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Reposição hormonal de testosterona (TRH): deposteron de 15 em 15 dias

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A discussão do fim do tópico tem os dois lados parcialmente certos, e vale destravar isso porque o mal entendido é comum.

O icaroplive está certo ao dizer que, com testosterona exógena circulando, não existe como elevar LH e FSH próprios. O feedback negativo é justamente esse, o cérebro enxerga andrógeno suficiente e desliga o comando. O Batata também está certo ao dizer que dá para manter o volume testicular durante a reposição, mas o mecanismo é outro. Quem faz isso é o HCG, que não aumenta o LH, ele age no mesmo receptor que o LH usaria, ou seja, ele substitui o sinal em vez de restaurá-lo. Por isso é possível manter testículo com tamanho e função preservados mesmo com o eixo desligado. São duas afirmações diferentes que pareciam contraditórias.

Sobre a atrofia em si, o mecanismo é simples. O testículo tem tamanho em grande parte determinado pelos túbulos seminíferos, que respondem a FSH e à testosterona produzida localmente em concentração muito maior do que a do sangue. Reposição exógena eleva o nível sistêmico mas não reproduz essa concentração intratesticular, então os túbulos reduzem e a produção de espermatozoide cai. Isso explica diretamente o que o autor do tópico percebeu, ou seja, menor volume de ejaculado. Não é impressão.

E aqui está o ponto que precisa entrar na conversa de qualquer homem que inicia reposição, principalmente quem ainda pode querer filhos. Testosterona exógena é, na prática, um contraceptivo masculino razoavelmente eficaz, tanto que foi estudada exatamente com essa finalidade. A supressão da espermatogênese é reversível na maioria dos casos, mas a recuperação pode levar de meses a mais de um ano, e nem sempre volta ao ponto inicial. Se filhos estiverem no horizonte, isso precisa ser conversado antes de começar, e existem alternativas que estimulam o eixo em vez de substituí-lo, além da possibilidade de congelar sêmen antes.

Sobre o saw palmetto para evitar ginecomastia, ele não faz isso. Saw palmetto é usado em sintomas de próstata e o mecanismo proposto é inibição parcial da 5 alfa redutase, ou seja, ele mexe na conversão para DHT. Ginecomastia tem a ver com a relação entre estradiol e androgênio, e nada com DHT. Aliás, DHT não aromatiza e tende a proteger contra ginecomastia, então reduzir DHT não ajuda nessa questão específica. Se houver preocupação real com ginecomastia, o caminho é dosar estradiol quando surgir sintoma, ou seja, dor ou nódulo sob o mamilo, e tratar com base em exame.

Sobre o intervalo de quinze dias, esse é o ponto que eu levaria ao médico. Cipionato tem meia-vida em torno de oito dias. Aplicar a cada quinze dias produz um pico alto nos primeiros dias e uma queda importante no fim do intervalo, o que costuma se traduzir em uma primeira semana ótima e uma segunda semana de queda de disposição e libido. Ainda por cima, pico alto aumenta a aromatização, que é justamente o que favorece ginecomastia e retenção. A mesma dose semanal ou dividida em duas partes gera curva bem mais estável, e isso resolve boa parte das queixas sem aumentar nada.

Por último, dois exames que ficam de fora com frequência e que importam mais que os hormônios em homem de 46 anos em reposição continuada. Hematócrito e hemoglobina, porque testosterona eleva a produção de glóbulos vermelhos e sangue mais viscoso é o risco agudo real. E PSA com avaliação prostática, já que reposição não causa câncer de próstata, mas pode acelerar um tumor já existente e não diagnosticado, além de piorar sintomas urinários em quem já tem próstata aumentada.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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