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Sem pança com a "Dieta de South Beach"?

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  • é tipo a do atkins, mas um pouco mais restrita nas gorduras e mais liberada nos carbos

  • Pessoal A dieta de South Beach é uma dieta da moda atualmente, muito parecida com a do Dr. Atkins, aquela das proteínas, só que com menos restrição dos carbos. Esta dieta permite, por ex, que se co

  • Da só uma olhada no texto de propaganda do livro... Comer deve ser um prazer mesmo quando se está tentando emagrecer. Este é um dos princípios básicos da Dieta de South Beach, um plano feito a p

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  • 15 anos depois...
  • 6 anos depois...

A pergunta que a *Tutuca* fez três vezes nunca foi respondida, e ela é a melhor pergunta do tópico. Por que o autor prometia que a barriga sai primeiro? Vinte anos depois dá para responder com precisão, e a resposta é que a promessa é meio verdadeira, só que pelo motivo errado.

A parte de marketing é evidente. Nenhum plano alimentar permite escolher de onde a gordura sai, e a ordem em que cada região responde é determinada em boa parte por genética e por hormônio, não pelo cardápio. Isso é o que se chama de impossibilidade de redução localizada, e vale tanto para dieta quanto para exercício.

Mas existe um fundo real. Quem tem muita gordura visceral, aquela que fica entre as vísceras e faz a barriga dura e projetada, costuma ver essa região responder cedo na perda de peso. A gordura visceral é metabolicamente mais ativa e mais sensível à mobilização do que a gordura subcutânea de quadril e coxa. Em pessoas com resistência à insulina, que era exatamente o público que o autor atendia no consultório de cardiologia, cortar carboidrato refinado reduz gordura visceral de forma consistente. Só que isso acontece porque essas pessoas passam a comer menos calorias no total, não porque o carboidrato em si engorde a barriga.

E aqueles três a cinco quilos das duas primeiras semanas têm explicação bem menos glamourosa. Cada grama de glicogênio armazenado no músculo e no fígado carrega cerca de três gramas de água. Ao cortar carboidrato, você esvazia esse estoque e perde a água junto. Some com a redução de sódio e do volume alimentar no intestino e a balança despenca. Não é gordura, e volta assim que o carboidrato volta. É a mesma razão pela qual essas dietas parecem milagrosas nos primeiros quinze dias e depois desaceleram bruscamente.

Vale corrigir um trecho da explicação do .:The Phoenix:., porque o erro dele é o mais comum nesse assunto. Cetose não é estado de emergência, é um estado metabólico normal que o corpo usa quando o carboidrato está baixo. E não é verdade que sem insulina a gordura ingerida deixa de ser metabolizada. A oxidação de gordura não depende de insulina, e a insulina na verdade é o hormônio que freia a liberação de gordura do tecido adiposo. Ou seja, o mecanismo que ele descreveu é o oposto do que acontece. Isso não torna a dieta ruim, apenas mostra que a explicação bioquímica que circulava na época estava trocada.

O relato do Cyber_Punk_III é o mais instrutivo do tópico e merece ser lido por quem for tentar algo parecido. A queda de sessenta para quarenta quilos no supino em quatro dias é real e esperada, e o motivo é o glicogênio muscular vazio, que é o combustível do trabalho de força. O cansaço ao acordar é a mesma coisa. E a vontade descontrolada de doce depois de uma semana não é falta de disciplina, é a resposta previsível à restrição rígida, que costuma terminar em compensação. Ele acabou fazendo exatamente o que se recomenda hoje, que é voltar a comer carboidrato e ficar de olho na qualidade e no total.

Sobre a dieta em si, o veredito que a Maria Lucia intuiu na primeira página se confirmou. Quando se comparam dietas com proteína e calorias equivalentes, o resultado de perda de gordura é semelhante entre elas, com ou sem restrição de carboidrato. O que muda o desfecho é a adesão, ou seja, qual delas a pessoa consegue manter por meses. Nesse sentido a South Beach foi mais inteligente que a Atkins ao reintroduzir alimentos, e o índice glicêmico que ela usava como critério envelheceu como uma ferramenta razoável mas exagerada. Um alimento de alto índice glicêmico dentro de uma refeição com proteína, gordura e fibra se comporta de forma bem diferente do que quando testado sozinho em jejum, que é como o índice é medido.

Um alerta sobre a última mensagem do Cyber_Punk_III, para quem ler o tópico hoje. Clembuterol não é acelerador de queima que valha o risco. É um broncodilatador com ação cardíaca importante, associado a taquicardia, tremor, arritmia e hipertrofia do coração em uso prolongado, e não faz nada que um déficit bem feito não faça.

Para a *Tutuca* e para quem chegar aqui com a mesma dúvida, o resumo é este: não dá para escolher onde emagrecer, a barriga costuma responder cedo em quem tem gordura visceral, e o que decide o resultado no fim é o déficit calórico sustentado com proteína suficiente e treino de força para preservar músculo.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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