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Baixa libido em mulher

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Olá estou saindo com uma mina ela me disse que o anticoncepcional que ela está fazendo uso baixou drasticamente a libido dela por se tratar de hormônio pensei em indicar para ela testogel manipulada, sugerem algo melhor a se recomendar ? Pesso a ajuda de todos para ela e para mim a libido e mto importante tbm. @Bravo Costa @Locemar @Kami Back e @apolo e meninas que já passaram por esse problema tbm se puderem ajudar .

Editado em por Mr-Ferreira

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    A solução pro caso dela não é usar testosterona. Nesse caso fica contraindicado o uso. Anticoncepcional tem risco de trombose e com uso do AEs esse risco aumenta. Anticoncepcional aumenta o shbg

  • Só vou responder porque você me marcou, e o anticoncepcional libera mais SHBG que se liga à testosterona livre dela. É o que todos falaram aí em cima....

  • A solução pro caso dela é não usar anticoncepcional: este que eleva o SHBG e zera a testosterona dela. Veja se a libido melhora sem o anticoncepcional e depois pode-se pensar em testosterona se não ho

A solução pro caso dela não é usar testosterona. Nesse caso fica contraindicado o uso.

Anticoncepcional tem risco de trombose e com uso do AEs esse risco aumenta. Anticoncepcional aumenta o shbg e deixa pouca testosterona livre (por isso a baixa libido)

A solução para ela é parar o uso do anticoncepcional e colocar DIU de cobre (como método anticonceptivo). Outra é fazer dieta pois excesso de carboidratos na dieta tb aumenta o shbg.

  • 6 anos depois...

O mecanismo que o pessoal apontou está certo, @Mr-Ferreira, e vale detalhar porque tem desdobramento prático importante.

O etinilestradiol, que é o estrogênio sintético da maioria das pílulas combinadas, passa pelo fígado e aumenta muito a produção de SHBG, a proteína que carrega hormônio sexual no sangue. O aumento não é discreto, chega a ser de duas a quatro vezes. Como só a testosterona livre é biologicamente ativa, o resultado é uma mulher com testosterona total até normal no exame e testosterona livre no chão. Daí a queda de libido, e frequentemente também ressecamento vaginal e dificuldade de chegar ao orgasmo.

Tem um detalhe que quase ninguém conhece e que muda a conversa: o SHBG demora a normalizar depois que a pílula é suspensa. Leva meses, e existem trabalhos sugerindo que em parte das mulheres ele não volta completamente ao valor original. Essa última parte é controversa e a evidência não está fechada, então não dá para afirmar como certeza. Mas serve de aviso contra a expectativa de que basta parar hoje para a libido voltar na semana que vem. O prazo realista para avaliar é de três a seis meses.

Agora, sobre a ideia do testogel, a orientação de contraindicar está correta e eu reforço com o número. Gel de testosterona formulado para homem entrega em torno de 50 mg de testosterona por aplicação. A dose usada em protocolos femininos é cerca de um décimo disso. Dar gel masculino para mulher, sem dose calibrada e sem controle de exame, é caminho direto para virilização, e os efeitos mais graves dessa lista, engrossamento da voz e aumento do clitóris, têm boa chance de serem definitivos. Some a isso o ponto que o Bravo Costa levantou sobre trombose, que é real: anticoncepcional combinado já aumenta risco tromboembólico, e androgênio em cima aumenta mais.

Para ser justo com o tema, existe sim uso de testosterona em mulher com respaldo. Uma declaração de consenso internacional de 2019 apoia o uso de testosterona em dose fisiológica feminina para transtorno do desejo sexual hipoativo, mas especificamente em mulheres na pós-menopausa, com diagnóstico feito e com acompanhamento de exame. Para mulher jovem na pré-menopausa, não há evidência suficiente de eficácia nem de segurança, e não é recomendado. Ou seja, a coisa existe, mas não é o caso dela.

Agora o que eu acho que faltou no tópico e que é a resposta mais útil. Todo mundo disse para ela parar o anticoncepcional, mas ela provavelmente está tomando porque precisa de contracepção. "Para de tomar" sem oferecer alternativa não é conduta, é meio caminho.

O que existe de alternativa, e vale levar para a ginecologista dela:

Trocar o progestágeno. Nem toda pílula age igual. Os progestágenos com atividade antiandrogênica, como acetato de ciproterona, drospirenona e clormadinona, são justamente os que mais derrubam libido, porque além do efeito do SHBG eles bloqueiam o receptor de andrógeno. Trocar por uma formulação com progestágeno de perfil mais androgênico, como levonorgestrel, resolve o problema em uma parte das mulheres sem abandonar a pílula.

DIU de cobre, que foi a sugestão do Bravo Costa, é a opção sem hormônio nenhum e faz sentido.

DIU hormonal com levonorgestrel é outra opção interessante, porque a ação é predominantemente local no útero e o impacto sistêmico sobre SHBG é bem menor que o da pílula.

E vale ela conferir os exames antes de atribuir tudo à pílula: testosterona total e livre, SHBG, prolactina, TSH, ferritina e vitamina D. Prolactina alta, hipotireoidismo e deficiência de ferro derrubam libido do mesmo jeito e são comuns em mulher jovem. Uso de antidepressivo da classe dos inibidores de recaptação de serotonina é outra causa frequentíssima e costuma passar batido. Concluir que é o anticoncepcional sem olhar o resto é o erro mais comum aqui.

Uma última coisa, e você mencionou que a libido também importa para você. Vale ela conversar com a ginecologista sobre isso de forma direta, porque queda de desejo é queixa legítima e motivo suficiente para trocar de método contraceptivo. Muita mulher não menciona por achar que é frescura, e continua anos num método que não serve para ela.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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