga do que se dizia, existe ainda aminoácido circulando das refeições anteriores, e o que determina o resultado é o total de proteína e de calorias do dia, não os trinta minutos depois do treino.

A primeira correção é sobre a nandrolona preservar as articulações do estanozolol. Isso circula muito e precisa de ajuste. O alívio articular relatado com nandrolona é sobretudo sintomático, e boa parte se explica por retenção hídrica. Ela não repara cartilagem nem protege a articulação. E isso tem um risco embutido: dor articular é o sinal que faz a pessoa reduzir carga ou corrigir execução, e mascarar esse sinal enquanto se treina pesado é como desligar o alarme e continuar dentro de casa.

A segunda é sobre pholia negra, garcinia e vinagre. Não há evidência consistente de efeito relevante em gordura corporal para nenhum dos três. A garcinia, em particular, tem relatos de caso de lesão hepática associada ao uso, e ele estava tomando isso durante meses de oral 17 alfa alquilado. E vinagre em jejum, todo dia, é ácido em contato direto com o esmalte, que não se regenera. Se for manter, dilua bem, use canudo e não escove os dentes logo depois.

A terceira é a vitamina D em 5.000 UI por dia. O limite superior tolerável para adultos em uso continuado é 4.000 UI. Doses acima disso existem e são usadas, mas em correção de deficiência documentada, com dosagem e por tempo definido. É um dos poucos suplementos em que exagerar tem consequência real, e o exame vem antes da dose.

Agora o desfecho que eu acho mais importante desse tópico inteiro, e que passou como nota de rodapé.

Ele escreveu, no início, que tinha insônia havia dez anos e que estava começando melatonina. No balanço final, escreveu que dormia maravilhosamente bem.

Isso quase certamente não foi a melatonina. Melatonina age sobre o adormecer, e um homem de 118 kg com dez anos de insônia tem, antes de tudo, uma hipótese que precisa ser afastada: apneia obstrutiva do sono. Ela é fortemente ligada ao excesso de peso, produz sono fragmentado e cansaço diurno, e melhora de forma expressiva com perda de peso. Vinte e quatro quilos a menos é a intervenção mais eficaz que existe para isso.

Vale a informação complementar, que interessa a ele diretamente: androgênios podem piorar apneia do sono. Ou seja, quem faz cruise contínuo e ronca precisa saber que essa é uma das poucas interações em que o efeito é direto e mensurável.

E sobre o GABA que entrou na fórmula do sono: GABA por via oral praticamente não atravessa a barreira hematoencefálica em quantidade relevante, então o efeito esperado é pequeno. Insônia de dez anos, aliás, tem tratamento de primeira linha bem estabelecido, que é a terapia cognitivo comportamental para insônia, com resultado superior e mais duradouro que medicação. É um caso em que o que funciona não é um pote.

Fecho com o que eu de fato acho desse relato.

Ele descreveu, no balanço, o que considerava as vitórias: perdeu o sobrepeso, voltou a dormir, deixou de sentir dor na canela ao correr, deixou de ser ultrapassado por senhoras no parque. Nada disso é estética. É saúde, e é o que vai ficar com ele.

E é aí que está a lição que eu tiraria. Ele executou 250 dias de dieta pesada, cardio diário e treino consistente, num nível de disciplina que quase ninguém sustenta. Essa parte não tem substituto e não tem atalho, e foi ela que entregou os 24 kg.

O que eu mudaria não é o esforço. É que um projeto desse tamanho, com essa quantidade de fármaco, merecia dois exames de sangue no meio do caminho. Custavam pouco, respondiam o que os espelhos não respondem, e seriam a única parte do relato que ele não pode reconstruir depois.

Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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