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Rumo a uma vida Saudável - Diário de Treino

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O @Marco Passarelli escreveu, no primeiro post, uma informação que atravessa o relato inteiro e que nunca foi comentada por ninguém em duzentas mensagens.

Ele estava fazendo o desmame de Depakote, um anticonvulsivante, com oito anos sem crises. E explicou a origem: quando era mais novo, se privava muito de sono, o que ocasionava convulsões.

Isso muda a leitura de várias coisas discutidas aqui, e é por onde eu preciso começar.

Primeiro, o que ele estava fazendo certo: retirada gradual, e não abrupta. Interrupção súbita de anticonvulsivante é uma das piores decisões possíveis, e ele estava seguindo o caminho correto, com desmame.

Segundo, e é aqui que o tópico devia ter parado para pensar: o período de retirada de um antiepiléptico é justamente aquele em que a chance de recorrência de crise é maior. E o gatilho mais bem documentado para crise, na literatura, é privação de sono.

Ou seja, ele estava atravessando a janela mais sensível da vida clínica dele exatamente enquanto:

Estudava para a prova da OAB, que é o cenário clássico de noite mal dormida e estresse alto.

Treinava pesado, com sessões longas e progressão agressiva de carga.

E recebia, no tópico, sugestões como acrescentar mais uma sessão de HIIT ao longo do dia, porque melhor fazendo do que pensando.

Não estou dizendo que treinar era errado. Atividade física regular é benéfica, inclusive para quem tem epilepsia, e a maioria das pessoas com epilepsia controlada pode e deve treinar. O que precisava estar dito é outra coisa: no caso específico dele, sono não era uma variável de performance. Era uma variável de segurança.

E existem duas outras que valem para quem treina pesado nessa situação: desidratação e distúrbio eletrolítico também são gatilhos reconhecidos, o que torna hidratação e reposição de sódio e potássio mais relevantes do que seriam para outra pessoa. E pré treino estimulante em dose alta é o tipo de coisa que se conversa com o neurologista antes, não depois.

Nada disso é motivo para ele parar. É motivo para o desmame acontecer sob orientação do neurologista, com uma conversa explícita sobre rotina de sono, e para ele saber que dormir mal na semana da prova era, para ele, um risco diferente do que é para os colegas.

E há um detalhe do próprio Depakote que ajuda a explicar parte do relato: ácido valproico está entre os medicamentos mais associados a ganho de peso. Ou seja, é bem possível que parte da mudança que ele viveu nesse período tenha vindo também da retirada da medicação, e não só da dieta. Isso não tira mérito nenhum dele. Só explica por que a resposta foi tão rápida.

Agora a coluna de pesos, que é o outro achado do tópico.

Os registros foram: 83,7 no início, 90,1 na primeira atualização, 82,3 na segunda, 85,8 na terceira, e 81,1 pouco depois.

Ou seja, ele teria ganhado 6,4 kg em três semanas, perdido 7,8 kg nas quatro seguintes, ganhado 3,5 kg de novo e perdido 4,7 kg em três semanas.

Nada disso é tecido. Não existe fisiologia que ganhe e perca seis, sete, oito quilos de gordura e músculo nesses intervalos, comendo o que ele comia.

O que oscila nessa velocidade é água, glicogênio e conteúdo intestinal, e as condições de medida: balança diferente, hora do dia, refeição livre no fim de semana anterior, quantidade de carboidrato dos dias anteriores.

Cada uma dessas variações foi interpretada, no tópico, como perdeu gordura e ganhou massa. Às vezes era mesmo, porque as fotos e as roupas mudaram de verdade. Mas o número não sustentava a leitura, e ele mesmo escreveu, honestamente, que estava abismado com aquele peso todo.

A saída é chata e resolve: pesar sempre na mesma balança, em jejum, depois de urinar, no mesmo dia da semana, e olhar a média de sete dias em vez do valor do dia. E, quando peso e fita discordarem, a fita ganha.

Aliás, ele fez uma coisa certa que merece registro: descartou o número de gordura corporal da bioimpedância. Estava certo, e vale saber por quê. Bioimpedância não mede gordura, mede resistência elétrica e estima a composição a partir da água corporal, assumindo hidratação padrão. Em quem está mudando carboidrato e hidratação toda semana, essa premissa não vale.

Agora duas correções sobre orientação de treino.

A primeira é a ideia de que o treino é contra você mesmo, de que se sentiu dor deve continuar, e de que se a série pede 12 é para ir até 20.

Vale separar duas coisas que a frase junta. Desconforto de esforço é para ser atravessado, e é isso que faz a série valer. Dor articular, dor pontual e sempre no mesmo movimento, não: essa é informação, e insistir nela é como transformar um incômodo em lesão que tira do treino por um ano.

E sobre extrapolar as repetições prescritas: se a série pede 12 e a pessoa faz 20 sempre, a carga está leve e o certo é subir a carga, não somar repetições. Fazer sempre além do prescrito muda o estímulo, aumenta muito a fadiga acumulada e atrapalha justamente a progressão de carga, que é o que ele estava registrando e que é o melhor marcador de resultado que existe.

A segunda é sobre a velocidade da progressão. Ele saiu de 140 kg para 210 kg no leg press em duas semanas, e de 30 para 60 e depois 90 kg no agachamento.

Isso é ótimo e é esperado no começo: os primeiros meses de progressão vêm em grande parte de aprendizado neural, ou seja, o sistema nervoso aprende a recrutar melhor o que já existe. É a fase mais generosa da vida de treino e ele aproveitou bem.

O cuidado é um só: nessa velocidade, o tendão e a técnica não acompanham o número. Setenta quilos a mais em duas semanas no leg press quase sempre significa que a amplitude diminuiu. Vale filmar de lado uma vez por mês e conferir se a profundidade continua a mesma. Se diminuiu, o número subiu e o estímulo caiu.

Três notas rápidas.

A primeira é a vesícula retirada, que ele informou no primeiro post e ninguém retomou. Em geral não muda nada na dieta, e a maioria das pessoas leva vida normal. Mas parte delas passa a tolerar pior refeições com muita gordura de uma vez, com desconforto ou intestino solto. Se isso acontecer com ele, a solução é distribuir a gordura ao longo do dia em vez de concentrar, e não cortar gordura.

A segunda é o ômega 3, sobre o qual ele perguntou e recebeu a resposta certa: se já comprou, use, e se não comprou, coma sardinha ou atum duas vezes por semana. Comida antes do pote é quase sempre a resposta correta, e nesse caso é também a mais barata.

A terceira é o alongamento e a ioga que ele passou a fazer depois do treino, e sobre os quais escreveu que o deixavam zerado para o dia. Isso não vai aumentar hipertrofia nem prevenir dor muscular tardia, e é bom que ele saiba disso. Mas melhora amplitude de movimento e ele relatou que se sentia melhor, o que já é motivo suficiente. Se ajuda a dormir, no caso dele vale ainda mais.

Fecho com o que eu acho.

Ele chegou aqui desempregado, recém formado, estudando para a OAB, na pior forma da vida, e montou uma rotina que sustentou por meses no meio disso. Aprendeu a cozinhar as próprias refeições, registrou tudo, filmou a própria evolução e agradeceu praticamente todo mundo que passou pelo tópico.

O que faltou não foi disciplina nem apoio, que ele teve de sobra. Faltou alguém ler a primeira linha do primeiro post e dizer a ele que, no caso dele, dormir era parte do protocolo.

Para quem quiser montar um treino com base na própria rotina e no equipamento disponível, o site tem um gerador de treino em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/treino/ , que serve como ponto de partida para ajustar com acompanhamento.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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  • Marco Passarelli
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    Boa tarde, meu camaradas foristas!  Finalmente chegou esse dia kk então sem mais delongas:    PESO INICIAL/ PESO ATUAL = 83,7kg / 90,1 kg *(estou abismado com esse peso todo)

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