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Estresse e hipertrofia: o temido cortisol

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  • Não sei se entendi errado, mas há alguma relação entre exercicio aerobico em excesso e cortisol? O problema é saber o que é excesso...

  • O cortisol tem ação catabólica. Sua secreção aumenta durante o exercício e é proporcional tanto à intensidade quanto à duração do mesmo. Mesmo após o término do exercício, sua concentração plasmática

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Não sei se entendi errado, mas há alguma relação entre exercicio aerobico em excesso e cortisol?

O problema é saber o que é excesso...

O cortisol tem ação catabólica. Sua secreção aumenta durante o exercício e é proporcional tanto à intensidade quanto à duração do mesmo. Mesmo após o término do exercício, sua concentração plasmática ainda se mantém elevada por algumas horas. A preocupação com a concentração elevada de cortisol no organismo, depende dos objetivos. Um fundista(por ex. um corredor de maratona) que treina aeróbio de 1 a 2 horas por dia de forma intensa, não está preocupado com isso, pois o seu objetivo

é obter a máxima potência aeróbia, mesmo que isso possa lhe custar uma eventual perda de massa magra. Já para um atleta que visa hipertrofia muscular, um aeróbio com volume alto pode prejudicá-lo, pois o cortisol ativa a amino-transferase, que é a enzima responsável pelo catabolismo dos aminoácidos, o que favorece a perda de massa muscular,

quando em excesso. Para se saber se os níveis de cortisol estão em excesso, o que caracterizaria um início de overtraining, além dos sinais e sintomas caracterísiticos dessa síndrome, existe um marcador sanguíneo

utilizado por laboratórios que trabalham com esportistas que é a relação testosterona/cortisol obtida através de amostragem sanguínea.Ela é usada como marcador de recuperação para se tentar diagnosticar de forma preventiva o overtraining, de tal forma que se a relação testosterona/cortisol for menor que 1 , significa que a produção de hormônios catabólicos é maior que a de anabólicos e o atleta terá maiores dificuldades em se recuperar, devendo rever o seu treinamento

de forma a evitar que a síndrome de overtraining se estabeleça. Caso essa relação seja maior que 1, a produção de hormônios anabólicos estará maior que a de catabólicos, propiciando ao atleta se recuperar com maior facilidade, tornando mínimos os riscos de overtraining.

  • 2 semanas depois...
Li o tópico e acho interessante dizer uma experiêcnia minha.

Para quem não acredita que problemas psicológicos podem atrapalhar seriamente o nosso crescimento corporal, eu a pouco tempo atras, uns (5 meses) eu entrei em depressão, uma depressão profunda mesmo, muitos problemas pessoais, na faculdade, auto estima abaixo do chão, minha namorada havia terminado comigo, enfim eu estava um lixo, um verdadeiro estrume ambulante, até cachorro tava melhor.

Comecei a comer muito mal, andava muito a pé, não tinha grana pra por gasolina no meu fusca, que hoje já até vendi, antes dessa minha terrivel fase eu tinha 87 quilos, era bem aparentado, derrepende, minhas calças ficaram largas, e as pessoas começavam a me perguntar porque eu estava emagrecendo. A PIOR PERGUNTA QUE SE PODE FAZER A UM PRATICANTE DE MUSCULAÇÃO É, PORQUE VOCÊ ESTÁ EMAGRECENDO???

no sentido de estar mal!!!

eu parei com 70 quilos, exatamente 70 quilos e 1,83, minha auto estima não existia mais, fiquei doente com isso, achava que estava era pra morrer, e que só podia ter hiv, cancer, enfim essas merdas... na hora do aperto bati tudo quanto é paranóia desse mundo na nossa cabeça, relutei em fazer esames de rotina, e mais ainda relutei para fazer esames especificos para dst's.... não havia necessidade acreditem, eu estava louco!!! resumindo criei coragem, fiz todo o tipo de esames e deu tudo negativo... finalmente respirei denovo!!

Esqueci de ressaltar que nessa época eu estava malhando, só que eu malhava com a cabeça totalmente virada para os problemas, eu cheguei a ascender um cigarro um dia na praça aonode eu fazia apoio e barras, e me dei conta depois de metade dele fumado ( mais que merda eu estou fazendo ) malhando e fumando, eu não podia estar legal concordam?

É isso ai, hoje me recuperei, to voltando a ativa, com 85 kilos já, perdi tudo o que eu era, nunca mais serei o mesmo creio. Mais quem sabe não chego lá!

com a depressão perdi 14 kilos, minha massa magra tinha ido pro saco! isso tudo em pouco mais de um mês.

eu não acreditava que um problema psicológico poderia trazer tandos danos a minha condição fisica... mais é isso ai galera, isso existe sim e tomem cuidado!

depressão + malhação = magrelão!

isso sim!!!

fui

amigo,

entendo perfeitamente o q vc passou, pois estou passando exatamente a mesma coisa. Parei de treinar a uns 5 meses por problemas estomacais, nao conseguia comer direito e tal e a um mes minha namorada largou de mim,to sem grana, e deprimido. cara ja emagreci 6 ou 7kg!! to me sentindo um lixo, todo mundo chega em mim e pergunta se eu estou doente ou com problema, o pessoal fala q eu to magro e q eu emagreci, eu tenho trauma disso!! eh mto ruim ouvir isso!!

mas tenho certeza q vou me recuperar cara...

valew,

abraços a todos.

amigo,

entendo perfeitamente o q vc passou, pois estou passando exatamente a mesma coisa. Parei de treinar a uns 5 meses por problemas estomacais, nao conseguia comer direito e tal e a um mes minha namorada largou de mim,to sem grana, e deprimido. cara ja emagreci 6 ou 7kg!! to me sentindo um lixo, todo mundo chega em mim e pergunta se eu estou doente ou com problema, o pessoal fala q eu to magro e q eu emagreci, eu tenho trauma disso!! eh mto ruim ouvir isso!!

mas tenho certeza q vou me recuperar cara...

valew,

abraços a todos.

putz depressão é foda..

uma coisa q vem.. e é foda... já tive.. ficava em casa o dia inteiro..

não ia ao shopping nem a tiro, muito menos sair pra balada..

soh ia na musculação..

e hoje graças a deus isso passou, todo sabado to saindo, isso é um cu

o q salvou foi q eu não parava de ir na musculação.. ia todo santo dia menos sabado e domingo..e foi isso q me fez voltar ao normal

hoje em dia... eu notei q é mais facil ganhar massa, q quando eu estava todo complexado ( levei um fora hehehe.. foda mulher neh )

  • 16 anos depois...
  • 6 anos depois...

@torque, o seu tópico foi fixado em dois mil e três e chegou a uma conclusão prática que continua valendo: estresse da vida atrapalha o treino. Só que a explicação usada para chegar lá, a do cortisol como vilão, não sobreviveu ao que veio depois. E isso importa, porque a explicação errada leva a comportamentos errados, como tentar evitar o cortisol do treino, que foi onde o tópico acabou indo.

Primeiro, o que caiu.

Existe um trabalho que testou justamente essa ideia, e testou do jeito mais direto possível. Mediram as respostas hormonais agudas depois do treino de perna, com hormônio de crescimento, testosterona livre, IGF um e cortisol, num grupo grande de homens jovens, e acompanharam os ganhos de massa magra e de força ao longo do programa. Não houve correlação entre a resposta hormonal aguda ao exercício e os ganhos. Quem teve pico hormonal maior não ganhou mais.

Ou seja, aquela lógica de organizar o treino para maximizar hormônio bom e minimizar hormônio ruim não se sustenta. O cortisol que sobe durante e depois do treino é parte normal da resposta ao esforço, é o que mobiliza energia para você treinar, e ele não é o que decide o seu resultado. Treinar mais leve ou mais curto para não elevar cortisol é abrir mão de estímulo por causa de um marcador que não prevê nada.

Segundo, o que ficou de pé, e é a parte em que você estava certo.

O estresse psicológico crônico, esse de vida mesmo, tem efeito medido sobre a recuperação. Em estudos que acompanharam pessoas depois de uma sessão de treino resistido, quem relatava mais estresse crônico recuperou força e dor muscular mais devagar ao longo de noventa e seis horas, e demorou mais para recuperar a sensação de energia. Existe também trabalho mostrando que estresse crônico alto muda a percepção do esforço e do prazer durante o treino pesado.

Repare na diferença. Não é que o estresse dispara cortisol e o cortisol come o músculo. É que a pessoa sob estresse crônico se recupera mais devagar, dorme pior, come pior, bebe mais, falta mais ao treino e treina com menos intensidade quando vai. O efeito é real, mas ele chega pelo comportamento e pela recuperação, não por um número no exame.

E isso muda o que fazer. Não adianta e nem é possível evitar qualquer estresse durante o dia, como o @thiago_sa colocou. O que dá para fazer é proteger as variáveis que o estresse costuma derrubar primeiro: sono, comida e frequência de treino. Se você está numa fase ruim, manter a frequência, mesmo com sessões um pouco mais curtas, vale muito mais do que qualquer estratégia hormonal.

Terceiro, respondendo o @ABUTRE, que fez a pergunta certa: existe relação entre aeróbico em excesso e prejuízo, e o problema é saber o que é excesso.

Aqui os números ajudam. Uma meta análise com vinte e um estudos comparou treino de força isolado com treino concorrente. O tamanho de efeito para hipertrofia foi de um vírgula vinte e três treinando só força, contra zero vírgula oitenta e cinco no concorrente. Para força, um vírgula setenta e seis contra um vírgula quarenta e quatro. Ou seja, o prejuízo existe e é mensurável, mas é uma redução do ganho, e não anulação.

E o detalhe mais útil dessa análise: o prejuízo apareceu com corrida, e não com bicicleta. A explicação provável é o dano muscular da parte excêntrica da corrida, que compete com a recuperação do treino de força. E o tamanho do efeito depende de modalidade, frequência e duração do aeróbico. Traduzindo para a prática: aeróbico moderado, poucas vezes por semana, de preferência em bicicleta ou caminhada, praticamente não atrapalha. Corrida longa, frequente, no mesmo dia da perna, atrapalha.

@Rodolpho, respondendo você, que ficou sem resposta: duas horas de vôlei duas vezes por semana mais uma hora de futebol não impedem hipertrofia. Isso vira problema em duas situações, e as duas são de comida e recuperação, não de cortisol: se você não aumentar as calorias para cobrir esse gasto, e se as pernas chegarem no treino de força já castigadas. O ajuste é comer mais e organizar a semana para não colocar treino de perna no dia seguinte ao jogo.

Por fim, uma palavra sobre os relatos do @Soulflyfree e do @the_first, que contaram aqui que estavam em depressão, perderam peso e pararam de treinar. Vale dizer o que ninguém disse na época: aquilo não era falta de foco nem estresse a ser administrado com equilíbrio mental, era um quadro de saúde, e quadro de saúde tem tratamento. Se alguém que lê isso hoje está nesse lugar, o passo mais eficiente não é ajustar o treino, é procurar ajuda profissional. O treino ajuda muito, mas ele funciona melhor como parte do tratamento do que como substituto dele.

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