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Mais um ciclo, mas apenas relatando...

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  • @Keto O problema é que eu já venho disso, entende? O meu caso não é aquele mesmo da média. Já fiz tudo que o Hospital Sarah recomendou e me deram alta da fisioterapia, me encaminharam para musculação

  • Apollo Galeno
    Apollo Galeno

    Tópico incompleto..... Sigo observando.......

  • @Keto eu te peço primeiramente desculpas, não quero parecer arrogante, meu amigo. É porque realmente a minha condição é bem específica. Logicamente, se eu abri o tópico, é porque sei da qualidade dos

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  • 5 anos depois...

@Scarian, o tópico tem um ponto que passou sem revisão e que muda coisa importante no seu planejamento: os tais protetores.

SAMe e acetilcisteína entraram na conversa como hepatoprotetores, e a resposta que você recebeu foi "não vejo necessidade", o que está certo, mas sem explicar o porquê, e o porquê é o que importa. Testosterona enantato e decanoato de nandrolona são injetáveis e não são 17-alfa-alquilados. A alquilação na posição 17-alfa é justamente a modificação química que faz o oral resistir à passagem pelo fígado e é ela que responde pela hepatotoxicidade clássica, colestase e elevação de enzimas. Injetável de éster longo não tem esse problema. Ou seja, em enantato mais nandrolona não existe nada a proteger no fígado, e você estaria gastando dinheiro em cima de um risco que não está lá. O único item do seu plano que justificaria conversa sobre fígado é a oxandrolona, e mesmo ela é das mais brandas entre os orais nesse quesito. Sobre a acetilcisteína especificamente, o uso com evidência sólida dela é intoxicação por paracetamol. Como hepatoprotetor genérico de ciclo, é folclore.

O que realmente merece atenção nesse protocolo não é fígado, é lipídio e pressão. Testosterona em dose supra somada a nandrolona derruba HDL de forma consistente e bem documentada, e você é um homem de 38 anos que quer melhorar a lombar para trabalhar melhor, não um competidor. Perfil lipídico antes, no meio e depois, além de pressão aferida em casa, valem muito mais do que qualquer cápsula de protetor.

Sobre a nandrolona em dose baixa para lombar, vale ser honesto com você. Existe fundamento, não é conversa de academia: a nandrolona aumenta síntese de colágeno e teve uso clínico formal em osteoporose por décadas, e boa parte do alívio articular relatado vem de aumento de conteúdo hídrico e de matriz no tecido conjuntivo. Só que existe também o outro lado, que quase nunca é dito: parte do que as pessoas chamam de "articulação lubrificada" é redução da percepção de dor num tecido que continua com o mesmo problema estrutural. Numa lombar crônica, alívio sem correção mecânica é exatamente o cenário em que a pessoa aumenta carga e volume porque parou de doer, e volta pior quando o ciclo termina. Se você usar, use com a regra de não aumentar carga durante o ciclo com base em como a dor está.

Ainda sobre nandrolona: mesmo a 25 mg por semana ela suprime o eixo com força desproporcional à dose e tem meia-vida longa, então ela é a substância do seu plano que mais atrapalha a recuperação depois. Se o objetivo declarado é "voltar o contato com AEs" depois de anos parado, ela é o item mais dispensável da lista.

Agora o ponto que eu acho mais importante e que ninguém tocou. Você ficou quase um ano sem treinar e está retomando. Quem já treinou antes recupera massa muito mais rápido do que construiu na primeira vez, e o mecanismo mais aceito para isso é a retenção de mionúcleos adquiridos no treinamento anterior, que não se perdem com o destreino. Traduzindo em prática: os primeiros três a seis meses de volta são o período em que você mais ganha por unidade de esforço, sem nada. Ciclar exatamente nessa janela desperdiça o retorno natural mais barato que existe e ainda mistura as variáveis, porque você não vai saber o que foi o ciclo e o que foi o retorno.

Sobre a lombar em si, o que tem melhor evidência é menos glamouroso do que parece. A revisão de Steffens publicada no JAMA Internal Medicine em 2016, com 21 ensaios randomizados e mais de 30 mil participantes, encontrou exercício, sozinho ou combinado com educação, como a única intervenção associada a reduzir episódios de dor lombar. Cinta lombar, palmilha e educação isolada não mostraram efeito. Ou seja, o caminho é carga progressiva e constância, e o efeito some quando o programa para, o que quer dizer que isso é rotina permanente e não tratamento de doze semanas. A sugestão do @Foston de terra com carga moderada tem apoio na literatura, com uma ressalva útil: em quem está com dor mais intensa e pouca resistência dos extensores lombares, o terra tende a render menos no começo, e nesses casos vale entrar primeiro por exercícios de baixa carga e alta resistência, ponte, prancha e variações, e migrar para o terra quando a tolerância subir.

Sobre a dieta que você postou, 235 g de proteína é bastante acima do que rende. Os dados de dose-resposta apontam ganho adicional desprezível acima de aproximadamente 1,6 g por quilo. O excesso não faz mal com função renal normal, só está ocupando calorias que renderiam mais como carboidrato em torno do treino, que é justamente o que sustenta volume de trabalho e, no seu caso, sustenta o fortalecimento que a lombar precisa. Redistribuir uns 40 a 50 g de proteína para carboidrato peri-treino seria um ajuste barato e com retorno bom.

Um último ponto sobre a oxandrolona que você pensou em somar na terceira semana. A resposta que você recebeu no tópico, de que o efeito lipolítico é irrisório, procede. Acrescento o motivo: a maior parte do que se descreve como efeito de recomposição da oxandrolona vem de estudos em grandes queimados e em perda de peso patológica, contexto em que qualquer anticatabólico brilha. Em homem saudável em déficit moderado, o que ela entrega é força e um pouco de preservação, não perda de gordura. Quem perde gordura é o déficit.

Fora isso, o relato está bem organizado e o acompanhamento com exames antes e depois é o jeito certo de fazer. Se quiser simular o protocolo com doses e tempos antes de fechar, o site tem um gerador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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