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.:: SARM MK-2866 (OSTARINE) + NATURAL TPC - RECOMP ::.

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  • Seria mais barato, confiável e com efeitos colaterais mais controláveis usar essa mesma dose (10mg) em dianabol ou oxandrolona. Tamoxifeno é um estimulante de testosterona endógena muito mais efi

  • caras fazem isso pq isso não é bomba rs... Bombas fazem mal a saúde, não sabia ? ?

  • Valeu Guerreiro

  • 7 anos depois...

O @SteveReeves montou esse protocolo com cuidado e trouxe dados completos, o que ajuda muito. Volto ao tópico porque há um argumento central que ele repetiu duas vezes e que está incorreto, há um número que muda a decisão inteira, e há um detalhe da vida dele que ninguém levou até o fim, apesar de ser o mais importante de todos.

Começo pelo detalhe, porque ele muda tudo.

Ele contou, no meio do tópico, que é atleta de jiu jitsu, professor e competidor, e que semanas antes tinha lutado o Mundial Master em Las Vegas.

A ostarina está na lista de substâncias proibidas da Agência Mundial Antidopagem, na categoria de outros agentes anabólicos, proibida em todos os momentos e em todos os esportes. Ela não é uma zona cinzenta: é uma das substâncias que mais gera resultado analítico adverso no mundo, com dezenas de casos por ano, e é detectável por muito tempo depois do uso.

O @Apollo Galeno chegou perto quando perguntou se as ervas eram por causa de exame antidopagem, mas a pergunta ficou sem resposta clara e a conversa seguiu.

E há um agravante que quase ninguém sabe: já houve atletas suspensos por quantidades mínimas de ostarina compatíveis com contaminação de suplemento, ou seja, sem uso intencional. Isso significa que, para quem compete, o risco existe mesmo em quem apenas usa suplementos de origem duvidosa. Quem toma de propósito não tem defesa nenhuma.

Se ele competia em federação com controle antidopagem, esse era o assunto do tópico, e não os miligramas.

Agora o argumento que precisa ser desfeito, com todo o respeito, porque ele foi a base da decisão.

Ele escreveu que esteroides são corticoesteroides, e que por isso preferia o SARM, que seria apenas anabolizante.

Isso confunde duas classes que não têm relação funcional nenhuma.

Corticosteroides, como prednisona e dexametasona, agem no receptor de glicocorticoide. Eles são catabólicos para músculo, elevam glicemia, causam osteoporose, atrofia de pele e supressão do eixo do cortisol. É deles que vêm a cara inchada e a perda de massa muscular que as pessoas associam a bomba.

Esteroides anabolizantes, como testosterona e oxandrolona, agem no receptor de androgênio. São anabólicos para músculo, e não fazem nada disso.

As duas classes compartilham apenas o esqueleto químico de quatro anéis, que é o que a palavra esteroide descreve. Chamá-las de a mesma coisa é como agrupar sal de cozinha e cianeto porque os dois são sais.

O @Toxi tentou corrigir isso duas vezes, dizendo que anabolizante também não é corticoide, e tinha razão. Registro aqui porque essa confusão é comum e leva gente a escolher pelo motivo errado.

Agora o número, que é o ponto principal.

Ele afirmou que a ostarina, nos piores cenários e em ciclos longos, baixaria a testosterona em até 40 por cento.

Os ensaios clínicos de fase 2 com enobosarm, que é o nome farmacêutico da ostarina, mostraram supressão de testosterona total dependente da dose: cerca de 31 por cento com 1 mg por dia, e cerca de 57 por cento com 3 mg por dia.

Ele planejava 12,5 mg por dia.

Ou seja, quatro vezes a maior dose testada nesses estudos, e essa maior dose já derrubava a testosterona pela metade. Não existe medida publicada do que 12,5 mg fazem, porque ninguém estudou.

Isso dá razão ao @Toxi por um caminho que ele não tinha como demonstrar em 2018, quando disse que a supressão com 10 mg de oxandrolona provavelmente seria menor que a daquela ostarina. A comparação dele estava correta na direção.

E aqui entra o outro lado da mesma moeda, que também vale saber. Nesses estudos, o ganho de massa magra em doze semanas ficou na casa de um quilo, e em população idosa ou com caquexia, ou seja, pessoas com muito espaço para ganhar. Ele é um homem com 23 anos de treino, 10 por cento de gordura, e o objetivo declarado era ganhar 5 kg.

Cinco quilos de massa magra, nessa condição, não estão ao alcance de nenhum SARM. O que ele iria receber é aproximadamente um quilo, com metade da testosterona.

Três informações de segurança que não apareceram no tópico.

A primeira é o fígado. No ensaio de fase 2 com a dose de 3 mg, houve elevação de TGP em 20,8 por cento dos participantes. E existem relatos publicados de lesão hepática colestática grave associada à ostarina, em pessoas jovens e saudáveis, algumas com icterícia prolongada. Em 2017 a agência americana emitiu alerta a fabricantes justamente sobre toxicidade hepática dos SARMs e sobre possível aumento de risco de infarto e AVC.

A segunda é o HDL, que cai com a ostarina como cai com androgênios em geral, e não dá sintoma nenhum.

A terceira é sobre a expressão SARM ser tratada como sinônimo de seguro. Seletividade, nesse contexto, significa que o composto age mais em músculo e osso do que em próstata e pele. Não significa que ele não suprima o eixo, e os números acima mostram que suprime bastante. Seletivo não é sinônimo de leve.

Sobre o MK-677, que ele citou como não suprimindo nada.

Está correto quanto ao eixo, e por um motivo simples: ele não é um SARM. É um secretagogo de hormônio do crescimento, que age em outro sistema. Só que ele tem os efeitos próprios dessa via, que são retenção de líquido, aumento de glicemia e piora da sensibilidade à insulina, além de aumento de apetite. Para um atleta que precisa bater peso de categoria, retenção de líquido é justamente o que atrapalha.

Sobre o protocolo montado com seis substâncias simultâneas, o @Apollo Galeno deu a melhor observação do tópico.

Quando se toma ostarina, tongkat ali, zinco, boro, raiz de urtiga e o que mais vier ao mesmo tempo, e alguma coisa dá errado, não há como saber de onde veio. E, se der certo, também não há como saber o que funcionou. É o problema de desenho experimental que atravessa quase todos os relatos do fórum.

E ele acrescentou algo que vale reforçar: fitoterápico não é sinônimo de inofensivo. Tongkat ali, por exemplo, tem relatos de elevação de enzimas hepáticas, e produtos importados dessa categoria já foram encontrados com contaminação por metais pesados e com adulteração por medicamentos de verdade. Para quem compete, essa é outra porta de contaminação.

Sobre a sugestão de tamoxifeno ou clomifeno para elevar testosterona endógena.

Preciso fazer duas ressalvas. A primeira é a mesma do começo: moduladores hormonais e metabólicos estão na lista proibida da antidopagem, então para um competidor a conversa termina aí.

A segunda é que ele relatou testosterona em torno de 500, que é um valor normal. Usar um modulador de receptor de estrogênio para elevar testosterona em quem tem testosterona normal é uso fora de indicação, com efeitos próprios, incluindo alteração visual com clomifeno e risco de trombose com tamoxifeno.

E a relação de 5 a 7 vezes entre as doses das duas substâncias, mencionada no fim, não tem respaldo que eu tenha encontrado. As doses usadas na prática clínica para estimular o eixo são de ordem de grandeza parecida entre as duas.

Por fim, o que eu diria a ele, e ele tem uma vantagem que quase ninguém no fórum tem.

Ele lutou uma categoria acima da dele, com 77 kg contra atletas de até 82 kg, e escreveu que não sentiu a diferença de peso, que estava forte e ágil, e que atribuiu isso à técnica. Ele chegou à final da chave num mundial master, aos 39 anos, sem nunca ter usado nada.

Quem está nessa situação tem muito mais a perder com uma suspensão por dopagem do que a ganhar com um quilo de massa magra. E os 5 kg que ele queria, num competidor de categoria leve, iriam justamente empurrá-lo para fora da categoria em que ele vinha vencendo.

Para quem quiser entender como se organiza um protocolo hormonal e quais exames costumam entrar antes, durante e depois, o site tem um orientador simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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